ShopTorres

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Cheirando perigo

Cheirando perigo

Postado por Alysson Muotri em 31 de maio de 2010 às 13:40
Compreensão da resposta inata a odores servirá no futuro para desenvolver intervenções terapêuticas em casos como síndrome do pânico ou estresse pós-traumático
Animais conseguem cheirar a presença de potenciais predadores por meio da detecção de sinais químicos que sinalizam perigo. Essa percepção do odor do perigo permite uma série de ações premeditadas, como o afastamento físico ou avaliação do risco, garantindo a sobrevivência da presa.
Camundongos expostos a predadores naturais, como gatos ou serpentes, exibem um repertório de comportamentos que se assemelham ao “medo” em humanos. Interessante notar que a presença do odor dos predadores já é suficiente para estimular esse mecanismo em camundongos, sugerindo que o sistema olfativo tem papel fundamental nesse processo.
crédito da imagem: Mauricio Duenas / AFP (9-9-2008)

Um experimento clássico mostrou que camundongos tendem a ficar a maior parte do tempo isolados no canto da gaiola oposto a uma estopa molhada com urina de gato. Além disso, níveis hormonais de estresse aumentam nesses animais. Esse comportamento defensivo de repulsa reproduz-se com odores de outros predadores, como serpentes ou ratos. O fato de que essas observações tenham sido reproduzidas em camundongos de laboratório, nunca expostos a predadores naturais, sugere que a resposta aos odores é inata ou instintiva, e não aprendida durante a vida do animal. Também conclui-se que a organização dos circuitos neuronais responsáveis por esse comportamento é programada geneticamente.
Um defeito que cria coragem
No entanto, a contribuição dos órgãos olfativos, a natureza química dos odores e a identidade dos neurônios sensoriais envolvidos nesse tipo de comportamento eram desconhecidos. Mas uma observação feita pelo brasileiro Fabio Papes, membro de um grupo de pesquisa do Instituto Scripps de San Diego, na Califórnia (EUA), trouxe uma contribuição valiosa para esse processo fundamental. O trabalho foi publicado recentemente numa das mais prestigiosas revistas científicas (Papes e colegas, Cell 2010).
Papes percebeu que camundongos geneticamente alterados e defectivos em uma região do olfato conhecida como órgão vomeronasal (VNO) não evitavam a presença de predadores no mesmo ambiente. Na verdade, até procuravam uma interação investigativa, correndo risco de vida. Veja bem, isso acontecia mesmo na presença funcional de outros sentidos, como o sistema visual. Concluiu-se que o VNO seria então a região do olfato responsável pelo comportamento instintivo de medo do predador natural. O grupo de pesquisadores decidiu então encontrar qual a natureza dos odores dos predadores.
Focou-se primeiramente na urina de rato como material primário. Fracionaram-se os componentes da urina até encontrar o principio ativo, chamado de Mup13. A síntese química de proteínas Mup13 recombinantes em laboratório mostrou-se tão eficaz na indução de medo nos camundongos quanto o componente natural. Além disso, descobriu-se que a Mup13 estimulava uma classe específica de neurônios olfativos, ativando diversas regiões relacionadas ao olfato no cérebro de camundongos.
O grupo também isolou a proteína homóloga à Mup13 na urina de gatos, conhecida como Feld4. A ideia era entender como os receptores olfativos haviam evoluído para reconhecer uma variedade de predadores. (Interessante que camundongos também produzem uma proteína semelhante à Mup13 na própria urina, mas estaria envolvida com a agressividade entre animais machos.)
As proteínas de rato/gato e camundongo são relacionadas evolutivamente, mas não induzem exatamente ao mesmo comportamento (medo x agressão). Isso acontece porque elas não estimulam necessariamente os mesmos neurônios olfativos, sinalizando comportamentos distintos para o cérebro. Essa parece ser a solução molecular encontrada pela natureza para lidar com a evolução de detectores moleculares específicos de cada espécie.
Aplicações
Como líder de seu próprio grupo de pesquisa, Papes deve focar suas atividades em descobrir mais detalhes sobre como os sistemas sensoriais são interpretados pelo cérebro e traduzidos em comportamento. As bases neurais dessas redes nervosas servirão, num futuro próximo, para possibilitar intervenções terapêuticas em alguns distúrbios neurológicos, como a síndrome do pânico ou estresse pós-traumático.
Fabio Papes é hoje professor de genética da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Foi lá mesmo, em Barão Geraldo, que nos conhecemos durante a graduação de ciências biológicas. Apesar de ter sido meu “bicho” (calouro), Papes nunca apresentou qualquer reação de medo a feromônios veteranos e trilhou uma carreira invejável. Ao meu ver, Papes é um dos principais representantes de uma nova geração de neurocientistas brasileiros com potencial para causar um impacto transformador na ciência nacional.
http://colunas.g1.com.br/espiral/

Cientistas querem usar estrutura de asa de borboleta para fazer cédulas

31/05/2010 17h04 - Atualizado em 31/05/2010 17h09

Cientistas querem usar estrutura de asa de borboleta para fazer cédulas

‘Nanodesign’ também pode ser aplicado a cartões de crédito e passaportes.
Técnica ajudaria a prevenir falsificações, ao gravar marcas moleculares.

Do G1, em São Paulo
A Papilio blumei 
A Papilio blumei (Foto: Kpjas/Flickr - Creative Commons, a-sa 2.0 genérico)
Cientistas descobriram um meio de imitar as cores das asas de borboletas tropicais para aplicações na indústria de impressão segura – de cédulas de dinheiro a cartões de banco. A estratégia de copiar a natureza ajudaria a deter fraudes e falsificações.
Mathias Kolle, Ullrich Steiner e Jeremy Baumberg, todos da Universidade de Cambridge, estudaram a espécie Papilio blumei. A grande dificuldade dos pesquisadores, predominante até agora, é que suas cores não são dependentes de pigmentos, mas de estruturas microscópicas que lembram embalagens de ovos. Por meio de procedimentos de nanofabricação, Kolle e seus colegas criaram cópias idênticas do nanodesign natural, que reproduziram com sucesso as cores vívidas exibidas pelas borboletas.
"Essas estruturas artificiais poderiam ser usadas para criptografar informação em assinaturas ópticas em cédulas ou outros itens de valor [como passaportes], para protegê-los contra fraudes e falsificações", explica Kolle.
A borboleta Papilio blumei é tão sofisticada que pode usar suas cores para acasalar – suas companheiras veem as asas azuis – ou para driblar predadores – para os quais as asas são verdes sobre o fundo predominantemente verde da vegetação. O estudo “Mimicking the colourful wing scale structure of the Papilio blumei butterfly” foi publicado na revista “Nature Nanotechnology”.
 
Concavidades da estrutura das asas da borboleta Papilio blumei (Foto: Mathias Kolle / Universidade de Cambridge)

http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/05/cientistas-querem-usar-estrutura-de-asa-de-borboleta-para-fazer-cedulas.html

Açúcar do corpo humano poderá ser combustível de órgãos artificiais

25 de maio de 2010

Açúcar do corpo humano poderá abastecer órgãos artificiais
Células de biocombustível implantadas em ratos permitem a dispositivos gerar energia
por Charles Q. Choi

Bons resultados do coração artificial estimulam cientistas a prosseguir os estudos com rins e pâncreas sintéticos. Ainda assim, existe um sério obstáculo para o funcionamento desses dispositivos: o abastecimento dos órgãos depois de terem sido implantados. Em vez de recarregá-los constantemente, ligando-os a algum sistema externo, ou periodicamente removê-los para substituir as baterias, os pesquisadores preferem que essas máquinas produzam a própria energia a partir de seus hospedeiros.  

iSTOCKPHOTO
  Representação de uma cadeia de glicose: energia própria

Recentemente surgiram esperanças de que os órgãos implantados não necessitem de recarregamento, utilizando combustíveis do nosso corpo para produzir energia.

Biocombustível muito comum, a glicose pode ser utilizada para recarregar os órgãos sintéticos. Por exemplo, a combinação de glicose com oxigênio, ambos disponíveis em nossos corpos, pode gerar energia. Compostos chamados de "mediadores redox" agem como cabos, que transportam carga elétrica dessas enzimas para eletrodos dos órgãos. Cientistas buscam uma variedade de dispositivos para gerar eletricidade de forma ambientalmente amigável.

Infelizmente, as enzimas utilizadas em células de biocombustível de glicose não eram apropriadas para os implantes, pois as condições exigidas eram altamente ácidas. Porém, foram criadas membranas artificiais que protegem o organismo dos ácidos e os testes realizados com ratos obtiveram bastante sucesso. Os pesquisadores acham que dentro de 10 anos deverão lançar esse novo método no mercado.

“O dispositivo demonstrado traz um novo nível de desempenho para implantes alimentados por células de biocombustível", diz Phillip Cinquin, físico e engenheiro químico da Universidade do Novo México, que não tomou parte no estudo.

Os pesquisadores do estudo estão confiantes que podem melhorar o desempenho dos dispositivos e desenvolver nova técnicas com as enzimas e os mediadores redox. Em um trabalho ainda inédito, "já temos um melhor desempenho por um fator de pelo menos 50%", diz ele. "Carregar corações artificiais com células de biocombustível continua sendo um objetivo de pesquisa em longo prazo."

domingo, 30 de maio de 2010

Os sem florestas em Salvador 2

29/05/2010 às 18:30 

Urbanização expulsa animais do seu habitat

Içara Bahia l A TARDE

Iracema Chequer/Agência A TARDE
Sucuri é resgatada numa área brejosa da região da Avenida Paralela

No período em que se comemoram o Dia Nacional da Mata Atlântica (27 de maio) e o Dia Mundial do Meio Ambiente (5 de junho), faltam motivos para celebrar. Com a ocupação imobiliária de áreas da Avenida Luiz Viana Filho (Paralela) e adjacências, animais endêmicos da vegetação nativa perdem o habitat e migram cada vez mais para áreas habitadas.
No último dia 10, um jacaré-de-papo-amarelo foi recolhido em concessionária de veículos da avenida. Surpreso, o gerente Alecsandro Nogueira não acreditou quando encontrou o animal, de 1,5 m, parado na entrada do estabelecimento: “Foi uma surpresa. Eu já tinha encerrado o expediente. Fui para a parte externa e, quando voltei, vi o jacaré. Ele estava paradinho, na porta, me olhando”.
Alecsandro pensou que era uma pegadinha. Quando percebeu que não se tratava de uma brincadeira, decidiu ligar para o 190 e pedir auxílio à Polícia Ambiental. “Liguei e solicitei a remoção. Demoraram 40 minutos para chegar. Acharam que era um trote”.
Extinção - Além do jacaré-de-papo-amarelo, que é uma espécie ameaçada de extinção, outro animal ameaçado foi visto fora do habitat este mês. No dia 17, um tamanduá-mirim foi encontrado numa residência no bairro de Patamares, enquanto dormia próximo aos carros.
“Ele entrou pelo meu quintal e ficou na garagem. Depois, subiu na árvore e ficou lá. Ficamos observando para onde ele iria”, conta a médica veterinária Caroline Dias.
Ela relata que ligou para o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais (Ibama), mas não conseguiu contato, pois o instituto estava em greve. A Companhia de Polícia de Proteção Ambiental da PM (Coppa), ao ser contatada por Caroline, informou que só poderia recolher o animal depois de atender a 11 solicitações anteriores. A maioria delas para a remoção de cobras em áreas residenciais.
O tamanduá não foi levado para o Centro de Triagem de Animais Silvestres Chico Mendes  (Cetas/Ibama), como aconteceu com o jacaré. “Ele saiu do meu terreno, mas continuou pendurado na árvore”, diz Caroline, que se acostumou a ver animais silvestres adentrarem a casa. “O ouriço-cacheiro também aparece aqui. Tem muitos deles nessa região”.
De acordo com o capitão da Coppa Moisés Brandão, 124 animais foram resgatados só na primeira quinzena do mês de maio. “São serpentes, sucuris e jiboias encontradas próximo a áreas de charco, ou seja, áreas inundadas, principalmente na Paralela”, afirma. Segundo ele, a região conta com grande número de empreendimentos, e, por questão de segurança, os animais resolvem migrar. “Esse já é o quarto jacaré que a gente pega desde o ano passado. Eles saem para procurar defesa e alimento”, afirma.
O capitão Brandão conta que as áreas de maior ocorrência são Paralela, São Cristóvão, Suburbana e Imbuí. “Exatamente onde existem movimentos das escavadeiras e de caminhões. Com isso, o animal não se sente seguro”, reforça o militar.
http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=2576236

sábado, 29 de maio de 2010

40% de mulheres morem no Brasil - causa: FUMO

Fumo é responsável por 40% das mortes de mulheres no Brasil

De acordo com a OMS, as mulheres hoje são o principal alvo da indústria do tabaco

O Dia Mundial Sem Tabaco deste ano, comemorado nesta segunda-feira (31), terá como alvo as mulheres. O tema de 2010, escolhido pela Organização Mundial das Saúde (OMS), é gênero e tabaco com ênfase no marketing para as mulheres. No Brasil, segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca), 40% das mortes de mulheres com menos de 65 anos são causadas pelo consumo de tabaco.


O objetivo da campanha é alertar sobre as estratégias que a indústria do tabaco usa para atingir o público feminino e os males que o cigarro causa à saúde e ao meio ambiente. De acordo com a OMS, as mulheres hoje são o principal alvo da indústria do tabaco.

Segundo a OMS, o cigarro mata por ano mais de 5 milhões de pessoas – entre as quais, 1,5 milhão de mulheres. Se não forem tomadas medidas urgentes, alerta a OMS, o uso do tabaco poderá matar mais de 8 milhões de pessoas até 2030, dos quais 2,5 milhões serão mulheres. A maior incidência será entre as de baixa renda.

Atualmente, o mundo tem 1 bilhão de fumantes – entre eles, 200 milhões de mulheres. De acordo com a OMS, enquanto o tabagismos cai entre os homens, em alguns países aumenta o número de mulheres fumantes. A Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD), realizada em 2008, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em parceria com o Ministério da Saúde, mostra que no Brasil o tabagismo está caindo. Entretanto, a queda é menor entre as mulheres do que entre os homens.

Nesta segunda-feira será aberta, na Câmara dos Deputados, em Brasília, a exposição Propagandas de Cigarro – Como a Indústria do Fumo Enganou as Pessoas. Serão apresentadas peças publicitárias impressas e filmes comerciais das marcas de cigarro veiculados entre as décadas de 1920 e 1950 nos Estados Unidos.
http://www.radiometropole.com.br/noticias/index_noticias.php?id=VFhwQmVVMXFXVDA9

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Exame de câncer de próstata dá falso positivo para 12,5%


Exame de câncer de próstata 'dá falso positivo para 12,5%'

Um em oito homens submetidos a testes para câncer da próstata apresentam resultados positivos quando na verdade não estão sofrendo da doença, segundo um estudo europeu publicado na revista científica britânica British Journal of Cancer. 

Falsos positivos podem resultar em exames invasivos e tratamentos desnecessários

O falso resultado positivo leva a procedimentos invasivos, como biópsias, e também, possivelmente, a tratamentos desnecessários.
O teste usado é o PSA, sigla inglesa para Antígeno Prostático Específico. Ele mede a presença do antígeno, uma proteína secretada pela próstata. Grandes quantidades da proteína podem estar associadas ao câncer da próstata.
A entidade beneficente britânica Câncer Research UK, que promove pesquisas sobre o câncer, disse que os pacientes deveriam discutir os aspectos positivos e negativos do teste com o médico.

Sinais do Câncer da Próstata

  • Ter de correr para o banheiro para urinar
  • Dificuldade para urinar
  • Urinar mais vezes do que o usual
  • Dor ao urinar
  • Sangue na urina ou no sêmen 

Estudo

Em março de 2009, resultados iniciais do European Randomised Study of Screening for Prostate Cancer - um estudo sobre programas para detecção do câncer da próstata que está sendo realizado em sete países europeus - mostraram que o número de mortes provocadas pela doença poderia ser reduzido em 20%.
Porém, resultados mais recentes lançaram dúvidas sobre os benefícios dos testes a longo prazo, indicando que alguns homens podem acabar sendo "supertratados", ou seja, recebendo tratamento para um câncer que se desenvolve tão lentamente que jamais causaria problemas durante a vida do paciente.
Agora, dados da parte finlandesa do estudo europeu mostram que para cada oito homens testados, um acabou obtendo um falso positivo, mesmo quando seu teste acusou índices altos de PSA.
Os homens que tiveram testes positivos e depois descobriram que não tinham câncer se mostraram duas vezes mais inclinados a não aceitar testes futuros, mesmo correndo riscos de desenvolver a doença mais tarde.
'Efeito adverso'
Os pesquisadores disseram que são necessárias mais pesquisas para tornar os testes mais precisos e auxiliar na identificação daqueles que têm mais chances de apresentar um resultado positivo verdadeiro.
O responsável pelo estudo, Tuomas Kilpelainen, disse: "Não acho que testes rotineiros devam ser recomendados até que se saiba mais sobre os efeitos adversos e os custos dos testes".
"Se um homem tem sintomas no trato urinário e se preocupa se tem câncer na próstata, a coisa mais importante é consultar um clínico geral ou um urologista".
A diretora dos programas de testes para câncer do NHS - o sistema nacional de saúde britânico - Julietta Patnick disse que se por um lado o estudo europeu revelou, pela primeira vez, que os testes PSA podem salvar vidas, o estudo também mostrou que"48 homens precisam ser tratados para que uma vida seja salva".
"Falsos positivos são um problema para qualquer programa de testes e o estudo finlandês é muito útil no entendimento do seu desempenho no contexto do câncer da próstata".
O médico Peter Johnson, da Cancer Research UK, disse que os testes têm aspectos positivos e negativos.
"Por essa razão, é importante que homens com idades acima dos 50 e 60 anos conversem com seus médicos sobre os prós e contras do teste PSA e só façam o teste se sentirem que é a coisa certa para eles".
http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2010/01/100111_cancerprostata_testes_mv.shtml 

segunda-feira, 24 de maio de 2010

A vida por um fio

A vida por um fio

Notícia - 11 mai 2010
Relatório da ONU mostra que governos falharam na proteção da biodiversidade; espécies correm risco de extinção em todo o planeta 
 
O Terceiro Panorama Global da Convenção da Biodiversidade (CBD), avaliação sobre o estado de conservação da ONU lançada ontem, mostra que os países signatários fracassaram em honrar o compromisso de salvar as espécies do mundo.
Em 2002, líderes globais se comprometeram a reduzir os índices de perda de biodiversidade em todo o mundo até 2010. Hoje, oito anos depois, um apocalipse ambiental começa a mostrar suas caras. Em 2006, a quantidade de espécies de vertebrados era um terço do número registrado em 1970. Mais de um quarto das espécies vegetais está sob perigo de extinção. E o ritmo não dá sinais de cansaço.
A Convenção da Biodiversidade da ONU trata da proteção da diversidade biológica. Mas proteção é o que menos se vê por aí. Segundo o documento, os habitats estão cada vez mais degradados, tanto em extensão quanto em integridade, e espécies que já estavam ameaçadas estão mais perto do fim. “A CBD deveria ser chamada de Convenção da Vida: é a vida de todas as espécies, inclusive da humana, que está em debate. O fracasso das metas mostra que não temos mais tempo a perder”, afirma Paulo Adario, diretor da campanha da Amazônia do Greenpeace.

Foto: Daniel Beltra 
 Espécie de sapo da família Dendrobatidae, ainda não catalogada, no Parque Cristalino (MT). ©Greenpeace

As tradicionais ameaças às florestas tropicais persistem: o gado e as plantações destinadas à produção de alimentos e biodiesel provocam o desmatamento em larga escala. “Os principais agentes da perda da biodiversidade em escala global estão, eles sim, 'protegidos' por políticos e governos”, diz Adario. “É o caso do Brasil onde a bancada da motosserra conspira para mudar o código florestal e reduzir a política de proteção ambiental que o país levou anos para construir”. No mundo, houve significativa diminuição da perda de florestas tropicais e de manguezais e a criação de áreas protegidas, mas não em escala suficiente para garantir a preservação de espécies ameaçadas.
Há muito a fazer. A iminente perda drástica de biodiversidade pode causar efeitos em cadeia. Na Amazônia, por exemplo, a soma do desmatamento e das queimadas, aliada às mudanças climáticas, pode levar toda a floresta a uma morte generalizada, em um círculo vicioso de incêndios e secas.
No quadro revelado pela CBD, a humanidade demonstra operar na contramão da sua própria existência. A biodiversidade sustenta o funcionamento dos ecossistemas, que prestam serviços à sociedade. “Falar de biodiversidade não é falar de ‘bichinhos’ ou de ‘plantinhas’, mas da vida neste planeta azul. Para interrompermos essa perda, precisamos de ação imediata, e não de palavras bonitas”, explica o diretor.
O Greenpeace defende a formação de uma rede global de áreas protegidas – terrestres e marinhas – e políticas nacionais coerentes com a proteção da vida. Essas áreas protegidas servem também de proteção ao clima, já que a destruição do patrimônio ambiental, principalmente das florestas, tem grande peso no aumento das emissões de gases que geram aquecimento global.
http://www.greenpeace.org/brasil/pt/Noticias/A-vida-por-um-fio/

domingo, 23 de maio de 2010

Entenda como o mosquito transmite a dengue.

Quinta-feira, 18 de Março 2010, 10h47


A dengue no Brasil

Entenda como o mosquito transmite a doença e confira o número de casos em cada Estado.

 Para ver mais detalhes de cada estado acesse o link. 

http://www.estadao.com.br/especiais/a-dengue-no-brasil,93307.htm 

sábado, 22 de maio de 2010

Acidente nos EUA fará Petrobrás repensar trabalho no pré-sal

publicado em 22/05/2010 às 13h25:

Mancha de petróleo nos EUA pode durar 9 meses

Oceanógrafo mexicano diz que acidente fará Petrobrás repensar trabalho no pré-sal
Mauricio Moraes, do R7
 
Foto por Daniel Beltra/Greenpeace/22.mai.2010/Reuters
Imagem aérea mostra o petróleo negro no mar azul do golfo do México, nos Estados Unidos; mancha pode levar até 9 meses para sumir
 
 Os milhares de litros de petróleo que vazam diariamente a 1.600 m de profundidade no golfo do México desde o último dia 21 de abril farão o setor petrolífero repensar sua tecnologia de exploração. Para o oceanógrafo Luis Soto González, da Universidade Nacional Autônoma do México (Unam), se o vazamento for estancado e as condições metrológicas ajudarem, a mancha ainda pode levar de seis a nove meses para desaparecer.
- Com os atuais padrões temperatura e circulação de correntes, a mancha de petróleo deve levar entre seis e nove meses para desaparecer. Mas esse é um cenário otimista, considerando que se consiga tapar o poço e estancar o vazamento.
Segundo González, que fez estudos de pós-graduação em universidades americanas, o acidente na plataforma da British Petroleum (BP) traz "sérias implicações do ponto de vista tecnológico e ambiental". Mesmo trabalhando com a "mais alta tecnologia", a BP sofre para "controlar um vazamento com pressão tão forte". O oceanógrafo aponta falhas no sistema de alerta do poço e diz que novas técnicas terão de ser desenvolvidas.
O pesquisador alerta ainda para a perfuração de poços em profundidades maiores. A exploração na camada pré-sal se dará a 5.000 m abaixo do mar.
http://noticias.r7.com/internacional/noticias/mancha-de-petroleo-nos-eua-pode-durar-9-meses-20100522.html

Stevens Rehen, da UFRJ, avalia implicações da célula artificial.

21/05/2010 19h57 - Atualizado em 21/05/2010 20h50

Análise: Stevens Rehen, da UFRJ, avalia implicações da 'célula artificial'

Abre-se caminho para estudar neurônios vivos de neandertais, por exemplo.
20 pesquisadores gastaram mais de 10 anos e US$ 40 milhões na pesquisa.


Stevens Rehen* Especial para o G1

Quais os requisitos mínimos para um micróbio funcionar? Com essa pergunta originalmente na cabeça e US$ 40 milhões para gastar, o grupo do biólogo Craig Venter foi capaz de criar vida a partir do zero, ou melhor, a partir de informações armazenadas num computador.


O Vaticano demonstrou preocupação de que os cientistas desejem "brincar de Deus". O dilema é: as bactérias sintéticas são prova definitiva de que a vida não precisa de uma força especial ou, pelo contrário, darão fôlego aos simpatizantes do Design Inteligente? Afinal de contas, o trabalho em questão pode ser também chamado de “ciência da criação 1.0”.
Em 2007, os pesquisadores do instituto que carrega seu nome já tinham conseguido transplantar cromossomos naturais de uma bactéria em outra. No ano seguinte, produziram DNA artificial. Era portanto questão de tempo até combinarem os dois feitos num único experimento.

O potencial biotecnológico é enorme mas os riscos associados à nova tecnologia não podem ser menosprezados. Ao montar o genoma do novo micro-organismo, a equipe eliminou os genes originais da bactéria Mycoplasma mycoides que as tornam nocivas às cabras. Eliminaram também as sequências de DNA que permitiriam sua eventual reprodução fora de um laboratório de pesquisa. Só depois inseriram o material genético sintético numa versão “oca” de outra bactéria, a Mycoplasma capricolum.
Tais precauções são essenciais, mas não reduzem o receio de que esses novos organismos escapem para o meio ambiente ou sejam usados na fabricação de armas biológicas. Barack Obama já convocou seus conselheiros especializados em biossegurança para discutir o assunto.

A equipe de 20 pesquisadores levou mais de 10 anos até aprender a montar o cromossomo de uma bactéria e inseri-lo na carcaça biológica de outra. As células sintéticas cresceram e se multiplicaram aos bilhões – assim como as especulações acerca do impacto dessa nova tecnologia para a humanidade.
Não é de hoje que as implicações éticas desse feito são discutidas. A façanha tecnológica permitirá que células desempenhem funções específicas de maneira mais eficiente ou assumam novas funções. Além do seu interesse comercial para a produção de biocombustíveis, vacinas e despoluição ambiental, podemos especular sobre seu impacto no futuro das ciências biológicas e na configuração de áreas de pesquisa antes impensadas, como por exemplo, a antropologia celular.

No começo desse mês, a equipe de Svante Pääbo divulgou a sequência de 60% do genoma do homem de neandertal. Com o avanço das técnicas desenvolvidas por Craig Venter, talvez no futuro seja possível sintetizar esse genoma pré-histórico e inseri-lo no interior de células humanas, previamente desprovidas de seus núcleos originais. Dessa forma, recorrendo à reprogramação celular de Shynia Yamanaka, neurônios vivos ou qualquer outro tipo celular gerados a partir de células-tronco desses nossos primos extintos há cerca de 30 mil anos poderão ser estudados.
Novamente a caixa de Pandora foi aberta, com seus riscos e esperanças. Com o surgimento das bactérias sintéticas de Craig J. Venter, a biologia não será mais a mesma.
* Neurocientista, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da UFRJ
   http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2010/05/analise-stevens-rehen-da-ufrj-avalia-implicacoes-da-celula-artificial.html

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Cientistas anunciam criação da primeira célula sintética

20/05/2010 - 14h30

Cientistas americanos anunciam criação da primeira célula sintética

da BBC Brasil
Cientistas americanos dizem ter desenvolvido a primeira célula controlada por um genoma sintético.
Os especialistas do J. Craig Venter Institute, com sede nos Estados de Maryland e Califórnia, dizem esperar que a técnica possa criar bactérias programadas para resolver problemas ambientais e energéticos, entre outros fins.
O estudo será publicado nesta quinta na edição online da revista científica "Science". Para alguns especialistas, ele representa o início de uma nova era na biologia sintética e, possivelmente, na biotecnologia.

Science
Bactérias controladas por genoma sintético transplantado.
A equipe de pesquisadores, liderada por Craig Venter, já havia conseguido sintetizar quimicamente o genoma de uma bactéria. Eles também haviam feito um transplante de genoma de uma bactéria para outra.
Agora, os especialistas juntaram as duas técnicas para criar o que chamaram de "célula sintética", embora apenas o genoma da célula seja sintético - ou seja, a célula que recebe o genoma é uma célula natural, não sintetizada pelo homem.
"Esta é a primeira célula sintética já criada. Nós dizemos que ela é sintética porque foi obtida a partir de um cromossomo sintético, feito com quatro substâncias químicas em um sintetizador químico, seguindo informações de um computador", disse Venter.
"Isto se torna um instrumento poderoso para que possamos tentar determinar o que queremos que a biologia faça. Temos uma ampla gama de aplicações (em mente)", disse.
Os pesquisadores planejam, por exemplo, criar algas que absorvam dióxido de carbono e criem novos hidrocarbonetos. Eles também estão procurando formas de acelerar a fabricação de vacinas.
Outros possíveis usos da técnica seriam a criação de novas substâncias químicas, ingredientes para alimentos e métodos para limpeza de água, segundo Venter.
Estudo
No experimento, os pesquisadores sintetizaram o genoma da bactéria M. mycoides, adicionando a ele sequências de DNA como "marcas d'água" para que a bactéria pudesse ser distinguida das naturais (não sintéticas).
Como as máquinas sintetizadoras atuais só são capazes de juntar sequências relativamente curtas de letras de DNA de cada vez, os pesquisadores inseriram as sequências mais curtas em células de fermento. As enzimas de correção de DNA presentes no fermento juntaram as sequências.
Depois, as sequências de tamanho médio foram inseridas em bactérias E. coli, antes de serem transferidas de volta para o fermento.
Após três rodadas deste processo, os pesquisadores conseguiram produzir um genoma com mais de um milhão de pares de bases de comprimento.
Concluída essa fase, os cientistas implantaram o genoma sintético da bactéria M. mycoides em outro tipo de bactéria, a Myoplasma capricolum.
O novo genoma assumiu o controle das células receptoras.
Embora 14 genes tenham sido apagados ou alterados na bactéria transplantada, as células apresentaram a aparência de bactérias M. Mycoides normais e produziram apenas proteínas M. mycoides, segundo os autores do estudo.
Repercussão
Em entrevista à BBC, o especialista em biologia sintética Paul Freeman, codiretor do EPSRC Centre for Synthetic Biology do Imperial College, em Londres, disse que o estudo de Venter e sua equipe pode marcar o início de uma nova era na biotecnologia.
"Eles demonstraram que o DNA sintético pode assumir o controle e operar as funções da nova célula receptora em termos de replicação e crescimento", disse Freeman.
Freeman lembra que a célula receptora é uma célula natural, não sintética, mas "o que Venter e sua equipe mostraram é que, após o transplante e várias divisões celulares, a célula receptora assumiu algumas das características ou fenótipo do novo genoma nela inserido".
"É um avanço extraordinário, oferecendo uma prova de que, em teoria, é possível que genomas inteiros sejam sintetizados quimicamente, montados e implantados em células receptoras".
"Claro que precisamos ter cautela, já que não temos certeza de que essa abordagem funcionaria em genomas maiores e mais complexos".
"Ainda assim, este avanço representa um marco na nossa capacidade de criar células feitas pelo homem para fins estabelecidos pelo homem", concluiu Freeman.
O estudo de Venter e sua equipe foi financiado pela empresa Synthetic Genomics. Três dos autores e o J. Craig Venter Institute possuem ações da companhia.
O instituto fez pedidos de patente para algumas das técnicas descritas no estudo.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u738110.shtml

terça-feira, 18 de maio de 2010

Os sem florestas em Salvador

17/05/2010 às 22:13

Família acorda com tamanduá-mirim dentro de casa em Patamares

Maiza de Andrade e Joana Lopo l A TARDE


Fernando Vivas/Agência A TARDE
 Espécie rara foi encontrada na garagem da casa


Os moradores da casa nº 68 do condomínio Colina C de Patamares acordaram, nesta segunda-feira, 17, com a visita inesperada de um tamanduá-mirim. Animal raro e considerado endêmico dos remanescentes de mata atlântica da Avenida Paralela, o bicho, segundo a médica veterinária Carline Dias é uma prova da rica biodiversidade da região. “Essa espécie está com o seu habitat cada dia mais reduzido”, afirmou ela, que mora na casa onde o tamanduá escolheu para se abrigar.
A casa de Caroline fica no condomínio Colina C de Patamares, que tem no fundo as matas do Parque do Vale Encantado, que, segundo ela, está ameaçado de desaparecer com a construção de uma nova avenida projetada para passar no local.
Fiscais do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), mesmo em greve, foram, nesta segunda, verificar a denúncia sobre obras embargadas na Lagoa Encantada, na Avenida Luiz Viana Filho (Paralela).
Conforme o denunciante, a  construtora Realeza teria aproveitado a greve do órgão para dar continuidade a uma obra embargada em julho do ano passado. Durante a fiscalização, contudo, nada foi comprovado.
De acordo com o coordenador do Ibama, Denilson Barbosa, os locais que tiveram as obras paradas continuam da mesma forma que estavam quando sofreram o embargo. No entorno dessas áreas, porém, está em andamento uma obra do condomínio Colinas de Jaguaribe Sul, que é licenciada pelo Instituto do Meio Ambiente (IMA), segundo Barbosa.

*Colaborou Amanda Palma l A TARDE

http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=2483728

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Prédio do Butantan não tinha sistema anti-incêndio

17/05/2010 - 07h56

Prédio do Butantan que pegou fogo não tinha sistema anti-incêndio

LETICIA DE CASTRO
da Reportagem Local
O prédio do Instituto Butantan que pegou fogo no sábado (15), onde ficavam os acervos de serpentes e artrópodes em formol e álcool, não tinha sistema automático de combate a incêndio. Projetado nos anos 1960, contava apenas com extintores, que deveriam ser acionados manualmente.
Polícia vai abrir inquérito para apurar causa de incêndio
Incêndio no Butantan destrói maior coleção de cobras do mundo
Bombeiros controlam incêndio em laboratório do Butantan
Incêndio atinge laboratório do Instituto Butantan em SP
Em dezembro, um grupo de curadores encaminhou à Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo) um projeto de melhorias estruturais e administrativas nos acervos do Butantan orçado em cerca de R$ 1 milhão.

Reinaldo Canato/Folha Imagem
 Material destruído após incêndio no Butantan

Reinaldo Canato/Folha Imagem 

Um dos pontos destacados era a necessidade de instalação de sistemas de detecção de fumaça e combate automático a incêndio. Assim que o calor e a fumaça fossem detectados, um alarme seria disparado e gás seria liberado para apagar o fogo.
No sábado, o incêndio começou às 7h45. Não havia ninguém no prédio para acionar os extintores e grande parte do acervo foi destruída --o local abrigava a maior coleção de cobras do mundo. Procurada pela Folha, a Fapesp não se pronunciou.
Um dia após o evento, o clima ontem entre os funcionários do Butantan era de desolação e indignação. "É uma tragédia da proporção do incêndio da biblioteca de Alexandria", disse o curador da coleção de serpentes, Francisco Luís Franco.
Amanhã, quando o prédio interditado deve ser liberado para os funcionários, ele pretende fazer um levantamento mais exato da perda. "Só a coleção de serpentes tinha 85 mil exemplares. É possível que alguns não tenham sido queimados. Vamos fazer esse resgate."
Para esse trabalho, Franco vai contar com cientistas que viajaram de outros Estados para ajudar na reorganização dos acervos. É o caso do biólogo da UFRJ Paulo Passos, que veio do Rio logo que teve a notícia.
"Vim com um grupo de pesquisadores para tentar ajudar. Ficamos chocados com a notícia", disse Passos.
Entre os funcionários, a hipótese que se discute sobre a causa do incêndio é uma obra no gerador do prédio. O equipamento teria sido desligado para revisão e, ao ser ligado novamente, teria sobrecarregado a rede elétrica e provocado um curto-circuito.
Em meio à grande quantidade de álcool no local, uma mera faísca pode ter provocado o estrago. "Temos que usar essa tragédia como bandeira para convencer a sociedade a estabelecer políticas de preservação dos acervos", disse Franco.
Improviso
Funcionário do instituto há 34 anos, o serpentista Antonio Carlos Barbosa teve que improvisar. Ele é responsável por receber e armazenar os animais levados ao instituto.
Com a interdição do prédio após o incêndio, teve que abrigar em sua casa os dez bichos entregues --incluindo um jabuti, que ficou livre no quintal, uma jararaca, guardada dentro de uma caixa, uma aranha e mais três cobras dormideiras, armazenadas em vidros.
As coleções de cobras e artrópodes perdidas no incêndio --o maior acervo do tipo no mundo-- eram usadas em pesquisas científicas e ajudavam a estabelecer critérios para políticas de saúde. Decisões como o tipo de soro enviado para cada Estado eram tomadas levando em conta informações obtidas ali.
"Pesquisadores que estavam fazendo mestrado ou doutorado perderam o trabalho de anos com isso", disse o biólogo Rodrigo Gonzalez, 29, bolsista da Fundap (Fundação do Desenvolvimento Administrativo).
Hoje, a Polícia Civil decidirá se instaura inquérito para investigar o incêndio. O laudo pericial só deve ser divulgado daqui a um mês.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u736124.shtml

domingo, 16 de maio de 2010

Incêndio no Instituto Butantan - Patrimônio insubstituível

Incêndio destrói mais de 500 mil amostras do Instituto Butantan

Além da maior coleção de ofídios do mundo nos trópicos, aranhas e escorpiões também foram perdidos

15 de maio de 2010 | 11h 30
 
Herton Escobar, de O Estado de S. Paulo
SÃO PAULO - Um incêndio ocorrido na manhã deste sábado, 15, no laboratório de répteis do Instituto Butantan, na zona oeste de São Paulo, destruiu milhares de espécimes de cobras e de aracnídeos, incluindo exemplares ainda não descritos pelos cientistas. Nenhum dos animais estava vivo.
Toda a coleção de cobras do Butantã - um total de aproximadamente 85 mil exemplares, a maior coleção do mundo de animais da região tropical - foi perdida no incêndio. Centenas de espécimes desses répteis que haviam sido coletadas pelos biólogos ainda não haviam sido descritas. Entre os aracnídeos - em especial aranhas e escorpiões -, a perda foi de cerca de 450 mil espécimes, das quais milhares ainda não tinham sido descritas pelos cientistas do instituto.

A princípio pensou-se que, junto com os animais preservados no laboratório, haviam sido destruídos os livros de tombo, que continham os registros de coleta dos espécimes, de suas características e suas condições, mas depois confirmou-se que eles foram salvos. O incêndio começou entre 7 e 8 horas da manhã e foi controlado por volta das 10 horas por dez viaturas e 50 homens do Corpo de Bombeiros, quando foi iniciada a operação de rescaldo. Não houve feridos.
Uma perícia será feita no local e a previsão é de que o resultado seja divulgado em 30 dias. Mas suspeita-se que o incêndio tenha sido causado por um curto-circuito. Durante a noite, a chave-geral do prédio havia sido desligada para serviços de manutenção na rede elétrica. O fogo começou quando a energia foi religada, de manhã.



Patrimônio insubstituível
O diretor do Instituto Butantan, Otávio Azevedo Mercadante, afirmou ao Estado que "o estrago foi muito grande". "O prejuízo material, você recupera. O científico, não." Para o herpetólogo - especialista em répteis e anfíbios - Miguel Rodrigues, da Universidade de São Paulo (USP), o incêndio foi um desastre de proporções incalculáveis. "Perdemos um patrimônio insubstituível da história biológica do País", resume.
História
O Instituto Butantan surgiu em 1898, estimulado por um surto epidêmico de peste bubônica no porto de Santos, e sua criação foi oficializada em 1901. Treze anos mais tarde, foi inaugurado o Prédio Central do Instituto. É um centro produtor de vacinas e importante pesquisador biomédico, dependente do governo de São Paulo.
O laboratório trabalha em vários projetos sobre o uso de venenos répteis, que estavam sendo usados no combate de doenças como Leishmaniose e o mal de Chargas. Recentemente, o Butantan também tem sido o órgão publico responsável pela produção de vacina da gripe H1N1, a partir de amostras fornecidas pelo laboratório francês Sanofi Pasteur.


http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,incendio-destroi-mais-de-500-mil-amostras-do-instituto-butantan,552220,0.htm

Transgênico mata uma praga e traz outra

14/05/2010 - 09h45

Transgênico mata uma praga e traz outra

RAFAEL GARCIA
da Reportagem Local
A adoção de uma variedade de algodão transgênico por fazendeiros chineses permitiu controlar as lagartas que são a principal ameaça a essa cultura, mas foi vítima de uma reviravolta ecológica: um percevejo outrora inofensivo virou praga.
Presente na China há mais de uma década e aprovado para uso no Brasil só em 2009, o algodão transgênico Bt desfrutou de algumas boas safras.

Editoria de Arte/Folha Imagem  
Agora, porém, a praga emergente afeta a produtividade do vegetal e se espalha também para o cultivo de frutas, afirma um estudo de cientistas da Academia Chinesa de Agronomia.
Em artigo na revista "Science", o grupo mostra que os algodoeiros Bt estão enfrentando problemas pelo motivo inverso ao qual vinham sendo criticados por ambientalistas.
Por muito tempo, transgênicos dessa variedade foram acusados de prejudicar insetos carismáticos, como a borboleta-monarca. Os percevejos mirídeos que viraram praga na China, porém, bem poderiam ter entrado nessa categoria antes.
As plantas Bt são resistentes a algumas pragas porque têm incorporado em seu DNA um gene da bactéria Bacillus thuringiensis, produtora de toxina letal para certos insetos. Percevejos mirídeos, porém, não são afetados pelos transgênicos.
"Antes da adoção do algodão Bt, um inseticida de amplo espectro contra [a lagarta] Helicoverpa armigera reduzia as populações de mirídeos; plantações de algodão atuavam como armadilhas sem saída", escrevem o cientista Yuyuan Go e seus colegas na "Science".
O grupo, porém, não defende que a solução para o problema seja uma volta ao uso de agrotóxicos químicos do tipo mata-tudo, que costumam gerar danos ambientais mais graves. A solução, dizem, é investir no "manejo integrado de pragas" para não ter de abrir mão dos benefícios que o Bt trouxe, como evitar pragas resistentes.
"No tratamento com inseticidas, às vezes é preciso usar três ou quatro tipos diferentes", afirma Olívia Arantes, geneticista da Embrapa Meio Ambiente especialista em Bt. Segundo ela, é improvável que o Bt também fosse se revelar uma solução para uso solitário.
Antes de ser incorporada aos transgênicos, a toxina da bactéria era borrifada diretamente nas plantas. O receio de as pragas evoluírem criando resistência ao Bt, segundo ela, é pequeno, pois existem muitas variedades da proteína que constitui a toxina, permitindo que os produtores se adaptem.
Na China, o algodão Bt teve tanto sucesso no fim da década de 1990 que se disseminou até conquistar 95% das fazendas dessa cultura. No Brasil, as estatísticas são incertas, porque esse transgênico começou a ser plantado de forma "pirata" antes da aprovação. Agora, as empresas Monsanto e Dow já podem comercializar a planta Bt. A Embrapa desenvolve novas variedades, ainda em teste.
Segundo Arantes, para o país se beneficiar dessa tecnologia, é preciso dar atenção ao estudo de interações ecológicas entre pragas, disciplina que lida justamente com efeitos como o ocorrido na China. "Essa é uma área de pesquisa que já está bastante ampla", afirma.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u735069.shtml


sexta-feira, 14 de maio de 2010

Biólogos propõem criar o barômetro da vida

14 de maio de 2010
Biólogos propõem criar o barômetro da vida
Novas ferramentas tentarão bloquear a sexta extinção em andamento
por David Biello

Um barômetro comum mede a pressão atmosférica. Agora, uma coalizão de biólogos propõe ferramenta semelhante para medir a pressão sobre a extinção da biodiversidade da Terra ─ o chamado “barômetro da vida".

Afinal, os cientistas identificaram apenas uma fração das espécies existentes na Terra; cerca de 1,9 milhão de espécies catalogadas até o momento podem representar apenas 20% da biodiversidade total do planeta. "Espécies desaparecem antes de sabermos sobre sua existência", dizem os biólogos Simon Stuart, presidente da Comissão de Sobrevivência das Espécies da União Internacional para Conservação da Natureza (IUCN, na sigla em inglês), Edward O. Wilson, da Harvard University, e outros, na revista Science, apelando para um esforço internacional para financiar a criação de tal “biobarômetro”. Stuart acrescenta: "O ponto-chave da conservação é inverter uma tendência negativa em positiva."


National Human Genome Research Institute
Primeiro organismo multicelular com genoma completamente mapeado, os parentes do nematódeo C. elegans são desconhecidos

Os biólogos querem realizar o projeto com US$ 60 milhões, para reunir todas as informações conhecidas e avaliar cerca de 160 mil espécies de quatro grupos: cordados (mamíferos e outros vertebrados), invertebrados (insetos e minhocas) e plantas e fungos. As espécies seriam avaliadas para identificar quais sofrem por causa de várias pressões de extinção: a expansão agrícola e/ou a intensificação nas mudanças de hábitat, mudança climática, entre outras. Essa avaliação dará um melhor quadro da ameaça à biodiversidade global do que os esforços em curso, segundos os biólogos. "Há uma enorme quantidade de informações lá fora que não usamos, pois estamos confinados a museus", afirma Stuart.

Claro que 160 mil são apenas aproximadamente 8% das espécies conhecidas, e a vistoria não tentará ampliar o conhecimento sobre a abundância dos seres vivos. "Não vamos ser capazes de monitorar o estado de conservação dos nematoides em tão pouco tempo", admite Stuart. Mas "se o barômetro mostrar um declínio muito grande – como a Lista Vermelha da IUCN de espécies ameaçadas já sugere – em mamíferos pela caça excessiva na Ásia, então, nos indica o que precisará ser feito”.

Conforme a Enciclopédia da Vida e a Lista Vermelha sugerem, o barômetro seria um dos muitos esforços a serem instituídos em 2010, Ano Internacional da Biodiversidade, decretado pelas Nações Unidas. Mas muitos desses esforços, incluindo os da IUCN, abrangem menos espécies e acabam dando preferências para espécies mais carismáticas da megafauna, como ursos polares e águias.

Outros grupos de conservação têm uma abordagem diferente: O The Nature Conservancy lançará seu Atlas da Conservação Global para definir em mapas as pressões aos hábitats globais, bem como a densidade relativa de várias espécies, como os anfíbios. "Tendo a visão do hábitat, você é capaz de abranger todas as espécies", diz a conservacionista Jennifer Molnar. "É uma nova visão do planeta."

Os novos mapas mesclam dados de satélites com expedições de campo para estudar espécies de peixes em locais específicos, e revelam que grande parte da água do mundo já está aquecida, devido a alterações climáticas. Quase todos os ecossistemas costeiros foram afetados por excesso de fluxos de nitrogênio e outros fertilizantes, junto com a queda nos sedimentos em muitas regiões do mundo (se não todas, pois não existem dados suficientes para avaliar esse fato). Agora enfrentam pelo menos cinco espécies invasoras de mamíferos e três de plantas ou animais de água doce. "É a primeira que vemos com está o problema em uma escala global", afirma Molnar. "Não estamos apenas prejudicando o meio ambiente, estamos ferindo a nós mesmos... Os mapas mostram que esses recursos estão mais ameaçados do que podemos imaginar."

Os mapas podem mostrar que os esforços atuais para conservação falharam, uma vez que os esforços globais para poupar algumas espécies têm crescido como a extensão de hábitats protegidos, embora Stuart rejeite essa reivindicação. "As coisas seriam muito piores se não fossem as medidas de conservação", diz ele. "O que não sabemos nesse momento é o quanto de conservação tem se obtido". Dado que a Terra pode estar perdendo 140 mil espécies por ano ─ mais os nematoides e outros não-carismáticos seres da microfauna ─ a questão sobre se a conservação tem trabalhado para preservar a biodiversidade, poderá ser discutida em breve.


http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/biologos_propoem_criar_o_barometro_da_vida.html

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Menor robô do mundo transporta átomo ao longo de DNA

13/05/2010 - 08h01

Menor robô do mundo transporta átomo ao longo de DNA

Cientistas nos Estados Unidos anunciaram a criação do menor robô do mundo, do tamanho de uma molécula.
Por enquanto, ele aprendeu "apenas" a andar, parar, voltar e transportar átomos de ouro. Mas estruturas assim podem ser utilizadas, no futuro, tanto na medicina quanto na informática, dizem cientistas.
A máquina tem poucos nanômetros de tamanho, ou um centésimo de milésimo da espessura de um fio de cabelo. Ainda não anda para os lados, apenas em uma "pista" linear criada pelos cientistas.

Editoria de Arte/Folha Imagem  


O truque é usar moléculas de DNA como material de construção dessa pista, e enzimas que se agregam a ela para fazer as pernas (três ou mais) que permitem ao robô andar.
Como as reações químicas da "pista" com as "pernas" são bem conhecidas, os cientistas sabem que tipo de sequência de DNA colocar na pista para dar comandos ao robô como "pare" ou "dê meia volta".
A pista não lembra em nada uma avenida. Ela parece uma minúscula cama de pregos, e as pernas do robô se conectam aos pregos que encontram pelo caminho, feitos de DNA dobrado.
As descobertas estão em dois estudos publicados no periódico "Nature". Um deles, da Universidade de Nova York, enfocou a capacidade desses robôs de se agregarem. O outro, da Universidade Columbia, se concentrou em fazê-lo andar.
O robô é de um tipo chamado pelos cientistas de "DNA walker", "pedestre de DNA", em tradução livre. O "DNA walker" de Columbia percorreu 100 nanômetros (100 bilionésimos de metro). Pode parecer pouco, mas isso é cerca de cem vezes o tamanho do robô.
Busque e destrua
Essa tecnologia anima os pesquisadores. Eles imaginam um futuro (ainda distante) em que robôs assim poderão ser programados para andar livremente pelo organismo.
Eles poderiam, por exemplo, procurar células doentes, diz Milan Stojanovic, especialista em robótica molecular de Columbia, e tentar curá-las (ou matá-las antes que criem um tumor, por exemplo).
"Mas o que fizemos foi só uma demonstração. A tecnologia está só no começo." Ele diz que mais demonstrações dessa tecnologia aparecerão na próxima década. "Mas aplicações práticas provavelmente estão muito mais distantes", conta.
Seu colega Nee Seeman, da Universidade de Nova York, diz que qualquer previsão agora é totalmente especulativa. "Mas eu estou muito empolgado."
O transporte de ouro que sua equipe conseguiu mostra também que talvez medicamentos possam ser carregados por esses robôs pelo corpo um dia.
Outro motivo de empolgação é lembrar que o DNA se replica sozinho, ao contrário do plástico ou do silício. Se no futuro fosse possível utilizar robôs que funcionassem utilizando apenas o DNA e suas enzimas, talvez fosse possível programar as máquinas também para se reproduzirem sozinhas.
Uma possibilidade interessante, que os cientistas devem explorar no futuro, é criar uma máquina desse tipo que não estraga nunca. Ela poderia se reproduzir, fazendo com que suas "filhas" ocupassem seu lugar antes de parar de funcionar.
 http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u734294.shtml

segunda-feira, 10 de maio de 2010

Caminho para vacina contra a dengue

Pesquisa britânica aponta caminho para vacina contra a dengue

Descoberta sobre fragilidade imunológica da pessoa infectada pode ajudar a desenvolver imunizante

06 de maio de 2010 | 15h 04
 
Efe
WASHINGTON - Cientistas ingleses descobriram um caminho para o desenvolvimento de uma vacina contra a dengue, uma doença que se manifesta com força em regiões tropicais como o Brasil, revelou nesta quinta-feira, 6, um estudo publicado na revista Science.

Divulgação
  Descoberta explica porque pessoas que pegam a doença pela segunda vez têm sintomas mais graves

Segundo os cientistas do Imperial College de Londres, é o próprio sistema imunológico da pessoa infectada com o vírus que ajuda o micro-organismo a infectar as células. Essa descoberta explicaria por que as pessoas que pegam a doença pela segunda vez têm sintomas mais graves e perigosos que na primeira ocasião.
A dengue é transmitida pela picada de um mosquito e seus sintomas incluem febre alta, dores nas articulações e vômitos. Em algumas ocasiões, causa febre hemorrágica e morte.
Os cientistas indicam que quando uma pessoa volta a contrair o vírus, entram em ação os anticorpos desenvolvidos na primeira infecção. Mas esses anticorpos, em vez de combater o vírus, na realidade ajudam a infectar as células. Uma vez identificados, seu uso deveria ser evitado no desenvolvimento de uma vacina para neutralizar o vírus, assinalam.
Conforme Gabin Screaton, diretor do Departamento de Medicina do Imperial College, a pesquisa proporcionou algumas chaves indicando o que pode ou não funcionar no combate contra o vírus. "Esperamos que os resultados de nossa pesquisa aproximem os cientistas da criação de uma vacina efetiva" contra o vírus, acrescentou.
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a incidência da febre aumentou de maneira considerável no último século e 20% da população mundial corre o risco de contrair a doença. De acordo com a OMS, existem quatro cepas do vírus e até agora não há uma vacina nem remédios para combater a doença de maneira efetiva.
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,pesquisa-britanica-aponta-caminho-para-vacina-contra-a-dengue,547974,0.htm

Jovem que fuma uma vez ao mês pode ficar viciado

10/05/2010 - 11h06

Jovem que fuma uma vez ao mês pode ficar viciado

RAQUEL BOTELHO
da Reportagem Local
Adolescentes que fumam uma vez ao mês podem estar no caminho para a dependência, principalmente se apresentarem sintomas precoces, como ânsia de fumar ou irritação quando não podem fazê-lo.

SXC
Risco é maior quando adolescente apresenta sintomas precoces, como desejo de fumar

Essa é a conclusão de um estudo publicado no periódico científico "Pediatrics", que acompanhou 370 voluntários durante quatro anos.
Os adolescentes foram submetidos a 11 entrevistas individuais, de 2002 a 2006, sobre a presença de sintomas da dependência. Neste período, 62% deles fumavam ao menos uma vez por mês, 52% tinham sintomas de dependência e 40% tornaram-se fumantes diários.
Os pesquisadores observaram que a frequência com que os jovens fumavam era um indicativo de sintomas de dependência na entrevista seguinte.
Por sua vez, o número de sintomas estava relacionado a um aumento da frequência de consumo. Fumar no mínimo uma vez ao mês -ou por semana, como ocorreu em alguns casos- foi um fator de risco forte para o aparecimento de sintomas, como grande desejo de fumar, seguido por sintomas de abstinência da nicotina, aumento da frequência de consumo para diária e relatos de sensação de dependência e de dificuldade para se controlar.
Os sintomas de dependência de nicotina são desejo persistente de fumar (que leva à troca de outros prazeres pelo cigarro), necessidade de fumar mais para ter o mesmo benefício (como redução da ansiedade) e vontade compulsiva de fumar (síndrome de abstinência).
Segundo o pneumologista Sérgio Ricardo Santos, coordenador do PrevFumo (ambulatório de controle do tabagismo da Unifesp), durante a fase de iniciação -em que o consumo está vinculado ao convívio com amigos e a baladas- surgem sintomas mais tênues, que sugerem a dependência ou o caminho para sua instalação.
"É o interesse de estar próximo a pessoas que fumam, carregar isqueiro, selecionar amizades com base no fato de as pessoas serem fumantes ou não. E o desejo -não a compulsão- de fumar em situações especiais, como na balada", diz.
Investigação
O tabagismo na adolescência ainda é pouco investigado, afirma o pneumologista. No Brasil, a idade média de iniciação vai de 13 a 15 anos.
"O esforço, para essa geração de crianças e adolescentes, está em descobrir como prevenir que eles se tornem fumantes. Estamos aprendendo que ter pais ou melhor amigo que fumam, frequentar ambientes onde é permitido fumar e sentir prazer nisso são fatores de risco para que experimentem cigarros, iniciem-se no consumo regular e, enfim, tornem-se dependentes", diz.
Para Ciro Kirchenchtejn, coordenador do Centro de Tratamento de Tabagismo do hospital Oswaldo Cruz, o uso recreativo da nicotina tem muito mais chance de levar à dependência do que o de outras drogas. "Para criar dependência, não requer mais do que poucas semanas ou meses", diz.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u732730.shtml

sábado, 8 de maio de 2010

Luz animal - animais bioluminescentes

Luz animal

O espetáculo de luz e cores dos animais bioluminescentes – que geram luz a partir de processos químicos – impressiona cientistas por todo o mundo. Entenda as principais conclusões sobre esse fenômeno e observe a bioluminescência em fotos e vídeo impressionantes.
Por: Larissa Rangel
Publicado em 07/05/2010 | Atualizado em 07/05/2010


 No sentido horário, estão o verme 'Tomopteris', a lula 'Abralia veranyi', o krill-do-norte 'Meganyctiphanes norvegica', o peixe-gato-negro 'Melanstomias bartonbeani' e a caravela 'Atolla wyvillei' (foto: Edith Widder). 

De vaga-lumes a bactérias, uma grande variedade de espécies desenvolveu a capacidade de reproduzir luz própria a partir de processos químicos. Os motivos para esse comportamento vão desde a defesa contra predadores até a necessidade de atrair pares para acasalamento.

Muitos mistérios ainda envolvem as funções da bioluminescência e as consequências relacionadas a ela. Na tentativa de tornar a questão menos obscura, Edith Widder, pesquisadora da Associação de Pesquisa e Conservação de Oceanos Fort Pierce, nos Estados Unidos, publicou esta semana um artigo na Science no qual revê os principais estudos e conclusões sobre esse fenômeno.

O foco das análises da pesquisadora foi nos animais marinhos, já que dos 700 gêneros bioluminescentes registrados, 80% são encontrados no oceano. Mas o processo básico que envolve a geração de luz é o mesmo em quase todos os animais. Trata-se de uma função exercida pela enzima luciferase, que, ao oxidar a proteína luciferina, emite fótons de luz.

Assista ao vídeo cedido por Edith Widder
que mostra os animais bioluminescentes




Uma boa explicação sobre o fenômeno já foi publicada na Ciência Hoje. No artigo da CH, compara-se esse processo com a fotossíntese.
Na fotossíntese, os fótons são absorvidos e sua energia é estocada na forma de ligações químicas de compostos orgânicos, enquanto na bioluminescência as ligações desses compostos são quebradas (por oxidações semelhantes às que ocorrem na combustão), com emissão de fótons.

Iluminando o oceano

Nos animais marinhos, por conta do ambiente em que vivem, a cor mais frequente na bioluminescência é o azul, seguida pelo verde, violeta, amarelo e laranja. Mas eles também emitem outros espectros de cor, muitas vezes imperceptíveis ao olho humano.

 Aqui, vemos a fantástica água-viva 'Periphylla periphylla' (foto: Edith Widder).

“A estimativa é de que as bactérias emitam até 103 fótons de luz por segundo”, garante Widder no estudo. “Já os animais maiores, como camarões e peixes, chegam a uma média de 1.012 fótons”, completa.
A defesa contra os predadores é a função mais comum desse comportamento. Alguns animais como crustáceos, medusas, lulas e peixes chegam a produzir partículas ou nuvens luminosas que servem para despistar ou cegar o predador. Outros animais ainda usam essa tática como camuflagem, no que a pesquisadora chama de 'contrailuminação'.
A bioluminescência serve também para conseguir alimento ou para achar um par – por meio da irradiação de raios de forma sincronizada entre macho e fêmea. As espécies marinhas bioluminescentes incluem o peixe-lanterna (Symbolophorus barnardi), cujos olhos são iluminados, o krill-do-norte (Meganyctiphanes norvegica), parecido com um camarão, ou o polvo-sugador-brilhante (Syrtensis stauroteuthis).
Edith Widder observa que ainda há certa dificuldade em detectar esses animais, uma vez que o processo exige técnicas muito específicas e recentes, como o uso de iluminação infravermelha e altas tecnologias de imagem.
Segundo ela, ainda faltam explicações para as funções e a origens desse comportamento. “É preciso que haja mais estudos, capazes de observar melhor a reação individual entre as espécies”, reflete a bióloga, em seu artigo.

Nobel

A bioluminescência já gerou tanta discussão que rendeu o Prêmio Nobel de Química, em 2008, a pesquisadores que estudaram as proteínas fluorescentes. A honraria foi concedida após as experiências dos cientistas ajudarem no desenvolvimento de células nervosas que combatem o alastramento de tumores e a progressão do mal de Alzheimer no cérebro. Assim como as proteínas, diversas bactérias bioluminescentes podem contribuir para a melhor observação de fenômenos microscópicos.

Células T podem ajudar a aprendizagem

07 de maio de 2010
Células T podem ajudar a aprendizagem Embora não presentes do cérebro, elas melhoraram cognição de ratos em laboratório
por Katherine Harmon

As células do sistema imunológico se esforçam bastante para combater infecções. Entretanto, novos estudos revelam que essas células têm um importante papel em nossa cognição. Um estudo publicado no dia 3 de maio no Journal of Experimental Medicine tenta revelar como as células T ─ não presentes no cérebro ─ auxiliam no processo de aprendizagem e memorização.

Pesquisadores descobriram que o acúmulo de outras células do sistema imune ─ relacionadas a inflamações ─ em regiões próximas ao cérebro pode causar declínio da capacidade cognitiva em pacientes que apresentam, por exemplo, esclerose múltipla ou demência. “Inesperadamente, as células T foram detectadas nos processos de aprendizagem e memorização, mas o mecanismo de atuação ainda permanece desconhecido”, segundo autores do estudo liderado por Noël Derecki, do departamento de Neurociência da University of Virginia, em Charlottesville. 


Wikimedia Commons
 Imagem das camadas de meninges que envolvem o cérebro



Para entender tais mecanismos, Dereki e seus colegas procuraram determinar por que camundongos deficientes em células T não foram bem nos testes de memória em labirintos, já que essas células não estão presentes no cérebro, e sim em reações inflamatórias.

A resposta para essa questão pode estar em uma série de interações entre as meninges. As células T se aglomeraram nessas regiões logo após a formação da memória dos ratos a respeito dos labirintos.

O maior foco dos pesquisadores são as células T que produzem a proteína IL-4, uma citocina inibidora dos compostos causadores dos inchaços. Quando células T foram injetadas nos cérebros dos camundongos, havia células mieloides acumuladas que parecem estimular a inflamação e prejudicar a aprendizagem.

Com o intuito de testar o papel dessa proteína e conhecer sua capacidade na ajuda no processo de aprendizagem e memorização, os pesquisadores desenvolveram ratos sem a proteína IL-4 e realizaram testes de labirinto, comparando-os com ratos comuns. Os camundongos sem a citocina tiveram um aumento de inflamação nas células mieloides nas meninges e “exibiram um fenótipo surpreendentemente grave na função cognitiva”, segundo observaram os pesquisadores. No entanto, quando os camundongos deficientes receberam doses de células T melhoraram muito seu desempenho. Esse fato pode ter ocorrido devido à produção da proteína IL-4, que eliminou a inflamação no sistema nervoso.

“Esses resultados são de grande importância na mudança de um paradigma na compreensão do papel das células, ou linfócitos T, na manutenção do delicado equilíbrio entre o pró e o anti-inflamatório na área circundante do sistema nervoso central”, segundo o grupo de pesquisa.

http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/celulas_t_podem_ajudar_a_aprendizagem.html 

terça-feira, 4 de maio de 2010

Itália usa morcegos para combater mosquitos

04/05/2010 - 13h28

Itália usa morcegos para combater mosquitos

da BBC Brasil
Prefeitos de várias cidades da Itália decidiram substituir pesticidas contra pernilongos por caixas que atraem colônias de morcegos, considerados excelentes predadores de insetos.
O projeto "Um Morcego Amigo" foi criado pela Universidade de Florença para colher informações a respeito dos mamíferos voadores, envolver a população na conservação da espécie e divulgar o uso de um sistema biológico para eliminar os mosquitos.
Para atrair os morcegos de volta às cidades, zoólogos da universidade e do Museu de Historia Natural de Florença, projetaram caixas especiais de madeira, que são espalhadas em locais públicos e servem como refúgio para que os bichos possam hibernar, se reproduzir e criar colônias.
A cidade de Godega Sant'Urbano, perto de Treviso, na região norte da Itália, colocou sua primeira caixa para abrigar morcegos no domingo passado.
Em entrevista à BBC Brasil, o prefeito, Alessandro Bonet, disse que elas vão ser distribuídas em escolas e edifícios públicos, para trazer de volta os morcegos que abandonaram a cidade.
"Dez anos atrás havia muitos morcegos aqui. Por causa da poluição do ar e da falta de lugares onde se instalar, eles foram desaparecendo e aumentou a quantidade de mosquitos. Queremos que os morcegos voltem maciçamente, porque cada um pode capturar até 2 mil mosquitos por noite", disse.

BBC
 Prefeitos de cidades da Itália decidiram substituir pesticidas por caixas que atraem morcegos, excelentes predadores de insetos.
 
Monte seu refúgio
A campanha começou em 2006 na cidade de Fiesole, na região da Toscana e agora tem adesões em todo o país.
"Cidades de norte a sul Itália, de Nápoles a Milão, participam do projeto. Distribuímos mais de 8 mil caixas, além de divulgar as instruções para as pessoas montarem os refúgios sozinhas", disse à BBC Brasil Paolo Agnelli, zoólogo responsável pelo projeto.
As caixas, de 66 por 40 centímetros, oferecem refúgio seguro aos predadores de mosquitos e foram projetadas para criar um ambiente ideal para os animais. A caixa tem compartimentos diferenciados. As fêmeas preferem a parte mais quente, que fica no alto, e os machos, que gostam do frio, ficam na parte baixa.
Para atrair os morcegos, as caixas precisam ser envelhecidas, as paredes internas devem ser ásperas, com cortes que parecem degraus, para que os morcegos possam ficar pendurados de cabeça para baixo.
Os refúgios de morcegos são colocados durante a primavera em árvores ou do lado de fora dos prédios, a quatro metros de altura, numa área mais protegida e menos exposta. Cada um pode abrigar até 25 fêmeas e apenas três ou quatro machos.
Tempo de colonização
Depois da colocação das caixas nas cidades que aderiram ao projeto, os zoólogos constataram um aumento na população de morcegos, mas observaram que uma colonização leva tempo para se formar.
"Desde 2007 as caixas foram colonizadas em 40% e ficou evidente que as chances delas encherem de animais depende de quanto tempo ficam expostas. Por isso é melhor não tirá-las no inverno", disse Paolo Agnelli.
O prefeito de Godega Sant'Urbano fez um curso em Florença para entender mais sobre morcegos. Ele garante que a população não tem medo dos bichinhos.
"A espécie italiana é inócua e muito pequena. Pesa cerca de cinco gramas", garantiu.
O objetivo do projeto é divulgar os morcegos que, segundo os zoólogos, são muito interessantes do ponto de vista cientifico.
"Ao usá-los para combater mosquitos, as pessoas querem saber mais sobre eles. Há muitas lendas e superstições sobre os morcegos", disse Paolo Agnelli.
 http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u729869.shtml