terça-feira, 9 de março de 2010

IBM projeta plástico biodegradável para substituir produtos à base de petróleo que prejudicam o ambiente.

09/03/2010 - 11h53

IBM projeta plástico biodegradável à base de vegetais

da France Presse, em San Francisco
Pesquisadores da IBM anunciaram nesta terça-feira (9) a descoberta de uma forma de fabricar plástico a partir de plantas para substituir produtos à base de petróleo que prejudicam o ambiente.
A empresa promete a obtenção de um plástico biodegradável fabricado de tal maneira que permita economizar energia, segundo Chandrasekhar "Spike" Narayan, diretor de Ciência e Tecnologia do Centro de Pesquisas da IBM em Almaden, no norte da Califórnia.
Pesquisadores das universidades de Almaden e Stanford ressaltaram que seus resultados anunciavam o início de uma era de sustentabilidade para a indústria do plástico, com "produtos quase eternos que não encherão as lixeiras em todo o mundo".
"Esta descoberta e este novo enfoque por meio do uso de catalisadores orgânicos poderão nos permitir obter moléculas bem definidas e biodegradáveis a partir de fontes renováveis de uma maneira responsável" para com o ambiente, ressaltou a IBM em um comunicado.
A descoberta da "química verde" com "catalisadores orgânicos" permite obter um plástico reciclável várias vezes, em vez de apenas uma, como ocorre com o fabricado por meio do uso de catalisadores de óxido de metal.
 Alex Almeida-15.jul.08/Folha Imagem


Medicina
Esses "plásticos verdes" poderão também servir para aperfeiçoar tratamentos médicos, como o tratamento contra o câncer, destinado a eliminar as células malignas sem afetar as sãs.
"Estamos explorando novas formas de aplicar a tecnologia e nossa perícia em ciências de materiais para criar um sólido futuro sustentável para o ambiente", afirmou o diretor do laboratório de pesquisas, Almaden Cheng.
A IBM trabalha com cientistas na "Cidade saudita para a Ciência e a Tecnologia" de King Abdul Aziz para pôr em prática a descoberta.
"Estamos começando a estudar a variedade de coisas que podemos fazer com isso", ressaltou Narayan.
Os resultados do trabalho foram publicados nesta semana na revista "American Chemical Society's Macromolecules".
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u704336.shtml

segunda-feira, 8 de março de 2010

Nova serpente litorânea

Nova serpente litorânea

Estudante de biologia descobre espécie endêmica de restingas da Região dos Lagos do Rio de Janeiro. O animal está ameaçado de extinção por causa da degradação ambiental na área.
Por: Camilla Muniz
Publicado em 05/03/2010 | Atualizado em 05/03/2010
A nova espécie de serpente encontrada na baixada litorânea do Rio de Janeiro apresenta coloração palha ou marrom claro e atinge cerca de 30 centímetros de comprimento na fase adulta (foto: Sávio Freire Bruno).  

Uma nova espécie de serpente endêmica da mata atlântica foi descoberta em um remanescente de restinga, ambiente característico de áreas litorâneas, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. O animal recebeu o nome provisório de Tantilla sp. Embora recém-descoberta, a serpente já é considerada ameaçada de extinção por causa da destruição de seu hábitat.
A Tantilla sp. foi encontrada pela estudante de biologia Angele Martins, da Universidade Federal Fluminense (UFF), durante uma pesquisa de campo realizada entre julho de 2008 e março de 2009 como parte de seu trabalho de conclusão de curso. O estudo fez parte de um levantamento das espécies de anfíbios e répteis presentes no Núcleo Experimental de Iguaba Grande, área de restinga pertencente à UFF.

A serpente apresenta coloração palha ou marrom claro e atinge cerca de 30 centímetros de comprimento na fase adulta, quando seu peso estimado não chega a 50 gramas. Seis exemplares da nova espécie foram capturados e depositados na coleção herpetológica do Museu Nacional da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “A maioria dos animais são machos, mas também conseguimos fêmeas e indivíduos juvenis”, conta Martins.
Para a captura, foram usadas armadilhas de percepção e queda, chamadas de pitfalls. Seu funcionamento baseia-se na utilização de baldes de 60 litros enterrados a cinco metros uns dos outros com a borda ao nível do solo e ligados por uma lona de plástico de 60 centímetros de altura que forma uma espécie de barreira. A ideia é fazer com que animais rastejantes caiam diretamente nos baldes ou que a queda seja provocada pelo desvio de sua trajetória quando eles se deparam com a lona.

 A 'Tantilla' sp. foi descoberta em uma área de restinga em Iguaba Grande, na Região dos Lagos do Rio de Janeiro (foto: Sávio Freire Bruno).

Espécie ameaçada

O estudo concluiu que a nova espécie ocorre apenas na Região dos Lagos (RJ), mais precisamente no Núcleo Experimental de Iguaba Grande, no Pontal do Atalaia (em Arraial do Cabo) e na Fazenda Cordeiros (em São Pedro da Aldeia). Segundo o orientador da pesquisa, o veterinário Sávio Freire Bruno, da UFF, essas áreas, que abrigam remanescentes naturais de restingas, vêm sendo degradadas devido ao desenvolvimento de atividades humanas e à especulação imobiliária.
“Por ser restrita a um hábitat que está desaparecendo gradualmente, a Tantilla sp. encontra-se em perigo de extinção”, alerta Bruno. E completa: “São necessários mais estudos sobre as restingas para apoiar ações de preservação da sua biodiversidade.”

Camilla Muniz
Ciência Hoje On-line
http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2010/03/nova-serpente-litoranea
 

Partos na adolescência diminuem

08/03/2010 - 15h18

Partos na adolescência diminuem 22% em cinco anos

Colaboração para a Folha Online
O número de partos de adolescentes de 10 a 19 anos pelo SUS (Sistema Único de Saúde) caiu 22,4% de 2005 a 2009. Entre 2000 e 2009, queda foi de 34,6%. Os dados são do Ministério da Saúde e foram divulgados nesta segunda-feira.
Paula Huven - 4.dez.2008/Folha Imagem
Educação sexual nas escolas e distribuição de preservativos fizeram com que o número de adolescentes grávidas diminuísse

Na primeira metade da década passada, a redução foi de 15,6%. De 2000 a 2009, a maior taxa de queda anual ocorreu no ano passado, quando foram realizados 444.056 partos em todo o país -- 8,9% a menos que em 2008. Em 2005, foram registrados 572.541.
A maior redução no número de partos de adolescentes, nos últimos cinco anos, ocorreu na região Nordeste (26%). Em 2005, foram 214.865 procedimentos contra 159.036 no ano passado. O Centro-Oeste vem em seguida, com 32.792 partos -- 24,4% a menos que em 2005 (veja tabela abaixo).
O Ministério da Saúde atribui a redução de jovens grávidas ao resultado das campanhas e à ampliação do acesso ao planejamento familiar. Segundo o órgão, em 2009 foram investidos R$ 3,3 milhões em ações de educação sexual e ampliação na distribuição de preservativos para os jovens.
Ainda de acordo com o ministério, nos últimos dois anos, 871,2 milhões de camisinhas foram distribuídos para toda a população. Os preservativos podem ser retirados por qualquer pessoa nos postos de saúde.
A coordenadora de saúde do adolescente e do jovem do Ministério da Saúde, Thereza de Lamare, afirmou, por meio de nota, que o sistema público está mais preparado para dar orientações sobre a saúde sexual para essa faixa etária.
No entanto, o planejamento familiar ainda enfrenta resistência por causa de preconceito. "Até hoje, alguns adultos têm dificuldade de compreender que o adolescente é um indivíduo sexuado e, em seu processo de crescimento, ele vai descobrir e ter relações afetivas. Reconhecer os direitos sexuais e reprodutivos desse grupo é uma conquista do Brasil", disse a coordenadora por meio de assessoria.

Região 2000 2005 2009 Variação
Norte 79.416 76.172 62.046 -21,90%
Nordeste 249.057 214.865 159.036 -36,10%
Centro-Oeste 52.112 43.362 32.792 -37%
Sudeste 217.243 174.465 138.401 -36,30%
Sul 81.530 63.677 51.781 -36,50%
 

Educação sexual
Em 2003, uma parceria entre os ministérios da Saúde e Educação iniciou uma série de ações de prevenção de DSTs em colégios públicos. Essas atividades foram incorporadas pelo PSE (Programa Saúde na Escola), implementado em 2008.
O PSE é uma das ferramentas de conscientização dos estudantes de ensino médio para prevenir DSTs e evitar gravidez indesejada. De acordo com o Ministério da Saúde, mais de 8 milhões de alunos de 54 mil escolas já foram orientados desde o início do programa. Dessas, quase dez mil distribuem preservativos. O programa alcança atualmente 1.306 municípios brasileiros.
Complementando as ações educativas, o Ministério da Saúde começou a produzir as cadernetas de saúde do adolescente no ano passado. O documento contém informações sobre temas essenciais para os mais jovens, como alimentação, saúde sexual e reprodutiva e uso de drogas. No total, foram entregues 4 milhões de cadernetas em 451 municípios. A previsão do órgão para 2010 é de distribuir mais 5 milhões nos postos de saúde. O Ministério da Educação informou que também vai enviar 6 milhões de cartilhas para as unidades básicas de saúde dos municípios onde foi implementado o PSE.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u703884.shtml

domingo, 7 de março de 2010

6º banco brasileiro de sangue de cordão será público

05/03/2010 - 08h58

Hospital terá sexto banco público brasileiro de sangue de cordão

FERNANDA BASSETTE
da Folha de S.Paulo
O Hospital Sírio-Libanês inaugura no dia 11 o sexto banco público de sangue de cordão umbilical do país. O hospital fez uma parceria com a maternidade Amparo Maternal, que realiza cerca de 30 partos por dia.
Com um investimento de cerca de R$ 7 milhões, a expectativa é congelar 3.700 unidades de sangue de cordão nos próximos três anos. O banco terá capacidade para armazenar 10 mil bolsas.
Eliana Assumpção/Divulgação
Expectativa do hospital é de congelar 3.700 unidades de sangue de cordão nos próximos três anos; investimento foi de R$ 7 milhões

"Um dos principais objetivos desse banco é aumentar a oferta de doadores para o transplante de medula", explicou a hematologista Yana Novis, coordenadora do Departamento de Onco-Hematologia e Transplante de Medula do hospital.
O sangue de cordão umbilical é usado no tratamento de doenças hematológicas, como linfomas e leucemias. A chance de um paciente encontrar doador compatível na própria família é de cerca de 25%, enquanto a possibilidade de encontrar um doador não aparentado é de aproximadamente 60%.
Segundo a hematologista Poliana Patah, coordenadora do banco do Sírio, a vantagem do sangue de cordão é que as células são mais imaturas, o que permite um transplante com doador que não seja totalmente compatível com o paciente.
"Outra vantagem é que as bolsas do sangue de cordão estão disponíveis imediatamente. No caso de doador de medula, o processo todo demora cerca de três meses."
A Amparo Maternal atende gestantes de baixo risco e de várias etnias -o que aumenta a possibilidade de coletar bolsas com variados perfis genéticos. "Quanto maior a diversidade do banco, maior a chance de encontrar um doador", diz Patah.
 http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u702640.shtml

sábado, 6 de março de 2010

Biologia reprodutiva do cavalo marinho.

Os segredos do cavalo-marinho

Esses peixes têm um sistema reprodutivo atípico: a incubação dos filhotes é feita nos machos. Em sua coluna de março, Jerry Borges explica como isso acontece e mostra como os cavalos-marinhos podem inspirar pesquisas sobre a reprodução humana.
Por: Jerry Carvalho Borges
Publicado em 05/03/2010 | Atualizado em 05/03/2010
 Cavalo-marinho da espécie 'Hippocampus histrix'. Esses animais pertencem a um dos poucos grupos de peixes que se reproduzem por viviparidade, sistema incomum entre os peixes (foto: Nick Hobgood).

Além da sua beleza, os cavalos-marinhos chamam a atenção por seu sistema reprodutivo peculiar, que se caracteriza pela incubação dos embriões em desenvolvimento dentro do corpo do macho. Descobertas recentes esclareceram alguns dos ’segredos‘ associados a essa forma única de reprodução e nos deram pistas importantes sobre alguns aspectos da biologia do desenvolvimento, inclusive de nossa espécie.
Os cavalos-marinhos e seus parentes, os peixes-pipa, pertencem à família dos singnatídeos, um grupo taxonômico que se reproduz por viviparidade. Essa forma de desenvolvimento é encontrada em todos os grupos de vertebrados, com exceção das aves, mas é pouco comum entre os peixes.
A viviparidade é definida como o nascimento de filhotes bem desenvolvidos e ativos e está associada com a fecundação interna e o desenvolvimento embrionário e fetal no interior do corpo de um dos pais.
Os organismos em que ocorre esse tipo de incubação têm custos energéticos elevados e riscos maiores de predação. Embora os organismos vivíparos apresentem tamanhos reduzidos de ninhada se comparados com espécies que se reproduzem por meio de ovos (ovíparas), a viviparidade permite uma maior sobrevivência da prole, pois minimiza a influência ambiental durante o desenvolvimento embrionário.

A viviparidade é encontrada em 54 famílias de peixes, mas ocorre em apenas 2-3% das cerca de 30 mil espécies conhecidas. Como essas espécies não possuem útero, o desenvolvimento da prole ocorre na cavidade ovariana ou folicular.
A nutrição embrionária pode ocorrer através do vitelo, de outros ovos ou mesmo de outros embriões. Em algumas espécies os recursos alimentares e os gases respiratórios são fornecidos aos embriões através de estruturas epidérmicas, de projeções intestinais, de pseudoplacentas foliculares ou de estruturas similares a placentas, mas que possuem vitelo.

Casos raros

Sempre que se fala em viviparidade, pensamos logo na incubação da prole no corpo das fêmeas. Há, contudo, alguns casos extremamente raros em que o desenvolvimento embrionário pode se processar no corpo de machos.
Alguns exemplos desse tipo incomum de incubação ocorrem em duas espécies de pequenos e ameaçados anfíbios habitantes do sudoeste da América do Sul e conhecidos como sapos de Darwin (gênero Rhinoderma). Esses animais apresentam fertilização externa e seus embriões se desenvolvem por cerca de 20 dias no meio ambiente até se transformarem em girinos e serem capturados e mantidos em expansões bucais dos machos, conhecidas como sacos vocais, até sua metamorfose.
 Peixe-pipa da espécie 'Corythoichthys haematopterus'. Assim como os cavalos-marinhos, esses animais pertencem à família dos singnatídeos, uma das 54 famílias de peixes vivíparos (foto: Steve Childs).

Os peixes singnatídeos são outro exemplo da incubação de embriões vivíparos em machos. Esse grupo compreende 232 espécies conhecidas que exibem uma ampla variedade e complexidade reprodutiva. Entre os singnatídeos, existem espécies que apresentam reprodução externa e outras nas quais as fêmeas incubam seus filhotes. Contudo, é a incubação por machos que faz esse grupo de peixes especial para os estudiosos da reprodução.
Em algumas espécies de singnatídeos, os machos mantêm os embriões em desenvolvimento em uma bolsa de incubação especializada existente na superfície de seus abdomes ou caudas. Esses locais apresentam modificações morfológicas e fisiológicas semelhantes às encontradas nas fêmeas vivíparas.
As estruturas reprodutivas mais complexas são encontradas nas 33 espécies de cavalos-marinhos que também apresentam as alterações fisiológicas reprodutivas mais marcantes. Nessas espécies, as fêmeas transferem seus gametas (ovócitos) ricos em reservas nutritivas (vitelo) para a bolsa de incubação dos machos, onde ocorre a fertilização pelos gametas masculinos.

Nos machos dessas espécies há uma produção muito reduzida de gametas – apenas cerca de 150 células por testículo, o menor valor conhecido entre os peixes. A reduzida competição espermática nessas espécies talvez esteja associada com esse processo, que talvez seja uma adaptação para evitar a fecundação dos ovócitos por mais de um espermatozoide.
Após a fertilização, os zigotos se implantam rapidamente e ocorrem diferenciações e adaptações fisiológicas e morfológicas nos tecidos masculinos associadas com o desenvolvimento embrionário. Há um aumento da vascularização nos locais de implantação embrionária. Também é observada a ocorrência de alterações relacionadas com a osmorregulação, a aeração, a nutrição e a proteção imune dos embriões em desenvolvimento.
 Cavalo-marinho grávido no Aquário de Nova York. O período de gestação dos signatídeos pode ir de 9 a 69 dias, dependendo da temperatura ambiental (foto: Jaro Nemcok).

Apesar de os embriões receberem um suprimento rico de energia de suas mães através do vitelo, acredita-se que os pais também contribuam com nutrientes durante a incubação. Além disso, pesquisas genéticas indicam que as lectinas C – um grupo de proteínas com atividade antibacteriana – são secretadas pelos machos para a proteção dos embriões antes que esses desenvolvam as suas próprias defesas imunes.

A gestação e depois

O período de gestação dos signatídeos possui uma enorme variação, podendo alcançar de 9 a 69 dias, dependendo da temperatura ambiental. Após a gestação, a pseudoplacenta dos machos é eliminada juntamente com os as formas jovens, que passam então a depender somente de si para o desenvolvimento futuro. Não há, portanto, entre os signatídeos qualquer forma de cuidado paternal (ou maternal) da prole.
A regulação hormonal da reprodução dos signatídeos depende da prolactina, um hormônio da hipófise que está relacionado com a osmorregulação, com o desenvolvimento, com as respostas imunes e com a reprodução nos vertebrados. Nos signatídeos, o bloqueio da síntese de prolactina causa abortos e a eliminação dos tecidos associados com a reprodução.
 O esquema indica a localização e a estrutura interna da bolsa de incubação de um cavalo-marinho macho antes e durante o desenvolvimento embrionário (adapatado de Stolting e Wilson, 2007).

 A testosterona e outros hormônios esteroides masculinos regulam o início da incubação nos signatídeos. Os esteroides femininos, como o estradiol e a progesterona, por sua vez, também controlam o desenvolvimento embrionário nessas espécies de peixes. Contudo, são necessárias pesquisas para verificar como se comportam os níveis desses hormônios durante a incubação masculina.
Diversas espécies de signatídeos podem ser cultivadas em laboratório com certa facilidade. Por terem tempos de geração curtos (3-12 meses), elevada fecundidade (de 50 a 2 mil filhotes por ninhada) e um genoma haploide pequeno (de 500 milhões a um bilhão de bases nitrogenadas), os cavalos-marinhos e outras espécies de seu grupo podem ser considerados modelos interessantes para pesquisas futuras que poderão esclarecer como ocorre a reprodução do ponto de vista morfológico, fisiológico e genético.
O estudo desses animais pode gerar dados essenciais para a compreensão desse processo em nossa própria espécie. Além disso, esses simpáticos peixes oferecem uma oportunidade para que possamos investigar o processo de seleção sexual e compreender melhor o papel masculino na reprodução.

Jerry Carvalho Borges
Departamento de Medicina Veterinária
Universidade Federal de Lavras
 Sugestões para leitura

Dzyuba,B., Van Look,K.J., Cliffe,A., Koldewey,H.J., and Holt,W.V. (2006). Effect of parental age and associated size on fecundity, growth and survival in the yellow seahorse Hippocampus kuda. J. Exp. Biol. 209, 3055-3061.

Jones,A.G., Moore,G.I., Kvarnemo,C., Walker,D., and Avise,J.C. (2003). Sympatric speciation as a consequence of male pregnancy in seahorses. Proc. Natl. Acad. Sci. U. S. A 100, 6598-6603.

Ripley,J.L. and Foran,C.M. (2006). Differential parental nutrient allocation in two congeneric pipefish species (Syngnathidae: Syngnathus spp.). J. Exp. Biol. 209, 1112-1121.

Rothchild,I. (2003). The yolkless egg and the evolution of eutherian viviparity. Biol. Reprod. 68, 337-357.

Soares,M.J., Konno,T., and Alam,S.M. (2007). The prolactin family: effectors of pregnancy-dependent adaptations. Trends Endocrinol. Metab  18, 114-121.

Stolting,K.N. and Wilson,A.B. (2007). Male pregnancy in seahorses and pipefish: beyond the mammalian model. Bioessays 29, 884-896.

Van Look,K.J., Dzyuba,B., Cliffe,A., Koldewey,H.J., and Holt,W.V. (2007). Dimorphic sperm and the unlikely route to fertilisation in the yellow seahorse. J. Exp. Biol. 210, 432-437.

Acúmulo de matéria orgânica, que provocou a proliferação de algas e matou peixes no RJ

Algas teriam asfixiado peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas

Acúmulo de matéria orgânica, que provocou a proliferação de algas, prejudicou a respiração dos peixes
Agência Brasil
Desde a última sexta-feira, 26, peixes estão aparecendo mortos na Lagoa Rodrigo de Freitas, no RJ

RIO - Análises laboratoriais das amostras coletadas pelo Instituto Estadual do Ambiente (Inea) indicam que a mortandade de cerca de 77 toneladas de peixes na Lagoa Rodrigo de Freitas foi causada pelo acúmulo de matéria orgânica, que provocou a proliferação de algas, prejudicando a respiração das espécies.

Veja também:
linkSobe para 77,7 toneladas de peixes mortos no Rio 

Segundo os laudos preliminares, a chuva e a insuficiência de renovação das águas contribuíram para o acúmulo de matéria orgânica. Um laudo mais específico deve sair em uma semana.

O Inea descartou que o acidente ambiental tenha relação com o fato de a comporta do Canal do Jardim de Alah ter sido aberta um dia antes, devido ao rompimento de uma tubulação, e que causou despejo na Praia do Leblon.

O instituto informou que já foi concluída a primeira fase do projeto de recuperação da Lagoa Rodrigo de Freitas, de despoluição das águas e controle do esgoto urbano. No entanto, ainda há muita instabilidade na renovação das águas, o que prejudica o equilíbrio.

A segunda etapa prevê a construção de dutos para garantir a renovação das águas, que ainda está em fase de licenciamento.

A Lagoa Rodrigo de Freitas voltará a ser monitorada com boias durante 24 horas para acompanhar a alteração na oxigenação da água.
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,algas-teriam-asfixiado-peixes-na-lagoa-rodrigo-de-freitas,518443,0.htm 

Mistério encontrado em águas árticas e antárticas

05 de março de 2010


Criaturas idênticas encontradas em águas árticas e antárticas: um mistério 
Como, exatamente, a mesma espécie marinha veio a habitar as regiões polares Norte e Sul?

por Daniel Grushkin

Há dois anos, vários navios de pesquisa zarparam rumo aos polos, para recensear as criaturas que vivem sob o gelo. Uma das descobertas mais surpreendentes foi a de que 235 espécies idênticas vivem em lados opostos do mundo, sem terem sido documentadas em qualquer outro lugar. É fácil compreender como enormes baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) são capazes de nadar de águas árticas para antárticas, mas a maioria dos diminutos vermes, caramujos e crustáceos na lista dos pesquisadores não são maiores que um grão de arroz. Como criaturas tão minúsculas, adaptadas a águas gélidas, percorrer 9.500 km través de climas mais quentes, para chegar ao polo oposto?

Kevin Raskoff, Monterey Peninsula College
  A borboleta-do-mar (Clione limacina) é uma das criaturas de 1cm de comprimento que vivem tanto no Ártico, como na Antártica
 Sob o microscópio, esses invertebrados às vezes parecem tiras de sacos plásticos picotados, ou camarões com chifres. Não está claro como eles poderiam cruzar uma piscina a nado, muito menos viajar ao redor do globo. Sua “bipolaridade” constitui um mistério oceânico de 160 anos – que só aumentou com o tempo. “Se espécies bipolares são tão comuns como sugere nossa lista inicial, isso realmente significa que não apreciamos os mecanismos importantes para a conectividade no oceano tão bem como acreditávamos”, admite Russ Hopcroft, líder da porção ártica do projeto Census of Marine Life (Censo da Vida Marinha), do Consórcio para Lideranças Oceânicas.

A descoberta de espécies bipolares remonta às expedições do explorador vitoriano James Clark Ross e seus dois pesados navios de guerra, os cruzadores HMS Erebus e Terror, na década de 1840. Durante missões para mapear os polos Norte e Sul, ele coletou amostras da flora e fauna marinhas que eram notavelmente similares. Ross ponderou que, de algum modo, essas minúsculas espécies foram capazes não apenas de sobreviver nas águas gélidas que acabariam por afundar seus navios, mas também transitar ao redor de metade do planeta.

Desde então, os céticos têm disputado as evidências. Alguns reclamaram que os espécimes submarinos foram erroneamente identificados ou pareciam muito diferentes. Mas, em 2000, Kate Darling, oceanógrafa da University of Edinburgh, na Escócia, pôs fim ao debate. Ela coletou, em águas subpolares setentrionais e meridionais, respectivamente ao largo da Islândia e das Ilhas Falkland/Malvinas, amostras de foraminíferos, vagabundos oceânicos unicelulares, que lembram pedaços mastigados de goma de mascar descartada. Ao sequenciar o DNA ribossômico de três espécies – Globigerina bulloides, Turborotalia quinqueloba e Neogloboquadrina pachyderma – Darling constatou que os genes eram tão semelhantes que, segundo ela, “eles devem estar se misturando, talvez até agora”. (Por coincidência apropriada, ela coletou suas amostras a bordo de um navio britânico batizado com o nome de seu predecessor, o James Clark Ross).

No mesmo ano em que Darling publicou suas descobertas, milhares de biólogos marinhos se uniram a fim de mapear as criaturas dos oceanos para o censo. A campanha, de uma década e US$ 650 milhões, lançou centenas de viagens de pesquisas ao redor do globo, dezenas delas rumo aos polos. Nada dessa envergadura tinha sido empreendido antes.

“Isso nos possibilitou a começar a enxergar padrões em escalas muito maiores que qualquer um de nós poderia ver individualmente em nossos próprios quintais”, diz Hopcroft. No ano passado, quando os pesquisadores árticos e antárticos reuniram seus dados, o mistério da bipolaridade expandiu-se para 235 espécies. E a questão ressurgiu: como os mesmos tipos de criaturas abrangem os dois polos?

Alguns cientistas e naturalistas, inclusive Charles Darwin, levantaram a hipótese de que espécies migraram durante milhares de anos, quando as temperaturas oceânicas médias eram muito mais baixas, provavelmente em algum período geológico entre o Terciário e a última Era de Gelo, há 18 mil anos. Mas os dados de Darling contradizem essa teoria. As minúsculas diferenças genéticas em seus “insetos”, como os chama, sugerem que as espécies se misturaram muito mais recentemente.

Hoje, a maioria dos cientistas acredita que as espécies viajam por uma espécie de esteira rolante submarina, chamada circulação termohalina, o fenômeno que se manifesta em todo o oceano, responsável por correntes marítimas, como a Corrente do Golfo no Atlântico. Como a água fria nos dois polos altera a salinidade e afunda à medida que se alastra ela forma discretos rios submarinos que descem até o Equador e reemergem nos lados opostos do planeta. Ao longo do caminho, as temperaturas oscilam apenas de 2ºC a 4ºC, o suficiente para a maioria dos habitantes polares sobreviver. As criaturas em si viajam de um polo ao outro suspensas em forma de larvas ou ovas, ou como adultos que se reproduzem por gerações em sua jornada de 9.500 km, antes de chegarem ao destino de 400 a 600 anos depois. O retorno ao seu polo de origem poderia levar mais 1.600 anos, em razão das correntes dominantes.

Além da viagem tremendamente longa, a teoria refuta a bipolaridade em parte. Ela sugere que as espécies poderiam viver fora das regiões polares, só não as encontramos ainda. “É o inconveniente de como definimos alguma coisa. A definição é funcional ou baseada em falta de dados? Sabemos tão pouco sobre as camadas profundas do oceano em comparação com a superfície”, declara Hopcroft.

A lista de espécies bipolares é tentativa por outra razão: os biólogos identificaram a maioria das espécies com base em morfologia, em forma e estrutura. Espécies que vivem em ambientes similares frequentemente têm aparência idêntica, mas podem ser estranhos genéticos. “Até você desvendar a genética não se pode saber com certeza que são bipolares”, diz Darling.

No ano passado, uma equipe de recenseamento vinha depurando coleções marinhas para encontrar espécimes dos dois polos, preservados em um grau de álcool puro o bastante para permitir a retirada de amostras de DNA dos organismos. (A vasta maioria foi armazenada em formol e não pode ser genotipada). Para investigar a bipolaridade dos espécimes, eles sequenciaram, até agora, centenas de amostras de DNA mitocondrial, conhecido como o gene codificador de barras. Eles esperam encerrar sua busca até a data de publicação do Censo da Vida Marinha, em outubro.

“Acredito que nossos resultados realmente revisarão o paradigma sobre a conexão entre os polos”, afirma Hopcroft. Toda forma de vida provavelmente fez uma jornada única, mas, vistas em conjunto, revelarão um mundo entrelaçado, até mesmo em suas extremidades.

Mar da Sibéria, o metano e o e aquecimento global

05/03/2010 - 11h59

Mar da Sibéria borbulha com metano e pode piorar aquecimento

CLAUDIO ANGELO
editor de Ciência da Folha de S. Paulo
A imagem de um mar inteiro borbulhando como um colossal copo de sal de frutas pode parecer engraçada.
Mas cientistas da Rússia e dos EUA que observaram algo parecido com isso no Ártico garantem que não há motivo para rir: as bolhas são de metano, um gás-estufa poderoso, e seu vazamento em águas siberianas pode significar que um dos efeitos mais temidos do aquecimento global está em pleno curso.
O grupo liderado pelos russos Natalia Shakhova e Igor Semiletov, da Universidade do Alasca em Fairbanks e da Academia Russa de Ciências, afirma que metade das águas do mar do leste da Sibéria está supersaturada de metano em sua superfície.
Em alguns pontos, a concentração do gás é cem vezes maior que a esperada. Em outros, até mil vezes.
Editoria de Arte/Folha Imagem  


No verão, quando o mar descongela, o gás escapa para a atmosfera em bolhas, tão numerosas que podem ser detectadas por microfones na água.
O fenômeno foi mapeado por Shakhova e colegas entre 2003 e 2008, durante várias expedições ao mar do leste siberiano, uma região de 2 milhões de km2.
"A quantidade de metano saindo da Plataforma Ártica Leste-Siberiana é comparável ao total que sai de todos os oceanos da Terra", afirmou a cientista em um comunicado.
O gás vem de vários depósitos de permafrost, ou solo congelado, abaixo do leito marinho. Esses solos, resquícios da Era do Gelo ricos em matéria orgânica, se decompõem liberando metano, gás com 21 vezes mais potencial de esquentar o planeta do que o CO2.
Segundo os cientistas, a liberação de uma parte que seja do metano estocado no fundo do mar do Ártico poderia provocar um aquecimento global descontrolado, com consequências catastróficas. No entanto, o próprio permafrost age como uma "tampa" para o gás, que fica aprisionado na forma de compostos estáveis.
Mas "essa tampa de permafrost está claramente perfurada", afirmou Shakhova. Segundo ela, o aquecimento das águas árticas nas últimas décadas está acelerando o processo de degradação do permafrost.
"Feedback"
O derretimento desses solos submarinos lança ao ano 8 milhões de toneladas de metano no ar. Ainda é uma fração mínima do total desse gás emitido no mundo.
Porém, à medida que o aquecimento se intensifica, o vasto estoque de metano siberiano pode parar na atmosfera, provocando um "feedback" positivo: aquecimento causando mais aquecimento.
"Esses depósitos submarinos são uma fonte de metano diferente, que nunca havia sido considerada antes e que precisa ser monitorada", disse Shakhova em teleconferência.
Segundo ela, o fato de que as águas da região são rasas --50 m, em média-- torna o vazamento mais preocupante.
"Não dá tempo de o metano ser oxidado ou degradado no mar. Ele vaza direto para a atmosfera."
O geoquímico alemão Martin Heimann, do Instituto Max Planck em Jena, elogia o trabalho do grupo, que chamou de "evidência convincente" em comentário na "Science". No entanto, ele diz que ainda não está claro o que causa as emissões.
"Como ninguém tinha observado esse vazamento antes, não sabemos se ele resulta da lenta erosão do permafrost, ou se de fato foi disparado pelo aquecimento global", disse Heimann à Folha.
O cientista diz que não está "nem um pouco alarmado" com o fenômeno. "Não vejo isso como uma catástrofe, certamente não como um ponto de virada climático", afirma. No entanto, continua, "precisamos monitorar esse metano, porque ele pode de fato indicar um "feedback" positivo."
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u702734.shtml

Teste de DNA pode indicar a dieta mais eficaz

Fonte: Veja Online | 05/03/2010 19h52 | Bahia

Dieta perfeita

Teste de DNA pode indicar a dieta mais eficaz

A busca pela dieta mais eficaz pode estar próxima do fim. É isso que sugere um estudo da Universidade de Standford, nos Estados Unidos. Segundo os pesquisadores, um simples teste de DNA seria capaz de identificar a dieta mais eficiente para cada pessoa.

Para para o estudo, de pequenas proporções a ainda preliminar, os cientistas analisaram dados de 101 mulheres, que forneceram uma amostra de DNA retirada da bochecha. Dividas em três grupos distintos, elas seguiram três diferentes dietas ao longo de um ano. A primeira, muito baixa em carboidratos, a segunda pobre em carboidratos e rica em proteínas e a terceira pobre, ou muito pobre, em gorduras.

que reage positivamente a uma dieta baixa em carboidratos, o que reage positivamente a uma dieta baixa em gorduras e o que reage positivamente a uma dieta balanceada. Ao fim do acompanhamento, os pesquisadores concluíram que as voluntárias que seguiram a dieta adequada ao seu genótipo perderam de duas a três vezes mais peso em comparação com as que seguiram a dieta que não era a mais adequada.

Os resultados do estudo foram apresentados durante uma conferência da Associação Americana do Coração e confirmam estudos realizados anteriormente. No entanto, especialistas alertam que mais pesquisas são necessárias antes que a descoberta possa ser amplamente utilizada.

Genes - O estudo americano faz parte de um campo emergente da nutrição chamada nutrigenômica, que estuda como alimentos interagem com determinados genes. Já se sabe há algum tempo que as pessoas reagem de maneira diferente a certos nutrientes, dependendo de seus genes.
http://www.radiometropole.com.br/index_noticias.php?id=VFdwVmVFNUVhejA9

sexta-feira, 5 de março de 2010


Agora é oficial: asteroide acabou com dinossauros


Qui, 04 Mar, 05h24
Por Kate Kelland
 
LONDRES (Reuters) - A colisão de um asteroide gigante contra a Terra é a única explicação plausível para a extinção dos dinossauros, disse uma equipe de cientistas na quinta-feira, esperando encerrar uma discussão que há décadas divide os especialistas.
Um grupo de 41 pesquisadores de todo o mundo reviu 20 anos de pesquisas para tentar confirmar a causa da chamada extinção do Cretáceo-Terciário (KT), que criou um "ambiente infernal" há cerca de 65 milhões de anos e extinguiu mais de metade de todas as espécies da época.
Além do asteroide, outra possibilidade cogitada era a atividade vulcânica na atual Índia, onde uma série de supererupções durou 1,5 milhão de anos.
O novo estudo, publicado na revista Science, mostrou que a culpa pelo fim dos dinossauros é de um asteroide de 15 quilômetros de diâmetro que caiu em Chicxulub (México). "Isso desencadeou enormes incêndios, terremotos medindo mais de 10 na escala Richter e deslizamentos continentais, que criaram tsunamis", disse Joanna Morgan, do Imperial College londrino, coautora do estudo.
A colisão teria liberado uma energia 1 bilhão de vezes mais poderosa que a bomba atômica de Hiroshima.
Segundo Morgan, "o último prego no caixão dos dinossauros" ocorreu quando o material da explosão voou para a atmosfera, envolvendo o planeta na escuridão e causando um inverno global ao qual muitas espécies não conseguiram se adaptar.
Os cientistas analisaram o trabalho de paleontólogos, geoquímicos, climatologistas e geofísicos. Com base nos registros geológicos, eles descobriram que na época da grande extinção houve uma rápida destruição dos ecossistemas marinhos e terrestres, e que o asteroide "é a única explicação possível para isso".
Peter Schulte, também autor do estudo, da universidade alemã de Erlangen, disse que os registros fósseis mostram claramente uma extinção em massa há cerca de 65,5 milhões de anos - época conhecida como fronteira K-Pg.
Apesar das evidências de vulcanismo ativo na Índia, os ecossistemas marítimos e terrestres só mostraram mudanças limitadas nos 500 mil anos prévios à fronteira K-Pg, sugerindo que a extinção não ocorreu antes e não foi motivada pelas erupções.
Gareth Collins, outro coautor do Imperial College, disse que a colisão do asteroide criou um "dia inferno" que marcou o fim do reinado de 160 milhões de anos dos dinossauros - mas também acabou sendo um grande dia para os mamíferos.
"A extinção KT foi um momento-chave na história da Terra, o que acabou abrindo caminho para que os humanos se tornassem a espécie dominante na Terra", escreveu ele no estudo.
http://br.noticias.yahoo.com/s/reuters/100304/mundo/mundo_ciencia_asteroides_dinossauros_1

quinta-feira, 4 de março de 2010

Animal com 220 milhões de anos, pouco devia aos primeiros dinossauros predadores do RS

04/03/2010 - 13h28

Grupo acha fóssil de superpredador gaúcho com 220 milhões de anos

 Adolfo Bittencourt/Instituto de Artes da UFRGS

 Trucidocynodon riograndensis, animal com 220 milhões de anos, pouco devia aos primeiros dinossauros predadores do RS

REINALDO JOSÉ LOPES
da Folha de S. Paulo
 
Em meio aos membros diminutos e tímidos da linhagem que desembocaria nos mamíferos, havia um gaúcho feroz. Do tamanho de um lobo e com igual apetite por carne, o animal de uns 220 milhões de anos pouco devia aos primeiros dinossauros predadores, com os quais provavelmente conviveu.
O nome da espécie, que acaba de ser apresentada formalmente à comunidade científica por um trio de pesquisadores da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul), não deixa margem para dúvidas: Trucidocynodon riograndensis.
"É um supercarnívoro", define a paleontóloga Marina Bento Soares, coautora do estudo sobre a fera na revista científica "Zootaxa", junto com Cesar Leandro Schultz e o aluno de doutorado Téo Veiga de Oliveira.
Por causa da preservação extraordinária do espécime ("o esqueleto está quase completo, até o osso ainda é branquinho", conta Soares), o trio achou que valia a pena uma descrição minuciosa, que ocupa um artigo de 71 páginas -raridade nas normalmente sucintas publicações científicas.
Os mamíferos de hoje foram precedidos por uma grande variedade de criaturas chamadas cinodontes, cujo esqueleto mescla elementos típicos de répteis e outros mais característicos dos mamíferos, ou "mamaliformes".
Segundo Soares, esse mosaico de características também aparece no Trucidocynodon, que não está na linhagem da qual os mamíferos são descendentes diretos.
Apesar disso, a postura geral do animal lembra bastante os elementos típicos de um mamífero caçador. Em vez da postura "esparramada" de animais como lagartos, cujos membros arqueados fazem o corpo se arrastar pelo chão, o predador gaúcho mantinha suas patas em posição ereta.
Ligeiro
Também há indícios de que, ao menos com os membros da frente, ele caminhasse apoiado nos dedos, e não na planta das patas. "Por isso, ele poderia ter hábitos mais cursoriais, ou seja, de corredor", afirma Soares.
É tentador associar o ar de lobo do esqueleto com a imagem de uma espécie que caçava em bando, mas a pesquisadora lembra que não há indícios desse tipo de comportamento entre cinodontes.
Por outro lado, é provável que o bicho já fosse coberto de pelos e tivesse sangue quente, porque essas características favorecem o estilo de vida ativo indicado pelos membros mais móveis desse e de outros representantes do grupo.
O tamanho e os caninos afiados fazem do bicho uma exceção entre os cinodontes gaúchos. "Foi uma surpresa, de fato", afirma a paleontóloga.
Quase todos os parentes do animal têm dimensões mais próximas das de ratos ou camundongos, sendo provavelmente comedores de insetos. O único contemporâneo de tamanho comparável é um herbívoro.
O curioso, porém, é que, conforme os milhões de anos se sucedem, "há uma tendência de miniaturização dos cinodontes", explica Soares.
Por algum motivo, são as formas pequenas ou muito pequenas que sobrevivem e acabam dando origem aos mamíferos, enquanto bichos maiores, como o Trucidocynodon, desaparecem.
"Ocorrem vários pulsos de extinção ao longo do Triássico [período geológico no qual a espécie viveu], mas o porquê do fim dos cinodontes maiores ainda não está claro", diz ela.
 http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u702241.shtml

quarta-feira, 3 de março de 2010

Problemas de saúde na infância, incluindo obesidade, asma e déficits de aprendizado, dobraram em apenas 12 anos

02/03/2010 - 09h17

Problemas crônicos de saúde em crianças dobram em 12 anos nos EUA

RONI CARYN RABIN
do New York Times
Os índices de problemas de saúde na infância, incluindo obesidade, asma e déficits de aprendizado, dobraram em apenas 12 anos, segundo um novo estudo de uma em cada 8 crianças em 1994 para uma em cada 8 crianças em 2006.

Flávio Florido - 30.jan.2002/Folha Imagem
Obesidade infantil também atinge o Brasil: garotos participam de programa de emagrecimento do Hospital das Clínicas, em São Paulo

Entretanto, as descobertas, que apareceram na edição de 17 de fevereiro do "The Journal of the American Medical Association", trouxeram uma surpresa agradável, segundo os pesquisadores: muitas condições crônicas se resolvem sozinhas durante a infância.
Embora metade das crianças acompanhadas entre 2000 e 2006 tenham tido uma condição crônica em algum momento nesse período, apenas um quarto delas continuavam a apresentar a condição no final do período do estudo.
"Há muitos motivos para se ter esperança", afirmou a principal autora do estudo, a médica Jeanne Van Cleave, da Massachusetts General Hospital for Children, em Boston. "Agora estamos refletindo sobre o que acontece com essas crianças, e por que uma condição crônica se resolve numa criança e não em outra".
O estudo analisou dados das Pesquisas Nacionais Longitudinais do governo, que incluíram três grupos representativos de crianças entre 2 e 8 anos. Além de obesidade e asma, os cientistas observaram alergias, problemas cardíacos, visão e audição prejudicadas, e problemas comportamentais e de aprendizado, como transtorno do déficit de atenção e hiperatividade.
Embora os pesquisadores não tenham estudado as razões para os aumentos, eles sugeriram possíveis fatores: mais exames e melhores diagnósticos que levaram a um maior relato de condições crônicas; o aumento da obesidade infantil, que pode levar a outros problemas; e o aumento da sobrevivência de bebês prematuros e crianças com câncer e outras doenças, que têm mais chances de apresentar problemas de saúde.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u701021.shtml

Terremoto de magnitude 8,8 que aconteceu no Chile deve ter encurtado dias na Terra...

02/03/2010 - 16h02

Terremoto no Chile deve ter encurtado dias na Terra, calcula Nasa

da Folha Online
O terremoto de magnitude 8,8 que aconteceu no Chile no sábado (27), deve ter encurtado a duração de cada dia na Terra, calcula a Nasa (agência espacial norte-americana).
A alteração calculada é de cerca de 1,26 microssegundos (um microssegundo equivale a um milionésimo de segundo).
Reprodução
 
Terremoto no Chile deve ter encurtado dias e alterado eixo de massa da Terra, calcula Nasa; impacto foi mais forte que em 2004
Usando um modelo complexo, Richard Gross, cientista do Jet Propulsion Laboratory (JPL) da Nasa, na Califórnia, e seus colegas, calcularam também que a rotação da Terra foi alterada como resultado do terremoto, porque o eixo de massa da Terra se moveu.
A alteração do eixo de rotação é estimada em 2,7 miliarcsegundos --por volta de 8 centímetros, ou 3 polegadas.
É em torno desse eixo que a massa do planeta é equilibrada. Os cientistas não se referem ao eixo Norte-Sul, que tem uma diferença de cerca de 10 metros.
Indonésia
Gross também usou o modelo para estimar as consequências do terremoto de magnitude 9,1 na região do oceano Índico, em 2004.
Este terremoto, que afetou a Indonésia, teria encurtado o período de cada dia em 6,8 microssegundos e alterado o eixo da Terra em 2,32 miliarcsegundos (cerca de 7 centímetros, ou 2,76 polegadas).
O cientista disse que, mesmo que o terremoto no Chile tenha sido menos forte que o indonésio, o cálculo indica que o recente chileno tenha alterado um pouco mais a posição do eixo por duas razões.
A primeira é que o do Chile aconteceu em latitudes inferiores da Terra, o que o faz mais efetivo em alterar o eixo da Terra. O de 2004 ocorreu próximo à linha do Equador.
A segunda é que a falha subterrânea responsável pelo terremoto chileno tem um ângulo mais abrupto que a falha no oceano Índico. Isto faz o deste ano mais efetivo em mover a massa da Terra verticalmente, e também em alterar o eixo da Terra.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u701195.shtml

segunda-feira, 1 de março de 2010

Uma espécie recém-identificada de crocodilo que se alimentava de humanos

24/02/2010 - 14h27

Nova espécie de crocodilo pré-histórico se alimentava de humanos

da New Scientist
Uma espécie recém-identificada de crocodilo que se alimentava de humanos pode ter gerado muito mais do que a sua parcela de pesadelos pré-históricos.
Descoberto em uma pedra de 1,8 milhão de anos no desfiladeiro de Olduvai, na Tanzânia, o Crocodylus anthropophagus, de 7,5 m de comprimento, teria sido o maior predador de seres humanos primitivos da região.

"Não posso garantir que esses crocodilos estavam matando nossos ancestrais, mas certamente os mordiam", afirma Chris Brochu, paleontologista de vertebrados da Universidade de Iowa.
Brochu deu o nome à besta, cujo significado é "crocodilo que come homens", em grego: "Espero que as pessoas entendam a piada."
Ossos de hominídeos antigos foram descobertos por Mary e Louis Leakey nos mesmos sedimentos, e que continham marcas distintas de mordidas, como se tivessem sido provocadas por grandes crocodilos.
Entretanto, a maioria dos pesquisadores admite que as mordidas foram feitas pelas mesmas espécies pequenas de crocodilo que perambulam nas margens do rio Nilo atualmente.
Mas não exatamente, afirma Brochu, que revisou numerosos fósseis incompletos, dos quais o mais recente foi descoberto em 2007 por Robert Blumenschine da Universidade Rutgers (Nova Jersey), e Jackson Njau, do Museu Nacional de História Natural da Tanzânia.
Crocodilo fatiado
Embora tenham aproximadamente o mesmo tamanho dos répteis que habitam o Nilo, os crocodilos Olduvai tinham focinhos mais estreitos e chifres largos, que são mais característicos do crocodilo de Madagascar, que foi extinto há algumas centenas de anos.
A descoberta do C. anthropophagus aponta mais diversidade nos crocodilos africanos durante os últimos 2,5 milhões de anos do que se pensava, diz Brochu. "Pessoas sempre tiveram a percepção sobre crocodilos como se estes tivessem evolução lenta, como se fossem fósseis vivos. Isto é uma tolice".
Seu grupo não encontrou muitos fósseis do C. anthropophagus, e nenhum deles está completo, então é impossível determinar precisamente a sua relação com os crocodilos modernos do Nilo ou quando a espécie antropofágica foi extinta, diz Brochu.
 http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u698368.shtml

"Supertatu" nordestino de 100 kg e 10 mil anos

01/03/2010 - 11h26

Cientistas identificam "supertatu" nordestino de 100 kg e 10 mil anos

REINALDO JOSÉ LOPES
da Folha de S. Paulo

Chamar o Pachyarmatherium brasiliense de supertatu é licença poética, por mais que o bicho pareça se encaixar na descrição.
Na verdade, a criatura de 100 kg é um parente relativamente distante dos tatus atuais. A espécie, recém-descoberta em meio a um material arquivado em Natal (RN), traz pistas sobre como era a fauna gigante do Brasil pré-histórico.

Editoria de Arte/Folha Imagem

"O material foi coletado nos anos 1960 e levado para o Museu Câmara Cascudo. Parte ficou na área de exposições, parte no acervo técnico, mas ninguém se interessou por aquilo durante muito tempo", diz Kleberson Porpino, da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte.
Ele descreveu a espécie com Lílian Bergqvist, da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e Juan Fernicola, do Museu Argentino de Ciências Naturais Bernardino Rivadavia.
Em artigo na revista científica "Journal of Vertebrate Paleontology", o trio se debruça sobre fragmentos relativamente escassos do bicho, como pedaços da carapaça, vértebras e ossos dos membros, para descrever a "nova" espécie, bem maior do que os tatus atuais (os maiores não chegam a 50 kg).
Dobraduras
E são justamente as unidades que formam a carapaça, os osteodermas, que ajudam a entender o comportamento e o "álbum de família" da espécie.
Por um lado, os tatus de hoje possuem osteodermas diferenciados, formando bandas de articulação, que dão flexibilidade à armadura.
Exemplo extremo disso é o tatu-bola, que se dobra sobre si mesmo. Já os gliptodontes (mais avantajados entre os parentes extintos dos tatus, podendo ter o tamanho de um Fusca) não possuem tal articulação, tendo a aparência de um pequeno tanque de guerra.
O P. brasiliense estava entre esses dois extremos. "Não chegava a ser uma faixa flexível, mas havia uma região com algum grau de articulação, mais parecida com uma dobradiça."
Se o trio conseguiu entender a armadura do bicho, sua alimentação e locomoção são mais misteriosas por pura falta de dados. O crânio (com os dentes) não foi preservado. "Os gliptodontes aparentemente eram herbívoros [muitos tatus atuais são comedores de insetos]. No caso do P. brasiliense é difícil afirmar", diz Porpino.
A falta de datação precisa do material das cavernas onde o bicho foi achado, em Baraúna (RN), impede que se diga sua idade. Mas os fósseis associados a ele sugerem o finzinho do Pleistoceno (a Era do Gelo), entre 40 mil e 10 mil anos atrás.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u700552.shtml