12/03/2011
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19h31
Japão enfrenta problema em segundo reator de usina nuclear
DE SÃO PAULO
DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

Atualizado às
19h50.
A Agência de Segurança de Energia Nuclear do Japão anunciou neste sábado
que outro reator da usina de Fukushima --que já sofreu uma explosão--
está apresentando problemas em razão do terremoto que atingiu o país
ontem.
De acordo com as informações, o sistema de resfriamento do reator 3
também parou de funcionar, o mesmo problema que causou a primeira
explosão na usina. Agora, segundo uma autoridade da agência, a
instalação terá que assegurar o suprimento de água para esfriar o
reator.
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Nesta madrugada, uma explosão destruiu o teto da instalação do reator 1,
levantando temores sobre uma possível liberação de radiação na área.
Apesar disso, o governo afirmou, mais tarde, que a explosão não afetou o
núcleo do reator e que apenas uma pequena quantidade desses materias
foi liberada.
Segundo a autoridade, há uma possibilidade de que pelo menos nove
pessoas tenham sido expostar à radiação, de acordo com informações dos
governos municipais e outras fontes.
A comissão reguladora nuclear dos Estados Unidos (NRC) anunciou, neste
sábado, o envio de dois especialistas ao Japão, após a explosão.
"Temos alguns dos melhores especialistas neste campo trabalhando para a
NRC e estamos prontos para ajudar em qualquer coisa", disse o presidente
da comissão, Gregory Jaczko, em comunicado no qual anunciou o envio dos
técnicos.
A NRC --agência que regula as usinas nucleares de uso comercial-- disse
que os técnicos são especialistas em reatores nucleares de água
fervente.
O governo do Japão afirmou nesta tarde que o nível de radiação emitido
pela instação parece ter diminuído após a explosão, que produziu uma
nuvem de fumaça branca. Mas o perigo foi grande o suficiente para que as
autoridades jogassem água do mar no reator para evitar um desastre e
ainda tirassem 140 mil pessoas da área.
A explosão destruiu o prédio que abrigava o reator, mas não o reator em
si, o que evitou um desastre maior. "Eles estão trabalhando
desesperadamente para encontrar uma solução para esfriar o núcleo do
reator", afirmou Mark Hibbs, do Programa de Política Nuclear do Carnegie
Endowment for International Peace.
A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) confirmou a informação
de que o reator não havia sido danificado, desmentindo especulações de
que um acidente mais grave como o da central ucraniana de Tchernobil,
pudesse ocorrer.
Para limitar o dano ao núcleo do reator, por causa do terremoto e
posterior tsunami ocorrido no litoral japonês, a Tepco propôs que água
do mar seja misturada com boro para ser injetada no recipiente primário
de contenção, segundo o comunicado divulgado pela AIEA em Viena.
A AIEA acrescentou que esta medida foi aprovada pela Nisa (Agência de
Segurança Nuclear e Industrial) e que o processo de injeção começou às
20h20 no horário local (8h20 de Brasília).
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Editoria de Arte/Folhapress |
ESCALA
O acidente em uma central nuclear na cidade de Fukushima, no Japão, após
o forte terremoto que atingiu o país na sexta-feira, foi classificado
como de nível 4 na Escala Internacional de Eventos Nucleares, que vai de
0 a 7. A classificação é a terceira mais alta já concedida, ficando
atrás apenas do acidente em Three Mile Island, nos Estados Unidos, em
1979 (nível 5) e de Tchernobil, em 1986 (grau 7).
A classificação 4 qualifica acidentes "com consequências de alcance
local", segundo documentos da AIEA (Agência internacional de Energia
Atômica). Em 1999, o Japão havia registrado um acidente com a mesma
classificação.
O termo anomalia é utilizado para o nível 1 e, incidente, para os níveis
2 e 3. O nível 4 é o pior até o momento no Japão, de acordo com a
Agência japonesa de Segurança Nuclear e Industrial.
O reator Daiichi 1, ao norte da capital Tóquio, começou a vazar radiação
depois que o terremoto de magnitude 8,9 causou um tsunami, prontamente
levantando temores de um derretimento nuclear. O sistema de resfriação
do reator nuclear falhou após os tremores, causando uma explosão que
rompeu o telhado da usina.
As autoridades afirmam que os níveis de radiação em Fukushima estavam
elevados antes da explosão. Em determinado momento, a usina estava
liberando a cada hora a quantidade de radiação uma pessoa normalmente
absorve do ambiente em um ano.
MORTOS
O país lida com a ameaça nuclear enquanto tenta determinar o alcance dos
danos do terremoto, o mais poderoso de que se tem registro em
território japonês, e do tsunami que devastou a região nordeste. O
número oficial de mortos é de 686, mas o governo diz que a estatística
pode ultrapassar 1.000.
O Japão mobilizou 50 mil soldados e outros socorristas, neste sábado,
para trabalhar na ajuda aos sobreviventes. Foi mobilizado nas operações o
conjunto das Forças Armadas japonesas, que desde a véspera já participa
das operações com 300 aviões, 20 navios e destróieres e 25 caças de
reconhecimento mobilizados para a costa leste do arquipélago, onde mais
de 1.800 pessoas morreram ou estão desaparecidas.
Também chegavam ao Japão equipes internacionais, algumas das quais
participaram recententemente das buscas por sobreviventes nas ruínas do
terremoto de 22 de fevereiro em Christchurch, Nova Zelândia.
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Editoria de Arte/Folhapress |
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/887916-japao-enfrenta-problema-em-segundo-reator-de-usina-nuclear.shtml