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domingo, 31 de outubro de 2010

Origem dos antropoides

Nova pista sobre a origem dos antropoides

A descoberta de alguns dos mais antigos fósseis africanos de primatas desse grupo, que reúne macacos e seres humanos, indica, pela diversidade de espécies encontrada, que nossos ancestrais podem ter surgido em outro continente.
Por: Thaís Fernandes
Publicado em 27/10/2010 | Atualizado em 27/10/2010
Fósseis encontrados na África mostram que, há cerca de 39 mil anos, o continente já abrigava diversas espécies de primatas antropoides (arte: Mark A. Klingler/Carnegie Museum of Natural History, Pittsburgh, Pa).  
 
O enigma sobre a origem dos primatas antropoides, grupo que inclui macacos e seres humanos, acaba de ter mais uma pista revelada. A descoberta de alguns dos mais antigos fósseis africanos do grupo põe em cheque a teoria de que a África teria sido o berço dos primatas superiores. A diversidade de espécies encontrada sugere que o continente foi colonizado posteriormente pelos nossos ancestrais, junto com outros mamíferos.
Ainda não há consenso sobre a época e o local de surgimento dos primeiros primatas antropoides. Fósseis encontrados no Egito sustentavam a hipótese de que esse grupo se originou na África durante o período Cretáceo (de 145 milhões e 500 mil a 65 milhões e 500 mil anos atrás). Essa teoria já havia sido questionada após a descoberta de vários antropoides basais na Ásia.

A conclusão é de um estudo publicado esta semana na Nature por uma equipe internacional de pesquisadores liderados por Jean-Jacques Jaeger, do Instituto Internacional de Paleoprimatologia e Paleontologia Humana, Evolução e Paleoambiente (França).
Os novos fósseis descritos pela equipe tiveram a idade estimada em cerca de 39 milhões de anos (período Eoceno médio tardio) e foram encontrados na formação Dur At-Talah, na Líbia central, no norte da África. O mais velho antropoide africano reconhecido até agora teria vivido há cerca de 40 milhões de anos na Argélia.
 
 Vista panorâmica da formação Dur At-Talah, na Líbia central, onde foram encontrados fósseis de alguns dos mais antigos primatas antropoides africanos (foto: MPFL).

Diversidade surpreendente

O achado surpreende pela diversidade de espécies – quatro ao todo, sendo três novas (Karanisia arenula, Afrotarsius libycus e Talahpithecus parvus) e uma já conhecida pela ciência (Biretia piveteaui). Elas pertencem a três diferentes clados (grupo de organismos originados de um único ancestral comum) de antropoides e a um grupo de primatas que tem como atuais principais representantes os lêmures de Madagascar.
Segundo os pesquisadores, a explicação mais provável para essa diversidade é que várias espécies de antropoides tenham evoluído e se diversificado em outro continente e depois se dispersado quase simultaneamente em direção à África durante o período Eoceno médio.
“Sem evidência fóssil mais antiga na África, agora estamos olhando para a Ásia como o local onde esses animais evoluíram primeiro”, diz em comunicado à imprensa um dos autores do artigo, Christopher Beard, do Museu Carnegie de História Natural, nos Estados Unidos.
Outra justificativa é que os antropoides tenham surgido na África muito antes do que se imagina. Mas os paleontólogos não acreditam que a aparição repentina de tamanha diversidade de espécies vivendo aproximadamente ao mesmo tempo no norte da África seja fruto de uma lacuna no registro fóssil africano.
Outros sítios do mesmo período já foram bem estudados na região e não apresentaram indícios do surgimento dessas novas espécies.

Representação artística das quatro espécies de primatas antropoides encontradas na Líbia (arte: Mark A. Klingler/Carnegie Museum of Natural History, Pittsburgh, Pa).
 Tendência de crescimento

Os quatro primatas primitivos descobertos na Líbia eram notavelmente pequenos: o peso dos adultos variava de 120 a 470 gramas. Essa característica reforça a conclusão de que os antropoides surgiram a partir de indivíduos muito pequenos, baseada na análise de um agrupamento de primatas do Eoceno médio encontrado na China.
Segundo os cientistas, essas espécies começaram a ser suplantadas por outras maiores no Eoceno tardio, e essa tendência de crescimento entre os antropoides africanos primitivos continuou no Oligoceno.
Beard diz que, quando esses pequenos antropoides surgiram, a África era um continente isolado e não havia nada que pudesse competir com eles. “Isso leva a um período de divergência evolutiva florescente entre antropoides, e uma dessas linhagens resultou nos humanos”, explica.
“Se nossos ancestrais antropoides primitivos não tivessem obtido sucesso na migração da Ásia para a África, nós simplesmente não existiríamos.”
Além dos primatas descritos no artigo, foram identificados cinco roedores no sítio localizado na Líbia. A equipe destaca agora a necessidade de estudos em outros sítios do Eoceno médio na África e na Ásia para entender melhor esse período pouco documentado da história evolutiva dos primatas.
Thaís Fernandes
Ciência Hoje On-line
http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2010/10/nova-pista-sobre-a-origem-dos-antropoides

Especial de Halloween: medicina medieval


Especial de Halloween: medicina medieval

por Carlos Orsi

á que o assunto do fim de semana é o horror e o terror, o que poderia ser melhor que uma olhada nas teorias que regeram a medicina até poucos séculos atrás?
De Hipócrates (300 AEC) a Galeno (150 EC) e por todos os séculos posteriores em que as ideias desses dois sábios reinaram, o que se passava por ciência médica no ocidente começava e terminava nos quatro elementos — terra, fogo, ar e água — e em suas qualidades: a terra é fria e seca; o fogo é quente e seco; o ar é quente e úmido; e a água é fria e úmida.
O que diabos isso tem a ver com saúde humana? No século VI, Alexandre de Tralles decretava que o dever do médico era “esfriar o quente; secar o úmido; aquecer o frio; umedecer o seco”. Em outras palavras, restaurar, no paciente, o equilíbrio entre essas propriedades fundamentais, balanço cuja perda seria a causa da  doença.
Como isso era feito? Achava-se que o equilíbrio era ditado pelos temperamentos, que por sua vez eram controlados pelos humores. Dizer que fulano tem um “temperamento ruim” porque “vive de mau humor” hoje pode ser uma queixa fútil contra o chefe ranzinza, mas há mil anos era diagnóstico médico da maior gravidade.
Os humores eram fluidos que, acreditava-se, percorriam o corpo; sua abundância ou escassez determinava os temperamentos, e cabia ao médico pôr a casa em ordem.
O fluido, ou humor, quente e úmido é o sangue, e o temperamento dominado por ele é o sanguíneo, ou otimista e impetuoso; seu oposto é a bile negra, fria e seca, que produz o temperamento melancólico; a bile amarela é o humor quente e seco, e domina o temperamento colérico; a fleuma é fria e úmida e predomina no temperamento, você adivinhou, fleumático.
Além de corresponder aos quatro elementos clássicos, os humores ligavam-se às estações do ano (o verão, quente e seco, pertence à bile amarela e aos coléricos) e, por meio delas, à astrologia.
Era com base nessa intrincada rede de metáforas e superstições que se praticava a medicina. Um diagnóstico do século XVI, citado por Joseph Jastrow em seu monumental Error and Eccentricity in Human Belief, dizia: “Temperatura e condição muito úmidas e frias, o fluxo dos humores coincidindo com as conjunções e oposições da Lua”.  Sangrias eram realizadas para drenar excessos de calor e/ou umidade.
Claro, o processo tinha algum dinamismo e a medicina fazia avanços, ainda que terrivelmente lentos para os nossos tempos, que viram os antibióticos, a radioterapia, o remédio para pressão alta e o Viagra surgirem em menos de 100 anos.
No século XII, talvez como um efeito colateral das duas ou três primeiras Cruzadas, pó de múmia passou a ser um componente popular de medicamentos. Não só inúmeras múmias egípcias foram destruídas para alimentar essa farmacopeia, como corpos frescos também passaram a ser usados.
Uma receita do século XVII pede, como matéria-prima, o “cadáver (…) de um homem completo, não mutilado, limpo e sem nódoas da idade de 24 anos, que tenha sido enforcado ou quebrado na roda (…)”. “Quebrar na roda” era, claro, um método especialmente excruciante de morte sob tortura.
Quem quiser saber mais sobre múmias medicinais pode baixar a edição de Halloween da Annals of Improbable Research, que traz boas referências a respeito.
 Ilustração mostra dentista em ação no século XIV
http://blogs.estadao.com.br/carlos-orsi/2010/10/29/especial-de-halloween-medicina-medieval/

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Golfinhos aprendem a "andar" sobre a água por diversão

10/2010 - 07h57

Golfinhos aprendem a "andar" sobre a água por diversão, diz estudo

DA BBC BRASIL

Golfinhos selvagens estão aprendendo naturalmente a "andar" sobre a água na Austrália, em um caso de aparente transmissão de conhecimento destinado à diversão, e não à sobrevivência.
Seis golfinhos já foram vistos no rio Port, em Adelaide, dominando a técnica - que consiste em bater a cauda de forma furiosa, forçando o corpo verticalmente para a superfície.
O comportamento não parece ter qualquer benefício evidente em termos práticos, como a obtenção de alimento, dizem cientistas que trabalham na Sociedade de Conservação das Baleias e dos Golfinhos (WDCS, sigla em inglês).
A descoberta foi feita pelo cientista Mike Bossley, da WDCS, que passou 24 anos estudando os golfinhos que vivem no rio Port. Nos últimos anos, Bossley observou duas fêmeas adultas, batizadas de Billie e Wave, tentando andar sobre a água.
Agora, quatro outros espécimes, incluindo filhotes, foram registrados tentando aprender o truque dos adultos. Eles já foram vistos treinando, embora com menos sucesso.

Marianna Hawkes /BBC
Golfinhos aprendem a "andar" sobre a água por diversão, diz estudo

TRUQUE RARO
O ato de bater a cauda n'água para erguer o corpo de forma vertical e se movimentar em seguida é visto facilmente entre golfinhos mantidos em cativeiro e treinados para fazer truques, mas isto é difícil na vida selvagem.
De acordo com a WDCS, além de Billie e Wave, somente um outro golfinho adulto havia sido visto "andando" no rio Port ao longo de milhares de horas de observações científicas, e mesmo assim, por uma única vez.
Acredita-se que Bille tenha aprendido o "andar" em um curto período no qual ela esteve mantida em cativeiro, antes de ser levada de volta à vida selvagem.

 WDCS Barbara Saberton/BBC
 Golfinhos selvagens estão aprendendo a "andar" sobre a água na Austrália, em caso de transmissão de conhecimento

Ela transmitiu o comportamento para Wave, e agora as duas parecem passar o aprendizado para uma comunidade mais ampla.
Os fotógrafos da WDCS Marianna Boorman e Barbara Saberton recentemente documentaram o filhote de Wave, batizado de Tallula, também tentando "andar" sobre a água.
O truque também está sendo tentado por outra fêmea, chamada Bianca, e por dois filhotes, Hope e Bubbles. Todos podem ser vistos diariamente tentando aplicar a técnica.
 
CHIMPANZÉS E ORCAS
Entre as espécies conhecidas por transmitirem comportamentos, estão os chimpanzés, que aprenderam a "pescar" cupins com varas. Já as orcas ensinam várias técnicas, como para caçar focas, por exemplo.
No entanto, há poucos exemplos documentados de animais passando "culturalmente" comportamentos que não sejam relacionados com a busca de comida.
Segundo Bossley, a técnica dos golfinhos de "andar sobre a água" parece ser exclusivamente destinada à diversão.
"A cultura, no sentido amplo do termo, definido como 'aprender a característica comportamental de uma comunidade' está sendo agora frequentemente apresentada no rio Port", diz.
http://www1.folha.uol.com.br/bbc/819630-golfinhos-aprendem-a-andar-sobre-a-agua-por-diversao-diz-estudo.shtml

sábado, 23 de outubro de 2010

EUA testa células-tronco em humanos

Começam nos EUA testes inéditos com células-tronco em humanos

Começaram nos Estados Unidos os primeiros testes oficiais do mundo feitos com células-tronco embrionárias humanas, com aval de reguladores estatais.
Em Atlanta, médicos estão usando as células-tronco para tratar lesões severas na coluna vertebral, após autorização da FDA, agência governamental americana que regula medicamentos e alimentos. Os médicos informaram que já têm um paciente para os testes iniciais.

 Células-tronco têm potencial de se converter em outras células do corpo

A técnica envolve a retirada de células de minúsculos embriões humanos, que têm o potencial de se converter em diferentes tipos de células do corpo, inclusive no sistema nervoso.
Durante os testes, serão injetadas células-tronco na coluna vertebral dos pacientes, para avaliar se o procedimento é seguro.
Nos estudos realizados com animais, camundongos com paralisia recuperaram alguns movimentos. Mas ainda não se sabe se o método trará benefícios a seres humanos, conforme relata a repórter de saúde da BBC News, Michelle Roberts.
Experimental
A cada ano, cerca de 12 mil pessoas sofrem lesões na coluna nos Estados Unidos. As causas mais comuns são acidentes automobilísticos, quedas, tiros e lesões esportivas.
Nos testes de Altanta, pacientes que se lesionaram nos 14 dias anteriores ao estudo receberão o tratamento experimental.
A empresa responsável pelos testes, Geron Corporation, defende que a técnica pode no futuro ajudar a regenerar células nervosas em pacientes com paralisia.
Já críticos do método consideram-no um experimento com seres humanos e pedem que seja banido.
‘Décadas’
O presidente da empresa, Thomas Okarma, comemorou a autorização para iniciar os testes. “Quando começamos a trabalhar com células-tronco embrionárias, em 1999, muitos imaginaram que se passariam décadas até que uma terapia celular fosse aprovada para testes clínicos humanos.”
Mas é possível que a confirmação de que o tratamento é seguro – e eficiente – ou não só venha depois de anos de testes rigorosos.
“As notícias são empolgantes, mas é importante (lembrar que) o objetivo dos testes nesta etapa deve ser primeiro confirmar se (não causa) nenhum mal aos pacientes, e não buscar benefícios”, disse o professor Ian Wilmut, diretor do centro de pesquisas regenerativas da Universidade de Edimburgo. ”Quando isso for confirmado, o foco será o desenvolvimento do novo tratamento.”
Chris Mason, especialista em medicina regenerativa da Universidade College London, disse que pesquisadores britânicos pretendem seguir os passos de seus colegas americanos e começar testes no ano que vem com células-tronco, para combater uma degeneração celular que causa cegueira.
O governo dos Estados Unidos atualmente briga na Justiça para permitir o financiamento público de pesquisas com células-tronco.
No mês passado, um tribunal de recursos do país suspendeu uma decisão judicial prévia que proibia pesquisas com células-tronco embrionárias financiadas com verbas do governo federal.
O debate, no entanto, não envolve as pesquisas realizadas em Atlanta, que são feitas com financiamento privado de US$ 170 milhões, da própria Geron.
 http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/10/101011_celulas_tronco_pai.shtml

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

A tireoide e o risco cardíaco

22/10/2010 - 10h17

Falha na tireoide eleva risco cardíaco, segundo estudo

GABRIELA CUPANI
DE SÃO PAULO

Um novo estudo acabou com uma velha controvérsia, ao provar que pacientes com hipotireoidismo subclínico (quando alterações hormonais não chegam a causar sintomas) têm mais probabilidade de desenvolver doenças coronarianas.
Já se sabia que o hipotireoidismo manifesto (quando a queda na produção de hormônios da tireoide causa sintomas) tem relação com maior mortalidade por doenças cardiovasculares.
Isso porque nesses pacientes há aumento dos níveis de colesterol e triglicérides, aceleração do processo de formação de placas de gordura e aumento das lesões na parede interna dos vasos. A relação da doença subclínica com o risco cardíaco, no entanto, era incerta.
A pesquisa revisou dados de mais de 55 mil pessoas em vários países ao longo de 20 anos, incluindo o Brasil. Foi publicada em setembro no "Journal of the American Medical Association", um dos principais da área.
Os dados da metanálise revelaram que o risco de ter uma doença coronariana ou um infarto é 89% maior nessas pessoas. A chance de morrer também é 58% mais alta para esse grupo.
O hipotireoidismo subclínico ocorre quando os níveis do hormônio TSH, produzido pela hipófise (glândula do cérebro), aumentam para estimular o trabalho da tireoide. Isso pode sinalizar uma falha no funcionamento da glândula, mas que ainda não se traduz em uma queda na produção de T3 e T4 (hormônios da tireoide).
Mesmo assim, esses pacientes têm algumas alterações, como colesterol elevado, por exemplo.
O problema atinge entre 8% e 9% dos brasileiros, principalmente mulheres.
"Havia uma polêmica na literatura em relação ao risco cardiovascular do hipotireoidismo subclínico", diz o endocrinologista José Augusto Sgarbi, professor da Faculdade de Medicina de Marília, que conduziu o estudo brasileiro em parceria com a Universidade Federal de São Paulo, com apoio da Fapesp.
O resultado do trabalho traz ainda outra questão: até agora, as diretrizes atuais, que acabam de ser revisadas, não recomendam o tratamento dessas pessoas.

Editoria de Arte/Folhapress



MAIS GENTE TRATADA
"Vamos ter que repensar essas indicações e é possível que passemos a tratar mais gente", diz Laura Ward, vice-presidente do departamento de tireoide da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.
Segundo a pesquisa, o risco é significativo na faixa etária dos 60 ao 75 anos. "No entanto, levando em conta outros fatores, pacientes mais jovens também podem receber indicação de tratamento", diz Sgarbi.
Além disso, o estudo levanta a discussão do diagnóstico da disfunção. Hoje recomenda-se a dosagem de TSH na pós-menopausa, em mulheres com histórico familiar de doenças da tireoide ou autoimunes, nas gestantes e nos recém-nascidos.
É possível que, acima dos 40 anos, a dosagem do TSH vire rotina em exames de check-up, principalmente para as mulheres.
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/818562-falha-na-tireoide-eleva-risco-cardiaco-segundo-estudo.shtml

domingo, 17 de outubro de 2010

Canibalismo entre dinossauros

Início do conteúdo

Paleontologistas descobrem que tiranossauro era canibal

Cientistas descobriram marcas de mordidas de tiranossauro em ossos de animais da mesma espécie.

15 de outubro de 2010 | 5h 51
 
Paleontologistas americanos e canadenses descobriram que o temido tiranossauro rex não comia apenas outras espécies de dinossauros, mas também outros tiranossauros.
Em um estudo publicado nesta sexta-feira no jornal científico PLoS ONE, especialistas das universidade afirmaram que a descoberta foi feita após encontrarem marcas de mordidas de tiranossauros em ossadas de predadores da mesma espécie.
Ao analisar fósseis de tiranossauros, o pesquisador da Universidade Yale Nick Longrich encontrou um osso com marcas especialmente grandes. Devido à idade e à localização das marcas, Longrich concluiu que ela só podia ser de um tiranossauro.
"Qualquer grande carnívoro poderia ter feito aquela marca, mas os únicos carnívoros de grande porte que habitavam o oeste da América do Norte há 65 milhões de anos eram os próprios tiranossauros", afirmou o paleontologista.
Caçada solitária
Após a descoberta, Longrich e outros paleontologistas das universidades de Montana e Alberta percorreram vários museus para pesquisar outros fósseis. Eles encontraram três ossos de patas e um outro de braço com evidências de canibalismo entre tiranossauros.
A descoberta representa uma importante pista para a compreensão dos obscuros hábitos alimentares dos dinossauros. Enquanto os carnívoros de hoje costumam caçar em grupos, os tiranossauros provavelmente saíam sozinhos para matar outros predadores.
"Esses animais são os maiores carnívoros terrestres que já pisaram na Terra e a maneira que eles encontravam alimentos era muito diferente dos hábitos das espécies atuais", disse Longrich.
"Há um grande mistério sobre o que e como eles comiam. Mas essa pesquisa nos ajudou a encaixar uma importante peça desse quebra-cabeça."  
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,paleontologistas-descobrem-que-tiranossauro-era-canibal,625101,0.htm
 

sábado, 16 de outubro de 2010

Elefantes-marinhos monitora os oceanos

Cientistas equipam elefantes-marinhos para monitorar os oceanos

Animais dotados de sensores levantam informações sobre temperatura e salinidade nos mares austrais

15 de outubro de 2010 | 14h 58
 
REUTERS - REUTERS
Pesquisadores estão equipando elefantes-marinhos com sensores para desvendar os segredos dos oceanos e aumentar a compreensão dos impactos da mudança climática.
Os oceanos regulam o clima mundial, ao absorver calor e transportá-lo pelo globo. Eles também absorvem grandes quantidades de dióxido de carbono, agindo como um freio no aquecimento global.
Mas cientistas dizem que precisam ampliar a rede global de monitoramento, com o oceano entre a Austrália e a Antártida tendo um papel central. O Oceano Austral é o maior "ralo" das emissões humanas de carbono, e um dos motores do clima mundial.
"Para entender a taxa da mudança climática, precisamos entender esses processos oceânicos, como a velocidade com que é capaz de sequestrar calor e carbono", disse a oceanógrafa Susan Wijffels, líder do Sistema Integrado de Observação Marinha (IMOS) da  Austrália.
"Então, o que o oceano faz afeta a velocidade com que sistema pode se mover e os padrões regionais de mudança climática", disse ela.
Cientistas também precisam entender melhor os ciclos naturais do oceano que afetam o clima na terra firme e melhorar as previsões de longo prazo para a agricultura e para a administração dos recursos hídricos nas cidades.
O IMOS reúne pesquisadores de várias partes do mundo. Um recente aporte de verbas permitiu que cerca de 100 elefantes-marinhos fossem equipados para coletar dados das profundezas em torno da Antártida. Um pequeno dispositivo com uma antena é colocado na cabeça dos animais para medir temperatura, salinidade e pressão, enquanto os mamíferos mergulham atrás de comida.
Além disso, "planadores" submarinos com 2 metros de envergadura serão usados na costa australiana numa profundidade  de até 1.500 metros, para fazer medições.
Dotadas de asas e leme, os planadores podem se manter no mar por meses e ser controlados remotamente.
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,cientistas-equipam-elefantes-marinhos-para-monitorar-os-oceanos,625238,0.htm

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

UMA REFLEXÃO SOBRE O ABORTO

UMA REFLEXÃO SOBRE O ABORTO 

por Herton Escobar

13.outubro.2010 16:05:09

INFOGRÁFICO: Marcos Muller/AE (Copyright Agência Estado)
  • .
  • A polêmica eleitoral sobre a legalização do aborto no Brasil.
  • O prêmio Nobel para o inventor da fertilização in vitro, dado na semana passada.
  • O impasse judicial sobre financiamento de pesquisas com células-tronco embrionárias nos EUA.
Todos esses assuntos que surgiram no noticiário recentemente têm uma pergunta em comum por trás deles: Quando começa a vida?
Ou melhor: Quando começa o indivíduo?
A ciência oferece uma série de informações relevantes para esse debate, mas não uma resposta definitiva.
Do ponto de vista puramente biológico, não há dúvida: A vida começa na fertilização, quando o espermatozóide e o óvulo (que, por si só, já são células vivas) se fundem para formar um embrião. Esse embrião primordial de uma única célula, chamado zigoto, então, começa a se dividir em 2, depois 4, depois 8, depois 16 células e assim por diante, até chegar aos trilhões … e essas células começam a se organizar e se diferenciar em diferentes tecidos, até formar um ser humano completo, com olhos, braços, pernas, coração, pulmões, rins e assim por diante. Tudo bem bonitinho, no seu devido lugar. Imagine só!
O período da primeira à oitava semana de gestação é o chamado “estágio embrionário”. O sistema nervoso do embrião começa a se formar na terceira semana, com a formação do tubo neural (que eventualmente se transformará na medula espinhal e no cérebro). Na semana seguinte começam a se formar os primeiros órgãos, no processo chamado de organogênese. Lá pelo dia 22, um aglomerado de células cardíacas começa a pulsar, formando um coração primitivo.
Só a partir da nona semana, ou do terceiro mês, é que o embrião (medindo ainda apenas alguns centímetros) passa a ser chamado de feto. Desse ponto em diante, todos os órgãos vitais já estão presentes de alguma forma, ainda que muito primitiva, e o desenvolvimento passa a ser focado mais em crescimento do que em formação de novas estruturas.
Então não há dúvida: o embrião, desde a sua primeira célula, é uma forma de vida … é um ser humano em formação. Mas em que ponto, exatamente, essa forma de vida pode ser considerada um indivíduo propriamente dito? Uma entidade própria, individual, com direitos individuais? Desde a concepção? A partir da formação do cérebro? Quando o coraçãozinho primitivo começa a pulsar?
São perguntas de enorme complexidade ética e moral. Do ponto de vista das células-tronco embrionárias, a questão é um tanto mais simples, pelo fato de os embriões terem sido produzidos em laboratório e estarem fora do útero. Algo que só se tornou possível 32 anos atrás, quando Robert Edwards desenvolveu a técnica de fertilização in vitro (FIV) – feito pelo qual recebeu o prêmio Nobel de Medicina na semana passada. Merecidamente.
Nesse caso, a pergunta principal é: Destruir um embrião microscópico de 100 células, que foi produzido in vitro e está congelado numa clínica de fertilidade, é o mesmo que matar um ser humano adulto? Ou mesmo um feto? Muita gente pensa que sim … Mas já abordei isso num post anterior, então não vou repetir a discussão aqui.
A discussão sobre o aborto é baseada nos mesmos conceitos, porém num contexto infinitamente mais complicado. E esse conceito é o útero. O embrião (ou feto, dependendo do tempo de gestação) não está congelado num botijão de nitrogênio líquido. Ele está dentro do útero, a caminho de se tornar um ser humano – ainda que a gestação não tenha sido planejada. Então é vida. Mas é indivíduo?
Como já disse no início deste post, acho que não há resposta científica para isso. Porque a definição de indivíduo não é científica. Biologicamente, a única distinção que poderia fazer algum sentido, acho, seria com relação à capacidade do embrião ou feto de sobreviver fora do útero. Se o embrião é incapaz de sobreviver fora do útero, então ele pode ser considerado ainda parte da mãe, indissociável dela. Só a partir do ponto em que ele pode sobreviver por conta própria, então, ele se tornaria um indivíduo – o que seria por volta do quinto mês de gestação.
Nesse cenário, a pergunta do ponto de vista jurídico e moral passa a ser: Em que ponto o direito do embrião de nascer supera o direito da mãe de não querer que ele nasça? Em casos de estupro, por exemplo, decidiu-se que a vontade da mãe deve prevalecer sobre a do feto. Por isso ela tem o direito de abortar.
A legalização do aborto seria, essencialmente, uma extensão desse direito da mãe para outras situações além do estupro e do risco de morte para a mãe (as únicas duas situações permitidas por lei atualmente). O problema é: qual deve ser o novo limite? Até que ponto da gestação a mulher deve ter o direito de escolher se quer ter aquele filho ou não?
Um possível divisor de águas seria este citado acima, referente à capacidade do embrião ou feto de sobreviver fora do útero. Enquanto ele é “parte da mãe”, a mãe teria o direito de decidir se deseja dar prosseguimento à gestação ou não. Me incomoda um pouco a ideia de o Estado ditar regras sobre o que a mulher pode ou não fazer com algo que está crescendo dentro do seu corpo, originado de seus próprios genes e suas próprias células.
Mas cinco meses, talvez, seja tempo demais. Um limite mais plausível, talvez, fosse três meses, que é o período crítico natural de qualquer gestação. Muitos abortos espontâneos ocorrem nas primeiras 12 semanas de gestação. Às vezes tão cedo que a mulher nem sabe que estava grávida. Nesse período, o corpo faz um “check-up” do embrião/feto e, caso haja alguma falha grave de desenvolvimento, a gestação é automaticamente terminada.
Então, talvez, fosse razoável usar esse divisor de águas biológico como um divisor de águas ético também, dentro do qual a mãe poderia decidir sobre o destino da gestação. E não apenas quando ela for uma vítima de estupro ou tiver sua vida ameaçada pela gestação. Mas em qualquer situação. Na maioria dos países onde o aborto é permitido, esse é o limite adotado.
Há muitas opiniões conflitantes (e igualmente válidas) sobre esse assunto. E as mulheres não vão parar de abortar só porque é proibido. É uma realidade social. Então me parece necessário achar uma solução intermediária, em que todos possam ter suas crenças e suas opiniões respeitadas. Quem é contra o aborto nunca fará um aborto, obviamente. Mas quem é a favor poderia ter esse direito assegurado, dentro de determinados limites.
Apenas uma reflexão.
Abraços a todos.


Esse vídeo mostra os estágios de desenvolvimento embrionário e fetal. Eu, você, sua mãe e todos os outros seres humanos do planeta passaram por isso.

http://blogs.estadao.com.br/herton-escobar/uma-reflexao-sobre-o-aborto/

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Software da Embrapa avalia sustentabilidade

11/10/2010 - 08h41

Software da Embrapa avalia sustentabilidade de fazendas do Pantanal

GIULIANA MIRANDA
DE SÃO PAULO
Com cerca de 90% de seu território dividido em fazendas, o Pantanal acaba de ganhar uma ferramenta para avaliar a sustentabilidade dessas propriedades.
Pecuária é a principal vocação da região, dizem pesquisadores
A Embrapa (Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária) Pantanal, após oito anos de estudo, desenvolveu um software que mede o desempenho das fazendas em três frentes: ambiental, econômica e social.
Senado quer cerrado e caatinga como patrimônio nacional
Pantanal tem ritmo de desmatamento maior que o da Amazônia
O programa -que será lançado em novembro no Simpan (Simpósio sobre Recursos Naturais e Socioeconômicos do Pantanal)-- junta essas informações e chega a uma nota que diz se a fazenda é ou não sustentável.
Adriano Vizoni/Folhapress
 Arara vermelha na fazenda Nhumirim, onde está sendo feita a pesquisa da Embrapa sobre índice de sustentabilidade

 

"O Pantanal tem características muito particulares, que fazem com que os conceitos aplicados em outros ecossistemas não sirvam como parâmetro", afirma Walfrido Tomás, responsável pelos indicadores ambientais.
Segundo a Embrapa, a inclusão dos fazendeiros no processo de conservação é essencial, porque a maior parte das terras pantaneiras não pertencem ao Estado, diferentemente de outros ecossistemas, como a Amazônia.
A ideia do projeto é, em breve, funcionar como subsídio para avaliações mais profundas, como as feitas por certificadoras ambientais, que conferem selos à produção sustentável.
Após o lançamento, o programa será distribuído para alguns produtores e também estará disponível na internet gratuitamente.
"O software auxilia a tomada de decisões e mostra de forma detalhada praticamente todos os aspectos da fazenda. Fica mais fácil saber o que está dando certo e o que está indo mal", disse o coordenador da parte econômica, Urbano de Abreu.
Os pesquisadores tentaram simplificar ao máximo o preenchimento dos dados, mas, em alguns casos, o produtor pode precisar do auxílio de um especialista, como um técnico agrícola.
A Embrapa afirma que vai investir em cursos de capacitação para os produtores e seus funcionários. O objetivo, de acordo com o órgão, é que a avaliação seja cada vez mais simples para o fazendeiro. Quase intuitiva.
INDICADORES
"Como a diversidade biológica é imensa e a gente não consegue medir tudo, nós usamos indicadores que são capazes de mostrar todo o contexto da fazenda", afirma Walfrido Tomás.
De acordo com os pesquisadores, o mesmo conceito também foi usado para chegar ao indicadores econômicos e sociais. "Nós fomos às fazendas, entrevistamos patrões e funcionários e ouvimos o que eles tinham a dizer. A opinião do pantaneiro, seu modo de vida, conta muito", disse Sandra Santos, coordenadora dos indicadores sociais.
Segundo ela, a qualidade de vida dos funcionários da fazenda depende diretamente do que é fornecido pelos patrões. Por isso, acesso à água e transporte, por exemplo, tem grande peso na hora da avaliação. "Carteira assinada, por outro lado, é uma obrigação. O produtor que tem não ganha pontos, mas o que não tem é duramente penalizado."
A plataforma foi pensada para levar em consideração a imprevisibilidade do ambiente e também a interação entre os indicadores.
"Não adianta ir bem só em um aspecto. Para receber o grau de sustentabilidade, é preciso estar bem em todos os índices", afirma o pesquisador Urbano de Abreu.
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/812896-software-da-embrapa-avalia-sustentabilidade-de-fazendas-do-pantanal.shtml

domingo, 10 de outubro de 2010

Ave da Nova Zelândia exala aroma de cogumelo, atraindo predadores

08 de outubro de 2010

Será que um desodorante protegeria os kiwis?
Ave da Nova Zelândia exala aroma de cogumelo, atraindo predadores

por John Platt

O aroma de cogumelo exalado pelo pássaro kiwi ajuda a torná-lo um alvo tentador para os predadores? Um cientista acha que sim e propõe criar um desodorante para proteger as aves da extinção.

Existem cinco espécies ameaçadas de kiwi. Durante os milhares anos de sua existência, os kiwis da Nova Zelândia (gênero Apteryx) não precisavam se preocupar com o odor que exalavam, pois não havia mamíferos que os farejassem, quanto mais comê-los. Isso mudou quando os humanos chegaram à ilha, trazendo, coelhos, cães, gatos, porcos e uma variedade de outros bichos famintos.


Murphy Mehgan/Zoológico Nacional Smithsonian
  Antes da chegada do homem, o kiwi não tinha predadores

 Agora, Jim Briskie, professor-adjunto de Ecologia Comportamental da Universidade de Canterbury, em Christchurch, Nova Zelândia, teve uma ideia para ajudar os kiwis: criar uma forma de minimizar o aroma das aves para que sejam menos vulneráveis aos predadores. Recentemente ele recebeu uma bolsa de US$ 442 mil para a pesquisa.

"Talvez eu possa projetar um desodorante para os kiwis", disse Briskie à imprensa da Nova Zelândia. Só para ficar claro, ele não está realmente propondo o equivalente passar desodorante nas axilas dos pássaros, mas talvez algo que minimize o odor de seus ninhos.

O odor característico do kiwi vem da cera que secretam para aprumar suas penas. Comparando uma substância que é produzida por algumas aves na Austrália, o autor do estudo descobriu que, em um ambiente com predadores naturais, essas aves não emitem um cheiro forte. Ele acha que a presença de predadores induz a mascarar o seu cheiro, talvez por meio da seleção natural, uma adaptação que as aves da Nova Zelândia nunca tiveram a chance de adquirir.

Briskie vai agora passar os próximos três anos coletando amostras de cera de várias espécies de aves raras da Nova Zelândia, incluindo o kiwi e o papagaio kakapo. As amostras serão enviadas para um laboratório na Alemanha para teste. Ele espera que isso revele quais espécies se tornam mais vulneráveis aos predadores devido aos aromas que exalam.

http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/sera_que_um_desodorante_protegeria_os_kiwis_.html 

Nobel de Química de 2010 - Síntese facilitada

Síntese facilitada

Nobel de Química de 2010 contempla o desenvolvimento de métodos que permitiram a produção em laboratório de moléculas orgânicas complexas de grande interesse médico e industrial. Prêmio será dividido por um norte-americano e dois japoneses.
Por: Bernardo Esteves
Publicado em 06/10/2010 | Atualizado em 07/10/2010

 A esponja ‘Discodermia dissoluta’, encontrada no mar do Caribe, produz a discodermolida, substância de ação antitumoral que foi possível obter artificialmente graças ao uso do paládio como catalisador da síntese de moléculas orgânicas (foto: NOAA). 


A criação de técnicas que permitiram a síntese de compostos que antes era impossível obter em laboratório foi o feito contemplado pelo Nobel de Química deste ano. O prêmio de 10 milhões de coroas suecas (equivalente a cerca de R$ 2,5 milhões) será dividido em partes iguais por três pesquisadores.
Os agraciados são o norte-americano Richard F. Heck (1931-), professor emérito da Universidade de Delaware, nos Estados Unidos, e os japoneses Ei-ichi Negishi (1935-), professor de química da Universidade Purdue, nos Estados Unidos, e Akira Suzuki (1930-), professor emérito da Universidade Hokkaido, no Japão.
Os laureados desenvolveram, de forma independente, métodos que usam o metal paládio como catalisador para a síntese de moléculas orgânicas. (Um catalisador é uma substância que aumenta a velocidade ou eficiência de uma reação.)
Os métodos criados por eles permitiram produzir em laboratório moléculas orgânicas complexas – que têm em sua estrutura um ‘esqueleto’ formado por longas cadeias de carbono. O paládio usado como catalisador da reação favorece a ligação dos átomos de carbono – que, por sua estabilidade, não reagem facilmente uns com os outros.
"Na química orgânica todos usam os métodos desenvolvidos pelos premiados. A escolha é muito justa", avalia o engenheiro químico Martin Schmal, coordenador do Núcleo de Catálise da Universidade Federal do Rio de Janeiro (Coppe/UFRJ). "O grande mérito deles é a aplicação desse método na construção de novas moléculas que servem tanto para a indústria, quanto para a medicina ou a química fina."
 Os laureados de 2010 com o Nobel de Química. Da esquerda para a direita: o americano Richard F. Heck e os japoneses Ei-ichi Negishi e Akira Suzuki (fotos: Universidades de Delaware / Purdue / de Hokkaido).

Pulo do gato

Antes do trabalho dos laureados, eram conhecidos métodos que permitiam a síntese de pequenas moléculas orgânicas. Quando era tecnicamente possível, a síntese de moléculas mais complexas, com um número maior de átomos de carbono, gerava um grande volume de subprodutos indesejáveis, que inviabilizavam sua produção em grande escala. O pulo do gato foi a adoção do paládio como catalisador para esse processo, que permitiu promover a reação com grande eficiência e precisão.
No método desenvolvido pelos laureados, o paládio é usado como 'ponto de encontro' para os átomos de carbono, que se aproximam e ficam em posição propícia para desencadear a reação que os ligará. “A catálise permitiu que eles conseguissem realizar a síntese de forma rápida e em condições extremamente brandas, em temperaturas baixas”, explica Martin Schmal.

O primeiro dos laureados a investigar o uso do paládio como catalisador para a síntese de moléculas orgânicas foi Richard Heck. Inspirado no emprego desse metal por uma empresa química alemã, ele fez em laboratório ensaios que permitiram ligar cadeias cada vez maiores de átomos de carbono.
Uma etapa essencial do seu trabalho foi obtenção de estireno – unidade elementar de um polímero de grande importância industrial – a partir de duas moléculas orgânicas menores, como mostra o diagrama abaixo.
 Representação esquemática da reação pioneira que Richard Heck promoveu para o uso do paládio como catalisador da síntese de moléculas orgânicas. O paládio (representado em vermelho) facilita a ligação entre um dos átomos de carbono da molécula de olefina com outro da molécula de bromobenzeno. A presença do paládio estimula a ligação entre esses dois carbonos e resulta na formação de uma molécula de estireno, unidade fundamental do poliestireno, polímero de grande importância comercial (arte: Fundação Nobel).
 Na segunda metade dos anos 1970, Ei-ichi Negishi e Akira Suzuki desenvolveram outros métodos que usavam o paládio como catalisador para a síntese de moléculas orgânicas, além de envolver também compostos de zinco e boro, respectivamente.

Interesse médico e industrial

As técnicas criadas pelos laureados são hoje amplamente adotadas em todo o mundo para a produção em grande escala de moléculas orgânicas de interesse médico e industrial, como fármacos ou componentes eletrônicos, como os OLEDs – sigla em inglês para diodos orgânicos emissores de luz.
O chamado método de Heck é hoje o mais empregado no mundo para promover ligações simples entre átomos de carbono. Ele é usado, por exemplo, na produção em escala industrial de drogas anti-inflamatórias e contra a asma.
Da mesma forma, a variante do método desenvolvida por Negishi permitiu sintetizar em laboratório a discodermolida, substância de ação antitumoral que só era encontrada em esponjas da espécie Discodermia dissoluta, que habitam o mar do Caribe. Antes disso, não era possível produzir esse composto em escala comercial.
A produção artificial de substâncias como essa talvez seja a maior vantagem dos métodos desenvolvidos pelos laureados. “O mais interessante é que eles permitem obter moléculas que já existem na natureza, mas que nunca havia sido possível sintetizar”, resume Martin Schmal.

Bernardo Esteves
Ciência Hoje On-line
http://cienciahoje.uol.com.br/especiais/premio-nobel-2010/sintese-facilitada



quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Montaria reabilita vítimas de derrame

07/10/2010 - 10h08

Montaria reabilita vítimas de derrame, mostra estudo da Unicamp

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IARA BIDERMAN
DE SÃO PAULO

Quando perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo, o mestre de obras João Batista Cerqueira Viana não sabia se iria voltar a andar a pé. Muito menos a cavalo.
Terapia com cavalos é mais usada em crianças e jovens
Mas foi em cima da montaria que ele recuperou sua capacidade motora, comprometida por um derrame.
Viana, 61, foi um dos pacientes avaliados em uma pesquisa sobre o uso da equoterapia na recuperação de vítimas de AVC (acidente vascular cerebral).
A pesquisa, apresentada na Unicamp como tese de mestrado da fisioterapeuta Fernanda Beinotti, mostrou que o uso terapêutico da montaria em cavalos, além de ser eficaz, pode dar resultados mais rápidos do que a fisioterapia convencional.
Segundo Beinotti, não há na literatura científica nenhum trabalho controlado sobre o uso em adultos que sofreram derrame. "Já vi relatos de casos isolados mostrando melhoras. Quis fazer um estudo com mais pessoas e um grupo controle."
A fisioterapeuta selecionou pacientes que tinham tido derrame havia mais de um ano e que não apresentavam outras doenças, como hipertensão ou diabetes. Todos tinham grau de comprometimento motor semelhante: já conseguiam andar, embora não com marcha normal.
Durante 16 semanas, metade dos voluntários recebeu três sessões de 30 minutos semanais de fisioterapia convencional. A outra metade realizou, na mesma duração, duas sessões de fisioterapia e uma de equoterapia.
Foram dez participantes em cada grupo. "Não é um número grande, mas, pela primeira vez, foi usado grupo de controle. Além disso, a padronização [das condições dos pacientes e dos tratamentos] permite algumas conclusões mais objetivas.
Editoria de Arte/Folhapress 

RESULTADOS
Segundo Beinotti, os resultados mais significativos foram a recuperação da habilidade de contrair e relaxar os flexores plantares (músculos dos pé), a melhora nos movimentos da perna, a melhora no equilíbrio e no padrão da marcha (forma de andar).
O neurologista Eduardo Mutarelli, do hospital Sírio-Libanês, vê lógica nesse processo de reabilitação, mas desconhece outros trabalhos sobre a ação da equoterapia em casos de derrame. "Essa é uma pesquisa pequena."
Para Mirto Prandini, chefe do departamento de neurologia e neurocirurgia da Unifesp, a pesquisa mostra boas possibilidades. "Como no estudo, vítimas de derrame que não têm outras doenças podem ser beneficiadas."
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/811165-montaria-reabilita-vitimas-de-derrame-mostra-estudo-da-unicamp.shtml

domingo, 3 de outubro de 2010

Disfunção sexual em mulheres

Laboratórios ajudam a 'gerar' quadros como a disfunção sexual feminina

Jornalista e acadêmico da Austrália chegou à conclusão enquanto fazia pesquisa para 4º livro

01 de outubro de 2010 | 18h 24
 
 
 
Efe
LONDRES - Os laboratórios ajudaram a "gerar" quadros clínicos, como a disfunção sexual feminina, para desenvolver um mercado global de novos remédios, segundo um artigo publicado na última quinta-feira na revista British Medical Journal.
No texto, o jornalista e acadêmico Ray Moynihan, da Universidade de Newcastle, na Austrália, mostra as conclusões que chegou enquanto pesquisava para escrever seu quarto livro, "Sex, Lies and Pharmaceuticals" ("Sexo, Mentiras e a Indústria Farmacêutica", em tradução livre).
Moynihan questiona as empresas por considerar que elas subsidiam "a ciência de uma nova condição conhecida como 'disfunção sexual feminina'", e diz que o setor contribui para o desenvolvimento de novos remédios em todo o mundo.
Em seu trabalho, o jornalista descobriu que funcionários da indústria farmacêutica tinham trabalhado com empresas de pesquisa de opinião pagas para ajudar a "criar" a doença. Estudos realizados posteriormente teriam comprovado que esse quadro clínico cresceu.
O australiano considera, além disso, que os pesquisadores elaboraram ferramentas de diagnóstico para convencer as mulheres de que suas dificuldades sexuais merecem "um rótulo médico e um tratamento".
Dessa forma, Moynihan diz que as estratégias de marketing das farmacêuticas "estão emergindo na ciência médica de uma forma fascinante e aterrorizadora". O jornalista, então, pergunta-se se é necessário encontrar um novo enfoque para definir o distúrbio.
Ele cita um empregado de uma empresa que alega que a companhia está interessada em "acelerar o desenvolvimento de uma doença", além de revelar como elas financiam pesquisas que refletem a extensão de problemas sexuais e encontram ferramentas para avaliar as mulheres por seus supostos "transtornos de desejo sexual hipoativo".
De acordo com o artigo, muitos cientistas ligados a essas atividades são empregados das empresas farmacêuticas ou têm interesses econômicos. Ao mesmo tempo, outros relatórios realizados sem financiamento questionam se a propagação da disfunção realmente existiu.
A indústria farmacêutica também tem, atualmente, um papel pioneiro de "educar" tanto profissionais quanto o público sobre essa condição, de acordo com o acadêmico. Moynihan cita como exemplo um curso financiado pela Pfizer e destinado a médicos dos Estados Unidos que argumentava que até 63% das mulheres sofriam distúrbios sexuais e que a testosterona e o sildenafil (componente do Viagra) poderiam ajudá-las, se combinados com terapia.
"Talvez seja hora de reavaliar a forma como o sistema médico define as doenças comuns e recomenda tratamento", afirma. Por outro lado, a médica Sandy Goldbeck-Wood, especialista em psicossexualidade, apontou em comentário à parte no mesmo jornal que, "ao se defrontar com uma mulher chorando, cuja libido desapareceu e que está aterrorizada de perder o casamento, os médicos podem sentir uma pressão imensa para fornecer uma solução imediata e efetiva".
 http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,laboratorios-ajudam-a-gerar-quadros-como-a-disfuncao-sexual-feminina--diz-artigo,618436,0.htm

Mitos do tratamento do transtorno bipolar

02/10/2010 - 15h36

Mitos prejudicam tratamento do transtorno bipolar

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GABRIELA CUPANI
DE SÃO PAULO


Crenças sobre o transtorno bipolar causam baixa adesão dos pacientes ao tratamento.
Há quem creia que a doença é só um problema emocional, e que remédios fazem mais mal do que bem. São mitos endossados por quase metade dos doentes e familiares, diz pesquisa do IPq (Instituto de Psiquiatria) do Hospital das Clínicas da USP.
Foram avaliados frequentadores de encontros no instituto: 40% têm crenças errôneas sobre a natureza da doença, o papel da família e os efeitos da medicação.
A doença se caracteriza por crises de euforia e depressão. Em geral, surge na adolescência ou início da vida adulta e tem forte componente genético.
"Foi uma surpresa encontrar essas crenças em pessoas que frequentam encontros psicoeducacionais", diz Ricardo Moreno, diretor do Grupo de Estudos de Doenças Afetivas do IPq.
ALIANÇA TERAPÊUTICA
Moreno afirma que o controle do transtorno depende de aliança terapêutica com o paciente e parentes. "Qualquer interferência, seja da crença do paciente ou da família, pode levar à interrupção do tratamento."
"É bem comum que o paciente abandone o tratamento por não acreditar na doença", reforça a psiquiatra Thaís Zélia dos Santos, da Santa Casa de São Paulo.
O tratamento inclui remédios para estabilizar o humor. "O medicamento é essencial e para a vida toda. Os pacientes me perguntam se vão virar escravos. Eu digo: quem tem depressão ou mania não tem liberdade, tem um sofrimento que não controla e um comportamento que traz consequências."
Sem tratamento, bipolares podem levar vida normal por períodos, já que a doença é cíclica. Só que vão acumulando danos nas relações.
A doença não tem cura. "Precisamos combater a ignorância, o preconceito e o estigma. Preconceito e estigma começam no próprio indivíduo e na família. Eles precisam mudar a atitude, e não esperar que o mundo se transforme", diz Moreno.
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/808396-mitos-prejudicam-tratamento-do-transtorno-bipolar.shtml