sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Avanço no combate à doença de Chagas

Avanço no combate à doença de Chagas
Vacina terapêutica desenvolvida por consórcio brasileiro obtém resultados positivos na redução dos efeitos da doença em camundongos, com a melhora da função cardíaca dos animais.
Por: Everton Lopes
Publicado em 16/02/2015 | Atualizado em 18/02/2015
 
Fibrose (em vermelho) no tecido cardíaco de camundongos, sintoma da fase crônica da doença de Chagas (à esquerda). Os danos foram significativamente reduzidos nos animais que receberam a vacina (à direita). (imagem: Jefferson Mendes/ IOC/ Fiocruz)
 
 
Uma vacina capaz de impedir o avanço da doença de Chagas e atenuar danos causados por essa enfermidade acaba de ser testada com sucesso em camundongos no Instituto Oswaldo Cruz, da Fundação Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Os animais apresentaram melhora significativa na sua função cardíaca.
Os resultados foram apresentados por pesquisadores do Laboratório de Biologia das Interações do IOC, do Centro de Pesquisas René Rachou (também da Fiocruz), das universidades federais Fluminense, de Minas Gerais, de Santa Catarina e de São Paulo e da Universidade de Massachusetts Medical School, nos Estados Unidos, todos ligados ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas (INCTV). O estudo foi publicado em janeiro deste ano na revista científica PloS Pathogens.
A doença de Chagas é uma infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e seu principal vetor é o inseto popularmente conhecido como barbeiro. Na fase aguda da doença, são comuns sintomas como inflamação do miocárdio (que pode resultar em dor no peito, batida anormal do coração e parada cardíaca) e do cérebro e meninges. Na fase crônica, aproximadamente 30% dos portadores da enfermidade desenvolvem sua forma cardíaca, que pode levar a arritmias graves e insuficiência cardíaca. De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 2 a 3 milhões de pessoas são portadoras da doença em sua forma crônica no Brasil.


O protozoário ‘Trypanosoma cruzi’ é o causador da doença de Chagas. (imagem: Ricardo Amaral/ LBI/ IOC)

Desde 2004, o grupo do INCTV, que reúne cientistas de diversas áreas, trabalha no desenvolvimento de uma vacina contra a doença. Batizada de rAdVax, a vacina usa um adenovírus (vírus muito comum na população) modificado para transportar pequenas sequências genéticas de duas diferentes fases da vida do T. cruzi. Esses elementos são capazes de estimular a resposta imunológica do organismo nas duas fases da doença.

Profilaxia e tratamento

Em testes iniciais com camundongos, os pesquisadores tiveram sucesso ao prevenir a infecção pelo parasita. Então eles passaram a testar a formulação em animais já infectados, como uma vacina terapêutica, para evitar a progressão dos sintomas.
“Foi observado aumento de sobrevida nos camundongos que receberam o tratamento”, conta Joseli Lannes, bióloga do Instituto Oswaldo Cruz e coordenadora do estudo. “Após 200 dias, todos os animais infectados e não tratados com a vacina estavam mortos, enquanto 87% dos infectados que receberam o tratamento haviam sobrevivido”, explica a pesquisadora.
Lannes: “Pela primeira vez, temos uma preparação vacinal para uma doença negligenciada que, além de proteger da infecção, é capaz de reverter os danos já instalados”
Ainda nos animais tratados, a vacina promoveu a melhora dos batimentos cardíacos – que chegaram a ficar próximos do normal – e a redução da fibrose decorrente da degeneração do tecido cardíaco.
“A técnica se mostrou eficiente e, pela primeira vez, temos uma preparação vacinal para uma doença negligenciada que, além de proteger da infecção, é capaz de reverter os danos já instalados por meio da reprogramação da resposta imunológica feita com a vacina”, comenta Lannes. “Os tratamentos atuais são os mesmos de quem apresenta uma alteração cardíaca de outra natureza; com a rAdVax, estamos trazendo a possibilidade de tratar a própria causa”, ressalta a pesquisadora.
Em alguns países da América Latina, como Bolívia e México, os animais (cães, principalmente) também são infectados com a doença de Chagas de forma muito parecida com os humanos. Para tentar diminuir esse ciclo de infecção, os pesquisadores pretendem iniciar, entre o final de 2015 e o início de 2016, testes com uma vacina para uso veterinário. Somente depois dessa fase devem prosseguir com o desenvolvimento da vacina para humanos portadores da doença.

Everton Lopes
Ciência Hoje On-line
http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2015/02/avanco-no-combate-a-doenca-de-chagas

Maconha mais potente triplica risco de psicose, diz estudo


Maconha mais potente triplica risco de psicose, diz estudo

  • 16 fevereiro 2015


Pesquisadores relacionaram frequência de uso e tipo de maconha a risco maior de psicose 

O uso de 'skunk' - um tipo de maconha mais forte - triplica o risco de psicose, segundo estudo de uma universidade britânica.
Cientistas do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College de Londres apontaram também que o risco de psicose é cinco vezes maior entre usuários diários de maconha do que entre pessoas que não consomem a droga.
Por outro lado, o uso de haxixe, uma forma mais branda da maconha, não aumenta o risco de psicose, disse o estudo, que acompanhou 780 pessoas.
A psicose refere-se a delírios ou alucinações que podem estar presentes em certas condições psiquiátricas, como esquizofrenia e transtorno bipolar.
Leia mais: Mãe enfrenta dilema legal para dar maconha a filho epilético de 6 anos
"Em comparação com aqueles que nunca tinham experimentado maconha, usuários de maconha do tipo 'skunk', mais potente, tiveram um risco três vezes maior de psicose", disse Marta Di Forti, coordenadora da pesquisa.
"O risco de psicose em usuários de maconha depende da frequência do uso e da potência da droga."
O 'skunk' contém mais THC (tetrahidrocanabinol) do que outras variações da cannabis, principal ingrediente psicoativo da maconha. Já o haxixe contém quantidades substanciais de outro produto químico chamado canabidiol, ou CBD.
Pesquisas sugerem que o CBD pode agir como um antídoto para o THC, contra-atacando os efeitos colaterais psicóticos.

'Salvando usuários'

Robin Murray, professor de pesquisa psiquiátrica do King's College, disse que "o trabalho sugere que poderíamos evitar quase um quarto dos casos de psicose se ninguém fumasse cannabis de alta potência".
"Isso pode salvar pacientes jovens e economizar dinheiro do sistema de saúde."
Marta Di Forti pediu que seja adotada uma "clara mensagem pública" sobre os riscos da maconha mais forte. Ela também sugeriu que os médicos perguntem aos seus pacientes sobre seus hábitos de uso da droga, como já acontece no caso do álcool e tabaco.
A pesquisa foi realizada ao longo de vários anos e comparou 410 pacientes com idades entre 18 e 65 anos, que relataram um primeiro episódio de psicose num hospital psiquiátrico do sul de Londres, com 370 participantes saudáveis na mesma faixa etária e da mesma área de Londres.
Leia mais: Após referendos, americanos preveem onda de legalização da maconha
O relatório será divulgado nesta semana na publicação científica The Lancet Psychiatry.
 http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/02/150216_maconha_pesquisa_hb
 

O que acontece no corpo quando engolimos um chiclete


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Testes com nova vacina indicam proteção total contra vírus HIV

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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Cigarro - os efeitos da droga no organismo Hospital Israelita Albert Einstein

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http://www.youtube.com/watch?v=-yr6KLQGT_o

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sexta-feira, 18 de abril de 2014

'Ultimos sobreviventes' no planeta Terra

Micróbios serão 'últimos sobreviventes' no planeta Terra



Atualizado em  3 de julho, 2013 - 06:18 (Brasília) 09:18 GMT

(Foto: Health Protection Agency)
Para cientistas, micro-organismos que viverão nas profundezas do solo serão os últimos sobreviventes
Os últimos sobreviventes no planeta Terra serão minúsculos micro-organismos que viverão nas profundezas do solo, dizem cientistas britânicos.
Usando simulação por computador, pesquisadores da University of Saint Andrews, na Escócia, criaram um modelo de como será o planeta dentro de bilhões de anos.
Eles descobriram que, à medida que o Sol fica mais quente e mais brilhante, somente micróbios poderão tolerar as condições extremas que as mudanças provocarão.
O trabalho está sendo apresentado durante a National Astronomy Meeting da Royal Astronomical Society, que acontece esta semana na cidade de Saint Andrews.
"Não haverá muito oxigênio, então (os micróbios) terão que sobreviver em ambientes com pouco ou zero oxigênio, alta pressão e alta salinidade - por causa da evaporação dos oceanos", disse um dos integrantes da equipe escocesa, o pesquisador Jack O'Malley James.

Extinção em massa

O futuro da vida na Terra está vinculado ao do Sol, que, com o passar do tempo, vai ficar cada vez mais quente e luninoso.
Com base nesse fato, cientistas das universidades escocesas de St Andrews, Dundee e Edimburgo fizeram uma previsão de como será o ambiente futuro do planeta.
Dentro de um bilhão de anos, o calor será tão intenso que os oceanos vão começar a evaporar.
"Quando você chega a esse ponto, existe muito mais água na atmosfera, e como o vapor de água é um gás (que provoca) efeito estufa, você tem um efeito estufa em cadeia", disse O'Malley James. "A Terra vai se aquecer até 100ºC ou mais".
Isso, aliado a uma queda nos índices de oxigênio, levaria a uma rápida perda de plantas e animais maiores.
Logo depois, um grupo de micróbios chamados extremófilos será a única forma de vida que restará.
Esses minúsculos organismos podem ser encontrados hoje na Terra em ambientes hostis, como a Bacia dos Gêiseres no Parque Nacional Yellowstone, em Wyoming, Estados Unidos.
Segundo a equipe escocesa, esses micro-organismos serão as únicas criaturas capazes de suportar o calor, a aridez e a atmosfera tóxica dessa Terra do futuro. Os pesquisadores suspeitam de que os micróbios estarão, provavelmente, agrupados perto dos últimos vestígios de água, nas profundezas do solo.
No final, as condições no planeta serão tão ruins que até os extremófilos desaparecerão - e dentro de 2,8 bilhões de anos, não restará qualquer vida na Terra.

Sinalizadores de vida

A equipe disse que estudar o surgimento e o desaparecimento da vida no nosso planeta pode nos ajudar a compreender como diferentes formas de vida poderiam sobreviver em outros pontos do Universo.
"Se você se deparasse com um planeta parecido com a Terra, é mais provável que encontrasse vida microbiana do que formas mais complexas como vemos na Terra hoje", disse O'Malley James.
Ele explicou que micróbios provocam mudanças sutis nas proporções de gases na atmosfera e que esses gases poderiam, um dia, auxiliar astrônomos a detectar vida em planetas parecidos com a Terra.
"Um dos melhores candidatos é o metano. Ele poderia ser usado para indicar a presença de vida, embora isso dependa das quantidades produzidas e se há um acúmulo detectável na atmosfera. Se pudermos detectar todos esses índices sutis de gases em planetas remotos, talvez possamos detectar vida", disse O'Malley James.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130702_microbios_sobreviventes_terra_mv.shtml

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

O primeiro crustáceo venenoso, uma criatura que parece uma centopeia

Cientistas encontram primeiro crustáceo venenoso

DA BBC BRASIL

Cientistas encontraram o primeiro crustáceo venenoso, uma criatura que parece uma centopeia e vive em cavernas submarinas no Caribe, nas Ilhas Canárias, e na costa oeste da Austrália, e se alimenta de outros crustáceos.
A espécie cega usa um composto que derrete suas presas, semelhante ao veneno da cobra cascavel. O veneno contém um coquetel complexo de toxinas, incluindo enzimas e um agente paralisante.
A descoberta foi divulgada na publicação científica "Molecular Biology and Evolution".
O crustáceo rompe os tecidos do corpo da presa com seu veneno e suga o líquido de seu exoesqueleto.

Bjorn von Reumont/Natural History Museum
Crustáceo venenoso encontrado por cientistas vive em cavernas submarinas no Caribe, nas Ilhas Canárias e na Austrália
"Eles têm pernas robustas e preênseis, que lembram agulhas hipodérmicas" disse à Ronald Jenner, coautor do estudo e zoologista no Museu de História Natural de Londres.
"As pontas das pernas são ocas e têm uma abertura, como nas agulhas. Essas pernas contém um reservatório de veneno rodeado por músculos. Acreditamos que quando esses músculos se contraem, o veneno é empurrado e injetado na presa."
ANIMAIS PEÇONHENTOS
"Os resultados desse estudo ajudam a melhorar a nossa compreensão sobre a evolução dos venenos dos animais", disse Jenner.
"Essa técnica de se alimentar, semelhante a de uma aranha, é única entre crustáceos. Esse veneno é claramente uma forma de adaptação para essa espécie cega que vive em cavernas pobres em nutrientes."
O grupo dos crustáceos é bastante numeroso e faz parte do filo de animais invertebrados artrópodes. Entre os crustáceos estão o camarão, a lagosta e o caranguejo.
A maioria vive na água, mas alguns, como o oniscídea, ou tatu-bola como é conhecido popularmente, vivem na terra.
Bjoern von Reumont, também do Museu de História Natural, comentou: "Esta é a primeira vez que vimos veneno sendo usado em crustáceos, e o estudo adiciona um novo grupo importante para a lista de animais peçonhentos".
"Venenos são especialmente comuns em três dos quatro principais grupos de artrópodes, como insetos. Crustáceos, no entanto, são uma notável exceção à regra."
"Apesar da variedade, até hoje não se conhecia nenhuma das cerca de 70 mil espécies descritas de crustáceos como sendo venenosa", disse von Reumont.


Homem evolui mais devagar que macaco, diz estudo

Homem evolui mais devagar que macaco, diz estudo

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RAFAEL GARCIA
DE SÃO PAULO

A comparação da atividade genética de humanos com a de chimpanzés sugere que o Homo sapiens está evoluindo de forma mais lenta que os macacos. A descoberta foi feita por cientistas que investigam por que o homem e seu primo mais próximo são tão diferentes, apesar de terem 98% do DNA idêntico.
O segredo das diferenças físicas e comportamentais está em quais genes são de fato ativos em cada espécie. Analisando células embrionárias, a brasileira Carolina Marchetto, do Instituto Salk, de San Diego (EUA), descobriu mecanismos que freiam a taxa de transformação genética da espécie humana.
A descoberta favorece a hipótese de que o advento da cultura desacelerou a evolução biológica: uma vez que humanos se adaptam a distintos ambientes usando o conhecimento, nossa espécie não depende mais tanto de variação genética para evoluir e sobreviver a mudanças.
Já os macacos, mamíferos de cognição mais limitada, precisam que seu DNA evolua de forma rápida para sobreviver a mudanças: eles não têm como compensar a falta de características inatas necessárias usando apenas conhecimento e tecnologia.
Mas o DNA humano também não carece de evoluir? "Não sabemos o que estamos pagando por isso em termos de adaptação, mas por enquanto funciona de forma eficiente", diz Marchetto.
O trabalho da cientista, descrito hoje na revista "Nature", ajuda a explicar o mistério da maior diversidade do DNA símio. Um leigo pode achar que todos os chimpanzés são iguais, mas uma só colônia selvagem desses macacos na África tem mais variabilidade genética do que toda a humanidade.

Alex Argozino/Editoria de Arte/Folhapress
O PULO DO GENE
Segundo o estudo de Marcheto, a maior variabilidade genética dos macacos tem a ver com os chamados transpósons, genes que saltam de um lugar para outro dos cromossomos. Nesse processo, os transpósons reorganizam o genoma, ativando alguns genes e desativando outros.
Esses "genes saltadores" são bastante ativos em chimpanzés e bonobos (macacos igualmente próximos da linhagem humana). Em humanos, o transpóson é suprimido por dois outros genes que são ativados em abundância e inibem o "pulo" genético.
Chimpanzés, de certa forma, precisam de transpósons. Com ferramentas rudimentares e sem linguagem para transmitir conhecimento, eles têm de oferecer maior variabilidade genética à seleção natural para que ela os torne mais bem adaptados, caso o ambiente se altere.
A pesquisa de Marchetto só foi possível porque seu o laboratório no Salk, liderado pelo biólogo Fred Gage, domina a técnica de reverter células ao estágio embrionário.
O material usado na pesquisa foi extraído da pele de macacos e pessoas, pois há uma série de limitações para o uso de embriões em experimentos científicos.
Revertido ao estágio de "células pluripotentes induzidas", o tecido cutâneo se comporta como embrião, e é possível investigar a biologia molecular dos estágios iniciais do desenvolvimento, quando o surgimento de diversidade genética tem consequências futuras.
"Uma das coisas especiais do nosso estudo é que a reprogramação de células de chimpanzés e bonobos nos dá um modelo para começar a estudar questões evolutivas que antes não tínhamos como abordar", diz Marchetto.
RUMO AO CÉREBRO
As diferenças de ativação de genes entre humanos e chimpanzés, explica, não se restringem a células embrionárias. A ideia de Marcheto e de seus colegas agora é transformar essas células em neurônios, por exemplo, para entender como a biologia molecular de ambos se altera durante a formação do cérebro.
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2013/10/1361208-homem-evolui-mais-devagar-que-macaco-diz-estudo.shtml