sábado, 12 de março de 2016

ANO INTERNACIONAL DO ENTENDIMENTO GLOBAL – 2016

ANO INTERNACIONAL DO ENTENDIMENTO GLOBAL – 2016



APRESENTAÇÃO:
A Missão da UNESCO consiste em contribuir para a consolidação da paz, a erradicação da pobreza, o desenvolvimento sustentável e o diálogo intercultural através da educação, das ciências, da cultura, da comunicação e da informação. Educar para a Cidadania Global pressupõe: - alcançar a educação de qualidade para todos e a aprendizagem permanente ao longo de toda a vida; mobilizar o conhecimento científico e as políticas relativas à Ciência com vistas ao desenvolvimento sustentável; enfrentar e resolver os novos problemas éticos e sociais; construir sociedades do conhecimento inclusivas e integradoras com o apoio da informação e da comunicação.
O Ano Internacional do Entendimento Global tem a finalidade de proporcionar uma compreensão profunda da maneira com que os povos devem conviver para garantir a sustentabilidade.

I.    Introdução

1.          Entendimento Global pressupõem o "refletir a partir de uma perspectiva mundial e intervir no plano local". Para alcançar a sustentabilidade do planeta e propiciar a governança e a transparência, devemos reduzir a defasagem de conhecimentos sobre as ações locais, por um lado, e por outro, seus efeitos mundiais. Esta é, em definição, a meta de um programa destinado a promover o Entendimento Global.

2.          A humanidade encontra-se, hoje em dia, diante de situações sem precedentes: o que está em jogo é o clima mundial, os ecossistemas, a biodiversidade, a ordem econômica e o bem estar sociocultural. Alcançar os Objetivos de Desenvolvimento do Milênio está se tornando cada vez mais difícil, considerando que os mais vulneráveis já arcaram com a maior parte do peso dos efeitos do status quo.  

3.          As investigações sobre a mudança ambiental mundial lançaram resultados científicos inequívocos sobre os processos do sistema terrestre que raras vezes se traduzem em políticas eficazes. Devemos aprofundar nosso conhecimento dos contextos socioculturais, melhorar a aceitação social e cultural dos conhecimentos científicos e encontrar vias diferenciadas em função das culturas para alcançar a sustentabilidade mundial.

4.          Uma autêntica investigação interdisciplinar é, na atualidade, uma necessidade de primeira ordem. Para que se faça realidade, é preciso superar a dicotomia estabelecida entre as ciências exatas e naturais e as ciências sociais. Os conhecimentos nessas esferas devem se integrar com formas de conhecimento não científicos e não exclusivamente ocidentais para construir um marco de competências de caráter mundial.

5.          É imperativo preencher a brecha entre os problemas mundiais e os comportamentos e a adoção de decisões nacionais, regionais e locais. Algumas soluções eficazes que se fundem em decisões e medidas desde a base devem complementar as medidas que se adotem a partir de ambas.

II.   Fundamento e Objetivos de um Ano Internacional do Entendimento Global

6.          O Ano Internacional do Entendimento Global

     criará, em nível mundial, um entendimento e uma consciência integral da tradição natural e cultural de toda ação humana;

     contribuirá para modificar os hábitos nocivos para o meio ambiente mediante a elaboração de modelos de práticas alternativas exemplares, cotidianas e essenciais, diferenciados segundo as culturas;

     promoverá a tomada de consciência da capacidade e das responsabilidades individuais relativas as decisões cotidianas;

     encorajará cientistas das ciências sociais, exatas e naturais, assim como estudiosos das humanidades, a participarem de investigações transdisciplinares sobre a sustentabilidade;

     produzirá módulos didáticos sobre diretrizes de estudos que se aplicarão a todos os níveis de ensino e educação;

    servirá de catalizador para a cooperação transdisciplinar nas práticas sociais e melhorará a transferência de conhecimentos científicos diferenciados de acordo com as  culturas.

7.          Uma vez que as sociedades e as culturas determinam a forma como vivemos, e modelam nosso entorno natural, o Ano Internacional do Entendimento Global tratará da nossa maneira de viver em um mundo cada vez mais globalizado e da transformação da natureza a partir da perspectiva da sustentabilidade mundial.

8.          O Ano Internacional do Entendimento Global centra-se nas práticas cotidianas habituais para demostrar a dupla raiz global da biofísica local e das condições de vida socioculturais. É necessidade imperiosa estender pontes entre esses dos âmbitos das práticas cotidianas.

9.          O Ano Internacional do Entendimento Global visa fornecer uma compreensão profunda, ainda que prática, da maneira com que todos os povos podem conviver de forma mais sustentável. A ênfase será na elaboração de estratégias para projetos locais específicos que tenham visibilidade de alcance mundial.

10.       Os objetivos do Ano Internacional do Entendimento Global compreendem 3 (três) Elementos Fundamentais: a investigação, a educação e a formação.

·       A investigação reunirá pesquisadores das Ciências Sociais, Ciências Exatas e Naturais para alcançar uma melhor compreensão dos efeitos mundiais das atividades cotidianas locais.
·       A educação aproveitará os resultados das pesquisas em todos os níveis, nas salas de aulas espalhadas pelo mundo inteiro.
·       A informação será proporcionada em cooperação com grandes associados do setor privado para fomentar a sensibilização do público, por exemplo, por meio da imprensa escrita, jogos de computadores, redes sociais, plataformas de Internet (www.global-understanding.info) e programas de televisão.


III.   Coordenação do Ano Internacional do Entendimento Global

11.       Lidera esta iniciativa a União Geográfica Internacional (UGI), que tem um alcance realmente mundial com seus 57 membros nacionais de pleno direito e seus 40 membros nacionais associados que têm a condição de observadores. Em sua Assembleia Geral celebrada em agosto de 2012, em Colônia, os presidentes dos comitês nacionais e o Comitê Executivo da UGI aprovaram, por unanimidade, a iniciativa desta última com a intenção que as Nações Unidas proclamassem 2016 Ano internacional do Entendimento Global. Esta iniciativa que conta com o pleno respaldo do Conselho internacional para a Ciência (ICSU), do Conselho Internacional de Ciências Sociais (CICS), do Conselho Internacional de filosofia e Ciências Humanas (CIPSH) e do Programa Internacional sobre as Dimensões Humanas da Mudança Ambiental Mundial (IHDP), deveria fazer parte da iniciativa Future Earth copatrocinada pelo ICSU, CICS, UNESCO, PNUMA, ONU e Fórum Belmont.

12.           Os objetivos do Ano Internacional do Entendimento Global complementaram a iniciativa Future Earth conclamando as Ciências Sociais, Ciências Naturais e Exatas, assim como as Ciências Humanas a participar nas pesquisas sobre a sustentabilidade, o que aumentará as oportunidades de que tanto os cidadãos como os responsáveis pela adoção de decisões beneficiem-se das novas conclusões e orientações e as tomem como referência. Além disso, do Ano Internacional  colocará a Ciência e a Tecnologia a serviço do desenvolvimento sustentável, apoiará a prioridade África da UNESCO e contribuirá com a realização dos Objetivos do Desenvolvimento do Milênio.

13.   A UGI e aqueles que propõem o Ano internacional do Entendimento Mundial cooperarão com a UNESCO para destacar a função da Cultura, das Ciências Sociais, Exatas e Naturais na realização da sustentabilidade mundial por meios diferenciados, em função das culturas, com o objetivo de responder às necessidades da sociedade e apoiar as configurações geográficas adaptadas às novas realidades da era digital. A UGI se ocupará da coordenação e da comunicação em relação as atividades do Ano Internacional. Estas atividades serão planejadas pelas sociedades geográficas nacionais, pelos ministérios de educação, ciência e tecnologia, pelas instituições educacionais e pelas organizações não governamentais e governamentais. Todas estas atividades serão coordenadas por centros de ação regional e pela Secretaria Geral, situada em Jana (Alemanha).

14.       O Ano Internacional do Entendimento Global pode inspirar-se nos programas da UNESCO em matéria de educação para a mudança climática e estará em plena consonância com eles assim como os esforços da Organização em matéria de educação para o desenvolvimento sustentável, cuja finalidade é dotar as pessoas dos meios para prever, fazer frente e resolver os problemas que ameaçam nosso futuro. O Ano propiciará que uma ampla gama de cidadãos de todo o mundo tomem consciência de que a maioria das atividades cotidianas tem uma dupla raiz global, natural e social, que estabelece um nexo entre o local e o mundial.

15.       A UNESCO desempenhou uma função essencial na proclamação da celebração do Ano Internacional do Planeta Terra, do Ano Internacional da Astronomia e do Ano Internacional da Química. Por intermédio do seu Conselho Executivo e de sua Conferência Geral, a UNESCO terá um importante papel a desempenhar para que as Nações Unidas proclamem o Ano Internacional do Entendimento Global.

IV.     Conclusão

16.       As Nações Unidas só podem proclamar Anos Internacionais durante os períodos de sessões de sua Assembleia Geral e se for pedido por pelo menos um de seus Estados Membros. Ruanda encabeça esta iniciativa, na expectativa de que um grande número de Estados Membros das Nações Unidas a apoiará.

17.       Um Ano Internacional do Entendimento Global apoiará e promoverá a liderança mundial da UNESCO no fortalecimento das capacidades científicas e tecnológicas a serviço do Desenvolvimento Sustentável.


Decisão proposta

18. A luz do que foi exposto, o Conselho Executivo poderia adotar uma decisão do seguinte teor:

O Conselho Executivo,

1.          Reconhecendo que a sustentabilidade mundial baseia-se numa compreensão mundial de nossas atividades cotidianas;

2.          Assinalando que o ensino da geografia para o entendimento mundial é essencial para fazer frente a desafios como a mudança climática e a mudança social em nível mundial, para proporcionar fontes sustentáveis de água potável, alimentos e energia e para preservar um entorno para as futuras gerações;

3.          Considerando que o entendimento global contribui para reduzir os riscos de conflitos regionais e, por isso, contribui para promover a paz nos planos local, nacional e mundial;

4.          Consciente de que o ano 2016 oferecerá a possibilidade de destacar a necessidade da colaboração científica internacional e transdisciplinar para conseguir a sustentabilidade mundial,

5.          Havendo examinado o documento 192 EX/39;

6.          Congratula-se que a União Geográfica Internacional (UGI) em seu Congresso Internacional e sua Assembleia Geral de 2012, com o apoio dos conselhos Executivos do Conselho Internacional para a Ciência, do Conselho Internacional de Ciências Sociais e do Conselho Internacional de Filosofia e Ciências Humanas, haja aprovado unanimemente a iniciativa de proclamar 2016 Ano Internacional do Entendimento Global e tenha-se decidido liderar a coordenação e a promoção de atividades nacionais e regionais relacionadas com a geografia em todo o mundo;

7.          Convida a Diretora Geral a apoiar todos os esforços encaminhados a que a Assembleia Geral das Nações Unidas proclame 2016 Ano Internacional do Entendimento Mundial;

8.          Recomenda que a Conferência Geral na sua 37ª reunião aprove uma resolução a respeito.
Conselho Executivo
192 EX/39
192a reunião




                       

PROCLAMAÇÃO DE 2016, ANO INTERNACIONAL DO ENTENDIMENTO GLOBAL




PEA-UNESCO-Curitiba/2015


terça-feira, 17 de março de 2015

UNESCO 2015 - Ano Internacional da Luz

2015 - Ano Internacional da Luz

No dia 20 de dezembro de 2013, a 68ª Sessão da Assembleia Geral das Nações Unidas proclamou o ano de 2015 como o Ano Internacional da Luz e das Tecnologias baseadas em Luz (International Year of Light and Light-based Technologies – IYL 2015).
O Ano Internacional da Luz é uma iniciativa mundial que vai destacar  a importância da luz e das tecnologias ópticas na vida dos cidadãos, assim como no futuro e no desenvolvimento das sociedades de todo o mundo. Essa é uma oportunidade única para se inspirar, para se educar e para se unir em escala mundial. 
Ao proclamar um Ano Internacional com foco na ciência óptica e em suas aplicações, as Nações Unidas reconhecem a importância da conscientização mundial sobre como as tecnologias baseadas na luz promovem o desenvolvimento sustentável e fornecem soluções para os desafios mundiais nas áreas de energia, educação, agricultura, comunicação e saúde. A luz exerce um papel essencial no nosso cotidiano e é uma disciplina científica transversal obrigatória para o século XXI. Ela vem revolucionando a medicina, abrindo a comunicação internacional por meio da internet e continua a ser primordial para vincular aspectos culturais, econômicos e políticos da sociedade mundial.
Juntamente com a UNESCO, um grande número de organismos científicos participará dessa iniciativa, que, em 2015, vai reunir diversas partes interessadas, inclusive sociedades e associações científicas, instituições de ensino, plataformas de tecnologia, organizações sem fins lucrativos e parceiros do setor privado.
“Um Ano Internacional da Luz é uma grande oportunidade para garantir que gestores de políticas internacionais e partes interessadas se conscientizem sobre o potencial de solução de problemas que a tecnologia óptica apresenta. Nós temos agora uma oportunidade única para promover essa conscientização em âmbito mundial” (John Dudley, presidente do Comitê de Promoção do IYL 2015).
Links selecionados (em inglês):

Por que a luz é importante

O que é fotônica

Fotônica é a ciência e a tecnologia  que gera, controla e detecta fótons, que são partículas de luz. A fotônica serve de base para tecnologias que são utilizadas no cotidiano, que vão de smartphones e laptops, até a internet, aparelhos médicos e tecnologias de iluminação. O século XXI dependerá da fotônica, assim como o século XX dependeu da eletrônica.

Energia

A energia do Sol que atinge a Terra pode ser convertida em calor e em eletricidade, sendo que governos e cientistas de todo o mundo estão trabalhando para desenvolver tecnologias acessíveis e limpas de energia solar. A energia solar fornecerá um recurso praticamente inesgotável que aumentará a sustentabilidade, bem como reduzirá a poluição e os custo para mitigar a mudança climática.

O impacto econômico

As empresas na área da fotônica e das tecnologias baseadas na luz trabalham para solucionar os principais desafios enfrentados pela sociedade, como geração de energia e eficiência energética, envelhecimento saudável da população, mudança climática e segurança. As tecnologias fotônicas têm causado um grande impacto na economia mundial, com um mercado mundial atual de €300 bilhões e um valor de mercado projetado para mais de €600 bilhões, em 2020. Entre 2005 e 2011, o crescimento da indústria da fotônica foi duas vezes maior do que o do PIB (Produto Interno Bruto) mundial.

Luz nas construções

A iluminação representa quase 20% do consumo mundial de eletricidade (Associação Internacional da Energia). O futuro desenvolvimento das sociedades do mundo, tanto nos países desenvolvidos quanto nas economias emergentes, está intimamente relacionado à capacidade de iluminar efetivamente nossas cidades, lares, escolas e áreas de recreação. 

Conexão do mundo

Mídias sociais, telefonemas de baixo custo, videoconferências com familiares e amigos – esses são três exemplos de como a internet permite que pessoas do mundo todo se sintam conectadas, de uma forma nunca antes possível na história. E toda essa tecnologia é baseada na luz! Dados de luz ultracurtos pulsam, propagando-se em pequenas fibras ópticas com a largura de um fio de cabelo humano, que criaram a infraestrutura das comunicações modernas e a internet que utilizamos todos os dias.

Histórias da ciência

Mulheres na ciência

Desde os primórdios, as mulheres têm realizado contribuições para a ciência, mas frequentemente têm enfrentado barreiras e obstáculos em seu caminho. Apesar de terem ocorrido progressos ao longo dos séculos, muitas mulheres são dissuadidas a prosseguir nos níveis mais elevados de uma carreira científica. Muito mais deve ser feito para se tratar das razões que estão por trás desse desperdício potencial de talento humano. Existem vários programas internacionais que encorajam a participação das mulheres na ciência, e ações especiais ocorrerão em 2015.

1000 anos da óptica árabe

O ano de 2015 marca o 1000o aniversário de surgimento de “Kitab al-Manazir”, o notável tratado de sete volumes sobre óptica escrito pelo grande cientista árabe Ibn al-Haytham. A influência de Ibn al-Haytham nos experimentos e nas teorias da óptica é realmente notável, e ele é considerado o pai da óptica moderna, da oftalmologia, da física experimental e da metodologia científica. Muitas foram as suas contribuições e de vários outros cientistas, durante a Idade de Ouro Islâmica.

Blog – o mundo dos cientistas

Com frequência, o que os cientistas e os engenheiros fazem não é bem compreendido pelo público em geral, mas o IYL 2015 terá um blog que vai funcionar durante todo o ano, para que todos possam aprender. Blogueiros voluntários de todo o mundo – de estudantes de ensino médio a professores universitários, artistas e outros – comunicarão suas experiências diárias com a luz em seu sentido mais amplo.

Uma breve história da luz

Desde as antigas tentativas para se compreender o movimento das estrelas e dos planetas até o reconhecimento da importância da luz na fotossíntese, os esforços para entender a natureza e as características da luz têm revolucionado quase todos os campos da ciência. Uma breve história dos principais acontecimentos da nossa compreensão sobre a luz está disponível no site do IYL 2015.

Descobridores da luz

A história do estudo da luz tem envolvido praticamente a todas as principais personalidades da ciência, e suas histórias revelam o lado humano da ciência de diferentes formas. O site do IYL 2015 fornece recursos e links para os dados biográficos de cientistas – famosos ou não –  que têm realizado grandes contribuições para a nossa compreensão sobre o que é a luz e qual é a sua utilidade.
http://www.unesco.org/new/pt/brasilia/about-this-office/prizes-and-celebrations/2015-international-year-of-light/
 

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

Avanço no combate à doença de Chagas

Avanço no combate à doença de Chagas
Vacina terapêutica desenvolvida por consórcio brasileiro obtém resultados positivos na redução dos efeitos da doença em camundongos, com a melhora da função cardíaca dos animais.
Por: Everton Lopes
Publicado em 16/02/2015 | Atualizado em 18/02/2015
 
Fibrose (em vermelho) no tecido cardíaco de camundongos, sintoma da fase crônica da doença de Chagas (à esquerda). Os danos foram significativamente reduzidos nos animais que receberam a vacina (à direita). (imagem: Jefferson Mendes/ IOC/ Fiocruz)
 
 
Uma vacina capaz de impedir o avanço da doença de Chagas e atenuar danos causados por essa enfermidade acaba de ser testada com sucesso em camundongos no Instituto Oswaldo Cruz, da Fundação Oswaldo Cruz (IOC/Fiocruz). Os animais apresentaram melhora significativa na sua função cardíaca.
Os resultados foram apresentados por pesquisadores do Laboratório de Biologia das Interações do IOC, do Centro de Pesquisas René Rachou (também da Fiocruz), das universidades federais Fluminense, de Minas Gerais, de Santa Catarina e de São Paulo e da Universidade de Massachusetts Medical School, nos Estados Unidos, todos ligados ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas (INCTV). O estudo foi publicado em janeiro deste ano na revista científica PloS Pathogens.
A doença de Chagas é uma infecção causada pelo protozoário Trypanosoma cruzi e seu principal vetor é o inseto popularmente conhecido como barbeiro. Na fase aguda da doença, são comuns sintomas como inflamação do miocárdio (que pode resultar em dor no peito, batida anormal do coração e parada cardíaca) e do cérebro e meninges. Na fase crônica, aproximadamente 30% dos portadores da enfermidade desenvolvem sua forma cardíaca, que pode levar a arritmias graves e insuficiência cardíaca. De acordo com dados do Ministério da Saúde, cerca de 2 a 3 milhões de pessoas são portadoras da doença em sua forma crônica no Brasil.


O protozoário ‘Trypanosoma cruzi’ é o causador da doença de Chagas. (imagem: Ricardo Amaral/ LBI/ IOC)

Desde 2004, o grupo do INCTV, que reúne cientistas de diversas áreas, trabalha no desenvolvimento de uma vacina contra a doença. Batizada de rAdVax, a vacina usa um adenovírus (vírus muito comum na população) modificado para transportar pequenas sequências genéticas de duas diferentes fases da vida do T. cruzi. Esses elementos são capazes de estimular a resposta imunológica do organismo nas duas fases da doença.

Profilaxia e tratamento

Em testes iniciais com camundongos, os pesquisadores tiveram sucesso ao prevenir a infecção pelo parasita. Então eles passaram a testar a formulação em animais já infectados, como uma vacina terapêutica, para evitar a progressão dos sintomas.
“Foi observado aumento de sobrevida nos camundongos que receberam o tratamento”, conta Joseli Lannes, bióloga do Instituto Oswaldo Cruz e coordenadora do estudo. “Após 200 dias, todos os animais infectados e não tratados com a vacina estavam mortos, enquanto 87% dos infectados que receberam o tratamento haviam sobrevivido”, explica a pesquisadora.
Lannes: “Pela primeira vez, temos uma preparação vacinal para uma doença negligenciada que, além de proteger da infecção, é capaz de reverter os danos já instalados”
Ainda nos animais tratados, a vacina promoveu a melhora dos batimentos cardíacos – que chegaram a ficar próximos do normal – e a redução da fibrose decorrente da degeneração do tecido cardíaco.
“A técnica se mostrou eficiente e, pela primeira vez, temos uma preparação vacinal para uma doença negligenciada que, além de proteger da infecção, é capaz de reverter os danos já instalados por meio da reprogramação da resposta imunológica feita com a vacina”, comenta Lannes. “Os tratamentos atuais são os mesmos de quem apresenta uma alteração cardíaca de outra natureza; com a rAdVax, estamos trazendo a possibilidade de tratar a própria causa”, ressalta a pesquisadora.
Em alguns países da América Latina, como Bolívia e México, os animais (cães, principalmente) também são infectados com a doença de Chagas de forma muito parecida com os humanos. Para tentar diminuir esse ciclo de infecção, os pesquisadores pretendem iniciar, entre o final de 2015 e o início de 2016, testes com uma vacina para uso veterinário. Somente depois dessa fase devem prosseguir com o desenvolvimento da vacina para humanos portadores da doença.

Everton Lopes
Ciência Hoje On-line
http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2015/02/avanco-no-combate-a-doenca-de-chagas

Maconha mais potente triplica risco de psicose, diz estudo


Maconha mais potente triplica risco de psicose, diz estudo

  • 16 fevereiro 2015


Pesquisadores relacionaram frequência de uso e tipo de maconha a risco maior de psicose 

O uso de 'skunk' - um tipo de maconha mais forte - triplica o risco de psicose, segundo estudo de uma universidade britânica.
Cientistas do Instituto de Psiquiatria, Psicologia e Neurociência do King's College de Londres apontaram também que o risco de psicose é cinco vezes maior entre usuários diários de maconha do que entre pessoas que não consomem a droga.
Por outro lado, o uso de haxixe, uma forma mais branda da maconha, não aumenta o risco de psicose, disse o estudo, que acompanhou 780 pessoas.
A psicose refere-se a delírios ou alucinações que podem estar presentes em certas condições psiquiátricas, como esquizofrenia e transtorno bipolar.
Leia mais: Mãe enfrenta dilema legal para dar maconha a filho epilético de 6 anos
"Em comparação com aqueles que nunca tinham experimentado maconha, usuários de maconha do tipo 'skunk', mais potente, tiveram um risco três vezes maior de psicose", disse Marta Di Forti, coordenadora da pesquisa.
"O risco de psicose em usuários de maconha depende da frequência do uso e da potência da droga."
O 'skunk' contém mais THC (tetrahidrocanabinol) do que outras variações da cannabis, principal ingrediente psicoativo da maconha. Já o haxixe contém quantidades substanciais de outro produto químico chamado canabidiol, ou CBD.
Pesquisas sugerem que o CBD pode agir como um antídoto para o THC, contra-atacando os efeitos colaterais psicóticos.

'Salvando usuários'

Robin Murray, professor de pesquisa psiquiátrica do King's College, disse que "o trabalho sugere que poderíamos evitar quase um quarto dos casos de psicose se ninguém fumasse cannabis de alta potência".
"Isso pode salvar pacientes jovens e economizar dinheiro do sistema de saúde."
Marta Di Forti pediu que seja adotada uma "clara mensagem pública" sobre os riscos da maconha mais forte. Ela também sugeriu que os médicos perguntem aos seus pacientes sobre seus hábitos de uso da droga, como já acontece no caso do álcool e tabaco.
A pesquisa foi realizada ao longo de vários anos e comparou 410 pacientes com idades entre 18 e 65 anos, que relataram um primeiro episódio de psicose num hospital psiquiátrico do sul de Londres, com 370 participantes saudáveis na mesma faixa etária e da mesma área de Londres.
Leia mais: Após referendos, americanos preveem onda de legalização da maconha
O relatório será divulgado nesta semana na publicação científica The Lancet Psychiatry.
 http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2015/02/150216_maconha_pesquisa_hb
 

O que acontece no corpo quando engolimos um chiclete


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Testes com nova vacina indicam proteção total contra vírus HIV

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segunda-feira, 21 de abril de 2014

Cigarro - os efeitos da droga no organismo Hospital Israelita Albert Einstein

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O que é diálise? Hospital Israelita Albert Einstein

Saiba mais sobre a asma

Catapora - Hospital Israelita Albert Einstein

Álcool - os efeitos da droga no organismo

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Cocaína - Os efeitos da droga no organismo


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http://www.youtube.com/watch?v=-yr6KLQGT_o

Crack - Os efeitos da droga no organismo

Maconha - Os efeitos da droga no organismo

sexta-feira, 18 de abril de 2014

'Ultimos sobreviventes' no planeta Terra

Micróbios serão 'últimos sobreviventes' no planeta Terra



Atualizado em  3 de julho, 2013 - 06:18 (Brasília) 09:18 GMT

(Foto: Health Protection Agency)
Para cientistas, micro-organismos que viverão nas profundezas do solo serão os últimos sobreviventes
Os últimos sobreviventes no planeta Terra serão minúsculos micro-organismos que viverão nas profundezas do solo, dizem cientistas britânicos.
Usando simulação por computador, pesquisadores da University of Saint Andrews, na Escócia, criaram um modelo de como será o planeta dentro de bilhões de anos.
Eles descobriram que, à medida que o Sol fica mais quente e mais brilhante, somente micróbios poderão tolerar as condições extremas que as mudanças provocarão.
O trabalho está sendo apresentado durante a National Astronomy Meeting da Royal Astronomical Society, que acontece esta semana na cidade de Saint Andrews.
"Não haverá muito oxigênio, então (os micróbios) terão que sobreviver em ambientes com pouco ou zero oxigênio, alta pressão e alta salinidade - por causa da evaporação dos oceanos", disse um dos integrantes da equipe escocesa, o pesquisador Jack O'Malley James.

Extinção em massa

O futuro da vida na Terra está vinculado ao do Sol, que, com o passar do tempo, vai ficar cada vez mais quente e luninoso.
Com base nesse fato, cientistas das universidades escocesas de St Andrews, Dundee e Edimburgo fizeram uma previsão de como será o ambiente futuro do planeta.
Dentro de um bilhão de anos, o calor será tão intenso que os oceanos vão começar a evaporar.
"Quando você chega a esse ponto, existe muito mais água na atmosfera, e como o vapor de água é um gás (que provoca) efeito estufa, você tem um efeito estufa em cadeia", disse O'Malley James. "A Terra vai se aquecer até 100ºC ou mais".
Isso, aliado a uma queda nos índices de oxigênio, levaria a uma rápida perda de plantas e animais maiores.
Logo depois, um grupo de micróbios chamados extremófilos será a única forma de vida que restará.
Esses minúsculos organismos podem ser encontrados hoje na Terra em ambientes hostis, como a Bacia dos Gêiseres no Parque Nacional Yellowstone, em Wyoming, Estados Unidos.
Segundo a equipe escocesa, esses micro-organismos serão as únicas criaturas capazes de suportar o calor, a aridez e a atmosfera tóxica dessa Terra do futuro. Os pesquisadores suspeitam de que os micróbios estarão, provavelmente, agrupados perto dos últimos vestígios de água, nas profundezas do solo.
No final, as condições no planeta serão tão ruins que até os extremófilos desaparecerão - e dentro de 2,8 bilhões de anos, não restará qualquer vida na Terra.

Sinalizadores de vida

A equipe disse que estudar o surgimento e o desaparecimento da vida no nosso planeta pode nos ajudar a compreender como diferentes formas de vida poderiam sobreviver em outros pontos do Universo.
"Se você se deparasse com um planeta parecido com a Terra, é mais provável que encontrasse vida microbiana do que formas mais complexas como vemos na Terra hoje", disse O'Malley James.
Ele explicou que micróbios provocam mudanças sutis nas proporções de gases na atmosfera e que esses gases poderiam, um dia, auxiliar astrônomos a detectar vida em planetas parecidos com a Terra.
"Um dos melhores candidatos é o metano. Ele poderia ser usado para indicar a presença de vida, embora isso dependa das quantidades produzidas e se há um acúmulo detectável na atmosfera. Se pudermos detectar todos esses índices sutis de gases em planetas remotos, talvez possamos detectar vida", disse O'Malley James.
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2013/07/130702_microbios_sobreviventes_terra_mv.shtml