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sexta-feira, 14 de maio de 2010

Biólogos propõem criar o barômetro da vida

14 de maio de 2010
Biólogos propõem criar o barômetro da vida
Novas ferramentas tentarão bloquear a sexta extinção em andamento
por David Biello

Um barômetro comum mede a pressão atmosférica. Agora, uma coalizão de biólogos propõe ferramenta semelhante para medir a pressão sobre a extinção da biodiversidade da Terra ─ o chamado “barômetro da vida".

Afinal, os cientistas identificaram apenas uma fração das espécies existentes na Terra; cerca de 1,9 milhão de espécies catalogadas até o momento podem representar apenas 20% da biodiversidade total do planeta. "Espécies desaparecem antes de sabermos sobre sua existência", dizem os biólogos Simon Stuart, presidente da Comissão de Sobrevivência das Espécies da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), Edward O. Wilson, da Harvard University, e outros, na revista Science, apelando para um esforço internacional para financiar a criação de tal “biobarômetro”. Stuart acrescenta: "O ponto-chave da conservação é inverter uma tendência negativa em positiva."


National Human Genome Research Institute
Primeiro organismo multicelular com genoma completamente mapeado, os parentes do nematódeo C. elegans são desconhecidos

Os biólogos querem realizar o projeto com US$ 60 milhões, para reunir todas as informações conhecidas e avaliar cerca de 160 mil espécies de quatro grupos: cordados (mamíferos e outros vertebrados), invertebrados (insetos e minhocas) e plantas e fungos. As espécies seriam avaliadas para identificar quais sofrem por causa de várias pressões de extinção: a expansão agrícola e/ou a intensificação nas mudanças de hábitat, mudança climática, entre outras. Essa avaliação dará um melhor quadro da ameaça à biodiversidade global do que os esforços em curso, segundos os biólogos. "Há uma enorme quantidade de informações lá fora que não usamos, pois estamos confinados a museus", afirma Stuart.

Claro que 160 mil são apenas aproximadamente 8% das espécies conhecidas, e a vistoria não tentará ampliar o conhecimento sobre a abundância dos seres vivos. "Não vamos ser capazes de monitorar o estado de conservação dos nematoides em tão pouco tempo", admite Stuart. Mas "se o barômetro mostrar um declínio muito grande – como a Lista Vermelha da IUCN de espécies ameaçadas já sugere – em mamíferos pela caça excessiva na Ásia, então, nos indica o que precisará ser feito”.

Conforme a Enciclopédia da Vida e a Lista Vermelha sugerem, o barômetro seria um dos muitos esforços a serem instituídos em 2010, Ano Internacional da Biodiversidade, decretado pelas Nações Unidas. Mas muitos desses esforços, incluindo os da IUCN, abrangem menos espécies e acabam dando preferências para espécies mais carismáticas da megafauna, como ursos polares e águias.

Outros grupos de conservação têm uma abordagem diferente: O The Nature Conservancy lançará seu Atlas da Conservação Global para definir em mapas as pressões aos hábitats globais, bem como a densidade relativa de várias espécies, como os anfíbios. "Tendo a visão do hábitat, você é capaz de abranger todas as espécies", diz a conservacionista Jennifer Molnar. "É uma nova visão do planeta."

Os novos mapas mesclam dados de satélites com expedições de campo para estudar espécies de peixes em locais específicos, e revelam que grande parte da água do mundo já está aquecida, devido a alterações climáticas. Quase todos os ecossistemas costeiros foram afetados por excesso de fluxos de nitrogênio e outros fertilizantes, junto com a queda nos sedimentos em muitas regiões do mundo (se não todas, pois não existem dados suficientes para avaliar esse fato). Agora enfrentam pelo menos cinco espécies invasoras de mamíferos e três de plantas ou animais de água doce. "É a primeira que vemos com está o problema em uma escala global", afirma Molnar. "Não estamos apenas prejudicando o meio ambiente, estamos ferindo a nós mesmos... Os mapas mostram que esses recursos estão mais ameaçados do que podemos imaginar."

Os mapas podem mostrar que os esforços atuais para conservação falharam, uma vez que os esforços globais para poupar algumas espécies têm crescido como a extensão de hábitats protegidos, embora Stuart rejeite essa reivindicação. "As coisas seriam muito piores se não fossem as medidas de conservação", diz ele. "O que não sabemos nesse momento é o quanto de conservação tem se obtido". Dado que a Terra pode estar perdendo 140 mil espécies por ano ─ mais os nematoides e outros não-carismáticos seres da microfauna ─ a questão sobre se a conservação tem trabalhado para preservar a biodiversidade, poderá ser discutida em breve.


http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/biologos_propoem_criar_o_barometro_da_vida.html

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