quinta-feira, 25 de julho de 2013

Riscos da nova gripe aviária entre humanos



Riscos da nova gripe aviária entre humanos

Cientistas verificam  transmissão sem contato direto com ave infectada


Por Dina Fine Maron

Antes deste ano, o vírus H7N9 da gripe aviária, ligado a 133 infecções humanas e 43 mortes, nunca havia sido visto em pessoas.

Todas as evidências disponíveis sugerem que uma barreira biológica eficaz aparentemente evitou uma pandemia – humanos só contraíam o novo vírus por contato direto com aves ou com ambientes como mercados de pássaros, nunca por transmissão entre seres humanos.

Uma nova análise da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS), porém, sugere que o vírus está cada vez mais próximo de se transformar em uma doença transmitida entre seres humanos do que se acreditava anteriormente. 

Um grande estudo comparando os genomas das cinco cepas humanas de H7N9 conhecidas, com 37 vírus H7N9 isolados de mais de 10 mil amostras de mercados de aves, fazendas e matadouros de toda a China sugerem que o vírus só precisaria de pequenas mutações em sua estrutura proteica para se tornar facilmente transmissível entre humanos.

Além disso, testes com furões – considerados os animais mais próximos de humanos em testes de gripe – descobriram que uma cepa letal do vírus que matou a primeira vítima do H7N9 na China é transmissível por gotículas respiratórias, o que significa que ele poderia ser transmitido por tosses e espirros.

Os novos resutlados foram publicados na Science de 18 de julho. “Nossas descobertas não trazem nenhuma indicação para reduzir a preocupação de que esses vírus possam ser transmitidos entre seres humanos”, declara Hualan Chen, da CAAS e autor do estudo.

As novas descobertas são “preocupantes”, de acordo com Charles Chiu, especialista em doenças infecciosas da University of California, San Francisco. “Para esse vírus em particular, o H7N9, saber se existe ou não transmissão entre seres humanos é crítico”.

Desde abril, o número de casos de H7N9 caiu abruptamente, mas oficiais de saúde pública se preocupam que, assim como outros vírus da gripe aviária que têm padrões sazonais de infecção, o H7N9 poderia ressurgir no outono.

Com mais casos do H7N9 haveria mais oportunidades para o vírus sofrer mutações entre humanos e, consequentemente, passar a ser H7N9 transmissível entre humanos.

Os vírus H7N9 isolados de aves e humanos já têm parentesco genético próximo.

Departamento de Agricultura dos Estados Unidos
Artigo publicado na Science em 18 de julho de 2013 verificou transmissão do vírus da gripe aviária H7N9 por gotículas, sem necessidade de contato direto, entre aves e furões. A descoberta é preocupante por causa da letalidade do vírus e da ausência de sintomas dos animais infectados. 


Na análise da Science, pesquisadores descobriram que os vírus podem se conectar a receptores das vias respiratórias humanas, mas eles ainda mantêm sua capacidade de se ligar a receptores das vias respiratórias de aves.

Para que o vírus seja transmissível entre humanos, ele deve sofrer mais mutações para perder sua habilidade de se ligar a receptores de vias respiratórias de aves – uma modificação genética que, de acordo com os autores, pode ser possível com apenas algumas mudanças em sequencias de aminoácidos.   

Os resultados de artigos da Science divergem de pesquisas anteriores.

Um estudo dos Centros para Controle de Doenças dos Estados Unidos, publicados na Nature há duas semanas, também considerou a transmissão do H7N9 em furões e descobriu que apesar de esses animais transmitirem a gripe quando juntos, quando estavam fisicamente separados mas compartilhavam a mesma rede de ar entre suas gaiolas, os furões saudáveis só contraíam o vírus raramente.

Nesse trabalho, pesquisadores do CDC observaram transmissões por gotículas respiratórias em duas cepas diferentes de H7N9, e descobriram que em uma cepa originária da Província de Anhui, na China, apenas dois de seis furões contraíram o vírus, enquanto em uma cepa de Xangai, apenas um de três furões contraiu o vírus.

No novo estudo, pesquisadores também observaram várias cepas de H7N9 e descobriram que o vírus era transmitido de maneira semelhante por contato direto. Mas, em contraste com os autores dos relatórios da Nature, eles descobriram que todos os três furões expostos à cepa H7N9 de Anhui contraíram o vírus quando expostos a gotículas respiratórias.

Os autores do estudo publicado na Science fizeram os experimentos duas vezes e obtiveram os mesmos resultados.

A importância dos resultados conflitantes de infecção aérea nos dois estudos não está claro porque ambos observaram números muito pequenos de furões.

Parte da discrepância pode ter surgido de diferenças nos ambientes dos laboratórios. De maneira alternativa, o vírus pode ter mudado levemente enquanto as amostras cresciam nos laboratórios.

Esses estudos e outras pesquisas mostram que o H7N9 realmente pode se disseminar pelo ar, mas que esse modo de transmissão não é muito eficaz se comparado com o contato direto, explica Richard  Webby, especialista no vírus influenza do Saint Jude Children’s Research Hospital, em Memphis.

O novo artigo da Science “adiciona muitos dados à crescente lista de evidências de que esse vírus é algo com que devemos nos preocupar”, observa ele.

Às preocupações com possível transmissão do vírus se soma o fato de que frangos, patos e ratos infectados experimentalmente com cepas aviárias do H7N9 não mostram sintomas visíveis da doença.

Em surtos do H5N1, outra cepa da gripe, aves severamente infectadas serviam como alertas da infecção humana. Mas o H7N9 poderia se espalhar silenciosamente em mercados de aves, e não haveria maneira fácil de detectá-lo.

De acordo com Chiu, as novas descobertas devem iniciar uma vigilância mais rigorosa das populações de aves.

Outras medidas de saúde pública para combater o vírus em humanos incluem lavar as mãos, evitar tocar os olhos, o nariz e a boca, e tossir na dobra do cotovelo para ajudar a deter a disseminação do vírus.

“A replicação em humanos”, escrevem os autores, “fornecerá mais oportunidades para o vírus adquirir mais mutações e se tornar mais virulento e transmissível na população humana”.

Brasil aprova nova droga biológica contra o lúpus


22/07/2013 - 02h01

Brasil aprova nova droga biológica contra o lúpus

DHIEGO MAIA
RICARDO MANINI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

O primeiro medicamento desenvolvido em mais de 50 anos para tratar especificamente pessoas com lúpus chegou ao mercado brasileiro neste mês. A droga, batizada de Benlysta, é uma proteína que combate o processo responsável por levar o corpo do paciente a atacar as próprias células de defesa.
O tratamento é caro. Cada infusão da droga, administrada por injeção intravenosa, custa R$ 3.800 para alguém com até 60 kg. Só no primeiro ano do tratamento, é preciso desembolsar R$ 57 mil pelas 15 doses previstas, mas o custo pode ser maior, de acordo com o peso do paciente, segundo a fabricante GSK.
O tratamento existente hoje, à base do anti-inflamatório cortisona, não custa mais do que R$ 2.000 ao ano. A droga também é distribuída pela rede pública de saúde.
Estima-se que o Brasil tenha 200 mil pessoas com lúpus. Por ano, mais de mil casos são diagnosticados. Segundo o Ministério da Saúde, em 2012, a doença levou à internação 4.475 pessoas. As mulheres são as mais afetadas. Em cada grupo de dez doentes, nove são mulheres em idade reprodutiva.

Editoria de Arte/Folhapress

O lúpus é uma doença autoimune. Morton Scheinberg, reumatologista que coordenou parte dos testes clínicos da nova droga no Hospital Abreu Sodré, explica que os linfócitos B, células de defesa, produzem anticorpos que atacam o organismo das pessoas que têm a doença.
O lúpus mais "leve" causa artrite, fadiga, perda de cabelo e problemas na pele. Em fase moderada, a doença leva a uma queda no número de plaquetas e glóbulos brancos no sangue. Casos graves acometem os rins e o sistema nervoso central, causando desde dores de cabeça até convulsões e paralisia.
O novo remédio, que também é um tipo de anticorpo, dificulta o amadurecimento dos linfócitos B para reduzir seu ataque aos tecidos saudáveis do organismo.
Segundo Roger Levy, professor da Uerj (Universidade Estadual do Rio de Janeiro) e pesquisador que avaliou o Benlysta no Brasil, os efeitos adversos da cortisona aparecem com o tempo. "Anos de uso podem causar diabetes, hipertensão, aumento de peso, queda de cabelo e necrose nos ossos", afirma.
A nova droga, porém, não é isenta de efeitos colaterais, incluindo infecções graves, náuseas, diarreias e febre.
De acordo com o reumatologista Luiz Coelho Andrade, da Unifesp, o Benlysta não vai substituir o tratamento existente. "O uso deverá ser complementar ao tratamento convencional."
O médico nota avanços no tratamento da doença. "Há 40 anos, mais da metade das pessoas com lúpus morria. Hoje, quando o paciente descobre que tem a doença, dizemos que ele vai levar uma vida normal, apesar de eventuais complicações."
A FDA (agência reguladora de fármacos nos EUA) autorizou a venda do Benlysta após oito anos de pesquisa. Os estudos foram feitos em 31 países, incluindo o Brasil. A GSK diz que pretende comercializar o medicamento também na versão para injeção subcutânea em três anos.
Colaborou DÉBORA MISMETTI
DHIEGO MAIA e RICARDO MANINI participam do 1º Programa de Treinamento em Ciência e Saúde, que tem patrocínio institucional da Pfizer

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Atlas do cérebro em 3D

21/06/2013 - 03h00

Atlas do cérebro em 3D mostra detalhe mais fino que cabelo

RAFAEL GARCIA
DE SÃO PAULO

Um novo modelo tridimensional do cérebro humano criado por cientistas alemães e canadenses mapeou pela primeira vez um exemplar completo do órgão mostrando detalhes no limite daquilo que é visível a olho nu.
O mapa da iniciativa BigBrain, feito a partir do cérebro de uma mulher de 65 anos cujo corpo fora doado à ciência, faz parte do Projeto Europeu do Cérebro Humano, que tem como objetivo simular o funcionamento da mente humana em um computador.
Antes de servir a essa meta de longo prazo, porém, o mapa de precisão inédita pode ajudar na pesquisa de doenças degenerativas, por isso já está disponível gratuitamente na internet para pesquisadores e estudantes.
"Atingimos uma resolução de 20 micrômetros cúbicos, 50 vezes melhor do que a resolução típica de um atlas cerebral feito com ressonância magnética", disse em entrevista coletiva a neurocientista Katrin Amunts, da Universidade de Düsseldorf, na Alemanha, líder do projeto.
Para atingir tanta precisão no mapeamento, cientistas usaram um aparelho especial para cortar o cérebro-modelo, segmentando-o em 7.404 fatias (veja quadro à direita). O método foi descrito em estudo na revista "Science".
Essa técnica, porém, ainda resultou em algumas imperfeições, que tiveram de ser corrigidas por cientistas de forma semiartesanal, sem que houvesse processo automatizado para fazer todo o trabalho. O grupo levou mais de cinco anos na tarefa.
FERRAMENTA EXTRA
Apesar de o novo mapeamento superar a resolução de tecnologias automatizadas, a ideia não é suplantá-las. O novo modelo deve ser usado como referência para observar cérebros vivos com ferramentas similares à própria ressonância magnética.
"Para quem está interessado numa doença neurodegenerativa comum, como o alzheimer, este é o primeiro modelo cerebral no qual se pode olhar com tanto detalhe para o hipocampo humano, uma região cerebral extremamente importante para a memória", diz Karl Zilles, outro cientista do projeto na Universidade de Düsseldorf.
As outras instituições participantes da empreitada são a Universidade de Montreal, no Canadá, e o Instituto Max Planck para Ciências Cognitivas e do Cérebro Humano, de Leipzig, na Alemanha.
Apesar de ter atingido um grau de precisão sem precedentes, o novo mapa do projeto BigBrain ainda não possui resolução suficiente para enxergar neurônios individuais com clareza.
RUMO À SINAPSE
Segundo Amunts, o objetivo de longo prazo do instituto é conseguir produzir um mapa com precisão de 1 micrômetro: 20 vezes melhor que a atual. Ainda assim, não está claro se esse grau de precisão será suficiente para simular um cérebro em computador, algo que pode requerer a análise de todas as sinapses (conexões elétricas) de cada um dos neurônios.
As sinapses possuem tamanho da ordem de dezenas de nanômetros (milionésimos de milímetros) e podem estar além do alcance planejado para o BigBrain.
"Aquilo que estamos descrevendo está numa escala intermediária entre o nível das sinapses e o nível da neurociência de sistemas, que trata do cérebro inteiro", diz Alan Evans, da Universidade McGill. "O que o BigBrain oferece é uma estrutura para interligar esses dois mundos."
Editoria de Arte/Folhapress

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2013/06/1298693-atlas-do-cerebro-em-3d-mostra-detalhe-mais-fino-que-cabelo.shtml


quarta-feira, 19 de junho de 2013

Senado aprova projeto de lei do Ato Médico

19/06/2013 - 00h00

Senado aprova projeto de lei do Ato Médico

JOHANNA NUBLAT
GABRIELA GUERREIRO
DE BRASÍLIA

O plenário do Senado aprovou, na noite desta terça-feira (18), o polêmico projeto de lei apelidado de Ato Médico. Após pouco mais de dez anos de discussão, a proposta segue para sanção da presidente Dilma Rousseff.
Ao regulamentar a profissão do médico, o texto colocou em lados opostos o CFM (Conselho Federal de Medicina), que apoia a proposta, e os conselhos de outras profissões da saúde, que veem no projeto uma restrição à sua prática diária.


Editoria de Arte/Folhapress





Ficam definidos como atos privativos do médico, por exemplo, o diagnóstico da doença e a respectiva prescrição terapêutica e a indicação e realização de cirurgias e procedimentos invasivos.
Esses procedimentos, segundo o texto, são a invasão da derme e epiderme com uso de produtos químicos ou abrasivos; invasão da pele que atinja o tecido subcutâneo para injeção, sucção, punção, drenagem ou instilação; ou ainda invasão dos orifícios naturais do corpo, atingindo órgãos internos.
Profissionais de outras áreas da saúde temem que, com essas definições, possam ficar restritas ao médico ações como a acupuntura, a realização do parto normal e a identificação de sintomas de doenças corriqueiras.
Por outro lado, o projeto especifica que não são privativos do médico os diagnósticos funcional, psicológico, nutricional e avaliações comportamentais.
O único ponto ainda em aberto é a decisão sobre realização e a emissão de laudo dos exames citopatológicos (como papanicolaou). Segundo a senadora Lúcia Vânia (PSDB-GO), uma das líderes do debate, o texto aprovado diz que essas ações não são privativas dos médicos. No entanto, a mesa do Senado entendeu que, de acordo com a votação, ficou decidida a exclusividade do médico na realização desses testes.
As medidas valem 60 dias após a lei entrar em vigor.










Para a senadora Lúcia Vânia, o projeto não relega outras profissões da saúde a uma categoria de inferioridade em relação ao médico.
"É evidente que esse projeto não se superpõe à legislação de quaisquer profissões da saúde regulamentadas."
O CFM sustenta que a intenção não é limitar as demais profissões, mas afirmar a necessidade da presença do médico em todos os locais.
O conselho argumentou, durante a tramitação, que não pode haver uma divisão econômica e social, em que parte da população tem seus procedimentos feitos por um médico, e outra parte, não.
Uma consequência desse projeto, segundo a entidade, é que todas as equipes de saúde da família deverão ter médicos --o que ocorre hoje em cerca de 50% dos casos, de acordo com o CFM.
Para o Conselho Federal de Enfermagem, o texto "mantém a formulação de uma organização hierárquica entre os que pensam e os que executam, a clara intenção de reserva de mercado e de garantia de espaço de poder sobre a atuação dos outros profissionais de saúde (...) reservando para a enfermagem a condição de subsidiária em atividades manuais sob prescrição e supervisão médica".

Genes humanos não podem ser patenteados

13/06/2013 - 23h50

Genes humanos não podem ser patenteados, decide Suprema Corte dos EUA

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS
DE SÃO PAULO


Atualizado às 23h50.
A Suprema Corte dos EUA decidiu ontem que genes humanos não podem ser patenteados, o que pode afetar empresas de biotecnologia e baratear testes que se baseiam na procura de certas mutações no país e até no Brasil.
A decisão dos magistrados reverte três décadas de concessões de patentes pelo governo americano. No Brasil, não é permitido patentear seres vivos ou parte deles, o que inclui os genes.
O caso em discussão na Suprema Corte diz respeito ao registro de propriedade intelectual da empresa Myriad Genetics sobre os genes BRCA 1 e 2, cujas mutações indicam um risco maior de câncer de mama e ovário.
Editoria de Arte/Folhapress

O teste que procura essas mutações ganhou maior notoriedade recentemente, depois que a atriz Angelina Jolie, 37, revelou, em junho, ter se submetido a uma cirurgia de retirada das mamas após descobrir ter as mutações que aumentam o risco de desenvolver um tumor.
O exame é recomendado principalmente para as mulheres que têm câncer antes dos 45 anos. É possível também rastrear a mutação em outros membros da família para decidir sobre medidas preventivas, que incluem o uso de remédios , o acompanhamento com exames de imagem e até retirada preventiva de mamas e ovários.
O preço do exame é uma barreira ao seu acesso. Nos EUA, o custo fica em torno de US$ 3.000; no Brasil, ainda que não haja o impedimento da patente, o preço também é alto, chegando a R$ 8.000.
Com a decisão, espera-se uma queda nesses valores. "O reflexo vai ser imediato aqui. As empresas se guiam pelo preço cobrado no exterior", afirma Maria Isabel Achatz, diretora de oncogenética do A.C. Camargo Cancer Center, em São Paulo.
Para David Schlesinger, geneticista e fundador do laboratório Mendelics, a identificação de genes únicos, como no teste BRCA 1 e 2, já está ficando obsoleta.
"Em vez de procurar genes específicos, agora se sabe que é mais vantajoso fazer um exoma [sequenciamento da parte do genoma que codifica proteínas] e ter um panorama geral do paciente."
BRECHA
Segundo a decisão, uma parte do DNA que ocorre naturalmente é um produto da natureza e não pode ser patenteado só por ter sido isolada pela empresa.
No entanto, o tribunal deu à Myriad uma vitória parcial, dizendo que o DNA complementar sintetizado em laboratório pode ser patenteado.
O chamado cDNA não acontece naturalmente. Grosso modo, é uma espécie de DNA que exclui as informações que não codificam proteína usada como parte do processo de desenvolvimento de alguns testes genéticos.
Os grupos que pedem o fim das patentes argumentam que a sequência dos nucleotídeos do cDNA segue a ordem imposta pela natureza e, por isso, não devem ser alvo de registros.
Para Fernando Soares, do Departamento de Patologia do A.C. Camargo Cancer Center, manter a patente do cDNA só deve ter impacto em questões de pesquisa e em análise de larga escala.
Envolvido no projeto do genoma do câncer, em 2002, o médico comemorou a decisão. "O genoma é um patrimônio da humanidade."

Estudo de assimetria ajuda tratamento de doenças

Estudo de assimetria ajuda tratamento de doenças

DO "NEW YORK TIMES"

Um dia, em 1788, os estudantes da Escola de Medicina Hunterian, em Londres, estavam abrindo um cadáver quando descobriram algo surpreendente. A anatomia do morto era uma imagem espelhada da que seria normal. Seu fígado ficava no lado esquerdo, em vez do direito. Seu coração tinha crescido no lado direito, não no esquerdo.
O relatório do professor da escola, o médico escocês Matthew Baillie, foi a primeira descrição detalhada dessa condição, que passou a ser conhecida como "situs inversus" e parece ocorrer em cerca de uma em cada 20 mil pessoas.
Baillie afirmou que a condição poderia ajudar os médicos a compreender como nossos corpos normalmente distinguem o lado direito do esquerdo.
As mutações que causam o "situs inversus" podem levar a vários distúrbios graves, incluindo defeitos cardíacos congênitos. Decifrar os efeitos de genes alterados poderia levar a diagnósticos e tratamentos dessas condições.
"Compreender como você monta esse eixo tem muitas implicações para a compreensão da doença cardíaca congênita", disse Rebecca Burdine, bióloga molecular na Universidade Princeton, em Nova Jersey.
Dominic P. Norris, biólogo do desenvolvimento no Conselho de Pesquisa Médica em Harwell, na Inglaterra, e outros cientistas estão começando a resolver esse quebra-cabeça. Eles identificaram alguns dos passos pelos quais os órgãos dos embriões se desenvolvem à direita ou à esquerda.
Nossos corpos começam simétricos, sendo o lado esquerdo um reflexo perfeito do direito.
A assimetria no corpo humano começa a aparecer depois de seis semanas de gestação. O coração é o primeiro órgão a se posicionar. Começando como um simples tubo, ele se inclina para a esquerda e mais tarde gera diversas câmaras e vasos de cada lado.
Mas essas mudanças visíveis surgem muito depois de o embrião ter desenvolvido diferenças à esquerda e à direita. Experiências revelaram que o embrião inicial produz proteínas diferentes de cada lado, embora ainda pareça simétrico.
Os biólogos identificaram o ponto exato em que essa simetria começa a se romper: um pequeno caroço chamado nódulo, na linha mediana do embrião. O interior do nódulo é forrado por centenas de pequenos pelos, chamados cílios, que giram em um ritmo de dez vezes por segundo.
"É como um liquidificador", disse o doutor Norris. "Não para de girar." Inclinados, os cílios empurram o fluido que envolve o embrião em uma direção, da direita para a esquerda. Quando os cientistas inverteram esse fluxo em embriões de ratos, aconteceu a formação de órgãos invertidos.
Quando o fluido começa a se movimentar, leva apenas três ou quatro horas para que os lados esquerdo e direito sejam definidos.
A borda do nódulo é cercada de cílios que reagem ao fluxo sem girar. "Não sabemos os detalhes e a verdadeira mecânica do que acontece nessas células."
Os cílios podem então liberar átomos de cálcio que se espalham para as células circundantes. Estas reagem emitindo uma proteína chamada nodal, que se espalha pelo lado esquerdo do embrião, deixando-o inundado de nodal.

Jonathon Rosen/The New York Times


Pessoas com a mutação têm órgãos em posição invertida


"A nodal parece dizer diretamente às células do lado esquerdo para que se movam mais depressa que as da direita", disse a doutora Burdine.
As células rápidas do lado esquerdo puxam todo o coração no sentido horário. A partir desse giro inicial, o coração desenvolve seus lados esquerdo e direito diferenciados.
Alguns estudos sugerem que esses primeiros sinais também influenciam o desenvolvimento cerebral.
Os cientistas sabem, há muito tempo, que os dois lados do cérebro humano têm algumas diferenças importantes. O hemisfério direito, por exemplo, tem uma grande função na compreensão da vida mental das outras pessoas, já o hemisfério esquerdo é importante para focalizar a atenção.
Enquanto observam esses sinais biológicos, os cientistas também estudam distúrbios que podem estar ligados à sua desordem.
"Situs inversus", a inversão total dos órgãos que Baillie descreveu em 1788, talvez seja o distúrbio mais drástico, mas também é um dos menos prejudiciais.
A inversão é relativamente segura porque todos os órgãos se alinham. O verdadeiro perigo está nas inversões incompletas -"quando fica uma confusão, e as coisas não se ligam adequadamente", disse o doutor Norris.
Os casos mais preocupantes são os que afetam o coração. "Se o coração estiver no lugar errado, e todo o resto estiver certo, é quase sempre fatal", disse a doutora Burdine.
Ela espera que a pesquisa sobre os distúrbios de esquerda e direita leve a testes genéticos capazes de prever o risco de defeitos cardíacos ocultos. Ela até vê uma aplicação nas tentativas de reconstruir corações danificados com células-tronco.
"Vai ser mais que apenas fazer as células certas", disse ela, acrescentando que elas teriam de ser colocadas na estrutura tridimensional adequada e receber os sinais corretos sobre aonde ir.
"E um desses sinais é o sinal de direita/esquerda", disse.
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2013/06/1296439-estudo-de-assimetria-ajuda-tratamento-de-doencas.shtml

domingo, 21 de abril de 2013

Importânica do Iodo para o metabolismo.

16/04/2013 - 19h10

Anvisa aprova redução do teor de iodo no sal


JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA

A diretoria da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) aprovou a resolução que reduz os teores de iodo do sal.

A regra, que entra em vigor 90 dias após a publicação no "Diário Oficial da União", prevê a alteração da faixa atual --de 20 mg a 60 mg de iodo por quilo de sal-- para um teor de 15 mg a 45 mg/kg.

A agência acredita que o mercado conseguirá se adaptar facilmente, com base em uma análise segundo a qual 90% das marcas de sal já seguem o novo intervalo.
Denise Resende, gerente geral de alimentos da Anvisa, explica que a decisão foi tomada em conjunto com o Ministério da Saúde, com entidades do setor do sal e com organizações internacionais.

A proposta está baseada em estudos que identificaram níveis elevados de iodo na urina do brasileiro.

O consumo excessivo do nutriente pode causar disfunções na glândula tireoide, que produz hormônios reguladores do metabolismo.

A agência também usa dados do Ministério da Saúde que indicam que a inclusão do iodo no sal em patamares mais elevados, nas últimas décadas, teve o impacto desejado de reduzir a quantidade de pessoas com bócio (uma consequência da baixa ingestão de iodo).

Nos últimos 15 anos, será a terceira alteração feita nas proporções de iodo que deve ser acrescido ao sal.

Há especialistas que discordam da redução dos teores atuais e acreditam que a mudança terá impacto grande no país.

"É uma decisão errônea que coloca em risco a saúde das gestantes brasileiras e de seus bebês", afirma a endocrinologista Laura Ward.

Segundo ela, metade das gestantes já tem deficit de iodo, o que pode aumentar o risco de parto prematuro, abortos, anomalias congênitas e debilidade intelectual associada a alterações neurológicas.

"As pessoas estão consumindo muito sal, o que não só eleva a quantidade de iodo mas também causa hipertensão. O mais eficaz seria educar a população para que ela reduza o consumo de sal", diz Maria Izabel Chiamolera, membro da Sbem (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).

A Anvisa também foi criticada por alterar os valores sem esperar pela conclusão de uma pesquisa que vai avaliar a quantidade de iodo na urina de crianças no país para verificar em que pé está o consumo dessa substância.

Denise Resende, da agência, afirmou que a ideia original era esperar o fim do estudo, mas que já há a indicação de que a pesquisa não vai mudar o atual entendimento da questão. Por isso, optou-se por fazer logo a alteração.

Segundo ela, durante a consulta pública sobre o tema, 21 contribuições foram apresentadas. Só duas (de pessoas físicas) eram desfavoráveis à redução aprovada.
Para Chiamolera, a decisão foi precipitada.

"Não sei se há estudos suficientes para embasar essa decisão. A maior parte deles é feita na população urbana. Não sabemos se quem vive em áreas rurais tem excesso de iodo e se o país todo vai se beneficiar da medida."

William Mur/Editoria de Arte/Folhapress
 

Pós Bactérias o que vem por ai...

15/04/2013 - 03h00

Bactérias resistentes abrem a possibilidade de uma era pós-antibióticos


MARIANA VERSOLATO
ENVIADA ESPECIAL A UPPSALA (SUÉCIA)


"O mundo está prestes a perder essas curas milagrosas", já disse a diretora da OMS (Organização Mundial da Saúde), Margaret Chan, sobre os antibióticos.

Chan se referiu a um futuro tenebroso --e possível-- no qual infecções comuns não terão cura. É o que especialistas chamam de era pós-antibióticos.

Esses remédios têm como alvo as bactérias, mas esses micro-organismos sempre acham uma forma de sobreviver e se tornarem resistentes, o que pede o uso de novos medicamentos. Por isso, antibióticos têm um tempo determinado de validade.

O problema é que o arsenal terapêutico e o desenvolvimento de novas drogas só diminuiu nas últimas décadas. A última classe de antibióticos foi descoberta em 1987.

O mau uso dos antibióticos (seja sem necessidade ou por tempo e dose incorretos) e o maior tráfego global de bactérias resistentes pioram o cenário.

Neste ano, um relatório dos Centros de Controle de Doenças dos EUA chamou a atenção para o problema da gonorreia resistente às cefalosporinas, classe de antibióticos usados no tratamento dessa doença sexualmente transmissível.

Para retardar o surgimento de uma superbactéria resistente, os CDCs mudaram as diretrizes do tratamento, que agora deve combinar um remédio oral e outro injetável.

As bactérias causadoras da tuberculose também geram preocupação, assim como a KPC, resistente à maioria dos medicamentos e que normalmente atinge pessoas hospitalizadas.
Na semana passada, o Hospital de Clínicas da Unicamp anunciou que teve 11 casos de infecções pela KPC entre dezembro e março.

FALTA DE INVESTIMENTO

O corte em investimentos em pesquisa e desenvolvimento de antibióticos pelos laboratórios multinacionais se deve, em parte, a fusões recentes entre as grandes empresas do setor.

Segundo a OMS, 8 das 15 maiores farmacêuticas que tinham programas de descoberta de antibióticos abandonaram essa área --outras duas reduziram seus esforços.

Anna Sara Levin, coordenadora do grupo de controle de infecção hospitalar do Hospital das Clínicas da USP, lembra que drogas antigas para hipertensão e diabetes, desenvolvidas nos anos 1950, ainda funcionam, ainda que existam opções mais modernas.

"Já com os antibióticos, a resistência vai aparecer de qualquer maneira. Como as pesquisas são caras e levam tempo, a indústria vê isso como um mau negócio."

É nesse "vácuo" que médicos, pesquisadores e autoridades de saúde da Suécia veem "uma oportunidade e a responsabilidade" de oferecer soluções, segundo Linus Sandegren, pesquisador do departamento de bioquímica médica e microbiologia da Universidade de Uppsala, no norte da Suécia.

O país tem uma taxa baixa de resistência a antibióticos, mas cinco universidades na região de Estocolmo e Uppsala desenvolvem mais de 30 projetos de estudo nessa área.
"O país percebe que a resistência é um problema enorme e que é preciso investir dinheiro agora para evitar uma catástrofe depois", afirma Anna Zorzet, diretora-executiva-assistente do ReAct, uma rede global independente contra a resistência a antibióticos, sediada na Universidade de Uppsala.

Em 2012, o primeiro-ministro sueco anunciou um investimento de US$ 220 milhões para os quatro anos seguintes em pesquisas nessa área.

As investigações incluem o desenvolvimento de novas drogas e a revisão de medicamentos antigos ou que foram descartados anteriormente.

Um dos estudos clínicos, no Hospital Universitário de Uppsala, pretende determinar regimes de dosagem ideais de antibióticos e testar combinações de drogas existentes contra bactérias multirresistentes.

NOVA GERAÇÃO

Mas só o lançamento de novos antibióticos no mercado não vai resolver o problema da resistência a antibióticos, segundo Diarmaid Hughes, professor de bacteriologia molecular médica da Universidade de Uppsala.

"É necessário antes aprender sobre o uso e o abuso de antibióticos das últimas décadas que fizeram o problema da resistência chegar nesse estado atual; chegar à raiz do problema antes do possível mau uso de uma nova geração de antibióticos."

Anna Sara Levin, do HC, toca no mesmo ponto. "Para não vivermos uma situação catastrófica no futuro, a solução é a prevenção. Isso inclui o uso racional dos antibióticos e o controle das infecções hospitalares."

Segundo ela, a maior parte do problema no Brasil não está na geração desses micro-organismos resistentes mas sim na sua transmissão.

"Cada 'monstro' gerado é disseminado para outros pacientes e outros hospitais. Por isso, é primordial melhorar a qualidade dos serviços de saúde."

Editoria de arte/Folhapress
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/04/1262596-bacterias-resistentes-abrem-a-possibilidade-de-uma-era-pos-antibioticos.shtml

Malhar de mais é bom??? Tem que ter Equilíbrio.

16/04/2013 - 03h00

Adolescentes que malham demais podem ser vítimas de transtorno psiquiátrico


AMANDA LOURENÇO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

A rotina do estudante carioca M.V., 15, inclui musculação seis vezes por semana e pesquisa diária na internet sobre exercícios e suplementação alimentar. Tudo para ficar maior e mais forte.

O adolescente pesa 78 quilos e tem 1,81 m. "Não acho que 15 anos seja muito cedo para malhar. Quanto mais eu treinar, mais facilmente chegarei à meta." A meta, no caso, é aumentar o diâmetro do seu braço de 39 cm para 55 cm.

A página de M.V. no Facebook é igual a de muitos meninos dessa idade: cheia de fotos de corpos musculosos, frases motivacionais e chacotas com "frangos" ou "filés de borboleta" (jovens sem os músculos estufados, típicos de quem vive em academia).

Estudo feito com 1.307 adolescentes e publicado no jornal americano "Pediatrics", em novembro de 2012, constatou que 90% deles se exercitam para ganhar músculos. A enquete foi feita em Minesota (EUA), mas os dados podem ser extrapolados todo o país, diz a pesquisa.

Até aí, tudo bem. A questão, mostram estudos internacionais e locais, é que a insatisfação dos meninos com seus corpos está em alta e, é claro, ligada à malhação exagerada. Exemplo: em pesquisa da Universidade Federal de Santa Catarina com 641 jovens de 11 a 17 anos, 54,3% dos garotos se declararam insatisfeitos com sua imagem.

O educador físico Marcus Zimpeck observa a tendência em academias paulistanas: "Vários adolescentes que querem ganhar corpo exageram, mas nem se dão conta".

Edson Lopes Jr./Folhapress
O estudante G.P., 17, na academia onde treina, na Grande São Paulo

NO ESPELHO

O hebiatra (médico especializado em adolescência)Alberto Mainieri, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, concorda: "Há um crescente exagero não só na frequência do esforço muscular como na intensidade. Não são mais casos isolados". Segundo ele, o excesso de treinamento nessa fase da vida é perigoso e pode caracterizar vigorexia.

"É um vício que vai aos poucos interferindo na vida social", afirma Zimpeck. O instrutor acha que o transtorno está subdiagnosticado.

Quem tem o distúrbio nunca se satisfaz com o corpo que tem e treina obsessivamente. "Muitos pesquisadores consideram a vigorexia um subtipo de dismorfofobia", diz o psiquiatra Celso Alves dos Santos Filho, do Programa de Atenção aos Transtornos Alimentares da Unifesp.

A dismorfofobia é uma alteração na autoimagem. No espelho, a pessoa se enxerga de forma negativa, o que não condiz com a realidade.

É o que relata o estudante G.P., 17: "Todo mundo diz que estou bem assim: ganhei 12 quilos de músculos em oito meses, mas, quando me olho, não gosto do que vejo. Em algumas fotos até me acho mais forte, mas depois olho melhor e vejo que ainda falta muito". Ele pesa 70 quilos e quer chegar aos cem. "Mas, se ainda estiver ruim, subirei a meta para 109 quilos", diz.

G.P. admite que pensa nos treinos em tempo integral e que os amigos reclamam do seu novo hábito. Ele se sente culpado se não puder malhar. "Se falto, penso que vou perder muito peso e não vou atingir nunca minha meta."

A vida social de G.P. também foi alterada pelos treinos: "Só volto para as baladas quando ficar mais forte".

O surgimento do transtorno nessa faixa etária é favorecido pelas alterações físicas e psicológicas que ocorrem. "Adolescentes sentem necessidade constante de aceitação, até da aparência. Não é à toa que dismorfofobia e vigorexia têm início nessa fase", diz o psiquiatra.

A psicanalista Dirce de Sá Freire, membro do Círculo Psicanalítico do Rio de Janeiro, vê nessa dedicação ao físico uma demonstração de autodomínio: "O adolescente abraça a teoria de que o corpo pode ser moldado numa tentativa de controlar a própria vida, já que não pode controlar seu entorno".

O diagnóstico de vigorexia é difícil. A fisiatra Isabel Chateubriand, coordenadora da Reabilitação do Hospital Sírio-Libanês, diz atender pacientes com lesões causadas por excesso de musculação em um quadro claramente vigoréxico: "Explico ao jovem que está treinando errado e tem transtorno de imagem, mas ele não aceita. O máximo que faz é mudar temporariamente o treino até resolver o problema específico da lesão que o fez buscar ajuda".

As consequências desses excessos são difíceis de prever. "A curto prazo não identificamos os malefícios no corpo, pois aos olhos da sociedade o paciente é saudável, faz esporte. Se não fizermos os exames certos, nem saberemos que há alterações, já que adolescentes têm uma reserva de energia muito grande", diz Chateubriand.

D. D., 15, montou uma academia em casa e prepara suas séries sozinho: "Não preciso de instrutor. Qualquer dúvida, consulto a internet", argumenta ele, que treina há um ano, quatro vezes por semana, mas só exercita a parte superior, por causa de uma cirurgia para retirar um tumor na tíbia, feita aos 11 anos.

A mãe de D. D. diz se preocupar com o filho: "Os jovens de hoje querem ficar muito musculosos. Acho perigoso ele tomar suplementos, mas D. não me ouve". A dieta proteica que ele segue foi escolhida com base em informações recolhidas da internet.

METROS DE TÓRAX

Alguns dos adolescentes entrevistados para a reportagem pretendem participar de campeonatos de fisiculturismo, como I.C., 17, que acabou o segundo grau e quer estudar educação física.

Ele treina os sete dias da semana e conta que seus pais não aprovam isso: "Eles dizem que se eu ficar maior vou ficar feio, mas discordo. Ficarei como me sentir bem; meu objetivo é chegar aos dois metros de tórax", provoca.

O desejo de ganhar músculos em pouco tempo, passando por cima da genética, leva jovens a recorrerem a anabolizantes, é lógico --apesar de o tema ser tabu, mesmo para entrevistados protegidos pelo anonimato: "Desculpe, não falo sobre isso", diz I.C.

Zimpeck alega que a maior parte dos adolescentes que diz querer ser atleta de "bodybuilding" não sabe onde está se metendo: "Desconhecem como é difícil ser fisiculturista, ainda mais no Brasil, onde não se ganha para isso".

G. P. nunca pensou em ser fisiculturista. Seu interesse é ficar mais atraente mesmo: "Acho legal chegar na escola bem grande e os colegas comentarem. Eu me sinto mais seguro. É um sacrifício, mas acho que vale a pena".

Para Chateubriand, adolescentes obcecados por músculos cumprem o papel social imposto a eles: "São fruto das nossas crenças, estão sendo coerentes. É preciso mudar o conceito de exercício, de estética para saúde".

Editoria de Arte/Folhapress
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2013/04/1262857-adolescentes-que-malham-demais-podem-ser-vitimas-de-transtorno-psiquiatrico.shtml

Agenda Ambiental 2013



Por Dener Giovanini :

Um calendário com alguns eventos ambientais programados para acontecer ao longo do ano no Brasil e no mundo. São cursos, simpósios, congressos, feiras e festivais onde é possível refletir um pouco mais sobre como reduzir os impactos causados pelo ser humano na natureza.

ABRIL
Gestão
Ambientur: Simpósio Nacional sobre Gestão Ambiental de Empreendimentos Turísticos
24 a 26 de abril em Bento Gonçalves, Brasil
http://ambientursimposio.wordpress.com/
Gestão
II Encontro dos Municípios com o Desenvolvimento Sustentável
23 a 25 de abril em Brasília, Brasil
http://www.emds.fnp.org.br/
Fauna
II Congresso Internacional Transdisciplinar de Proteção à Fauna
25 e 26 de abril em Goiânia, Brasil
http://www.congressofauna.com.br/secao.php?categoria=Apresentacao
Água
2013 NGWA Summit (The National and International Conference on Groundwater)
28 de abril a 2 de maio em San Antonio, EUA
http://groundwatersummit.org/

MAIO
Energia Solar
Solar Expo 2013
8 a 10 de maio em Milão, Itália
http://www.enfsolar.com/event/profile/exhibition/13
Florestas
International Conference on Forests for Food Security and Nutrition
13 a 15 de maio em Roma, Itália
http://www.fao.org/forestry/food-security/en/
Água
Hydro Eco 2013 (4th International Multidisciplinary Conference on Hydrology and Ecology: Emerging Patterns, Breakthroughs and Challenges)
13 a 16 de maio em Rennes, França
http://osur.univ-rennes1.fr/HydroEco2013/
Água
7º Encontro Internacional das Águas
15 a 17 de maio em Recife, Brasil
http://www.unicap.br/aguas/
Educação
Ciclo de Conferências BIOTA-FAPESP 2013 (Bioma Cerrado)
16 de maio em São Paulo, Brasil
http://www.fapesp.br/biotaeduc
Biologia Marinha
4º Congresso Brasileiro de Biologia Marinha
19 a 23 de maio em Florianópolis, Brasil
http://www.abbm.net.br/congressos-da-abbm/cbbm
Educação
X Semana de Engenharia Ambiental
20 a 24 de maio em São Carlos, Brasil
http://www.eescsea.com/
Urbanismo
XV Encontro da ANPUR (Desenvolvimento, Planejamento e Governança)
20 a 24 de maio em Recife, Brasil
http://www.xvenanpur.com.br/index.php
Resíduos
5º Congresso Interamericano de Resíduos Sólidos
22 a 24 de maio em Lima, Perú
http://apis.org.pe/vcongreso2013/
Tecnologia
III Simpósio de Meio Ambiente e Tecnologia Florestal
22 a 24 de maio em São Carlos, Brasil
http://simatef.wix.com/simatef2013
Debate
X Congresso Nacional de Meio Ambiente de Poços de Caldas
22 a 24 de maio em Poços de Caldas, Brasil
http://www.meioambientepocos.com.br/portal/
Água
11º SILUSBA (Simpósio de Hidráulica e Recursos Hídricos dos Países de Língua Portuguesa)
27 a 30 de maio em Maputo, Moçambique
http://silusba2.wordpress.com/2012/06/03/11o-silusba/
Resíduos
4th China Solid Waste Summit 2013
30 e 31 de maio em Shanghai, China
http://www.solidwastesummit.com/

JUNHO
Start-ups
Eco Summit 2013
4 e 5 de junho em Berlim, Alemanha*
*O mesmo evento acontece em outubro, dias 15 e 16, na cidade de Londres
http://ecosummit.net/about
Urbanismo
New Cities Summit 2013
4 a 6 de junho em São Paulo, Brasil
http://www.newcitiesfoundation.org/
Florestas e Agropecuária
I Simpósio de Ciências Agrárias da Amazônia
5 a 7 de junho em Santarém, Brasil
http://agroevento.com/agenda/i-simposio-ciencias-agrarias-amazonia/
Tecnologia
Eco Feira 2013: Ideias e Práticas Sustentáveis
5 a 7 de junho em Cascavel, Brasil
http://www.portalarbore.com.br/web/?p=event&f=view&id=47
Recuperação
Fórum Brasil de Restauração Ecológica e de Áreas Degradadas
9 a 11 de junho em Viçosa, Brasil
http://www.cbcn.org.br/forum/o-evento.php
Educação
7th World Environmental Education Congress (Environmental Education in Cities and Rural Areas: Seeking Greater Harmony)
9 a 14 de junho em Marrocos, África
http://www.weec2013.org/en/
Áreas Protegidas
5th Symposium for Research in Protected Areas
10 a 12 de junho em Mittersill, Áustria
http://www.hohetauern.at/en/research/forschungssymposien.html
Mobilidade Urbana
Velo-City 2013
11 a 14 de junho em Viena, Áustria
http://velo-city2013.com/
Agricultura
Expo Sustentat
13 e 14 de junho no Rio de Janeiro, Brasil
http://www.organicsnet.com.br/2013/03/agricultura-sustentavel-e-tema-da-exposustentat/
Educação
Ciclo de Conferências BIOTA-FAPESP 2013 (Bioma Caatinga)
20 de junho em São Paulo, Brasil
http://www.fapesp.br/biotaeduc
Gestão
IX Congresso Nacional de Excelência em Gestão
20 a 22 de junho no Rio de Janeiro, Brasil
http://www.excelenciaemgestao.org/pt/ix-cneg.aspx
Economia
III Conferência Sul-Americana de Contabilidade Socioambiental
27 e 28 de junho em Belém, Brasil
http://csearsouthamerica.org/2013/en

JULHO
Cinema
FICA 2013 (Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental)
2 a 7 de julho em Goiás, Brasil
http://fica.art.br/sem-categoria/fica-2013-vai-sediar-encontro-anual-do-greenfilmnetwork/
Transportes
Mobilidade Sustentável para um Brasil Competitivo (Seminário Nacional NTU 2013)
4 e 5 de julho em São Paulo, Brasil
http://www.eventosdantu.com.br/seminario2013/
Gestão
ELCAS-3 (3rd International Exergy, Life Cycle Assessment, and Sustainability Workshop & Symposium)
7 a 9 de julho em Nisyros, Grécia
http://www.elcasnet.com/
Educação
IX Convenção Internacional sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento
8 a 12 de julho em Havana, Cuba
http://www.eventosemcuba.com.br/calendario/2013/meioambiente13.html
Transportes
XIII World Conference on Transport Research (WCTR 13 Rio de Janeiro)
15 a 18 de julho no Rio de Janeiro, Brasil
http://www2.wctr2013rio.com/
Energia
Eco Energy (Congresso Internacional de Energias Limpas e Renováveis para Geração de Energia)
17 a 19 de julho em São Paulo, Brasil
http://www.ecoenergy.tmp.br/
Biodiversidade
IV Simpósio da Biodiversidade 2013
17 a 19 de julho em Viçosa, Brasil
http://www.simposiodabiodiversidade.com.br/
Conservação
26th International Congress for Conservation Biology (ICCB 2013)
21 a 25 de julho em Baltimore, EUA
http://www.conbio.org/mini-sites/iccb-2013
Pesquisa
65ª Reunião Anual da SBPC (Ciência para o Novo Brasil)
21 a 26 de julho em Recife, Brasil
http://www.sbpcnet.org.br/recife/home/
Tecnologia
V Seminário sobre Tecnologias Limpas
29 a 31 de julho em Porto Alegre, Brasil
http://www.abes-rs.org.br/tecnologias2013/
Água
24ª Feira e Congresso Nacional de Saneamento e Meio Ambiente
30 de julho a 1 de Agosto em São Paulo, Brasil
http://www.fenasan.com.br/

AGOSTO
Ecologia
Ecology: Into the next 100 years (11th INTECOL Congress)
18 a 23 de agosto em Londres, Reino Unido
http://www.intecol2013.org/
Educação
Ciclo de Conferências BIOTA-FAPESP 2013 (Bioma Mata Atlântica)
22 de agosto em São Paulo, Brasil
http://www.fapesp.br/biotaeduc
Debate
Sustentar 2013 (6º Fórum Internacional pelo Desenvolvimento Sustentável)
29 e 30 de agosto em Belo Horizonte, Brasil
http://www.sustentar.net/
Gestão
I Congresso Internacional de Inovação e Sustentabilidade
29 e 30 de agosto em São Paulo, Brasil
http://www.ciis.com.br/

SETEMBRO
Mobilidade Urbana
Eco Mobility World Festival
Durante todo o mês de setembro em Suwon, Coreia do Sul
http://www.ecomobilityfestival.org/
Clima e Agricultura
VII Reunião Latino-Americana de Agrometeorologia
2 a 6 de setembro em Belém, Brasil
http://www.sbagro.org.br/index.php
Ecologia
XI Congresso de Ecologia (Biodiversidade e Sustentabilidade)
15 a 19 de setembro em Porto Seguro, Bahia
http://www.xiceb.com.br/pt_BR/programacao.php
Água
27º Congresso Brasileiro de Engenharia Sanitária e Ambiental
15 a 19 de setembro em Goiânia, Brasil
http://www.abes.locaweb.com.br/XP/XP-EasyPortal/Site/XP-PortalPaginaShow.php?id=695&min=0
Educação
Eco Internacional Ambiental 2013
16 a 22 de setembro em Salvador, Brasil
http://www.multifeirascongressos.com.br/eco/2013/eco2013.html
Conservação
15th Annual BIOECON Conference (Conservation and Development: Exploring Conflicts and Challenges)
18 a 20 de setembro em Cambridge, Reino Unido
http://www.bioecon-network.org/pages/15th_2013.html
Educação
Ciclo de Conferências BIOTA-FAPESP 2013 (Bioma Amazônia)
19 de setembro em São Paulo, Brasil
http://www.fapesp.br/biotaeduc
Urbanismo
Eco City World Summit
25 a 27 de setembro em Nantes, França
http://www.ecocity-2013.com/en?from=CBCS
Tecnologia
VIII Encontro Latino-Americano de Conforto no Ambiente Construído
25 a 27 de setembro em Brasília, Brasil
http://www.encac2013.unb.br/
Energia Solar
EU PVSEC 2013 (28th European PV Solar Energy Conference and Exhibition)
30 de setembro a 4 de outubro em Paris, França
http://www.photovoltaic-conference.com/

OUTUBRO
Solo e Água
III Congresso Internacional de Meio Ambiente Subterrâneo e VIII FENÁGUA (Feira Nacional de Água)
1 a 6 de outubro em São Paulo, Brasil
http://www.abas.org/cimas/pt/
Recuperação
5th World Conference on Ecological Restoration (Reflections on the past, Directions for the future)
6 a 8 de outubro em Madison, EUA
http://www.ser2013.org/
Resíduos
ISWA World Congress 2013 (International Solid Waste Association)
7 a 11 de outubro em Viena, Áustria
http://www.iswa2013.org/EN/StartpageEN.aspx
Água
ECSA 53 (Estuaries and Coastal Areas in Times of Intense Change)
13 a 17 de outubro em Shanghai, China
http://www.estuarinecoastalconference.com/
Áreas Protegidas
3rd International Marine Protected Areas Congress
21 a 27 de outubro em Marselha e Córsega, Mediterrâneo
http://www.aires-marines.com/International/IMPAC3
Educação
Ciclo de Conferências BIOTA-FAPESP 2013 (Ambientes Marinhos e Costeiros)
24 de outubro em São Paulo, Brasil
http://www.fapesp.br/biotaeduc
Resíduos
IV Conferência Nacional de Meio Ambiente (Política Nacional de Resíduos Sólidos)
24 a 27 de outubro em Brasília, Brasil
http://www.mma.gov.br/informma/item/8710-iv-cnma-foca-res%C3%ADduos-s%C3%B3lidos

NOVEMBRO
Água
XX Simpósio Brasileiro de Recursos Hídricos (Água, Desenvolvimento Econômico e Socioambiental)
17 a 22 de novembro em Bento Gonçalves, Brasil
http://www.abrh.org.br/xxsbrh/
Educação
Ciclo de Conferências BIOTA-FAPESP 2013 (Biodiversidades em Ambientes Antrópicos – Urbanos e Rurais)
21 de novembro em São Paulo, Brasil
http://www.fapesp.br/biotaeduc
Educação
Fórum Mundial de Ciência (Ciência para o Desenvolvimento Global)
25 e 26 de novembro no Rio de Janeiro, Brasil
http://fmc.cgee.org.br/

DEZEMBRO
Geologia
14º Congresso Brasileiro de Geologia de Engenharia Ambiental
1 a 6 de dezembro no Rio de Janeiro, Brasil
http://www.acquacon.com.br/14cbge/home
Infraestrutura de Transportes
TranspoQuip Latin America 2013 (Encontro das Indústrias de Infraestrutura para Transporte via Terra, Água e Ar)
3 a 5 de dezembro em São Paulo, Brasil
http://www.transpoquip.com.br/organizers.html

http://blogs.estadao.com.br/dener-giovanini/agenda-ambiental-2013/

sexta-feira, 12 de abril de 2013

Os mais antigos embriões de dinossauro

11/04/2013 - 12h36

Paleontólogos descobrem os mais antigos embriões de dinossauro


REINALDO JOSÉ LOPES
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Os fósseis são minúsculos, com no máximo alguns centímetros, mas acabam de bater dois recordes: são, ao mesmo tempo, os mais antigos embriões de dinossauros já descobertos e os que registram o estágio embrionário mais inicial, proporcionando uma visão única sobre o começo da vida desses monstros pré-históricos.

Como acontece com muitos dos achados mais importantes sobre esses animais nos últimos tempos, a descoberta vem da China. Os fósseis, com 195 milhões de anos, foram achados na província de Yunnan (centro-sul do país) e descritos por uma equipe internacional de paleontólogos, liderada por Robert Reisz, da Universidade de Toronto (Canadá).

D. Mazierski/Divulgação


Concepção artística de embrião de dinossauro achado por paleontólogos na China

Tudo indica que os embriões pertenciam ao gênero Lufengosaurus, cujos adultos podiam chegar aos 9 metros de comprimento e a quase duas toneladas.

Esses animais eram formas primitivas do grupo dos sauropodomorfos, célebres pelos enormes herbívoros quadrúpedes e pescoçudos --embora, na época dos embriões, o começo do Jurássico, muitas espécies também adotassem a postura bípede de vez em quando.

No artigo científico descrevendo os achados, publicado nesta semana na revista britânica "Nature", os pesquisadores contam que os fósseis de embriões estavam espalhados numa camada de espessura entre 20 cm e 10 cm, desarticulados (ou seja, os ossinhos não estavam mais ligados entre si), mas em bom estado de preservação, incluindo pedaços da casca dos ovos que os abrigavam.

A análise da anatomia dos ossos logo deixou claro que não eram apenas dinossaurinhos recém-nascidos, mas verdadeiros embriões. São coisas como pequenos dentes que ainda estavam ocultos dentro da boca e ossos cuja superfície ainda não estava fechada, por exemplo.

O que mais chamou a atenção dos paleontólogos foi o elevado grau de vascularização (ou seja, presença de vasos sanguíneos) nos ossinhos, o que indica uma taxa de crescimento muito alta no interior do osso.

"A alta vascularização indica que o embrião recebia apreciáveis quantidades de nutrientes e altas taxas de oxigenação, o que, em última análise, auxiliava em um rápido crescimento", explica o paleontólogo Reinaldo José Bertini, da Unesp (Universidade Estadual Paulista) de Rio Claro.

E, segundo a pesquisa, isso também implicaria numa saída relativamente rápida do ovo. "Infelizmente não dá para determinar um tempo de eclosão. Mas, como são ovos maiores do que os de uma galinha e menores do que os de um avestruz, seria razoável sugerir um período intermediário [ou seja, entre 21 dias e 45 dias]", afirmou Reisz à Folha.
http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/1260900-paleontologos-descobrem-os-mais-antigos-embrioes-de-dinossauro.shtml

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Inconsciente comanda nossas decisões


09/04/2013 - 03h40

Inconsciente comanda nossas decisões, mostram pesquisas


LILIANE ORAGGIO
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Subliminar é o termo para qualificar ações, informações e sentimentos que ocorrem abaixo do limite da consciência e é também o título do novo livro do físico americano Leonard Mlodinow.

'Nossos julgamentos são afetados por sentimentos que não percebemos
Opinião: 'Escreveu, não leu...'

Nesse novo best-seller, o autor de "O Andar do Bêbado" reúne pesquisas para atestar que até as escolhas e decisões que nos parecem mais objetivas são forjadas no inconsciente. Mais que isso, ele incita o leitor a dar mais crédito aos pressentimentos que surgem do "lado escuro da mente".

"Ex" lado escuro, melhor dizer. Na visão do físico, as tecnologias que permitem o mapeamento do cérebro --vivo e em funcionamento-- estão mudando a compreensão sobre a atividade que ocorre abaixo da consciência.

A existência de uma vida inconsciente paralela e poderosa não é novidade há mais de um século. A novidade é que agora ela pode ser medida "com algum grau de precisão", como diz Mlodinow, que vê aí uma nova "ciência do inconsciente".

Para a maioria dos mortais, é difícil admitir que o inconsciente está no comando. "Somos tão frágeis que precisamos inventar justificativas lógicas para as escolhas", afirma o analista junguiano Roberto Gambini, de São Paulo.

"O melhor é aceitar que o consciente é permeado pelo inconsciente. E haverá sempre uma parte que vai permanecer misteriosa. Nem toda a tecnologia é capaz de mudar isso. Mas é possível diluir essas fronteiras e colocar essa capacidade de perceber o subliminar a nosso favor, quando prestamos atenção aos sonhos ou dedicamos um tempo para meditar."

PALPITES

Cientistas que dirigem as pesquisas de ponta consideram que o "novo inconsciente" é totalmente enraizado em funções orgânicas e essa seria a chave para compreender as emoções humanas.

Não há consenso sobre isso, naturalmente: "É absurdo pensar que entender as funções cerebrais é suficiente para lidar com os sentimentos", diz Lídia Aratangy, psicanalista formada em biologia médica.

Em um ponto os "psis" e o físico concordam: "O inconsciente é otimista", diz Mlodinow. "Ele nos torna mais completos e aptos para seguir na evolução da consciência", acredita Gambini. Aratangy completa: "Reconhecer os palpites do inconsciente pode nos ajudar a fazer escolhas melhores".

Editoria de Arte/Folhapress

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1259182-inconsciente-comanda-nossas-decisoes-mostram-pesquisas.shtml