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sábado, 5 de maio de 2012

Poluição sonora atrapalha 'diálogo' de aves

02/05/2012 - 09h53

Poluição sonora atrapalha 'diálogo' de aves

LUIS CORVINI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Você odeia ser interrompido durante uma boa conversa com os amigos? Agora imagine se isso acontecesse o tempo todo. Deve ser assim que os psitacídeos, passarinhos como os papagaios, os periquitos e as araras, se sentem no cerrado brasileiro.
Quem identificou possíveis interferências na comunicação entre os bichos foi o biólogo Carlos Barros de Araújo, em sua tese de doutorado na Unicamp. Após sete anos de pesquisa de campo nos Estados de Goiás e Tocantins e no Distrito Federal, Araújo demonstra que essas aves conseguem "bater um papinho" a distâncias de até 1,5 km.
Essa comunicação de longo alcance faz parte da dinâmica de vida dos bichos, que se separam em bandos pequenos durante o dia para se alimentar e avisam uns aos outros onde achar comida. "O que você vê em campo são esses pequenos bandos se juntando e se separando constantemente."
Proteger o grupo contra inimigos e afastar possíveis rivais também são outras utilidades dessa comunicação.

Divulgação
 Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Brasí­lia. Espécie foi uma das estudadas sobre o prejuí­zo causado pela poluição sonora humana na comunicação entre os psitacídeos


Segundo Araújo, já foi possível identificar notas emitidas em contextos específicos, como a sinalização feita por sentinelas. "Um indivíduo fica na copa da árvore observando a presença de predadores e emitindo um som de intensidade baixa. Quando um deles se aproxima, o sentinela emite uma nota de alarme para avisar aos demais."
A interferência do homem, no entanto, tem reduzido a distância na comunicação entre os animais de 1.500 m para menos de 50 m.
"Se você corta a comunicação, você corta a capacidade de informar onde tem alimento. [A ave] vai ter uma menor probabilidade de sobrevivência e de reprodução", afirma o biólogo.
A interferência sonora pode até fazer o animal mudar seu canto. "Muitas espécies passam a cantar em frequências mais agudas e com uma maior intensidade quando submetidas a ruídos de grande intensidade."
As medições realizadas pelo biólogo foram feitas em fazendas e também na Universidade de Brasília, um ambiente urbano mas bem tranquilo se comparado ao centro de grandes cidades. Mesmo assim, já foi percebida a grande redução no raio de comunicação entre as aves.
Barreiras sonoras em rodovias e avenidas perto de áreas onde os bichos vivem podem ajudar a protegê-los.
"Ao lado do Parque Nacional de Brasília passa uma grande rodovia. Em uma área que tem 80 decibéis de ruído é claro que os pássaros serão afetados de alguma forma."
A próxima etapa do trabalho, que centrou esforços no estudo do periquito-rei, do maracanã-nobre e da arara-de-barriga-amarela, será descobrir o impacto da poluição sonora na sobrevivência dos bichos. "Estamos correndo contra o tempo."

Editoria de arte/Folhapress

sábado, 9 de janeiro de 2010

Salvador cidade mais barulhenta da América Latina

Blitz contra poluição sonora termina com prisão e apreensão de som

João Eça l A TARDE

Claudionor Junior/Agência A TARDE
Funcionários da Sucom apreendem equipamento
Funcionários da Sucom apreendem equipamento












Após ver Salvador amargar o título de cidade mais barulhenta da América Latina, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), a prefeitura promete agir em 2010 e intensificar o combate a poluição sonora, problema já bastante conhecido pela população.

Na noite desta sexta-feira, 8, uma operação comandada pela Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom), com o apoio da Superintendência de Trânsito e Transportes de Salvador (Transalvador), da Guarda Municipal e da Polícia Militar, deu início à fiscalização que inaugura o novo modelo traçado pela prefeitura para combater os barulhentos. Uma pessoa foi presa e vários equipamentos de som foram apreendidos.

Profissionais de todos esses órgãos saíram em comboio por volta das 20 horas desta sexta e percorreram os bairros responsáveis pelos maiores índices de denúncia de poluição sonora registrados pela Sucom: Parque Júlio César, Avenida Tancredo Neves, Imbuí, Boca do Rio e Pernambués. A primeira abordagem da blitz resultou na apreensão do equipamento de som do Fiesta de placa JCY-2477, de propriedade do motorista de prenome Sandro.

O som do carro dele foi flagrado com um volume de 100 decibéis, 30 a mais do que o permitido. Além de uma multa de cerca de R$ 3 mil pela infração, o equipamento de Sandro foi aprendido, para desespero dos amigos que o acompanhavam e também do filho dele, de 7 anos. As vaias e o protesto de vários populares que bebiam próximo à Casa do Comércio, com muitos jogando cerveja contra a imprensa e os representantes da prefeitura, são a prova de que a Sucom terá muito trabalho.

Guardas municipais também foram agredidos. Já no Parque Júlio César, o estudante de engenharia civil João Sampaio, 18, e os seus amigos comemoraram a chegada dos fiscais da Sucom. “Ninguém consegue dormir a partir de quinta-feira. Os sons dos carros ficam ligados até 6 horas da manhã“, protestou.

De acordo com Cláudio Silva, superintendente da Sucom, o novo projeto para combater a poluição sonora prevê também a conscientização do infrator para que ele atue como agente multiplicador parceiro da prefeitura. Outra novidade é que os veículos da Transalvador vão trafegar com o decibelímetro (aparelho que mede os decíbeis) a bordo. Para denunciar casos de poluição sonora, ligue para 2201-6660.

http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=1333454