sexta-feira, 18 de maio de 2012

Tratamento tenta retardar envelhecimento com hormônios

18/05/2012 - 11h23

Executivos nos EUA tentam retardar envelhecimento com hormônios

DA BBC BRASIL

Executivos e profissionais nos Estados Unidos vêm procurando um polêmico e caro tratamento de reposição hormonal para combater efeitos normalmente associados ao estresse e ao envelhecimento.
Com pouco mais de 30 anos, o executivo americano J.G. começou a se sentir deprimido e ansioso. Tinha dificuldades para dormir, sua libido já não era mais a mesma e, por mais que se esforçasse na academia e cuidasse da alimentação, não conseguia atingir os resultados que queria.
"O trabalho também ia mal. Ter que lidar com o estresse, e a competição ampliava os sintomas, quando não era combustível para eles", conta o executivo, que pediu para não ter seu nome divulgado."Isso acabava com o desejo e ambição de ser bem-sucedido", disse.
Depois de tentar tratamentos com antidepressivos e ansiolíticos, J.G. aceitou o conselho de um colega de academia e começou a fazer reposição hormonal por conta própria.
Mesmo sem consultar um médico, experimentou tomar uma pequena dose de testosterona, um hormônio secretado pelos testículos do homem e em menor quantidade pelos ovários da mulher. Sua concentração no corpo masculino diminui com a idade e devido a problemas de saúde. "Tomei minha primeira dose e, uau, pareceu que tudo deu uma volta de 180 graus", disse o executivo à BBC Brasil.
Desconfiado de que poderia estar sofrendo com os sintomas do declínio de testosterona em seu corpo, procurou um médico. Após alguns exames, ele receitou uma terapia de reposição hormonal.
Atualmente com 40 anos, J.G. segue com o tratamento. Duas vezes por semana, injeta em si mesmo pequenas doses de testosterona e garante que sua vida melhorou em vários aspectos.
"Pergunte à minha namorada modelo de 27 anos", brinca o executivo, que dirige uma consultoria de administração de capital de risco em Nova York.
Apesar dos elogios ao tratamento, alguns médicos têm dúvidas quanto à eficácia e eventuais danos colaterais do uso de hormônios, que poderiam incluir câncer e problemas no coração.













Cenegenics
  A Cenegenics diz que o 'antes' e 'depois' do médico Jeffrie Life não é montagem
 
HORMÔNIOS
A deficiência de testosterona entre homens pode estar ligada a problemas congênitos, doenças, estresse e efeitos colaterais de certos medicamentos.
Além disso, a partir dos 30 anos de idade, inicia-se um declínio gradual da produção do hormônio no organismo.
A maior parte da testosterona utilizada em terapias de reposição hormonal é produzida em laboratório a partir de vegetais como soja e inhame.
Embora o tratamento mais comum para a deficiência de testosterona causada por problemas de saúde seja a reposição hormonal, não há estudos conclusivos sobre a eficácia da injeção do hormônio no combate a sintomas normalmente associados à idade.
Mesmo assim, um grande número de médicos defende os benefícios do tratamento no combate ao envelhecimento. Eles vêm oferecendo terapias de reposição hormonal a pacientes que se queixam de fadiga, de dificuldades para perder peso, de concentração e de redução da libido.
Entre eles está Lionel Bissoon, que ficou conhecido por desenvolver um tratamento para celulite e atualmente administra um programa de reposição hormonal para homens e mulheres em sua clínica em Nova York.
Segundo ele, até meados da década passada, a maior parte de seus pacientes era formada por mulheres entre 45 e 69 anos. Mas a situação se inverteu. Atualmente, cerca de 85% é de homens entre 30 e 69 anos, muitos deles executivos de Wall Street.
"As maiores queixas dos homens são fadiga, cansaço e dificuldades de concentração. Alguns reclamam de dores musculares. Muitos não têm interesse em sexo. Alguns sentem que não são mais quem costumavam ser", disse Bissoon à BBC Brasil.
O médico conta que, após uma bateria de exames, o paciente pode iniciar o tratamento. A reposição hormonal pode ser feita por meio de injeções, adesivos ou via oral. O próprio paciente aplica suas doses de testosterona.
"Eu ensino meus pacientes a se aplicarem, é bem fácil. Não é possível para um executivo ocupado ter que ir a um consultório para tomar uma injeção duas ou três vezes ao mês, não é prático", diz.
CUSTOS
O grande interesse dos homens por tratamentos de reposição hormonal não se restringe a Nova York.
Na filial que serve os Estados americanos da Carolina do Sul e da Carolina do Norte da rede de clínicas Cenegenics, por exemplo, 68% dos pacientes são homens entre 35 e 70 anos.
"Está se tornando mais comum homens mais jovens, com pouco mais de 30 anos (procurarem o tratamento)", diz Michale Barber, médica e diretora-executiva da Cenegenics Carolinas.
Embora a aplicação dos hormônios possa ser feita pelo próprio paciente, é necessário que ele passe por um acompanhamento periódico por médicos e seja submetido a exames regularmente, o que pode aumentar os custos do tratamento.
Para realizar um tratamento hormonal de combate aos efeitos do envelhecimento na Cenegenics, é preciso desembolsar em média US$ 1 mil por mês.
"Os nossos pacientes estão pagando pelo acesso a médicos, fisiologistas, nutricionistas e acompanhamento de laboratório", diz Barber.
Com 20 centros médicos espalhados pelos Estados Unidos e mais de 20 mil pacientes, a Cenegenics usa como garoto-propaganda o médico Jeffry Life, que atua na empresa e é paciente do programa de combate aos efeitos do envelhecimento.
Para mostrar os resultados do tratamento, a empresa usa fotos e vídeos ao estilo "antes e depois" de Life.
Na primeira foto, o médico aparece com um corpo comum para um homem de meia-idade. A outra é uma dessas imagens que à primeira vista parecem montagens (a empresa garante que não é) e mostra a mesma pessoa com um corpo de fisiculturista.
CÂNCER
Apesar dos efeitos aparentemente milagrosos, ainda restam dúvidas sobre a segurança dos tratamentos de reposição hormonal para combater os efeitos do envelhecimento em homens saudáveis.
Embora os médicos adeptos da terapia garantam que ela é segura e pode prevenir doenças, outros apontam que ela pode estimular o desenvolvimento de câncer de próstata e causar problemas cardíacos.
Além disso, pesquisas apontam entre os possíveis efeitos colaterais do tratamento atrofia dos testículos e infertilidade, problemas hepáticos, retenção de líquidos, acne e reações de pele, ginecomastia (crescimento anormal das mamas em homens) e apneia do sono.
Embora tratamentos do tipo estejam sendo utilizados nos EUA desde a década de 1990, há poucos estudos amplos sobre seus efeitos e riscos.
Em 2009, o National Institute of Health dos Estados Unidos deu início a um amplo estudo sobre os efeitos do tratamento de reposição de testosterona em homens acima de 65 anos. Os primeiros resultados, no entanto, devem ser divulgados só em junho de 2015.
Enquanto isso, um relatório publicado em 2004 pelo Instituto de Medicina da Academia Nacional de Ciências dos Estados Unidos, órgão de consultoria do governo americano, alerta para a falta de pesquisas conclusivas sobre o tema.
"Apesar da crescente popularidade do tratamento com testosterona, não há uma quantidade considerável de dados que sugiram a eficácia da terapia de testosterona em homens mais velhos que não se encaixam na definição clínica de hipogonadismo. Além disso, os efeitos da testosterona na próstata e suas implicações para o câncer inspiram cuidados no uso não terapêutico extensivo", diz o documento.
 http://www1.folha.uol.com.br/bbc/1092222-executivos-nos-eua-tentam-retardar-envelhecimento-com-hormonios.shtml

sábado, 5 de maio de 2012

Poluição sonora atrapalha 'diálogo' de aves

02/05/2012 - 09h53

Poluição sonora atrapalha 'diálogo' de aves

LUIS CORVINI
COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Você odeia ser interrompido durante uma boa conversa com os amigos? Agora imagine se isso acontecesse o tempo todo. Deve ser assim que os psitacídeos, passarinhos como os papagaios, os periquitos e as araras, se sentem no cerrado brasileiro.
Quem identificou possíveis interferências na comunicação entre os bichos foi o biólogo Carlos Barros de Araújo, em sua tese de doutorado na Unicamp. Após sete anos de pesquisa de campo nos Estados de Goiás e Tocantins e no Distrito Federal, Araújo demonstra que essas aves conseguem "bater um papinho" a distâncias de até 1,5 km.
Essa comunicação de longo alcance faz parte da dinâmica de vida dos bichos, que se separam em bandos pequenos durante o dia para se alimentar e avisam uns aos outros onde achar comida. "O que você vê em campo são esses pequenos bandos se juntando e se separando constantemente."
Proteger o grupo contra inimigos e afastar possíveis rivais também são outras utilidades dessa comunicação.

Divulgação
 Casal de periquito-do-encontro-amarelo (Brotogeris chiriri), no Parque Nacional de Brasí­lia. Espécie foi uma das estudadas sobre o prejuí­zo causado pela poluição sonora humana na comunicação entre os psitacídeos


Segundo Araújo, já foi possível identificar notas emitidas em contextos específicos, como a sinalização feita por sentinelas. "Um indivíduo fica na copa da árvore observando a presença de predadores e emitindo um som de intensidade baixa. Quando um deles se aproxima, o sentinela emite uma nota de alarme para avisar aos demais."
A interferência do homem, no entanto, tem reduzido a distância na comunicação entre os animais de 1.500 m para menos de 50 m.
"Se você corta a comunicação, você corta a capacidade de informar onde tem alimento. [A ave] vai ter uma menor probabilidade de sobrevivência e de reprodução", afirma o biólogo.
A interferência sonora pode até fazer o animal mudar seu canto. "Muitas espécies passam a cantar em frequências mais agudas e com uma maior intensidade quando submetidas a ruídos de grande intensidade."
As medições realizadas pelo biólogo foram feitas em fazendas e também na Universidade de Brasília, um ambiente urbano mas bem tranquilo se comparado ao centro de grandes cidades. Mesmo assim, já foi percebida a grande redução no raio de comunicação entre as aves.
Barreiras sonoras em rodovias e avenidas perto de áreas onde os bichos vivem podem ajudar a protegê-los.
"Ao lado do Parque Nacional de Brasília passa uma grande rodovia. Em uma área que tem 80 decibéis de ruído é claro que os pássaros serão afetados de alguma forma."
A próxima etapa do trabalho, que centrou esforços no estudo do periquito-rei, do maracanã-nobre e da arara-de-barriga-amarela, será descobrir o impacto da poluição sonora na sobrevivência dos bichos. "Estamos correndo contra o tempo."

Editoria de arte/Folhapress

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Camundongo recupera visão após transplante de células

Camundongo recupera visão após transplante de células

Estudo da Universidade College London é bem-sucedido em transplantar células fotorreceptoras sensíveis à luz em retina de roedores
19 de abril de 2012 | 13h 57



Cientistas britânicos conseguiram recuperar a visão de camundongos cegos, transplantando células fotorreceptoras sensíveis à luz em seus olhos.


O procedimento representa um avanço em direção a um novo tratamento para pacientes com doenças oculares degenerativas.


Cientistas do Instituto de Oftalmologia da Universidade College London (UCL) injetaram células de roedores jovens diretamente nas retinas dos camundongos adultos que tinham problemas de visão.
As descobertas foram publicadas recentemente na prestigiada revista científica Nature.
Quatro a seis semanas depois do transplante, uma em cada seis das células transplantadas - que são especialmente importantes para permitir a visão em locais escuros - haviam formado as conexões necessárias para transmitir informações visuais ao cérebro.
Os pesquisadores testaram a visão dos roedores transplantados em um labirinto pouco iluminado e cheio de água.
O resultado é que os camundongos com as células novas conseguiam perceber o caminho que os levava a uma plataforma e os salvava da água. Já os animais que não receberam células só conseguiam encontrar a plataforma por acaso ou depois de uma extensa exploração do labirinto.

Integração de circuitos

A perda de fotorreceptores é a causa da cegueira em muitas das doenças oculares que afetam humanos, como a degeneração macular relacionada à idade, alguns problemas na retina e a perda de visão decorrente do diabetes.
Para Robin Ali, pesquisador do Instituto de Oftalmologia da UCL e do Hospital de Olhos Moorfields, que liderou os estudos, "mostramos pela primeira vez que células fotorreceptoras transplantadas podem se integrar, de forma bem-sucedida, com o circuito já existente da retina e melhorar de fato a visão (dos camundongos)".
Segundo Ali, o teste do labirinto serviu de "prova" de que uma parte considerável da visão dos camundongos havia sido restaurada.
"Esperamos que, em breve, possamos reproduzir esse sucesso com fotorreceptores derivados de células-tronco embrionárias e finalmente iniciar exames com humanos", agregou.
Mas, apesar das perspectivas promissoras, ainda há muitas etapas a serem superadas até que o tratamento esteja apto para ser usado em pacientes.
Os cientistas também planejam experimentar com fotorreceptores derivados de células-tronco embrionárias, mas a eficácia de seu transplante ainda é duvidosa.

Recuperação funcional


Ainda assim, para Rob Buckle, chefe do departamento de medicina regenerativa do Medical Research Council, um dos financiadores da pesquisa, o estudo da UCL "é um marco que servirá de informação para futuras pesquisas em uma variedade de campos, incluindo pesquisas sobre visão, neurociência e medicina regenerativa".
"(A pesquisa) oferece provas claras de recuperação funcional no olho danificado, o que estimula o desenvolvimento de terapias com células-tronco para lidar com muitas doenças oculares que afetam milhões de pessoas pelo mundo", agregou.
Já existem outras linhas de pesquisa que tentam tratar a cegueira usando transplante celular. No ano passado, o mesmo grupo de estudos da UCL foi autorizado a realizar o primeiro teste clínico europeu envolvendo células-tronco embrionárias de humanos.

O estudo envolve pacientes com o mal de Stargardt, uma das principais causas de cegueira em jovens. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,camundongo-recupera-visao-apos-transplante-de-celulas,863033,0.htm

Ursos pardos e polares 'se separaram' há 600 mil anos

Ursos pardos e polares 'se separaram' há 600 mil anos


Estudo indica que espécies se diferenciaram no processo de evolução muito antes que se pensava


20 de abril de 2012 | 18h 59
 
Reuters
Já sabíamos que os ursos polares já haviam evoluído como uma espécie diferente dos ursos pardos. Um novo estudo genético envolvendo o animal, porém, mostra que o maior predador do Ártico se "separou" do seu irmão há cerca de 600 mil anos, muito antes do que se imaginava.
Estudo também ressalta risco que a espécie corre com o ritmo do aquecimento global - Florian Schulz/Reuters
Florian Schulz/Reuters
Estudo também ressalta risco que a espécie corre com o ritmo do aquecimento global
A pesquisa, publicada na revista Science da quinta-feira, porém, novamente alerta para os riscos que a espécie corre com o aquecimento global. Segundo o estudo, os ursos polares levaram um longo tempo para se adaptar ao clima frio e terão, portanto, que passar por um novo processo de adaptação conforme as calotas polares se derretem, reduzindo as plataformas de gelo vitais para sua sobrevivência.
Apesar de serem espécies diferentes no que diz respeito ao tamanho, à pele e ao pelo, além de comportamento, dentição e em várias outras características, pesquisas antigas afirmavam que ursos polares e pardos haviam se "separado" no processo de evolução há poucos anos. Esses dados tiveram como base o estudo da linhagem de partes dos DNA das espécies.
Mas o novo estudo de Frank Hailer, do Centro de Pesquisa de Clima e Biodiversidade da Alemanha, aponta uma conclusão diferente. Ele e seus colegas afirmam que as espécies tomaram rumos diferentes no processo de evolução muito antes do que se pensa.
"Os estudos anteriores sugerem que os ursos polares tiveram de evoluir muito rápido, já que são uma espécie jovem. Mas o nosso considera muitos outros aspectos aos quais tiveram que se adaptar, e faz mas sentido do ponto de vista evolucionário que a espécie seja mais velha", afirma.
Os cálculos de sua equipe coloca o momento da separação das duas espécies no período Pleistoceno, quando as temperaturas do planeta baixaram como há tempos não ocorria. Pode ser coincidência, mas o resfriamento do planeta também pode ter acelerado a separação.
O estudo indica que o processo de adaptação dos ursos polares foi provavelmente lento, mas também significa que eles passaram por fases de aquecimento do planeta antes. "Se eles se extinguirem nesta fase atual de aquecimento, vamos ter que refletir sobre nosso papel nesse processo. Nas fases anteriores, eles conseguiram sobreviver. A diferença é que agora há o fator humano", afirma Hailer.
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,ursos-pardos-e-polares-se-separaram-ha-600-mil-anos,863532,0.htm

África tem reservas subterrâneas gigantes de água

África tem reservas subterrâneas gigantes de água, dizem cientistas


Aquíferos teriam água suficiente para consumo e irrigação em todo o continente


20 de abril de 2012 | 5h 39
Cientistas dizem que o continente africano, conhecido pelo clima seco, tem enormes reservas subterrâneas de água.
Reservas seriam suficientes para fornecer água para consumo e agricultura na África - BBC
BBC
Reservas seriam suficientes para fornecer água para consumo e agricultura na África

No mais completo mapa já feito da escala e distribuição da água existente embaixo do deserto do Saara e em outras partes da África, os especialistas dizem que esses reservatórios subterrâneos poderiam fornecer água suficiente para o consumo e agricultura em todo o continente, mas admitem que o processo de extração pode ser complexo.
O trabalho, publicado na revista científica Environmental Research Letters, diz ainda que muitos dos antigos aquíferos africanos foram preenchidos pela última vez 5 mil anos atrás.
Escassez
Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas na África não tenham acesso a água potável e a demanda deve aumentar consideravelmente nas próximas décadas, devido ao crescimento populacional e à necessidade de irrigação para plantações.
Rios e lagos estão sujeitos a enchentes e secas sazonais, que podem limitar a disponibilidade da água. Atualmente, apenas 5% das terras cultiváveis africanas são irrigadas.
Agora, os cientistas da British Geological Survey (BGS) e da University College London (UCL) esperam que o novo mapeamento chame atenção para o potencial dos reservatórios subterrâneos.
"As maiores reservas de água subterrâneas ficam no norte da África, em grandes bacias sedimentares, na Líbia, Argélia e Chade", diz Helen Bonsor, da BGS.
"A quantidade armazenada nessas bacias é equivalente a 75 metros de água sobre aquela área. É uma quantidade enorme."





Estratégia
Devido a mudanças climáticas que transformaram o Saara em um deserto ao longo dos séculos, muitos dos aquíferos subterrâneos receberam água pela última vez há mais de 5 mil anos.
Os cientistas basearam suas análises em mapas de governos dos países africanos, assim como em 283 estudos de aquíferos.
Eles afirmam que muitas das nações que enfrentam escassez de água têm, na verdade, reservas consideráveis embaixo do solo.
No entanto, os pesquisadores alertam que a perfuração de poços tubulares profundos pode não ser a melhor maneira de extrair a água, já que poderiam esgotar a fonte rapidamente.
"Poços profundos não devem ser perfurados sem que haja um conhecimento detalhado das condições das reservas locais. Poços simples e bombas manuais, desenvolvidos de forma cuidadosa e nos locais certos, têm mais chance de ser bem-sucedidos", disse à BBC Alan McDonald, principal autor do estudo.
Helen Bonsor concorda que meios de extração mais lentos podem ser mais eficientes.
"Muitos aquíferos de baixo volume estão presentes na África subsaariana. No entanto, nosso trabalho mostra que com exploração e construção cuidadosas, há água subterrânea suficiente na África para fins de consumo e irrigação comunitária", diz ela, acrescentando que as reservas poderiam contrabalançar os problemas causados pela mudança climática.
"Mesmo nos menores aquíferos em áreas semi-áridas, com baixíssimo índice de chuvas, as reservas subterrâneas ainda durariam algo entre 20 e 70 anos", afirma Bonsor.
"Então, nos índices atuais de extração para consumo e irrigação em pequena escala, os reservatórios fornecem e continuarão a fornecer proteção contra as variações do clima." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,africa-tem-reservas-subterraneas-gigantes-de-agua-dizem-cientistas,863344,0.htm

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Técnica trata próstata com mais precisão

18/04/2012 - 10h33


Técnica trata próstata com mais precisão

DÉBORA MISMETTI


Um tratamento que usa ondas de ultrassom concentradas só nas partes da próstata atingidas por tumores demonstrou causar poucos efeitos colaterais, em comparação aos tratamentos-padrão, como cirurgia e radioterapia.

Uma pesquisa financiada pelo governo britânico e publicada na revista "Lancet Oncology" ontem trouxe os resultados do tratamento feito em 42 homens com idades entre 45 anos e 80 anos, com tumores localizados e de grau inicial até agressivo.
Novas drogas enfrentam tumor avançado
Todos passaram por ressonâncias magnéticas, que localizaram as regiões do órgão atingidas por tumores, e pelo ultrassom de alta frequência, que usa calor para destruir o tecido doente.
Entre os que tinham ereções no início do tratamento (35 homens), cerca de 90% mantiveram a função ao final dos 12 meses da pesquisa, sendo que 14 deles precisavam da ajuda de remédios. O tratamento também não causou incontinência urinária.
Até 20% dos homens que passam por cirurgia de retirada da próstata ou radioterapia sofrem de disfunção erétil após o tratamento. Problemas para controlar o fluxo de urina atingem de 30% a 70% dos doentes.


Editoria de Arte/Folhapress




EXPERIÊNCIA NACIONAL

No Brasil, a versão da máquina usada no tratamento, chamada de Hifu (ultrassom com foco de alta intensidade, na sigla em inglês), só existe no Hospital A.C. Camargo, em São Paulo. O Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira) tem um outro tipo de Hifu, usado para miomas e metástases ósseas.
Gustavo Cardoso Guimarães, diretor de urologia do A.C. Camargo, afirma que 30 pacientes foram tratados com o ultrassom. Desses, 24 receberam as ondas na próstata inteira e seis foram tratados de forma focal, como no estudo britânico.
O urologista afirma que a máquina é a única que permite tratar só uma parte ou algumas partes da próstata e ainda preservar os nervos. "Conseguimos tratar a doença com menor impacto na qualidade de vida."
A dificuldade, diz Guimarães, é se certificar da localização do tumor ou dos tumores. "Fazemos uma ressonância e biópsias em vários pontos da próstata." É preciso também aprimorar os métodos de acompanhamento do paciente após o tratamento, para saber se a doença foi controlada mesmo.
"Podemos fazer exame de PSA [exame de sangue], que não é muito preciso, e biópsias. Há um estudo em andamento na FDA [agência de vigilância sanitária dos EUA] sobre isso."
Marcos Menezes, especialista em intervenções guiadas por imagem do Icesp, afirma que, apesar dos resultados promissores, a técnica testada pelos britânicos ainda é experimental. Para o radiologista, falta precisão ao aparelho específico para tratar a próstata no procedimento.
O Hifu usado no Icesp para miomas e metástases ósseas age junto com uma ressonância magnética, que guia o médico para achar os alvos. "Mas essa técnica, para próstata, ainda está em teste."
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1077728-tecnica-trata-prostata-com-mais-precisao.shtml

domingo, 8 de abril de 2012

Brasil tem pelo menos 250 novas espécies ameaçadas de extinção

06/04/2012-09h26

Brasil tem pelo menos 250 novas espécies ameaçadas de extinção

CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA

O Brasil ganhou pelo menos 250 novas espécies ameaçadas na última década. Os dados, ainda preliminares, são da lista da fauna em risco que o ICMBio (Instituto Chico Mendes) prepara para o fim de 2014.
A nova lista é a primeira avaliação global do estado de saúde dos animais brasileiros em uma década.
A anterior, publicada em 2004 pelo Ibama, indicava que 627 das cerca de 1.300 espécies avaliadas de anfíbios, répteis, peixes, aves, mamíferos e invertebrados estava sob algum grau de ameaça.
O status de ameaça de extinção é dado segundo categorias definidas pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
São elas "vulnerável", "em perigo", "criticamente em perigo", "extinto na natureza" e "extinta", de acordo com diversas medições do tamanho das populações e do grau de fragmentação dos habitats.
Editoria de arte/Folhapress


MUDANÇA
Uma instrução normativa publicada na última segunda-feira (3/4) no "Diário Oficial da União" determina uma mudança de estratégia na elaboração da próxima lista: a anterior, elaborada pela Fundação Biodiversitas para o Ibama, olhava apenas as chamadas espécies-candidatas, ou seja, as espécies de um mesmo gênero ou família com problemas em potencial.
"As listas eram encomendas à Biodiversitas com um prazo de desenvolvimento previamente estabelecido e nunca superior a 12-24 meses e com orçamento limitado", diz Gláucia Drummond, superintendente da fundação. "Nessas condições, não era possível avaliar todas as espécies de um dado grupo."
"Isso era tendencioso, porque a gente já sabe que vai ter vulnerabilidade", disse à Folha Ugo Vercillo, coordenador de Espécies Ameaçadas do Instituto Chico Mendes.
SALTO
A nova avaliação levará em conta todas as espécies de um determinado grupo, independentemente de suspeitas sobre seu grau de ameaça.
Isso fará com que o número de espécies avaliadas salte de 1.300 para 10 mil. Até agora só se avaliou 28% desse total. Daí a queda aparente na proporção de ameaçadas (de 50% para 15%).
Vercillo diz, porém, que o número real de animais em perigo aumenta a cada ano.
"O país não para de crescer, as áreas nativas continuam sendo alteradas", afirma.
Um caso que o ICMBio considera preocupante é o dos tubarões. Das 169 espécies brasileiras, duas são consideradas "regionalmente extintas" e 60 estão sob ameaça.
Outro motivo de preocupação é o impacto do aumento da construção de hidrelétricas sobre os peixes.
"Existe [hoje] uma tendência ao aumento de espécies em perigo, tanto para peixes continentais quanto para marinhos", diz Vercillo.
Por outro lado, há também espécies saindo de risco devido a programas de conservação. Até agora, segundo o coordenador do ICMBio, três que estavam ameaçadas em 2003 já deixaram a categoria.
Outras tiveram seu grau de ameaça reduzido, como a arara-azul-de-lear, caso citado por Drummond.
Segundo a bióloga, esforços de conservação no norte da Bahia, habitat da ave, aumentaram o número de indivíduos na natureza. "É provável que sua categoria seja reavaliada, passando de 'criticamente em perigo' para 'em perigo'", diz Drummond. Um alívio. Saiba mais em www.icmbio.gov.br(www.icmbio.gov.br)
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1072491-brasil-tem-pelo-menos-250-novas-especies-ameacadas-de-extincao.shtml

Exames demais nem sempre é a solução. Médicos fazem campanha contra excesso de exames

05/04/2012-10h22

Médicos fazem campanha contra excesso de exames

MARIANA VERSOLATO
DE SÃO PAULO

Em um ato contra o excesso de exames e o sobrediagnóstico, nove sociedades médicas americanas lançaram uma lista com 45 testes que deveriam ser pedidos com menor frequência. As recomendações são dirigidas também aos pacientes, para que questionem seus médicos.
Outras oito comissões de especialistas também se preparam para anunciar suas listas de procedimentos que devem ser menos frequentes.
A mudança representa um reconhecimento por parte dos médicos de que muitos testes e procedimentos rentáveis são realizados de forma desnecessária e podem prejudicar os pacientes.
Segundo Gustavo Gusso, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família, é importante que as pessoas saibam que o excesso de exames traz mais problemas do que benefícios.
"Muitos acabam descobrindo e tratando doenças desnecessariamente para que a redução da mortalidade seja só um pouquinho maior. Sem contar os falsos-positivos de câncer", afirma.
Essa mudança de opinião nos EUA também reflete alterações nos planos de de saúde, que estão tentando reduzir incentivos financeiros para os médicos pedirem mais exames e procedimentos.
Editoria de arte/Folhapress


TESTES DEMAIS? Campanha de médicos americanos lista procedimentos e exames que têm sido prescritos em excesso
GASTOS
Tratamentos desnecessários são uma importante fonte de gastos entre as despesas médicas nos EUA.
"Mas o sistema privado de lá não é muito diferente da situação no Brasil. Aqui também há excesso de especialistas e exagero de exames e intervenções", diz Gusso.
A campanha das sociedades médicas foi batizada de "Choosing Wisely" (escolhendo sabiamente).
A lista de exames inclui recomendações para procedimentos rotineiros, como eletrocardiogramas, hoje feitos mesmo quando não há sinal de problemas cardíacos, e ressonâncias magnéticas.
O American College of Radiology solicitou que os radiologistas não realizem exames de imagem em pacientes com uma simples dor de cabeça. Até os oncologistas estão recebendo a recomendação de pedir menos exames em pacientes com câncer de mama ou de próstata em estágio inicial com poucas chances de metástase.
"O uso excessivo de cuidados representa uma das mais sérias crises na medicina norte-americana", afirma Lawrence Smith, chefe do North Shore-Long Island Jewish Health System, em Nova York. "Muitos pensaram que as organizações mais resistentes seriam as sociedades de especialistas, então essa é uma mensagem importante."
DIFICULDADES
Em 2009, novas diretrizes para mamografias nos EUA recomendavam que as mulheres fizessem o exame com menos frequência, o que trouxe medo entre as pacientes sobre o aumento do controle do governo sobre decisões relacionadas à saúde e limitações ao tratamento.
"Infelizmente, as pessoas preferem o exagero, mesmo que tenham um prejuízo por causa de um tratamento sem necessidade", diz Gusso. "Não é por causa dos exames que elas vão viver mais. Alimentação saudável, atividade física e parar de fumar são mais importantes."
Os médicos, por sua vez, muitas vezes não seguem as diretrizes. Segundo Gusso, como o tempo das consultas é curto, o médico logo pede um exame e o paciente sai mais satisfeito.
"As pessoas acham que o dinheiro gasto com o convênio só vale a pena se usarem ao máximo. Mas deveriam pensar que é como um seguro de carro: ninguém quer um acidente para receber o dinheiro das mensalidades."
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1072088-medicos-fazem-campanha-contra-excesso-de-exames.shtml

Probióticos com novas funções

06/04/2012-10h00

Probióticos com novas funções são alvo de estudos

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MARIANA VERSOLATO
ENVIADA ESPECIAL A ÉVIAN (FRANÇA)

Até o século passado, bactérias eram vistas apenas com aversão e como vilãs. E com razão: os esforços da microbiologia estavam em combater as doenças infecciosas e criar vacinas nessa guerra contra os micróbios.
Agora, médicos e pesquisadores estudam as bactérias que vivem no intestino pensando em usar esses micro-organismos tanto para melhorar a saúde em geral como para tratar doenças.
O papel da flora intestinal ganhou importância. Pesquisas apontam sua relação com doenças metabólicas (como obesidade e diabetes), alergias e proteção imunológica contra organismos invasores, sem contar os problemas gastrointestinais.
Para fortalecer essa barreira ou até recuperá-la, médicos do Brasil e do exterior estão usando probióticos (bactérias vivas que trazem benefícios para o hospedeiro).
Antes restritos a alimentos, os probióticos agora estão disponíveis em cápsulas. No Brasil, três marcas foram lançadas nos últimos anos.
"Hoje, há muitas pesquisas chegando na aplicação clínica [dos probióticos] e com benefícios comprovados", afirma Flávio Quilici, professor titular de gastroenterologia da PUC Campinas.
Os probióticos podem ajudar a restabelecer a flora quando ela é prejudicada por mudanças de dieta, uso de antibióticos, doenças gastrointestinais e queda de imunidade, segundo Quilici, que usa as bactérias vivas como um complemento do tratamento de gases, diarreia, constipação e sensibilidade intestinal.
Há ainda estudos apontando a eficácia dessas bactérias para a enterocolite necrosante, uma doença que ocorre mais entre os recém-nascidos prematuros e na qual a superfície interna do intestino sofre lesões e se inflama.
Outras áreas estão experimentando o uso dos probióticos. "Há estudos mostrando que ajudam a prevenir infartos porque reduzem o colesterol", conta Quilici.
Editoria de arte/Folhapress


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DEFESA CONTRA HIV
Também tem se valorizado cada vez mais o intestino como órgão de entrada e moradia do HIV e de barreira contra o vírus, segundo o infectologista Artur Timerman.
"Se houver uma boa defesa da parede intestinal e um sistema imunológico em alerta, idealmente poderíamos até impedir a infecção. Tenho usado probióticos nos meus pacientes com HIV porque nesse caso a imunidade intestinal tem grande importância. Manter a mucosa intestinal 'atenta' pode trazer benefícios", diz Timerman.
Mas o conceito de que os probióticos estimulam o sistema imune a ficar de prontidão contra processos infecciosos ainda precisa ser comprovado na prática, diz Timerman. A falta de evidências nessa área, que é bastante nova, é uma das críticas dos especialistas.
"As evidências estão chegando, mas precisam ser consolidadas", diz Maria do Carmo Passos, professora de gastroenterologia da UFMG.
Ela afirma ainda que há uma dificuldade em entender o papel real do probiótico e faltam pesquisas sobre a função de cada cepa de bactéria para cada doença. "No futuro, deveremos ter probióticos específicos, como são os antibióticos", diz Passos.
A repórter MARIANA VERSOLATO viajou a convite do Gut Microbiota for Health World Summit
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1072497-probioticos-com-novas-funcoes-sao-alvo-de-estudos.shtml

quinta-feira, 15 de março de 2012

Decisão da Justiça anula patente de droga anti-Aids

09/03/2012-10h21

Decisão da Justiça anula patente de droga anti-Aids

DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE "SAÚDE"

Uma decisão judicial publicada nesta semana anula a patente do medicamento lopinavir, um dos princípios ativos do remédio Kaletra, que faz parte do coquetel anti-HIV distribuído pelo governo federal a pacientes.
O texto da decisão, da juíza federal Daniela Pereira Madeira, do Rio de Janeiro, diz que a patente, que protegeria os direitos da empresa farmacêutica Abbott de produzir o remédio com exclusividade até 2016, não é válida.
Os motivos para isso seriam a falta da avaliação da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) antes da concessão da patente e a inconstitucionalidade do método de registro, o chamado "pipeline". Estabelecido em 1996, o método revalidava automaticamente no país as patentes registradas no exterior.
Em 1999, foi introduzida a exigência de que os pedidos de registro fossem analisados pela Anvisa, o que não foi feito no caso do antirretroviral.
O pedido de patente do Kaletra já havia sido iniciado antes disso, mas só foi concedido depois, em 2000. Por isso, entendeu-se que deveria ter passado pela agência.
A revalidação pelo "pipeline" seria inconstitucional porque concedeu monopólio de produção a um medicamento que já estava em domínio público, segundo o advogado Alexandre Serafim, da equipe que representou o laboratório Cristália, autor do processo. "Quando o pedido de patente foi iniciado, o Brasil não reconhecia patentes de remédios. O pipeline deu monopólio sobre moléculas em domínio público."
O advogado Lucas de Moura Gavião, que também atuou no processo, diz que há outros remédios nessa situação e que essa ação pode criar um precedente.
A decisão é em primeira instância e pode ser contestada pela Abbott.
Editoria de arte/Folhapress


Em 2005, o governo federal e o laboratório entraram em um acordo para reduzir o preço do Kaletra de US$ 1,17 para US$ 0,63.
Em 2011, segundo informações do Ministério da Saúde, foram gastos R$ 91 milhões em compras do medicamento. Os gastos totais do governo com antirretrovirais, que foram de R$ 1 bilhão em 2005, caíram nos anos seguintes, após negociações de preço com as fabricantes e licenciamento compulsório de remédios. Em 2007, o valor total foi de R$ 710 milhões.
O presidente do laboratório Cristália, Ogari Pacheco, diz que a empresa entrou com a ação porque tem capacidade técnica de produzir a droga, composta pelos princípios ativos ritonavir e lopinavir.
"Agora que a patente caiu, poderemos produzir a associação de medicamentos a preços competitivos em nível mundial", afirma Pacheco, que diz que é cedo para falar em valores exatos.
O infectologista Caio Rosenthal afirma que o medicamento é importante no combate ao HIV. "A indústria já teve retorno suficiente de seu investimento em pesquisa. Não há mais por que manter preços abusivos sobre remédios contra o HIV", diz o médico, do Instituto de Infectologia Emílio Ribas.
OUTRO LADO
A Abbott, fabricante do Kaletra, enviou nota à reportagem dizendo que defende da validade da patente. "Estamos analisando as medidas legais cabíveis."
Antônio Britto, presidente-executivo da Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa) afirma que o Brasil tem um ambiente de segurança jurídica quanto à validade das patentes e que o setor aguarda com tranquilidade os próximos passos do processo. "Em 15 anos, podemos contar nos dedos os casos de processo. A legislação no país é boa."
Para Britto, o caso não deve dar base a novas contestações de patentes.
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1059449-decisao-da-justica-anula-patente-de-droga-anti-aids.shtml


DNA pode variar dentro do mesmo tumor

13/03/2012-10h44

DNA pode variar dentro do mesmo tumor; descoberta é má notícia

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE "CIÊNCIA E SAÚDE"

Se ainda havia esperança de derrotar o câncer com facilidade usando a genética, uma pesquisa britânica acaba de mostrar que o cenário é bem mais complicado.
A equipe liderada por Charles Swanton, da ONG Cancer Research UK, mostrou que há uma variedade estonteante de mutações (alterações no DNA) ligadas ao câncer dentro do mesmo tumor.
Lydia Megumi/Editoria de Arte/Folhapress

Essas alterações, muitas das quais relacionadas à transformação de uma célula normal em tumoral, são os principais alvos de remédios anticâncer de última geração.
A ideia é que, mirando com precisão esses pedaços "rebeldes" do DNA do doente, seria possível desligar o interruptor biológico que mantém o câncer funcionando --impedindo a produção descontrolada de novas células doentes, por exemplo.
De quebra, se esse conceito valesse, seria possível colocar em prática uma versão molecular da medicina personalizada. Por meio de uma biópsia, bastaria identificar as mutações-chave do tumor de determinado paciente e centrar fogo nelas.
DIVERSIDADE
Swanton e seus colegas colocaram essas ideias à prova ao fazer uma das primeiras análises detalhadas de variações genéticas intratumorais, ou seja, dentro de um mesmo tumor, a partir de amostras de quatro pessoas, todas com câncer nos rins.
Usando métodos já comuns em estudos genéticos de tumores (veja infográfico acima), os cientistas se depararam com enorme diversidade no DNA canceroso.
Cerca de 70% das mutações identificadas não estão presentes em todas as regiões do tumor. As mudanças vão desde as aparentemente simples, como trocas de uma única "letra" química de DNA, até as que afetam todo o genoma da célula cancerosa, fazendo-o dobrar de tamanho.
Levando em conta essas mutações, a equipe conseguiu até traçar uma espécie de árvore genealógica das células tumorais.
Olhando esse desenho em árvore, ficou claro para os cientistas que o padrão é o mesmo que aparece, por exemplo, entre espécies de seres vivos que vão divergindo umas das outras ao longo da evolução.
O que provavelmente está acontecendo, apontam eles, é que algumas mutações conferiram mais chances de multiplicação e sobrevivência a certos subgrupos de células.
Nesse caso, enquanto um remédio mirando determinada mutação ataca certas células do tumor, outras conseguem sair relativamente ilesas e refazem o câncer mais tarde, propõem eles.
Antonio Buzaid, chefe do Centro de Oncologia do Hospital São José, afirma que o trabalho chama a atenção por seu alto nível técnico, mas diz ter dúvidas sobre sua relevância para médicos e pacientes.
"O que eles dizem nós já sabíamos, de certa maneira, mas nunca havia sido demonstrado com esse rigor."
Para Buzaid, a variação genética dos tumores, na maioria dos casos, não deve ser suficiente para barrar remédios cujos alvos estão no DNA.
O estudo está na revista médica americana "New England Journal of Medicine".

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1061053-dna-pode-variar-dentro-do-mesmo-tumor-descoberta-e-ma-noticia.shtml

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Luz para detectar risco de novo infarto

07/12/2011 - 10h29

Exame de sangue usa luz para detectar risco de novo infarto

DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE "SAÚDE"

Um novo exame pode ajudar os médicos a avaliar o risco de um paciente sofrer um novo infarto.
Pessoas que já sofreram um evento cardiovascular ou têm um stent (tubinho de metal que abre artérias entupidas) implantado em suas coronárias precisam tomar remédios para evitar a formação de coágulos que podem bloquear os vasos do coração e causar um novo infarto.

Arte

Mas essas drogas, em geral aspirina e clopidogrel, podem não funcionar em até 30% das pessoas, por motivos como peso, idade, diabetes e fatores genéticos.
Os remédios trabalham para impedir a junção das plaquetas, células do sangue que formam os coágulos.
O novo exame analisa a passagem da luz pelas amostras de sangue para saber se as plaquetas estão agregadas ou não.
O sangue é colocado no aparelho e fica em pequenos compartimentos, onde a ação das plaquetas é estimulada. Se a passagem da luz for pequena, significa que as plaquetas estão soltas e o remédio está funcionando.
Se passar muita luz, significa que as plaquetas estão agregadas, e a drogas não estão agindo como o esperado.
RESULTADO RÁPIDO
Já existem testes que medem a agregação das plaquetas. A diferença do novo aparelho é o método e a rapidez, segundo Marco Aurelio Magalhães, coordenador da cardiologia invasiva do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
"Temos o resultado em até 150 segundos. Há métodos por laboratório que levam até 48 horas. Nesse meio tempo, o paciente pode ter um novo infarto antes que tenhamos a chance de trocar ou aumentar a dose dos remédios."
Magalhães, que está usando o teste há um ano, afirma que o aparelho pode ser usado logo após a cirurgia feita depois que a pessoa infarta. Em muitos casos, é implantado um stent, que pode causar coágulos.
"As pessoas acham que é a gordura entupindo a artéria a causa dos infartos. Mas é a coagulação causada quando uma placa de gordura se solta é que causa a obstrução", completa.
Os planos de saúde ainda não cobrem o teste, que custa R$ 300 para cada remédio avaliado separadamente. Se o paciente toma dois medicamentos, o custo é de R$ 600.
O exame pode ser feito uma só vez, logo após a pessoa infartar e começar a tomar as drogas contra coagulação.
Para o cardiologista Leopoldo Piegas, do HCor (Hospital do Coração), o exame é caro demais. Ele afirma que já existem outros novos métodos para medir a agregação das plaquetas, que fazem a análise usando a condutividade elétrica do sangue.
"O teste mostra só uma tendência. Às vezes ele identifica pacientes como tendo maior risco e eles não têm."
Magalhães, dos Oswaldo Cruz, afirma que a experiência com o aparelho vem sendo positiva. "Esperamos que o teste entre na prática clínica e passe a ser pago pelos convênios."
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1017806-exame-de-sangue-usa-luz-para-detectar-risco-de-novo-infarto.shtml

Nova técnica para tratar aneurismas chega ao Brasil

06/12/2011 - 10h00

Nova técnica para tratar aneurisma chega ao país


DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE

Chegou ao Brasil uma nova técnica para tratar aneurismas e evitar que eles estourem, causando uma hemorragia cerebral que leva à morte em até metade dos casos.
O procedimento, que leva 20 minutos, é feito por cateterismo (é pouco invasivo). O médico insere, pela virilha, um dispositivo parecido com os stents usados para abrir artérias entupidas. O tubo, uma malha de metal, é colocado na artéria do cérebro onde está o aneurisma e desvia o fluxo de sangue. Isso faz a "bolha" murchar.
A primeira operação com o dispositivo foi feita no Paraná, em agosto. Ao menos outras quatro já foram realizadas desde então no país.
O aneurisma é uma bomba-relógio no cérebro. Pode passar anos sem causar sintomas e estourar de repente, causando morte súbita. Até 5% da população tem um.
O problema é causado por uma fraqueza na parede da artéria, que forma uma bolha e vai se enchendo de sangue.
O aneurisma gigante (com mais de 25 mm), caso em que o novo dispositivo é mais indicado, é o que tem o pior prognóstico, segundo o neurointervencionista Eduardo Wajnberg, do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio.
Segundo o Wajnberg, a nova técnica é a primeira que trata a causa do problema, e não só a consequência.
Os tratamentos usados até agora são a cirurgia aberta, em que um clipe é colocado para controlar o aneurisma, e o preenchimento da bolha com micromolas de platina. O último é feito por cateterismo, mas pode permitir a volta do problema quando o aneurisma é grande.
O stent é acomodado como um revestimento que reforça a artéria e vai sendo incorporado a ela, diz Wajnberg. "Trabalhos preliminares indicam até 95% de cura depois de um ano."
O neurointervencionista Carlos Abath pondera que ainda não há confirmação dos resultados a longo prazo. O principal risco do tratamento vem do fato de o dispositivo levar seis meses para "fechar" o aneurisma. Nesse meio tempo, ele pode romper.
UMA BOMBA
A vigilante Ilisangela Ribeiro, 30, foi a primeira paciente no país a passar pelo procedimento, no Hospital Santa Cruz, em Curitiba.
Seu primeiro aneurisma rompeu em 2005, quando ela morava em Portugal. "Senti uma dor tão grande, parecia que uma bomba tinha explodido. O pescoço ficou rígido. Meu marido chegou em casa e viu que eu estava tendo um derrame", conta.
"A dor de cabeça intensa pode ser o primeiro sinal de sangramento", diz o médico Alexander Corvello, que operou Ilisangela em Curitiba.
De volta ao Brasil, ela continuou fazendo exames periódicos e descobriu, mais tarde, que tinha outro aneurisma. Pior, o primeiro estava reabrindo. Em agosto, fez o novo tratamento. "Sempre tive dor de cabeça. Depois do stent, não mais."

Editoria de Arte/Folhapress
 http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1017065-nova-tecnica-para-tratar-aneurisma-chega-ao-pais.shtml
 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Cigarro serve de "porta de entrada" para outra droga.

04/11/2011 - 11h42

Cigarro intensifica vício em cocaína, diz estudo

RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON

Fumantes são mais propensos a se viciar em cocaína, caso comecem a experimentá-la, sugere um novo estudo.
Num experimento com camundongos, cientistas encontraram pela primeira vez evidência biológica de que o cigarro serve de "porta de entrada" para outra droga.
Ao dar água com nicotina aos roedores, pesquisadores da Universidade Columbia, de Nova York, mostraram que o vício subsequente em cocaína ficava mais intenso.
"É claro que fumar cigarros não determina se alguém vai ou não experimentar cocaína. Isso não é um fenômeno biológico, e sim social" disse à Folha, Amir Levine, autor principal do trabalho.
"A maioria dos fumantes nunca chega a experimentar cocaína. Entretanto, se você se tornar um fumante crônico e só depois for exposto à cocaína, seu cérebro vai reagir de forma diferente, sim." No teste com camundongos, Levine verificou que os animais submetidos a uso crônico de nicotina eram mais propensos ao vício.

Editoria de Arte / Folhapress

NO CÉREBRO
A nicotina, afirma ele, interfere na regulação do DNA das pessoas e acaba por aumentar a expressão de um gene chamado FosB, que já havia sido relacionado a propensão ao vício. Em estudo na revista "Science Translational Medicine", Levine já aponta um medicamento que pode reduzir esse efeito.
"Mostramos que a teofilina -um broncodilatador usado para tratar asma- bloqueia o efeito da cocaína em termos de expressão do FosB", diz o cientista, que contou com a orientação de Eric Kandel, ganhador do prêmio Nobel de Medicina de 2000. Segundo o pesquisador, a possibilidade de uso da teofilina para dependência ainda precisa ser investigada.
O estudo levanta o questionamento sobre se, em centros de reabilitação, deve haver uma política de tolerância com cigarros. Como é difícil largar dois vícios ao mesmo tempo, muitos pacientes continuam fumando enquanto lutam contra a cocaína. Para tentar verificar a correspondência em humanos, Levine, com a ajuda da sanitarista Denise Kandel, mulher de Eric, analisou dados sobre consumo de drogas nos EUA.
A porcentagem de pessoas que experimentavam cocaína e se viciavam era grande entre fumantes: 20%. Entre aqueles que nunca tinham fumado, era de apenas 6%. É um motivo a mais para que o combate ao cigarro seja uma prioridade de saúde pública, diz a pesquisadora.
Denise, que apresentou seus resultados ontem no Congresso Brasileiro de Psiquiatria no Rio de Janeiro, sugere que as investigações continuem. "Será que o álcool e a maconha --as outras duas drogas que mais atuam como "porta de entrada"-- também preparam o cérebro da mesma forma que a nicotina?", perguntou a cientista, em comunicado à imprensa.

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1001534-cigarro-intensifica-vicio-em-cocaina-diz-estudo.shtml 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Divulgados locais de prova do Enem... Saiba onde será sua prova aqui!!!!

Os candidatos que prestarão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2011)  já podem saber o local onde farão as provas, que serão realizadas nos dias 22 e 23 de outubro. As informações dos locais onde os 5,3 milhões de estudantes farão a seleção podem ser obtidas no o site do INEP Click aqui
http://www.atarde.com.br/vestibular/noticia.jsf?id=5772711