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sexta-feira, 26 de julho de 2013

Salvador é a 3ª capital com maior incidência de tuberculose

Salvador é a 3ª capital com maior incidência de tuberculose

Cláudio Bandeira
Febre, hemoptise, dispneia e suores noturnos/ A vida inteira que podia ter sido e que não foi/ Tosse, tosse, tosse. O poema de Manuel Bandeira define o drama enfrentado por milhares de pessoas que padeceram ao longo da vida com a tuberculose.
Sem tratamento eficaz, a única coisa a fazer então era, como define o poeta, "tocar um tango argentino".
Atualmente, apesar de haver medicamentos, que asseguram um margem de quase 100% de cura, e um programa de diagnóstico e distribuição de remédios que consomem R$ 70 milhões por ano no País, a doença não deixou de ser algo do passado e continua matando.
Os desafios e avanços no enfrentamento da doença são debatidos  por gestores e especialistas dos governos federal, estadual e municipal no IV Encontro de Pesquisa em Tuberculose, promovido pelo Instituto de Saúde Coletiva da Ufba (ISC-Ufba)  em parceria com o Ibit, que prossegue até esta sexta-feira, 26, no Salão Nobre da Reitoria da Ufba. 
A tuberculose é a quarta causa de morte por doenças infecciosas no Brasil e a primeira em pacientes com Aids. Em 2012, foram registrados 70 mil novos casos e cerca de cinco mil mortes.
Salvador é a terceira capital em número de casos, com uma média de três mil a cada ano, segundo estatísticas do Ministério da Saúde (MS), que considera o município prioridade no combate à doença.
"Na Bahia, no início da década, era uma média de sete mil casos por ano. Em 2012, foram 4.980",  destaca a técnica do programa estadual de combate à tuberculose da Secretaria  da Saúde (Sesab), Rosângela Palheta. 
A taxa de incidência é de 37,3 casos a cada 100 mil habitantes, e a de mortalidade, segundo o MS, está em torno de 2,4/100 mil. Se comparado com 2001, houve  uma diminuição de 22,6% dos casos. Mas o número de óbitos  permanece alto.
Resistência - Agravada pela pandemia do vírus HIV, causador da Aids, a tuberculose mata globalmente 1,7 milhão por ano, e o abandono do tratamento antes do prazo de cura - que é de seis meses -  tem permitido que cepas do bacilo de Koch, o causador da doença,  adquiram resistência aos antibióticos disponíveis.
Segundo estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 30% da população global está infectada, embora nem todos venham a adquirir a doença. "Para cada 100 contaminados, cinco vão desenvolver a tuberculose",  estima o coordenador do Centro de Pesquisas do Ibit e  professor da Ufba, o médico Eduardo Martins Netto.
Apesar de prevalente em situação de pobreza e desnutrição, faz vítimas em todas as classes sociais, já que é transmitida essencialmente pela tosse. Pode-se pegar no ônibus,  avião,  ambientes sem ventilação, entre outros.
Entre as populações mais vulneráveis estão: indígenas (quatro vezes), população carcerária (27), PVHA (portadores de HIV, 30) e moradores de rua (67).
Especialistas identificam falhas no programa de combate à doença, cuja taxa de cura está em 65%, enquanto em instituições como o Ibit, que  presta na atual gestão consultoria à Secretaria Municipal da Saúde da Cidade de São Paulo, esta taxa chega a 90%.
Entre os problemas está o precário acompanhamento do paciente, que, quando constata uma melhora inicial, costuma abandonar o tratamento.  O médico Eduardo Martins Netto vê no problema  uma das causas da resistência aos antibióticos.
Para Rosângela Palheta, a deficiência no acompanhamento surge da precariedade do vínculo dos profissionais de saúde da família que costumam migrar para outras regiões em busca de melhores oportunidades.
A superintendente do Ibit, Leila Brito, explica que um dos pontos-chave para evitar o abandono é o acompanhamento. "Quando o paciente não aparece na unidade, ligamos, fazemos visita à casa ou enviamos um telegrama", modelo que deveria ser copiado pelo poder público.
Novo medicamento - "Há 50 anos não se lançava uma nova droga para o combate da tuberculose, o que ocorreu no final do ano passado", conta o médico Eduardo Martins Netto.
Trata-se da bedaquilina -  que recebeu no início deste ano o registro da agência reguladora norte-americana FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos). Desde de 1963, nada de novo havia surgido nesta especialidade farmacêutica.
A busca de um determinante sorológico que permita diagnosticar em poucas horas a contaminação pelo bacilo de Koch é um dos esforços no combate à doença que vêm sendo desenvolvidos por pesquisadores da Fiocruz-Bahia em parceria com outros países.
Atualmente, a baciloscopia pode demorar até 48 horas, e a cultura, entre 30 a 40 dias, prazos considerados longos para uma enfermidade que é transmitida basicamente pela tosse e tem um alto poder de contágio.
O pesquisador da Fiocruz-BA, Sérgio Arruda, trabalha na identificação  de um determinante sorológico de baixo custo, eficaz e que reduza  o tempo de resultado dos exames atualmente disponíveis. "A ideia é que tão logo fosse diagnosticado o contágio se procedesse ao tratamento".

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