quinta-feira, 15 de abril de 2010

Nutrigenômica Aplicada (Artigo sugerido pelo aluno do Colégio Acadêmico Villas - Vitor Parente)

Nutrigenômica Aplicada 

Esta é a tradução de um artigo em inglês, mais especificamente uma entrevista, que foi publicada dia 09/01/2008 na revista eletrônica Testosterone Nation, cujo endereço se encontra no final do artigo.
Não me responsabilizo por eventuais erros gramaticais ou mesmo de interpretação, pois não sou formado em letras, nem tenho fluência em inglês.

Nutrigenômica aplicada
Onde os Genes e os Alimentos andam juntos
Por Dr. John M. Berardi, PhD, CSCS

Nutrigenômica: O estúdo de como os genes e os nutrientes interagem.

Até recentemente eu sabia que este campo da ciência era uma área excitante que algum dia deveria mudar o futuro da nutrição, medicina, e outras áreas.
Mesmo assim na minha mente toda esta loucura de coisas gene-nutrientes continuava envolta em mistérios. Eram coisas futuristas, mais do que objetos de estudo de fisiologistas, nutricionistas e especialistas em saúde poderiam usar no seu dia a dia.
Há seis meses atrás eu tive a sorte de me sentar com um pequeno grupo de leitura guiado por um dos tops mundiais da pesquisa nutrigenômica, Dr. Ahmed El-Sohemy. Quando eu ouvi Dr. El Sohemy falar, eu entendi que estava errado. Com a conclusão do Projeto Genoma Humano e com as últimas descobertas nutricionais, estava claro que a nutrigenômica não seria futuro para a medicina por muito tempo. Ela está presente hoje. E está sendo aplicada por especialistas todos os dias. Assim que me sentei na audiência, meus neurônios pegaram fogo como uma queima de fogos. Existia muita informação passando por mim e minha caneta não podia se mover rápido o suficiente para registrar tudo. Eu sabia que tinha que me sentar e entender o cérebro do Dr. El Sohemy. Aqui está o que conversamos da última vez.

John Berardi: Dr. El-Sohemy, obrigado por nos conceder esta entrevista. Ela será muito apreciada e sei que todos que lerem ficarão fascinados pelo seu trabalho.
A poucos meses atrás, você apresentou alguns dados muito interessantes mostrando como a informação genômica pode afetar nosso entendimento da nutrição e ciência do nutriente. Em outras palavras, você explicou como os genes podem determinar nossas respostas aos alimentos que ingerimos, aos suplementos que tomamos, e mais.
Para estes leitores não familiarizados com a área da pesquisa, você pode descrever brevemente o campo da nutrigenômica?
Dr. Ahmed El-Sohemy: Nutrigenômica, as vezes chamada genoma nutricional, investiga como os nutrientes interagem com os nossos genes afetando assim nossa saúde. As questões que nós normalmente fazemos são: “Quanto de cada nutriente deve uma pessoa consumir?” e, “Quais são os efeitos biológicos de um suplemento específico?”
Existem basicamente dois métodos que nós usamos para investigar estas questões.
Primeiriamente, nós observamos quais as variações comuns encontradas em todo o genoma humano que explicam diferenças individuais nas respostas ao consumo alimentar.
Por exemplo, esta área da pesquisa explica porque algumas pessoas podem ter uma dieta com altas taxas de gordura e não terem problemas com seus níveis de colesterol, enquanto outras experimentam uma resposta oposta.
Esta linha de pesquisa, as vezes chamada de nutrigenética, nos permite compreender porque alguns indivíduos respondem de forma diferente de outros consumindo os mesmos nutrientes.
O segundo método que os pesquisadores nutrigenômicos usam é a investigação de como nutrientes e componentes bioativos nos alimentos ativam ou desativam certos genes – estes genes englobam metabolismos e processos fisiológicos importantes no corpo.
Por exemplo, pesquisadores identificaram componentes encontrados no brócolis que quando em contato com um gene específico ajudam o corpo a desentoxicar algumas substâncias químicas as quais estamos expostos.
É claro, esta linha de pesquisa nos ajuda a entender os mecanismos por trás de um alimento, e componentes específicos presentes nestes alimentos, que podem influenciar nossa saúde.
Berardi: Isto é realmente muito interessante, especialmente sabendo que as pessoas cada vez mais dizendo na área da nutrição, “Você tem que achar o que funciona para você.” Muitas vezes isto significa muitas tentativas e erros.
Essencialmente o campo da nutrigenômica está ajudando a explicar porque você tem que achar o que funciona para você, assim como ajuda a determinar o que irá funcionar para seu tipo genético.
Antes de mergulhar profundamente na sua pesquisa, eu estava curioso. Como alguns como você foram se envolver no campo da nutrigenômica? Qual foi seu motivo?
Dr. El-Sohemy: Meu primeiro interesse esta área foi há cerca de 10 anos atrás, muito antes de existir o termo “nutrigenômica”. Atualmente eu estou trabalhando no meu PhD em ciência nutricional e pesquisando os efeitos do colesterol sobre o câncer usando roedores como cobaias. Um dos meus experimentos deu resultados totalmente inesperados. Na verdade, eles foram completamente opostos dos publicados por outros pesquisadores. Mesmo assim eu descobri, que o tipo de rato que eu usei metabolisava o colesterol de forma um pouco diferentemente das outras espécies usadas em experimentos prévios. A técnica usada no estudo era virtualmente idêntica aos estudos anteriores, e a única diferença real era a base genética dos animais.
Eu percebi a importância de se considerar a genética quando se estuda nutrição e ocorreu a mim que as diferenças genéticas entre humanos também poderiam explicar porque algumas pessoas respondem de forma diferente de outras.
Então eu decidi fazer alguns cursos de genética e completar o mestrado de biologia molecular. Após terminar meu PhD na Universidade de Toronto, eu fui para Harvard através de um convênio para continuar este tipo de pesquisa em humanos.
Berardi: Foi assim que você se tornou um pioneiro neste campo. E é muito importante que nós tenhamos caras como você com bases sólidas em bio e genética procurando por algumas das mais importantes questões nutricionais.
Como nossos genes podem interferir nas nossas respostas pessoais aos alimentos que consumimos e as drogas que tomamos?
Dr. El-Sohemy: Bem, pra começar, nós sabemos já há algum tempo que alguns indivíduos respondem de forma diferente a certas drogas. Na verdade, muito do trabalho pioneiro em farmacogenética foi feito a décadas atrás na Universidade de Toronto.
Mas o conceito de medicina personalizada data de antes de 480 AC quando Hipócrates, o pai da medicina moderna, notou que “Boa saúde requer o conhecimento da constituição primária dos homens e dos poderes dos vários alimentos, naturais para estes e os quais resultem em resistência aos homens."
A palavra “constituição” é uma clara referência ao nosso perfil genético e “alimentos resultando em resistência aos homens” pode ser vista como uma dieta suplementar e de alimentos funcionais que agora nós temos a nossa disposição.
Assim como as drogas, quando falamos em nutrientes nós usamos isto nas nossas dietas ou nos suplementos que tomamos, nossos genes podem responder de forma diferente dos nossos descendentes.
Aqui está um exemplo: Certos genes podem afetar a taxa de absorção, distribuição, matabolismo, ou excreção de quase tudo que consumimos. E estas diferenças podem resultar em extrema variabilidade em como nós iremos responder.
O gene mencionado anteriormente, o qual pode ser ativado por compostos encontrados no brócolis, está atualmente em falta em cerca de 20% da população. Então algumas pessoas não serão beneficiadas pela desintoxicação.
Entender as bases desta variabilidade certamente nos ajudará a fazer algumas coisas. Primeiramente, poderia ajudar a explicar algumas inconsistências sobre estudos anteriores sobre nutrientes, suplementos, e outros bioativos. Secundariamente, isto poderá nos ajudar a entender o que devemos comer ou quais suplementos usar baseados no nosso perfil genético.
Berardi: De fato, eu tenho notado estas diferenças baseadas na genética, a resposta fisiológica a uma certa droga ou suplemento pde ser 70 vezes diferente com a mesma dose entre dois indivíduos. Enquanto isto parece chocar, continua a fazer sentido.
Por exemplo, algumas pessoas respondem a suplementação com creatina com um grande aumento na performance e aumento de massa magra enquanto outras não tem nenhuma resposta. Por isso, é provável que um ou mais degrais – absorção, distribuição, metabolismo ou excreção – estejam influindo nestes genótipos diferentes, levando a uma resposta diferente.
Eu sei que você está pesquisando de forma muito séria o consumo de cafeína. O que seu laboratório está mostrando?
Dr. El-Sohemy: No último ano, nós publicamos um estudo no jornal da Associação Americana de Mecina para demonstrar que em alguns indivíduos, o consumo de café cafeinado reduziu o risco de ataque cardíaco. Mas em outros indivíduos a mesma dose aumentou o risco de ataques.
Berardi: Se eu entendi, eu responderei conforme os genes.
Dr. El-Sohemy: Exatamente. Indivíduos que tem o que chamamos de uma versão “lenta” do gene CYP1A2 (um gene que metabolisa a cafeína no fígado) terão um risco aumentado de ataque cardíaco se aumentar o consumo de cafeína.
Da mesma forma, aqueles que tem uma versão “rápida” do gene CYP1A2, terão o risco diminuído se aumentarem moderadamente a adição de cafeína (1 a 3 copos por dia).
Berardi: Como as pessoas notam esta diferença?
Dr. El-Sohemy: Estes achados sugerem que o café cafeinados somente aumenta os problemas coardíacos naqueles que tem uma capacidade limitada de metabolizar a cafeína.
Ao mesmo tempo em que as pessoas que possuem a versão “rápida” do gene talvez se beneficiem porque elas podem metabolisar a cafeína rapidamente, se livrando desta enquanto preserva os anti-oxidantes “saudáveis” do café. São estes antioxidantes, e não a cafeína que talvez ofereçam proteção para o coração.
Então, no final, a cafeína em si provavelmente não seja boa para ninguém em termos de problemas cardíacos. Mas se você puder se livrar dela rapidamente por ser um metabolisador rápido de cafeína, então você talvez possa se beneficiar dos outros compostos presentes tanto no café quanto no chá, ambos sendo muito boas fontes de antioxidantes.
Mesmo assim, ser um metabolisador “rápido” de cafeína não fará de você necessariametne um metabolisador “rápido” de qualquer outra substância alimentar. As enzimas codificadas por cada gene são muito específicas para os compostos que elas metabolisam.
Berardi: Infelizmente para mim, eu não sei qual é o meu genótipo CYP1A2, mas eu amo café expresso! Então eu posso jogar roleta russa com minha saúde toda vez que eu tomo uma xícara de café?
Dr. El-Sohemy: Algumas pessoas pensam que são metabolisadores de cafeína “lentos” só pelo fato de tomar café cedo e se manterem ativas por todo o dia. Mas isto apenas significa que a cafeína é mais efetiva a um receptor específico no sistema nervoso, o qual faz a cafeína agir como estimulante.
Isto não lhe dirá nada sobre o quão rápido a cafeína é quebrada no seu fígado, o principal órgão responsável por metabolisar cafeína. A única forma de saber se você é um metabolisador “rápido” ou “lento” de cafeína é fazendo um teste de DNA.
Meu laboratório roda rotineirametne estes testes usando células que são facilmente obtidas numa raspagem dentro da sua boca. Mesmo assim isto é feito prioritariamente para fins de pesquisa e para cuidados com a saúde, onde também tentamos desenvolver um teste que não precise de um equipamento tão elaborado para processar e analizar o DNA.
Berardi: Não existem alguns centros de saúde progressiva fazendo este tipo de teste genético nos seus pacientes? Se existir, quais as recomendações?
Dr. El-Sohemy: Eu ouvi algo sobre uma compania que declarou ter oferecido o teste de CYP1A2 baseado no seu estudo publicado, mas eu não posso comentar o quão confiável este teste é. Eles não concluíram a pesquisa que nós concluímos.
Berardi: Além da cafeína, existe algum outra intervenção procurando saber como genótipos diferentes respondem a dietas diferentes ou a suplementos nutricionais?
Dr. El-Sohemy: Existem alguns estudos interessantes como este. Exemplso incluem a habilidade do óleo de peixe em baixar os níveis de lipídios sanguíneo, como a redução de gordura saturada afeta os níveis de colesterol no plasma, ou como certos fitoquímicos podem ser mais ativos biologicamente em alguns indivíduos.
Alguns estudos demonstraram que aqueles que possuíam uma particular versão do gene PPARg resondem muito mais favoravelmente a queda lipídica sanguínea sob o efeito do óleo de peixe. Alguns destes estudos são pequenos e os resultados apenas preliminares, mas mesmo assim excitantes.
Estes tipos de estudos mostram que não temos que jogar muito o jogo da advinhação quando tentamos predizer se o óleo de peixe pode favorecer a queda lipídica sanguinea e reduzir nosso risco de problemas cardíacos.
Além de abaixar seus níveis de gorduras saturadas, ele mostrou ser benéfico para muitas outras coisas, mas em algumas pessoas que possuem uma versão particular do gene APOE, ele atualmente tem efeito oposto. Finalizando, chá verde é conhecido por promover muitos benefícios fitoquímicos, mas alguns estudos estão agora mostrando que algumas pessoas metabolisam estes compostos de forma mais lenta e provavelmente não precisam consumir muito para obterem os mesmos benefícios.
Berardi: Esta informação é muito importante e ele realmente transforma em questão cada pedaço de pesquisa concluída até o momento! Além disso, uma população geneticamente misturada, não seria absurda a pesquisa em nutrição estar um pouco inconsistente.
Agora, eu ouvi você falar sobre como os genes não apenas influenciam a saúde, mas eles podem influenciar a preferência por alimentos. O que está sendo visto nesta frente?
Dr. El-Sohemy: Bem, existem cerca de duas dúzias de genes cujos códigos para os receptores de sabor amargo na superfície da língua. E variações destes genes podem explicar porque algumas pessoas acham certos alimentos como brócolis ou couve flor muito amargas. Sim, outros acham estas muito menos amargas.
Os genes também podem afetar os alimentos que nós escolhemos por afetar o sistema de recompensa cerebral (brain's reward system). De fato, diferentes nutrientes e alimentos bioativos possuem diferentes efeitos sobre os neurotransmissores como a dopamina e a serotonina, os quais influenciam nosso temperamento e comportamento. Tudo isso é baseado no nosso genótipo.
Por exemplo, meu laboratório está atualmente investigando por que alguns indivíduos desejam mais açúcar ou carboidratos que outros e porque a cafeína melhora o temperamento de algumas pessoas, mas causa ansiedade em outras.
Berardi: Quais são os neurotransmissores que provocam o desejo por carboidratos e cafeína?
Dr. El-Sohemy: Bem, nós estamos começando a procurar pelo gene que codifica a maioria dos receptores de dopamina, os quais nós pensamos que talvez influenciem o temperamento através de vários alimentos. Nós ainda estamos conduzindo estes estudos no momento e deveremos obter alguns resultados nos próximos meses.
Berardi: Isto é realmente muito importante, e eu tenho certeza que é apenas a ponta do iceberg. Qualquer suposição de pesquisadores de outras áreas serão exploradas num futuro próximo e o que eles encontrarão?
Dr. El-Sohemy: Bem, eu acho que haverá muita coisa que não entenderemos em termos de como os nutrientes interagem com os genes para afetar a saúde, aptidão física e performance. De fato, nós apenas começamos a apreciar a complexidade do genoma humano.
Nós costumamos achar que dois indivíduos são 99,9% iguais, mas eles são provavelmente muito mais diferentes uns dos outros. Assim como o nosso entendimento do genoma humano irá aumentar, ele mudará os tipos de perguntas que nós começaremos a fazer sobre nutrição, e isto mudará a forma de organizar nossos estudos.
Assim como para outras áreas da pesquisa em nutrição, eu acho que estão começando a aparecer alguns trabalhos muito interessantes envolvendo aplicação da nanociência. Isto irá promover mudanças no sistema de distribuição dos nutrientes e alimentos bioativos.
Berardi: Do que estamos falando aqui? O que é nanociência e como ela pode influir na distribuição dos nutrientes?
Dr. El-Sohemy: A Nanociência lida com materiais em uma escala ultra-reduzida (1 nonômetro é um-milionésimo de milímetro).
Se você pegar uma partícula e partí-la em vários outros pedaços, você aumentará a sua área de superfície sem mudar sua quantidade. Uma superfície com mais área fornece mais espaço para as reações químicas e biológicas acontecerem.
Dependendo do tamanho das partículas, a potência total será muito diferente. Isto significa que nós talvez sejamos capazes de usar menos quantidades de suplementos porque nós podemos usá-los de forma mais eficiente.
Berardi: Qual rumo sua equipe está tomando?
Dr. El-Sohemy: Nós temos um número de projetos focados para identificar os fatores genéticos que influenciam o comportamento no consumo de cafeína, assim como fatores genéticos modificam os vários efeitos biológicos da cafeína. Nós também estamos tentando identificar os genes que podem explicar preferências e aversões para determinados alimentos e sabores.
Além disso, meu grupo está procurando identificar variações genéticas que determinem a absorção de vitaminas e outros nutrientes essenciais. Nós realmente temos alguns achados preliminares excitantes apresentaremos na conferência Experimental de Biologia de San Diego em Abril, 2008.
Berardi: Obrigado Dr. El-Sohemy. Nos mantenha informados sobre suas últimas pesquisas.
Dr. El-Sohemy: O prazer foi meu. Eu manterei!


Sobre o Dr. El-Sohemy

O Dr. Ahmed El-Sohemy é um pesquisador internacionalmente reconhecido na área de nutrigenômica. Ele é um Professor Associado e presidente da Canadá Research em Nutrigenômica no Departamento de Ciências Nutricionais, Faculdade de Medicina, na universidade de Toronto.
Em 2004, ele foi eleito um dos top 10 pelo Toronto Star, um jornal de grande circulação no Canadá. Ele é consultado por agências da indústria e governo e atua como revisor científico para várias revistas científicas e médicas, national granting agencies, e international advisory panels.


Sobre o Dr. Berardi

Dr. John Berardi, CSCS, é um autor mundialmente conhecido, Orador e consultor de vários programas para atletas de elite. Além disso é Professor Assistente adjunto da Universidade do Texas em Austin. Para maiores informações sobre o Dr. Berardi e seus programas de nutrição tanto para atletas quanto para exercícios recreacionais, consulte www.precisionnutrition.com.


Fonte:

Testosterone Nation - Muscle With Attitude
Última edição por V_Shape; 11-01-2008 às 07:15 PM.
O Treinamento físico não é uma ciência exata, é uma forma de arte com uma VAGA e inconclusiva base científica - Mark Rippetoe.
 http://www.mundoanabolico.com/vb4/nutricao-arquivo/22430-nutrigenomica-aplicada.html

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Dopamina pode reverter estados vegetativos de pacientes

Uso de dopamina pode reverter estados vegetativos
Estudo visa determinar se a apomorfina poderia acelerar a recuperação de certos tipos de traumas cerebrais
por Jessé Emspak
Uma droga que se liga aos receptores de dopamina pode ser capaz de estimular um cérebro comprometido, permitindo que certos pacientes em estado vegetativo, ou de mínima consciência, possam se recuperar mais rápido.

Esteban Fridman do Hospital Fleni, em Buenos Aires, acredita que o cerne do problema desses pacientes resida na conecção neural. Nesses casos, os axônios estão tão danificados que dificultam o transporte de sinais químicos (neurotransmissão) de neurônio para neurônio. Os axônios são interrompidos quando sofrem pressões como impactos cranianos (quando um lutador é atingido na cabeça ou um motorista bate a cabeça em um acidente de carro).

Como possível tratamento para esses danos, Fridman centrou-se sobre a apomorfina, que se liga aos receptores de dopamina no cérebro. A dopamina é um neurotransmissor conhecido por seu papel na doença de Parkinson e faz parte do mecanismo de controle comportamental da excitação e motivação, mas também desempenha um papel em distúrbios de consciência.


iStockphoto
  Irrigar cérebro comprometido com apomorfina pode reparar as conexões danificadas

Fridman supôs que a apomorfina pode agir no lugar de dopamina, irrigando um cérebro comprometido com um produto químico que possa estimulá-lo o suficiente para reparar as conexões e permitir que pacientes voltem ao estado de consciência. Ele observa que a droga não iria funcionar nos casos em que o cérebro tenha sido privado de oxigênio ou de sangue, pois os danos seriam mais profundos. Terri Schiavo, moradora da Flórida cujo caso gerou uma polêmica nacional que atingiu o pico em 2005 (quando faleceu), estava em um estado vegetativo desde 1990 causado por esse mesmo tipo de lesão.
Fridman escolheu a apomorfina porque ela atinge diretamente os receptores de dopamina no cérebro, mesmo que a capacidade do próprio corpo para fazer a neurotransmissão esteja danificada. A apomorfina também se liga a vários tipos de receptores de dopamina. Algumas outras drogas, como a levodopa (L-dopa), são convertidas em dopamina pelo organismo (em vez de agirem diretamente sobre os receptores). Por isso, esse mecanismo de conversão faz com que essas drogas sejam menos úteis. Outras drogas, como a amantadina, aumentam a produção celular de dopamina, mas se essas células forem danificadas ou se tornarem menos ativas, só poderão ser produzidas até certo momento. Algumas outras se ligam apenas aos receptores determinados de dopamina.

Em 2004, Fridman tentou usar apomorfina em um paciente que estava em um estado de consciência mínima há 104 dias. Depois que a droga foi utilizada, a mãe do paciente telefonou para Fridman para lhe dizer que seu filho tinha acordado apenas 24 horas depois do uso da droga.

Ao longo dos anos, Fridman e seu colega Ben Zion Krimchansky, do Centro de Reabilitação do Hospital Loewenstein, em Israel, testaram a droga em oito pacientes. Sete recuperaram a consciência (um deles morreu posteriormente de um problema não relacionado). Segundo Fridman, um dos efeitos positivos foi que os pacientes não regrediram após o tratamento ser interrompido. Cinco deles melhoraram e já conseguem caminhar, um já consegue até mesmo dirigir sozinho. Fridman publicou alguns desses resultados no Neurotherapeutics em 2007, e também observações sobre um dos pacientes no Brain Injury, em 2009.

Mas pelo fato de que essas observações clínicas não foram estudos duplo-cegos, em que nem os médicos nem os pacientes sabem se os resultados foram obtidos devido a algum placebo ou se realmente a droga teve efeito, Fridman atualmente está iniciando um estudo clínico formal com um total de 76 pacientes. A apomorfina será ministrada entre um e quatro meses após uma lesão cerebral traumática, e as doses serão distribuídas ao longo de várias semanas, entre períodos de 12 horas. Alguns pacientes receberão medicamentos e outros serão controle.

O estudo está sendo patrocinado pela Neurohealing Pharmaceuticals, baseada em Boston, com um financiamento inicial da FDA por meio de um fundo para “droga-órfã” (produto farmacêutico desenvolvido para alguma condição rara). A conclusão está prevista para ainda este ano, embora seja mais provável que seja concluída apenas em 2011, segundo o presidente do Neurohealing, Daniel Katzman.

A apomorfina deixou de ser utilizada no tratamento de Parkinson, pois a droga deve ser injetada, o que tornava menos prático para as pessoas com tremores. Além disso, pode causar náuseas. Mas Fridman diz que esses problemas não implicam em nada com pacientes em estado vegetativo e de mínima consciência. É também mais fácil dar-lhes doses controladas durante muitas horas.

Essa não é a única droga a ser pesquisada dessa forma. Existem alguns estudos em curso com amantadina, originalmente desenvolvida para o tratamento da gripe. No entanto, Fridman escolheu apomorfina, pois seu primeiro grupo de pacientes não responderam a amantadina, levodopa ou outros medicamentos que atuam sobre o sistema de dopamina.

http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/uso_de_dopamina_pode_reverter_estados_vegetativos.html 

terça-feira, 13 de abril de 2010

Aves cometem "adultério" e premeditam "divórcio"

13/04/2010 - 13h24

Aves cometem "adultério" e premeditam "divórcio", diz pesquisadora

CLAIRE SIBONNEY
da Reuters, em Toronto
Nem tudo é amor no mundo das aves, onde o divórcio, o abandono dos filhos e o adultério são parte do cotidiano.
O livro "The Bird Detective" ("A Detetive das Aves"), que sai nesta semana no Canadá, desmente a imagem romântica de que as aves estabelecem casais por toda a vida, mostrando que na verdade elas traem e privilegiam o conforto.
"Em termos dos dez maiores mitos sobre as aves, o dos vínculos conjugais permanentes [...] ocorre para algumas aves, mas não para a maioria das aves canoras que estudamos", disse a autora do livro, Bridget Stutchbury, professora de Biologia da Universidade York, em Toronto.

Divulgação
 Empidonax virescens é uma das aves citadas no livro; machos da espécie fecundam outras fêmeas longe dos seus ninhos

O livro utiliza 20 anos de pesquisas com técnicas como monitoramento por rádio e exames de DNA, e mostra, por exemplo, machos da espécie Empidonax virescens fecundando fêmeas longe dos seus ninhos, e fêmeas do Vireo solitarius premeditando o divórcio, ao avaliar novos parceiros antes de abandonar sua prole.
"A principal descoberta é que muitas aves se divorciam por razões que os humanos descreveriam como egoístas", disse Stutchbury, lembrando que as fêmeas podem ir atrás de machos mais coloridos e que cantem melhor. Ou então podem "cair no mundo" e se mudar para áreas onde haja mais segurança e mais comida.
"As fêmeas estão procurando o macho de mais alta qualidade, para que a sua própria prole possa ser de alta qualidade", disse ela.
Depois de estudar dezenas de espécies canoras do Canadá, EUA e Panamá, ela disse que o encurtamento dos verões pode levar as fêmeas a abandonarem os ninhos antes que suas crias estejam totalmente emplumadas, pois assim elas podem rapidamente encontrar novos machos e botar mais ovos. Isso deixa os machos sozinhos na tarefa de alimentar os filhotes.
Já os machos podem triplicar ou quadruplicar seu sucesso reprodutivo se fertilizarem as fêmeas vizinhas, mas só os "parceiros" cuidam dos filhotes, e muitos se deixam enganar.
"Eles não sabem distinguir quando o ovo é chocado, se é deles ou não. Eles não têm como saber."
O divórcio é surpreendentemente comum entre as aves, e a maioria vive com o mesmo parceiro apenas durante alguns meses ou anos. As taxas de divórcio variam de zero entre os albatrozes a 99 por cento entre certos flamingos.
O livro, editado pela HarperCollins, será lançado na terça-feira no Canadá e no final de maio nos EUA.
 http://www1.folha.uol.com.br/folha/bichos/ult10006u720111.shtml

Girino de sapo-de-chifre sabe "cantar"

13/04/2010 - 16h52

Girino de sapo-de-chifre sabe "cantar", diz estudo

REINALDO JOSÉ LOPES
da Reportagem Local
Sapos, rãs e companhia são cantores inveterados, em especial na época do acasalamento, mas ninguém imaginava que esse "talento" começasse no berço --ou, para ser mais preciso, na fase de girino.
Pesquisadores argentinos detectaram o fenômeno em larvas do sapo-de-chifre (Ceratophrys ornata), bicho muito comum nos pampas, inclusive no lado brasileiro da fronteira.
Guillermo Natale e seus colegas da Universidade Nacional La Plata não só gravaram os chamados dos girinos (que descrevem como "um som metálico breve, claro e muito audível") como também viram que a anatomia dos pulmões e da laringe dos filhotes aquáticos é bem parecida com a dos adultos terrestres --embora vivam na água, os girinos da espécie também já conseguem respirar ar.
Por enquanto, os dados sobre o comportamento são apenas de laboratório, publicados na revista científica sueca "Acta Zoologica".

Max Gross/Creative Commons
Sapo-de-chifre, conhecido como Ceratophrys ornata; pesquisadores concluem que sabe "cantar" desde girino

Reações
Natale e companhia observaram a atividade dos girinos, que são carnívoros bastante agressivos, quando se defrontavam com possíveis presas (em geral, girinos de outras espécies), com companheiros de espécie agressivos ou simplesmente quando os pesquisadores cutucavam os bichos.
Diante das presas, que podem devorar de uma bocada só ou arrancando pedaços pouco a pouco, os girinos ficavam de boca fechada. Mas, quando confrontados com companheiros de espécie agressivos ou com um cutucão dos cientistas, eles emitiam um trinado, faziam um movimento rápido de cauda e saíam nadando.
Coincidência ou não, o canibalismo nos tanques experimentais praticamente não foi registrado. Os pesquisadores apostam que o "canto" na verdade é um chamado de alarme que serve justamente para evitar que os girinos da mesma espécie devorem-se uns aos outros.
Isso porque, tanto em laboratório quanto na natureza, a densidade de girinos da espécie é baixa, enquanto há muito mais larvas de espécies que servem de almoço. "Cantando", os bichos evitariam as interações canibais, ao menos em grande parte.

Acta Zoologica/Reprodução 
  Girino, fase mais jovem do sapo-de-chifre; até nesta época ele sabe "cantar", concluem argentinos
  

domingo, 11 de abril de 2010

Jogo mortal canibalismo sexual de alguns animais

Jogo mortal

As fêmeas de algumas espécies de aranhas e outros animais se alimentam dos machos após o coito. Quais serão as vantagens desse canibalismo sexual? Em sua coluna de abril, Jerry Borges discute esse curioso fenômeno biológico.

Por: Jerry Carvalho Borges
Publicado em 05/04/2010 | Atualizado em 08/04/2010
 Fêmea de aranha da espécie 'Nephila clavata' devora o macho após a cópula. O canibalismo sexual é bastante comum em aranhas e escorpiões (foto: flickr.com/kumon - CC BY 2.0).

O hábito bizarro das fêmeas do louva-a-deus e da aranha viúva-negra de se alimentar dos machos durante a cópula é bastante conhecido. Recentemente a ciência tem procurado compreender mais profundamente essa forma extrema de canibalismo que pode ter efeitos significativos sobre o tamanho e a proporção entre machos e fêmeas das populações afetadas.
O canibalismo sexual ocorre quando a fêmeas matam e se alimentam dos machos de sua espécie antes, durante ou após a cópula. Essa forma de predação intraespecífica é um evento raro, descrito apenas em alguns crustáceos, moluscos, insetos e em aranhas e escorpiões, em que ele é bastante comum.
Apesar de o canibalismo sexual ser descrito quase que exclusivamente para as fêmeas, alguns crustáceos são exceções a essa regra. Nessas espécies os machos, que são maiores, podem predar as fêmeas durante o ato sexual.
Os motivos que fazem um macho se sacrificar durante a cópula podem parecer intrigantes. Esse comportamento de risco é resultante dos hormônios sexuais que levam os machos a buscar parceiras durante o período reprodutivo. Um coquetel de feromônios e comportamentos femininos voltados para atrair parceiros também contribuem para o processo.

É preciso ter em mente que os interesses reprodutivos são diferentes para ambos os sexos. Para as fêmeas, o canibalismo sexual pode assegurar a obtenção de nutrientes indispensáveis para a reprodução. Para elas, portanto, os machos, além doadores de esperma, seriam vistos apenas como mais uma presa.
Já para os machos, o envolvimento com as fêmeas pode parecer à primeira vista um  ‘jogo mortal’ – para eles, a predação de que são vítimas seria aparentemente desastrosa. Mas um exame detalhado desse processo pode indicar que mesmo os machos predados podem ganhar algo: esse comportamento suicida poderia assegurar a transmissão de seus genes para a prole. Seria, assim, um investimento parental extremo e uma forma de altruísmo masculino que garantiria o sucesso reprodutivo da espécie.
Deve-se levar em conta também que, em várias espécies, o ato sexual afeta os órgãos copulatórios masculinos e muitos machos não resistem a esses ferimentos ou tornam-se estéreis. É o que acontece, por exemplo, com os machos da aranhas Argiope aemula e Latrodectus hasselti. Por outro lado, machos de outras espécies – como a viúva-negra Latrodectus mactans – sobrevivem à cópula e podem fertilizar outras fêmeas.

Mesmo feridos após atacados pela fêmea, machos da espécie 'Argiope aemula', como o espécime da foto, se reaproximam para tentar copular novamente (foto: Akio Tanikawa - CC BY-SA 2.5).
Contribuição masculina
Pesquisas com duas espécies de aranhas indicam que machos podem ‘contribuir’ de alguma forma para o seu destino trágico. Nas duas espécies em questão, a reprodução depende da transferência de esperma por meio da inserção de um ou de ambos os palpos masculinos no corpo das parceiras.
Machos de Argiope aemula resistem fortemente quando capturados por fêmeas e podem chegar a perder algumas pernas para se defender. Contudo, vários dos machos sobreviventes se reaproximam da fêmea para tentar copular novamente e se tornam vítimas de suas parceiras sem opor resistência.
Esse comportamento peculiar pode estar associado com a necessidade desses machos ‘camicases’ de ter um período maior para a sua cópula ou, talvez, com uma tentativa deles de impedir o acesso de outros machos às fêmeas.
Já machos da Latrodectus hasselti (ou aranha-de-costas-vermelhas, como é chamada em inglês), por sua vez, dão saltos durante a cópula e acabam posicionando o seu abdome diretamente sobre as partes bucais das fêmeas que, assim, têm sua tarefa facilitada. Os machos predados pelas fêmeas não interrompem o processo de fecundação e permanecem no ato sexual por cerca de 10 a 15 minutos – aproximadamente o dobro de tempo de um macho que não foi predado.

Esse curioso ato masculino é vantajoso, pois diminui a probabilidade de novas cópulas femininas e gera uma proporção maior de ovos fertilizados do que os cruzamentos comuns. Obviamente, essas vantagens só são obtidas se o canibalismo ocorrer após a transferência do esperma.
Nessas duas espécies, os machos são bem pequenos e possuem apenas cerca de 2% do peso corporal de fêmeas. Assim, sua predação contribui muito pouco para o ganho de peso feminino ou para o desenvolvimento dos ovos. Por outro lado, em outras espécies, como nas aranhas de jardim Araneus diadematus, o canibalismo sexual proporciona um ganho de peso significativo para as fêmeas.

 Em espécies como a 'Dolomedes fimbriatus', o canibalismo sexual é praticado principalmente por fêmeas jovens, para as quais os nutrientes dos machos são importantes para o desenvolvimento (foto: N.Vėlavičienė - CC BY-SA 3.0).

Tamanho e fecundidade
A fecundidade das fêmeas de aranhas depende de seu tamanho e normalmente é determinada pela alimentação obtida durante a fase juvenil. Na espécie Dolomedes fimbriatus, o canibalismo sexual é realizado principalmente por fêmeas jovens, que necessitam de nutrientes para seu desenvolvimento. Contudo, essa prática é prejudicial na idade adulta, pois não contribui para o crescimento e pode fazer com que as fêmeas canibais permaneçam sem se acasalar.
Já o canibalismo sexual antes da cópula tem um significado totalmente diferente, pois pode impedir a ocorrência de fecundação. Essa modalidade talvez seja resultado de uma tentativa das fêmeas de evitar o acasalamento. De acordo com essa hipótese, as fêmeas avaliariam o potencial reprodutivo dos seus parceiros e simplesmente eliminariam aqueles que não as atraíssem. Vida de aranha macho não é fácil!

A territorialidade também deve ser considerada na análise do canibalismo sexual. As fêmeas de aranhas canibais, por exemplo, defendem fortemente o seu território. A invasão deste por indivíduos de ambos os sexos costuma resultar em disputas fatais.
Várias estratégias são utilizadas pelos machos para evitar o canibalismo sexual. Esses indivíduos se aproximam cautelosamente das fêmeas, tentam copular a uma distância segura e se retiram rapidamente após a cópula. Machos de viúva-negra, de aranhas-caranguejo (família Thomisidae) e de espécies da família Tetragnathidae podem prender as fêmeas em suas teias antes da cópula ou imobilizar as suas parceiras durante o ato sexual.

Escorpião e louva-a-deus

Escorpiões machos, por sua vez, picam e imobilizam temporariamente as fêmeas após a cópula. Os machos de aranhas construtoras de teias (Araneidae) e de aranhas saltadoras se aproximam apenas de fêmeas que estejam em período de muda – época em que o canibalismo não é possível – ou esperam para copular quando as fêmeas estejam se alimentando.

Fêmea de louva-a-deus se alimenta do macho. Há indícios de que, nessa espécie, a continuação da cópula mesmo após a decapitação do macho contribui para o sucesso da reprodução (foto: Oliver Koemmerling - CC BY-SA 3.0).

 Nos louva-a-deus, o sucesso da cópula não depende exclusivamente do canibalismo sexual. Contudo, nesses animais os machos podem copular mesmo depois de decapitados. Há inclusive indícios de que isso contribua para o sucesso da reprodução por meio da remoção da inibição neural dos movimentos copulatórios e de um auxílio na liberação de esperma. Contudo, como os machos de louva-a-deus podem se acasalar diversas vezes durante a vida, o canibalismo sexual pode afetar a diversidade genética dessa espécie.

As fêmeas de louva-a-deus obtêm nutrientes essenciais para a manutenção de sua prole com a prática do canibalismo dos machos. As fêmeas da espécie Tenodera aridofolia sinensis, por exemplo, têm até 63% da dieta composta por machos. Essa dieta faz com que elas produzam cápsulas com ovos (ootecas) maiores e um número de ovos e prole mais elevados. Uma única ooteca pode atingir cerca de 30-50% do peso da fêmea, o que representa um tremendo investimento para esses animais.
Portanto, o canibalismo sexual parece envolver um balanço entre diversos fatores, como a agressividade das fêmeas, a qualidade nutricional e o tamanho dos machos, as estratégias defensivas masculinas e a fecundidade e a razão sexual nas populações envolvidas. Além disso, a presença e a facilidade de captura de outras presas devem também ser consideradas.
A contribuição de cada um desses fatores pode variar sutilmente em cada caso analisado, o que torna a análise deste jogo mortal entre machos e fêmeas extremamente complexa e sujeita a um intenso debate.

Jerry Carvalho Borges
Departamento de Medicina Veterinária
Universidade Federal de Lavras
http://cienciahoje.uol.com.br/colunas/por-dentro-das-celulas/jogo-mortal

sábado, 10 de abril de 2010

Maior morcego das Américas

Maior morcego das Américas é encontrado no Pantanal

06 de abril de 2010 | 0h 00
Com um metro de envergadura e pesando 230 gramas, o maior morcego das Américas foi capturado no Pantanal de Mato Grosso do Sul. O morcego-fantasma-grande (Vampyrum spectrum) foi preso em 20 de fevereiro, na fazenda Nhumiram, situada na localidade de Nhecolândia, entre as cidades de Corumbá e Miranda, e apresentado ontem. O local concentra pesquisas da Embrapa Pantanal.

Achado no Pantanal, ele tem 1 m de envergadura
 Foto: Maurício Silveira

Maurício Silveira, um ecólogo que está recebendo ajuda dos pesquisadores locais para realizar sua dissertação de mestrado em ecologia na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul, armou a rede na mata fechada da fazenda e não esperava a surpresa. "É uma fêmea e o primeiro exemplar coletado até agora em toda a história de Mato Grosso do Sul. Não há registro sobre animais de maior porte desse gênero nas Américas."
Walfrido Tomás, um dos pesquisadores da Embrapa Pantanal, lembrou que, por volta de 1955, houve um registro da espécie no Pantanal Norte, no Estado de Mato Grosso.
"O novo registro revela que o ecossistema Pantanal tem influência geográfica de biomas mais florestais", diz Tomás. "Ainda conhecemos pouco da biodiversidade do Pantanal. Ainda há carência de inventários biológicos na região", diz.
Apesar do nome científico, o morcego não se alimenta de sangue. Trata-se de um carnívoro, que se alimenta de pequenos animais, como aves e roedores.

quinta-feira, 8 de abril de 2010

III SEMANA DO MEIO AMBIENTE SEMEIA - Biodiversidade Neotropical

III SEMANA DO MEIO AMBIENTE SEMEIA
Biodiversidade Neotropical
 
30 de MAIO a 06 de JUNHO de 2010
 
Universidade Católica do Salvador (Campus Pituaçu), Salvador / Bahia / Brasil
 
 
Palestras
Fóruns de Discussão
Minicursos
Oficinas
Trabalhos Científicos (Simples e Expandido)
Concurso de Fotografia (muitos prêmios)
Stands
Exposições
 
Dia Internacional do Meio Ambiente
Ano da Biodiversidade - 2010
 
 
 
 
PARCEIROS 2010
 
Centro de Ecologia e Conservação Animal – ECOA
Núcleo Integrado de Estudos em Zoologia – NIEZ
Centro de Estudos em Genética e Biologia – CEGBIO
Projeto Pressa Guigó – Lamarão/BA
Countdown 2010 – Save Biodiversity
Universidade Católica do Salvador – UCSAL
Lacerta Consultoria, Projetos e Assessoria Ambiental LTDA
 
 
INSCRIÇÕES ABERTAS
                                                        
SUBMISSÃO DE TRABALHOS PRORROGADO PARA 20 DE ABRIL
 
ENVIO DE FOTOS: ATÉ 10 DE MAIO
 
 

Danilo Couto Ferreira

Graduando em Ciências Biológicas - Universidade Católica do Salvador
http://www.ucsal. br/

Centro de Ecologia e Conservação Animal - ECOA
http://www.ucsal. br/pesquisa/ ecoa/pesq_ apresentacao. asp

III Semana do Meio Ambiente - SEMEIA. Tema 2010: Biodiversidade Neotropical.
http://www.semeia. bio.br/

Cientistas descobrem origem das pintas e listras dos animais

Cientistas descobrem origem das pintas e listras dos animais

O grupo americano identificou uma proteína que ordena a certas células que produzam pigmentos

07 de abril de 2010 | 14h 07
Pesquisadores da Universidade de Wisconsin-Madison acreditam ter determinado o mecanismo molecular por meio do qual animais como pássaros, borboletas e serpentes produzem os padrões coloridos de cobertura que usam como camuflagem ou para atrair parceiros. O trabalho está publicado na edição desta semana da revista Nature.
Após 10 anos, genoma humano ainda oferece mais desafio que solução
"Como surgem os padrões complexos? Esta é uma pergunta que intriga cientistas há muito tempo", disse Sean Carroll, biólogo molecular e principal autor do artigo na Nature, em nota distribuída pela Universidade. "Agora, acreditamos ter determinado todos os ingredientes fundamentais, e que são aplicáveis de modo genérico".

 Drosophila guttifera, a mosca usada no estudo. Nicolas Gompel e Benjamin Prud'homme/Divulgação

O grupo americano identificou uma proteína que ordena a certas células que produzam pigmentos.
Para desvendar o segredo da ornamentação dos animais, os pesquisadores mergulharam na história evolutiva de uma mosca, a  Drosophila guttifera, que gera um padrão complexo de 16 pintas nas asas.
O grupo descobriu um morfógeno, uma proteína presente em tecido embrionário e que é codificada por um gene conhecido como "Wingless", e que parece ser a base da decoração das asas. No final do desenvolvimento da asa, o morfógeno Wingless surge e se difunde pelo tecido, onde estimula células de certas áreas a produzir pigmentação. "Ele age ao induzir as células sensíveis a fazer coisas. No caso, gerar coloração", diz Carroll.
Na mosca, o morfógeno atua nas proximidades de pontos físicos especiais, como a interseção de veias. O surgimento das manchas parece ser determinado pela localização desses padrões preexistentes. "A molécula é colocada, nesta espécie, em pontos específicos no tempo e em lugares específicos, os lugares onde as manchas vão surgir". 
Inserindo o gene Wingless em diferentes partes do genoma da mosca, a equipe foi capaz de manipular a decoração da asa do inseto, criando listras em vez de pintas, e padrões que não existem na natureza. "Podemos customizar as moscas", afirma Carroll.
 http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,cientistas-descobrem-origem-das-pintas-e-listras-dos-animais,535050,0.htm

Receitas naturais reduzem TPM

08/04/2010 - 15h05

Receitas naturais reduzem TPM, que piora humor de 56% das brasileiras

FERNANDA BASSETTE
da Reportagem Local
A gangorra hormonal antes da menstruação inferniza a vida de seis em cada dez brasileiras --para não falar nos homens à sua volta, que muitas vezes sofrem por tabela os efeitos da coisa. A popularidade da tensão pré-menstrual, ou simplesmente TPM, está cientificamente comprovada: a expressão faz parte do vocabulário de quase todas as mulheres.
Nervosismo e ansiedade são os principais sintomas relatados por elas: 76,4% das mulheres que têm TPM sofrem esse tipo de problema. Mais da metade delas têm alterações de humor e crises de choro, a metade delas sente cólicas fortes e pouco mais de um terço relata dor e inchaço nos seios.

Eduardo Knapp/Folha Imagem
Ioga atenua o desconforto físico e a instabilidade emocional na época da TPM


As constatações são de um estudo feito pela Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) e pelo Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas. Durante pouco mais de um ano, os pesquisadores entrevistaram pessoalmente 1.053 mulheres entre 18 e 40 anos, de seis capitais brasileiras.
Os resultados foram publicados na revista científica "International Journal of Gynecology and Obstetrics" e mostram uma realidade que não poderia ser diferente: 65,4% das entrevistadas consideraram que todas as mulheres em algum momento da vida já experimentaram a TPM e 87,5% confirmaram que os sintomas acontecem antes da menstruação.
Hipócrates, o médico grego, relatou as alterações hormonais no ano 400 a.C., mas as primeiras descrições oficiais da TPM só apareceram em 1931. Estudos epidemiológicos brasileiros nunca foram feitos -o que havia até agora eram pequenos trabalhos localizados.
"O ineditismo desse trabalho está em traçar o perfil da mulher moderna. Trata-se de um raio-x sério do problema, que foi feito com rigor científico e incluiu mulheres de todas as regiões do país", diz o ginecologista Carlos Alberto Petta, professor da Unicamp e autor principal do levantamento.
Alternativas
O problema é comum, mas não dá para generalizar. Há mulheres que não têm TPM. Segundo a pesquisa, essas sortudas são 40% da população.
Existem três graus do problema: leve (45% das mulheres), moderado (45%) e intenso (10%). Nesse último grau, a TPM também é chamada de transtorno disfórico e considerada uma doença, que necessariamente deve ser tratada com medicamentos.
Mas esse tipo de distúrbio intenso --tratado em geral com antidepressivos e anticoncepcionais--, é raro. Na maioria dos casos, dá muito bem para aliviar os sintomas que aparecem nos dias que antecedem a menstruação com uma série de atitudes simples relacionadas a alimentação, atividades físicas e outras saídas naturais.

Editoria de Arte/Folha Imagem

 ISTO AJUDA


Chá de camomila
E de maracujá são consagrados para aliviar crises nervosas e promover uma sensação de relaxamento. São ideais para mulheres com sintomas de ansiedade e nervosismo. Já a erva-de-são-joão (Hypericum perforatum) é indicada para mulheres que apresentam sintomas depressivos.
Óleo de prímula
Seu princípio ativo é o ácido linoleico, um tipo de ácido graxo essencial para o bom funcionamento do organismo. Mesmo sem comprovação científica dos benefícios, é um produto natural, que melhora o trânsito intestinal e diminui o inchaço do corpo. É administrado em cápsulas.
Castanhas
São uma importante fonte de ácidos graxos ômega-3, 6 e 9. Também são ricas em vitamina B6, um nutriente que tem participação no controle dos níveis de serotonina, neurotransmissor relacionado ao bem-estar, além de combater as náuseas, a acne, as dores de cabeça e a irritabilidade.
Frutas
Mulheres com tensão pré-menstrual podem apresentar níveis baixos de magnésio. A ingestão de alimentos ricos nesse nutriente, como a banana, o figo e os frutos do mar, nesse período, podem contribuir para compensar essas deficiências ao elevar os níveis de serotonina.
Ioga
A prática de ioga atenua o desconforto físico e a instabilidade emocional. Há posições que relaxam e abrem a região do ventre, facilitando o fluxo menstrual e aliviando as cólicas. Anderson Allegro, da escola Aruna Yoga, diz que a instabilidade emocional pode ser contornada com a técnica de Yoga Nidra, o relaxamento profundo.
Uma série de exercícios respiratórios (os pranayamas) também reduz o desconforto. "Inspiramos contando de um a três, retemos o ar contando de um a três novamente. Expiramos contando, agora, de um a seis", ensina. A prática regular da ioga também ajuda a equilibrar o sistema endócrino, fazendo com que as alterações hormonais se tornem menos intensas, diz Allegro.
Bolsa de água quente
Conforto que passa de mãe para filha, a bolsa reduz dores e desconfortos abdominais, como a cólica menstrual, relatada por 45% das mulheres. "Ela proporciona uma sensação de relaxamento semelhante a um banho morno", diz o ginecologista Cláudio Basbaum, do hospital São Luiz.
Verduras
Não existem evidências científicas sobre efeitos específicos desses alimentos. Mas ingerir folhas escuras, nozes e cereais integrais (todos ricos em magnésio) pode provocar um aumento da serotonina, neurotransmissor que está em baixa durante a TPM e que contribui para a melhoria da autoestima e das oscilações do humor.
Acupuntura
Entre as alternativas não-medicamentosas para o alívio da TPM, a acupuntura é a mais recomendada. Segundo a médica acupunturista Angela Tabosa, da Unifesp, ela atua de duas formas: energicamente --as cólicas seriam uma estagnação de energia na pelve e, assim, a acupuntura restabeleceria a circulação energética, diminuindo a dor-- e por meio da ação analgésica, que possui resultados científicos comprovados.
Fibras
Alimentos como arroz integral, aveia, gérmen de trigo e pães integrais ajudam a regular o intestino e proporcionam a sensação de saciedade. Assim, segundo a nutricionista Thaís Seabra, a mulher acaba consumindo menos açúcares simples e gorduras --alimentos que, em excesso, colaboram para piorar os sintomas da TPM.
Exercícios aeróbicos
A prática regular de atividades físicas também ajuda a driblar a TPM. Fazer exercícios aeróbicos (correr, dançar, pedalar) três vezes por semana por ao menos 30 minutos tem um resultado próximo ao dos medicamentos: alivia em cerca de 40% os sintomas, diz Aline Polanczyk, do ambulatório de TPM da PUC- RS. As atividades de ritmo aceleram o metabolismo e aumentam a produção de endorfinas --que trazem relaxamento e bem-estar.
Leite e derivados
São ricos em cálcio e ajudam a reduzir o desconforto e as dores no corpo. Ingerir leite e derivados favorece a absorção de magnésio --o que eleva os níveis de serotonina no organismo. Mas há um porém. Queijos muito gordurosos e salgados (como parmesão, gongonzola e brie) são desaconselhados. Os mais indicados são ricota fresca e minas.
Massagem e drenagem
Um dos nós da TPM é a retenção de líquido. A drenagem linfática é uma massagem que estimula a circulação da linfa (que carrega as toxinas acumuladas), para que ela seja eliminada pelo suor ou pela urina. "Além de auxiliar na eliminação do líquido, a drenagem também é relaxante. Muitas mulheres aumentam o número de sessões quando entram no período da TPM", diz a fisioterapeuta Maria Teresa Bicca Dode, da Clínica Hara.
ISTO ATRAPALHA
Sal
O excesso de sal favorece a retenção de líquido e o inchaço, o que contribui para sintomas clássicos da TPM. Alguns alimentos, como melancia, agrião e aspargo, ajudam a eliminar água do corpo, reduzindo o inchaço.
Álcool
Além de aumentar a instabilidade emocional, o consumo de bebidas alcoólicas também pode elevar a probalidade de a mulher apresentar dor de cabeça, fadiga, insônia e até mesmo depressão.
Chocolate
Apesar de proporcionar uma sensação de bem-estar no início (devido ao aumento da serotonina), o excesso de chocolate tem efeito contrário e piora os sintomas (porque tem substâncias comprovadamente excitantes).
Cafeína
Café, chá-preto e alguns refrigerantes aumentam a ansiedade, a insônia e a instabilidade emocional. Assim, recomenda-se evitar esse tipo de bebida, pois elas são excitantes do sistema nervoso central.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u718018.shtml

Cientistas encontram nova espécie de hominídeo

08/04/2010 - 18h18

Cientistas sul-africanos encontram nova espécie de hominídeo

REINALDO JOSÉ LOPES
da Reportagem Local
O nome da nova espécie de hominídeo foi escolhido a dedo: Australopithecus sediba. "Sediba" é "fonte" em sesotho, uma das principais línguas nativas da África do Sul, e resume a interpretação dos descobridores da criatura. Para eles, a espécie é a antecessora direta do gênero humano, o Homo do célebre nome científico Homo sapiens --e, portanto, ancestral de toda pessoa viva hoje.
Num campo tão disputado quanto o dos estudos sobre a evolução humana, uma afirmação desse naipe equivale quase sempre a mexer num vespeiro, e já há antropólogos contestando os "pais" do A. sediba, liderados pelo americano Lee Berger, da Universidade do Witwatersrand, na África do Sul.
Disputas à parte, os fósseis de 1,9 milhão de anos --dois indivíduos incompletos, um macho adolescente e uma fêmea adulta (veja vídeo abaixo)-- trazem novos dados sobre uma das fases mais importantes e confusas das origens do homem, quando o solo africano estava coalhado de espécies diferentes de macacos bípedes, quase todas candidatas a bisavós da humanidade.

Brett Eloff/Reuters

Dois desses bichos já conhecidos, o Homo habilis e o Homo rudolfensis, poderiam ser "rebaixados" a australopitecos graças aos novos fósseis, explicou Berger à Folha. "De fato, estamos sugerindo que o A. sediba é um melhor candidato a ancestral do Homo erectus [essa sim uma espécie que quase todo mundo considera membro da linhagem direta do homem], embora sejamos cuidadosos nessa interpretação. Isso significa que o mais adequado seria colocar o H. habilis no gênero Australopitechus", diz ele.
Os dentes pequenos e o quadril mais apropriado para longas caminhadas ou até corridas são a principal pista de que o A. sediba seria um ancestral direto do gênero Homo, argumentam os cientistas em artigo na revista especializada "Science".
De cinema
A história contada por Berger sobre a descoberta dos fósseis mais parece narrativa cinematográfica. O pesquisador, seu filho de nove anos, Matthew, e o cão da família, chamado Tau, prospectavam fósseis em cavernas perto de Johannesburgo, numa região já famosa pelos restos mortais de hominídeos. Matthew tropeçou e, ao levantar, tinha nas mãos uma clavícula "humana" --justamente o osso que o pai tinha estudado em seu doutorado.
A idade e a anatomia da criatura sugerem, para os pesquisadores, que se trata de um descendente do A. africanus, um hominídeo ainda mais antigo que habitou a mesma região entre 3 milhões e 2,4 milhões de anos atrás. "Esse material novo pode muito bem representar uma espécie que é descendente do A. africanus, de fato", concorda o britânico Bernard Wood, professor de origens humanas da Universidade George Washington (EUA).
Wood, porém, completa o raciocínio com uma ducha de água fria: "Para mim não está claro que ele tenha qualquer razão especial para ser considerado um ancestral do gênero Homo. Seus membros são pelo menos tão primitivos quanto os que vemos no A. africanus".
Outro problema, acrescenta Fred Grine, antropólogo da Universidade Stony Brook (EUA), é a idade. "A espécie é tardia demais [para ser ancestral do gênero Homo]. É pelo menos 300 mil anos mais nova do que a primeira ocorrência do H. habilis na Etiópia", diz.
Por outro lado, John Fleagle, também da Stony Brook, diz que o tempo não é tão importante assim. "A evolução humana nessa época era tão complexa que não dá para traçar uma árvore genealógica simples e linear. É perfeitamente possível que os 'ancestrais' sobrevivessem junto com seus descendentes. Imagine que algo como a nova espécie estivesse espalhado pela África há 2,5 milhões de anos. Então a parte norte dessa população evolui e se torna o H. habilis. A parte sul pode muito bem não ter mudado muito em 500 mil anos", diz Fleagle. "É uma descoberta incrível, e temos de dar crédito à perseverança do Doutor Berger, que continua a procurar fósseis por lá ano após ano."
http://www1.folha.uol.com.br/folha/videocasts/ult10038u718158.shtml

Animal que vive em água sem oxigênio

08/04/2010 - 09h40

Italianos descobrem animal que vive em água sem oxigênio

REINALDO JOSÉ LOPES
da Reportagem Local
Um ambiente capaz de asfixiar todos os animais conhecidos do planeta foi colonizado por pelo menos três espécies diferentes de invertebrados marinhos.
Descobertos a mais de 3.000 m de profundidade no Mediterrâneo, eles são os primeiros membros do reino animal a prosperar mesmo diante da ausência total de oxigênio.

Editoria de Arte/Folha Imagem
Até agora, achava-se que só bactérias pudessem ter esse estilo de vida, conhecido como anaeróbico. Não admira que os bichos pertençam a um grupo pouco conhecido, o dos loricíferos, que mal chegam a 1 mm.
Apesar do tamanho, possuem cabeça, boca, sistema digestivo e uma carapaça.
As três espécies foram achadas pela equipe de Roberto Danovaro, da Universidade Politécnica das Marche, na Itália, ao sondar a chamada bacia do Atalante, abismo marinho entre a Itália, a Grécia e o norte da África.
Além de desprovida de oxigênio, a bacia possui altas concentrações de sal e é rica em sulfeto de hidrogênio, gás tóxico que dá o cheiro aos ovos podres. Numa região tão profunda e inóspita, é esperada a presença de cadáveres de invertebrados, que "chovem" das partes mais superficiais do oceano.
Prova
Por isso, Danovaro e companhia, para comprovar que os bichos realmente viviam lá, trouxeram os animais para a superfície e administraram um nutriente "marcado" com átomos radioativos, fáceis de detectar. Viram, então, que as criaturas estavam mesmo vivas, já que devoraram a comida recebida.
Os resultados estão em artigo publicado na revista científica "BMC Biology". "Os argumentos deles são convincentes. De fato, trata-se de um metabolismo antes só conhecido para bactérias e outros micróbios", diz Angelo Bernardino, do Departamento de Ecologia e Oceanografia da Universidade Federal do Espirito Santo.
A adaptação dos bichos à vida no sufoco é tão profunda que suas células dispensaram as chamadas mitocôndrias, estruturas que ajudam qualquer animal "normal" a usar oxigênio.
É uma mudança evolutiva radical, já que as mitocôndrias acompanham os ancestrais dos animais há bilhões de anos. Os habitantes das profundezas parecem ter trocado suas mitocôndrias por outras estruturas, mais adequadas a condições pouco oxigenadas.
"Esses loricíferos representam o primeiro caso dessa adaptação, mas as etapas do metabolismo deles provavelmente são parecidas com as que vemos em outros ambientes do mar profundo, onde há animais que se associam a bactérias capazes de aproveitar compostos químicos do lugar", afirma Bernardino, que espera mais descobertas do tipo.

http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u717911.shtml

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Fumo passivo eleva risco cardiovascular

05/04/2010 - 11h12

Fumo passivo eleva risco cardiovascular em crianças e jovens

RACHEL BOTELHO
da Folha de S.Paulo
O fumo passivo pode afetar a saúde das artérias bem mais cedo do que se acredita. Crianças e adolescentes que moram com pessoas fumantes já apresentam, em consequência, um espessamento das paredes dos vasos, conforme revela uma pesquisa finlandesa publicada no periódico "Circulation". Até este momento, esse efeito da exposição à fumaça do cigarro não havia sido estudado em menores de 18 anos.
A pesquisa envolveu 494 crianças de oito a 13 anos. Os cientistas mediram vários parâmetros que avaliam a saúde das artérias e verificaram que, nas pessoas expostas ao cigarro, os indicadores eram piores.
Os participantes foram divididos em grupos conforme os níveis de cotinina encontrados no sangue --esse subproduto da nicotina é o principal marcador para exposição à fumaça.
Um exame de ultrassom mediu o espessamento da aorta e da carótida. Os resultados da análise mostram que as crianças com mais cotinina no sangue tinham paredes das carótidas 7% mais espessas, em média, do que aquelas com níveis mais baixos da substância.
A aorta dos integrantes do grupo exposto à fumaça de cigarro mostrou-se 8% mais espessa, em média.
A flexibilidade das artérias do braço --ou fluxo da artéria braquial--, outro parâmetro da saúde dos vasos e do risco cardiovascular, mostrou-se 15% inferior nos adolescentes com níveis mais altos de cotinina. O colesterol desses pesquisados também estava elevado.

Editoria de Arte/Folha de S.Paulo  

Infarto e derrame
Segundo a cardiologista Jaqueline Scholz Issa, diretora do programa de tratamento de tabagismo do InCor (Instituto do Coração), esses sinais podem anteceder ou ocorrer paralelamente à aterosclerose --estando, assim, diretamente associados a eventos cardiovasculares, como infarto e derrame.
A boa notícia é que o problema pode ser revertido. "Levam-se 24 horas para recuperar a disfunção endotelial que surge após meia hora de exposição a fumaça. Mas, se a exposição for crônica, com o tempo a pessoa poderá ter um evento cardiovascular agudo, como infarto ou AVC, se tiver outros fatores de risco", diz Issa.
Em outras palavras, a doença pode não se manifestar durante a infância, mas, se a criança ou o adolescente continuar exposto à fumaça, poderá apresentar aterosclerose mais precocemente do que pessoas que não convivem com o fumo.
"É uma pesquisa de ponta, com uma metodologia sofisticada e muitos adolescentes. É mais um dado que mostra que fumar em ambiente fechado não está com nada", afirma.
Fisiologia alterada
Segundo Frederico Leon Arrabal Fernandes, médico colaborador do grupo antitabagismo do Hospital Universitário da USP, o impacto do fumo passivo nas doenças respiratórias das crianças já é muito conhecido, mas seu efeito no sistema cardiovascular, ainda não.
"Esses dados são muito interessantes, porque mostram que a fisiologia da criança já está alterada, e é sobre essa base que vai se desenvolver uma doença cardiovascular quando ela se tornar adulta."
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u716328.shtml

sábado, 3 de abril de 2010

Chocólatras, vejam os benefícios e riscos associados a essa guloseima.

Só quero chocolate

Não deixe de saborear seu ovo de Páscoa. Mas, se você é chocólatra de carteirinha, veja o que especialistas têm a dizer sobre os benefícios e riscos associados a essa deliciosa guloseima

03 de abril de 2010 | 16h 00

Você já refletiu sobre qual é a sua reação após saborear um pedaço de chocolate? Para enorme parte das pessoas, a sensação é muito mais do que a de simples saciedade: vem acompanhada também de relaxamento, prazer e sentimento de felicidade. Isso teria um preço para a saúde? Especialistas divergem sobre prós e contras do chocolate. Mas concordam em um ponto: vale a regrinha do consumo moderado.
 Alex Silva/AE
Ayme. A médica diz que chocolate é sua fonte de energia para trabalhar

Um relatório apresentado pela Associação de Cardiologia dos Estados Unidos sustenta que o chocolate ajuda a reduzir os riscos de ataque cardíaco e diminui a tendência de coagulação das plaquetas e de obstrução dos vasos capilares. "Embora sejam comprovados os seus benefícios para prevenir doenças cardiovasculares, é importante ressaltar que o consumo deve ser em pequenas quantidades, uma vez que contém gordura saturada e açúcar que, em excesso, podem ser nocivos à saúde", afirma Daniel Magnoni, cardiologista e nutrólogo do Hospital do Coração.
O brasileiro parece não moderar o consumo. Segundo a Abicab (Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados), em 2008, a produção do País atingiu 300 mil toneladas. Isso garantiu ao Brasil o posto de quarto maior produtor de chocolates do mundo, ficando atrás apenas dos Estados Unidos, Alemanha e Inglaterra.
O médico psiquiatra Arthur Kaufman, coordenador do Prato (Programa de Atendimento ao Obeso), do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas, afirma que há diferenças entre uma pessoa que gosta de chocolate e outra que se diz viciada na guloseima. "Quem não consegue ficar um dia sem comê-lo, mas não ultrapassa 30 gramas, tem um hábito saudável", afirma. "Agora, se a pessoa come 300 gramas por dia, é viciada ou compulsiva."
Prazer e culpa. Para o médico, nem todo chocólatra é compulsivo, mas ambos apresentam um problema. "Uma situação de estresse desencadeia um desejo incontrolável para o compulsivo. Ele só vai parar de comer após devorar tudo", assegura. "O viciado, porém, passa o dia beliscando, até se dar conta de que não resta mais nada", compara. Outra diferença entre ambos, acrescenta, é que o primeiro, na maioria das vezes, sente um prazer indescritível de imediato, seguido de uma grande culpa logo depois.
A médica Ayme Carboni, de 30 anos, tem uma rotina exaustiva de trabalho e admite que o chocolate, além de lhe garantir energia, causa uma extrema sensação de prazer. "Não adianta comer qualquer outro doce. Só o chocolate me sacia", revela. "Por outro lado, fico saciada com um bombom de 30 gramas na sobremesa do almoço e outro no fim da tarde. Essa quantidade já é suficiente para eu me sentir bem", afirma Ayme, que, por causa de uma promessa, passou 30 dias sem chocolate. "Foi desesperador. Por mais que tenha um consumo controlado, me senti muito mal. Era como se tivesse em crise de abstinência", lembra.


Irina. Só se satisfaz quando a caixa está vazia

A estudante de desenho industrial Irina Serrano, de 22 anos, diz que seu vício pelo chocolate começou na infância, com a dupla leite e achocolatado. Porém, há muitos anos, a bebida deixou de ser suficiente. "Não vivo sem um bombom", relata ela, que come, no mínimo, dois chocolates por dia. "Se vejo uma caixa aberta, vou comendo aos poucos até a embalagem ficar vazia."
Para a nutricionista Karyna Pugliese, da Clínica Dr. José Bento de Souza, cortar de uma vez o chocolate da dieta pode piorar o quadro. "Eu digo às pacientes que a total privação tende a intensificar o desejo pelo doce e o resultado pode ser trágico", afirma.
Chocolate e TPM. Alguns estudos apontam que mulheres consomem mais chocolate por causa das flutuações hormonais. Na fase pré-menstrual, com a alteração nos níveis de estrógeno e progesterona, a serotonina fica mais baixa, o que levaria a uma maior busca por doces e alimentos palatáveis.
Para o ginecologista e obstetra José Bento de Souza, especialista em Reprodução Humana, a mulher, no período pré-menstrual, sofre com o desequilíbrio dos neurotransmissores e também com o excesso de insulina que circula na corrente sanguínea. "E o triptofano presente no chocolate - uma das substâncias precursoras da serotonina (responsável pela sensação de bem-estar) - ajudaria a equilibrar esses neurotransmissores e também controlaria a produção excessiva de insulina", justifica. "É essa reação química que deixa a mulher mais calma", afirma o ginecologista, que indica uma porção de 30 gramas de chocolate meio amargo no período que antecede a menstruação.
Vale lembrar que os chocolates amargos e meio amargos têm mais cacau, e menor teor de açúcar e gordura. Por isso, costumam ser mais recomendados do que os outros tipos.
No entanto, para o ginecologista e obstetra Alberto D’Auria, diretor do Grupo Santa Joana de Maternidade, é exatamente na TPM que a mulher deve evitar chocolate, café e refrigerantes à base de cola. O médico, que investigou o comportamento feminino nessa fase durante cinco anos, diz que a teobromina, uma substância da família da cafeína, piora o quadro da TPM, principalmente no que diz respeito à retenção de líquido e à irritabilidade.
"A sensação de prazer é tão fugaz e transitória depois de comer o chocolate que, em poucos minutos, há novamente a queda da serotonina e a mulher volta ao estágio anterior."
D’Auria diz que praticar exercícios físicos é a melhor forma de liberar serotonina e endorfina durante a TPM. "Porém, a partir do primeiro dia da menstruação, tanto uma porção pequena de chocolate - de preferência, amargo ou meio amargo - como o cafezinho são bem-vindos", acrescenta. "Nessa fase, a cafeína (também presente no chocolate) melhora a imunidade e o sistema cardiocirculatório, e protege o cérebro."
DEPENDÊNCIA SÓ PSICOLÓGICA
As nutricionistas Samantha Macedo e Cristiane Cedra, ambas da Equilibrium Consultoria em Nutrição e Bem-Estar, afirmam que, apesar de não existir nenhuma comprovação científica de que o chocolate cause dependência, percebe-se que algumas pessoas, diante da privação do consumo, apresentam reações psicofarmacológicas iguais às do vício.
"Pesquisadores da Universidade de Tampere, na Finlândia, observaram que as pessoas que demonstram um desejo incontrolável pelo chocolate possuem padrões alimentares irregulares e humores variáveis, além de níveis de salivação e ansiedade fora dos padrões, quando não consomem a guloseima", afirma Cristiane Cedra.
Segundo o psiquiatra Arthur Kaufman, pacientes com essas características têm tendência à depressão. "Precisam de ajuda médica, nutricional, psicológica e, muitas vezes, psiquiátrica, com o uso de medicamentos para conter a ansiedade." Para o médico, é preciso que o paciente descubra outras formas de prazer.
Porém, Kaufman destaca que, ao contrário do cigarro, do álcool e de outras drogas, o chocolate não causa dependência biológica. "A pessoa pode apresentar sintomas de uma dependência psicológica, mas não física", acredita o médico.

sexta-feira, 2 de abril de 2010

Paciência!!! Pedem os cientistas a quase 10 anos do genoma humano.

01/04/2010 - 12h40

Cientistas pedem paciência perto de 10 anos de genoma humano

RICHARD INGHAM
da France Presse, em Paris
O genoma não cumpriu ainda as promessas anunciadas de um século de ouro da medicina, mas a revolução ainda está no início e pode dar frutos, afirmam os especialistas, em um debate pelo aniversário próximo de 10 anos do primeiro rascunho do código genético humano.
No dia 26 de junho de 2000, duas equipes --uma pública e outra privada-- empreenderam uma frenética corrida de milhões de dólares para ver quem seria a primeira a publicar um rascunho do DNA humano.

Jorge Araújo/Folha Imagem
O cientista e pesquisador Craig Venter, que ficou famoso com sua empresa Celera Genomics, feita para decifrar o genoma humano


Desde então, investiram milhões de dólares na pesquisa.
Trata-se de buscar novos medicamentos para combater o câncer, as doenças coronarianas e cerebrais, entre outras patologias para o ser humano.
Deve proporcionar os instrumentos para fazer diagnósticos confiáveis sobre a propensão de um indivíduo de desenvolver determinadas doenças e também encaminhar a ciência para tratamentos na medida certa para cada paciente.
Mas, à medida que o aniversário se aproxima, as opiniões sobre as conquistas durante a década apontam para o fato de que os resultados ainda estão longe da revolução médica.

Modestos
"Os resultados para a medicina clínica foram, de longe, modestos", admite Francis Collins, nesta semana na revista científica "Nature". Ele dirigiu a pesquisa pública Projeto Genoma Humano (HGP).
"Foram desenvolvidos alguns medicamentos potentes para certos tipos de câncer; os testes genéticos podem prever se as pessoas que sofrem de câncer de mama precisam fazer quimioterapia; foram identificados os principais fatores de risco de degeneração macular (uma doença dos olhos) e se pode prever a resposta de mais de uma dezena de medicamentos".
"Mas é justo dizer que o Projeto Genoma Humano ainda não tem efeitos diretos no tratamento médico da maioria dos indivíduos", afirmou.
O biólogo e empresário americano Craig Venter, que também se lançou na aventura há 10 anos, pede paciência.
"A revolução do genoma acabou de começar", considera Venter.

Marcela Fae-28.fev.08/Folha Imagem

Modelo gigante da molécula de DNA na exposição "A Era do Genoma", no Prodam, parque Ibirapuera, em São Paulo, SP

 Queda de custo


O ponto positivo é que o custo do sequenciamento do genoma caiu de forma assombrosa entre 1999 e 2009.
O Projeto Genoma Humano (HGP) foi financiado com US$ 3 bilhões, ou aproximadamente um dólar por cada par ou anel da escada genética, e demorou 10 anos para produzir o rascunho, que foi seguido por uma versão "polida" em 2003.
Hoje, as companhias californianas Illumina e Life Tchnologies dizem que podem fazer o mesmo trabalho em um dia por menos de US$ 6.000, enquanto a rival Complete Genomics oferece o serviço supostamente por US$ 5 mil.
Esta queda dos custos permitiu que os cientistas decifrassem o DNA de toda uma gama de espécies não humanas: mais de 3.800 organismos, desde ratos até moscas das frutas, também utilizados nas pesquisas em laboratório.
Na próxima década, destaca Venter, poderá ser feito o DNA do esperma, das células embrionárias, de celulas pré-tumorais e das células-tronco, para ver se são saudáveis ou propensas a doenças.

Significado
Mas a pergunta hoje em dia é: "Por que demora tanto tempo para dar resultados?". A razão é que uma coisa é ter uma mina de dados, e outra é compreender seu significado.
E o significado acaba por ser muito mais complexo que o pensamento: o número de genes de um organismo não é automaticamente um sinal de sua complexidade, já que os genes e as proteínas que controlam podem desempenhar múltiplas funções.
Atualmente, nesta inundação de informações, faltam meios para manipular os dados com coerência e desbravar seu conteúdo.
"Agora que foi sequenciado quase todo o genoma humano, poucos compreendem como atuam realmente os genes", disse Monika Gisler e membros do ETH Zúrich, uma pesquisadora suíça e a universidade tecnológica, no jornal "Arxiv.org".
"Sabe-se que levará décadas para explorar os frutos do Projeto Genoma Humano, através de um processo lento e árduo que aponta para desbravar a complexidade extraordinária do problema", acrescenta.
Uma aposta a longo prazo.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u715179.shtml