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segunda-feira, 23 de abril de 2012

Camundongo recupera visão após transplante de células

Camundongo recupera visão após transplante de células

Estudo da Universidade College London é bem-sucedido em transplantar células fotorreceptoras sensíveis à luz em retina de roedores
19 de abril de 2012 | 13h 57



Cientistas britânicos conseguiram recuperar a visão de camundongos cegos, transplantando células fotorreceptoras sensíveis à luz em seus olhos.


O procedimento representa um avanço em direção a um novo tratamento para pacientes com doenças oculares degenerativas.


Cientistas do Instituto de Oftalmologia da Universidade College London (UCL) injetaram células de roedores jovens diretamente nas retinas dos camundongos adultos que tinham problemas de visão.
As descobertas foram publicadas recentemente na prestigiada revista científica Nature.
Quatro a seis semanas depois do transplante, uma em cada seis das células transplantadas - que são especialmente importantes para permitir a visão em locais escuros - haviam formado as conexões necessárias para transmitir informações visuais ao cérebro.
Os pesquisadores testaram a visão dos roedores transplantados em um labirinto pouco iluminado e cheio de água.
O resultado é que os camundongos com as células novas conseguiam perceber o caminho que os levava a uma plataforma e os salvava da água. Já os animais que não receberam células só conseguiam encontrar a plataforma por acaso ou depois de uma extensa exploração do labirinto.

Integração de circuitos

A perda de fotorreceptores é a causa da cegueira em muitas das doenças oculares que afetam humanos, como a degeneração macular relacionada à idade, alguns problemas na retina e a perda de visão decorrente do diabetes.
Para Robin Ali, pesquisador do Instituto de Oftalmologia da UCL e do Hospital de Olhos Moorfields, que liderou os estudos, "mostramos pela primeira vez que células fotorreceptoras transplantadas podem se integrar, de forma bem-sucedida, com o circuito já existente da retina e melhorar de fato a visão (dos camundongos)".
Segundo Ali, o teste do labirinto serviu de "prova" de que uma parte considerável da visão dos camundongos havia sido restaurada.
"Esperamos que, em breve, possamos reproduzir esse sucesso com fotorreceptores derivados de células-tronco embrionárias e finalmente iniciar exames com humanos", agregou.
Mas, apesar das perspectivas promissoras, ainda há muitas etapas a serem superadas até que o tratamento esteja apto para ser usado em pacientes.
Os cientistas também planejam experimentar com fotorreceptores derivados de células-tronco embrionárias, mas a eficácia de seu transplante ainda é duvidosa.

Recuperação funcional


Ainda assim, para Rob Buckle, chefe do departamento de medicina regenerativa do Medical Research Council, um dos financiadores da pesquisa, o estudo da UCL "é um marco que servirá de informação para futuras pesquisas em uma variedade de campos, incluindo pesquisas sobre visão, neurociência e medicina regenerativa".
"(A pesquisa) oferece provas claras de recuperação funcional no olho danificado, o que estimula o desenvolvimento de terapias com células-tronco para lidar com muitas doenças oculares que afetam milhões de pessoas pelo mundo", agregou.
Já existem outras linhas de pesquisa que tentam tratar a cegueira usando transplante celular. No ano passado, o mesmo grupo de estudos da UCL foi autorizado a realizar o primeiro teste clínico europeu envolvendo células-tronco embrionárias de humanos.

O estudo envolve pacientes com o mal de Stargardt, uma das principais causas de cegueira em jovens. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,camundongo-recupera-visao-apos-transplante-de-celulas,863033,0.htm

Ursos pardos e polares 'se separaram' há 600 mil anos

Ursos pardos e polares 'se separaram' há 600 mil anos


Estudo indica que espécies se diferenciaram no processo de evolução muito antes que se pensava


20 de abril de 2012 | 18h 59
 
Reuters
Já sabíamos que os ursos polares já haviam evoluído como uma espécie diferente dos ursos pardos. Um novo estudo genético envolvendo o animal, porém, mostra que o maior predador do Ártico se "separou" do seu irmão há cerca de 600 mil anos, muito antes do que se imaginava.
Estudo também ressalta risco que a espécie corre com o ritmo do aquecimento global - Florian Schulz/Reuters
Florian Schulz/Reuters
Estudo também ressalta risco que a espécie corre com o ritmo do aquecimento global
A pesquisa, publicada na revista Science da quinta-feira, porém, novamente alerta para os riscos que a espécie corre com o aquecimento global. Segundo o estudo, os ursos polares levaram um longo tempo para se adaptar ao clima frio e terão, portanto, que passar por um novo processo de adaptação conforme as calotas polares se derretem, reduzindo as plataformas de gelo vitais para sua sobrevivência.
Apesar de serem espécies diferentes no que diz respeito ao tamanho, à pele e ao pelo, além de comportamento, dentição e em várias outras características, pesquisas antigas afirmavam que ursos polares e pardos haviam se "separado" no processo de evolução há poucos anos. Esses dados tiveram como base o estudo da linhagem de partes dos DNA das espécies.
Mas o novo estudo de Frank Hailer, do Centro de Pesquisa de Clima e Biodiversidade da Alemanha, aponta uma conclusão diferente. Ele e seus colegas afirmam que as espécies tomaram rumos diferentes no processo de evolução muito antes do que se pensa.
"Os estudos anteriores sugerem que os ursos polares tiveram de evoluir muito rápido, já que são uma espécie jovem. Mas o nosso considera muitos outros aspectos aos quais tiveram que se adaptar, e faz mas sentido do ponto de vista evolucionário que a espécie seja mais velha", afirma.
Os cálculos de sua equipe coloca o momento da separação das duas espécies no período Pleistoceno, quando as temperaturas do planeta baixaram como há tempos não ocorria. Pode ser coincidência, mas o resfriamento do planeta também pode ter acelerado a separação.
O estudo indica que o processo de adaptação dos ursos polares foi provavelmente lento, mas também significa que eles passaram por fases de aquecimento do planeta antes. "Se eles se extinguirem nesta fase atual de aquecimento, vamos ter que refletir sobre nosso papel nesse processo. Nas fases anteriores, eles conseguiram sobreviver. A diferença é que agora há o fator humano", afirma Hailer.
http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,ursos-pardos-e-polares-se-separaram-ha-600-mil-anos,863532,0.htm

África tem reservas subterrâneas gigantes de água

África tem reservas subterrâneas gigantes de água, dizem cientistas


Aquíferos teriam água suficiente para consumo e irrigação em todo o continente


20 de abril de 2012 | 5h 39
Cientistas dizem que o continente africano, conhecido pelo clima seco, tem enormes reservas subterrâneas de água.
Reservas seriam suficientes para fornecer água para consumo e agricultura na África - BBC
BBC
Reservas seriam suficientes para fornecer água para consumo e agricultura na África

No mais completo mapa já feito da escala e distribuição da água existente embaixo do deserto do Saara e em outras partes da África, os especialistas dizem que esses reservatórios subterrâneos poderiam fornecer água suficiente para o consumo e agricultura em todo o continente, mas admitem que o processo de extração pode ser complexo.
O trabalho, publicado na revista científica Environmental Research Letters, diz ainda que muitos dos antigos aquíferos africanos foram preenchidos pela última vez 5 mil anos atrás.
Escassez
Estima-se que mais de 300 milhões de pessoas na África não tenham acesso a água potável e a demanda deve aumentar consideravelmente nas próximas décadas, devido ao crescimento populacional e à necessidade de irrigação para plantações.
Rios e lagos estão sujeitos a enchentes e secas sazonais, que podem limitar a disponibilidade da água. Atualmente, apenas 5% das terras cultiváveis africanas são irrigadas.
Agora, os cientistas da British Geological Survey (BGS) e da University College London (UCL) esperam que o novo mapeamento chame atenção para o potencial dos reservatórios subterrâneos.
"As maiores reservas de água subterrâneas ficam no norte da África, em grandes bacias sedimentares, na Líbia, Argélia e Chade", diz Helen Bonsor, da BGS.
"A quantidade armazenada nessas bacias é equivalente a 75 metros de água sobre aquela área. É uma quantidade enorme."





Estratégia
Devido a mudanças climáticas que transformaram o Saara em um deserto ao longo dos séculos, muitos dos aquíferos subterrâneos receberam água pela última vez há mais de 5 mil anos.
Os cientistas basearam suas análises em mapas de governos dos países africanos, assim como em 283 estudos de aquíferos.
Eles afirmam que muitas das nações que enfrentam escassez de água têm, na verdade, reservas consideráveis embaixo do solo.
No entanto, os pesquisadores alertam que a perfuração de poços tubulares profundos pode não ser a melhor maneira de extrair a água, já que poderiam esgotar a fonte rapidamente.
"Poços profundos não devem ser perfurados sem que haja um conhecimento detalhado das condições das reservas locais. Poços simples e bombas manuais, desenvolvidos de forma cuidadosa e nos locais certos, têm mais chance de ser bem-sucedidos", disse à BBC Alan McDonald, principal autor do estudo.
Helen Bonsor concorda que meios de extração mais lentos podem ser mais eficientes.
"Muitos aquíferos de baixo volume estão presentes na África subsaariana. No entanto, nosso trabalho mostra que com exploração e construção cuidadosas, há água subterrânea suficiente na África para fins de consumo e irrigação comunitária", diz ela, acrescentando que as reservas poderiam contrabalançar os problemas causados pela mudança climática.
"Mesmo nos menores aquíferos em áreas semi-áridas, com baixíssimo índice de chuvas, as reservas subterrâneas ainda durariam algo entre 20 e 70 anos", afirma Bonsor.
"Então, nos índices atuais de extração para consumo e irrigação em pequena escala, os reservatórios fornecem e continuarão a fornecer proteção contra as variações do clima." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,africa-tem-reservas-subterraneas-gigantes-de-agua-dizem-cientistas,863344,0.htm

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Técnica trata próstata com mais precisão

18/04/2012 - 10h33


Técnica trata próstata com mais precisão

DÉBORA MISMETTI


Um tratamento que usa ondas de ultrassom concentradas só nas partes da próstata atingidas por tumores demonstrou causar poucos efeitos colaterais, em comparação aos tratamentos-padrão, como cirurgia e radioterapia.

Uma pesquisa financiada pelo governo britânico e publicada na revista "Lancet Oncology" ontem trouxe os resultados do tratamento feito em 42 homens com idades entre 45 anos e 80 anos, com tumores localizados e de grau inicial até agressivo.
Novas drogas enfrentam tumor avançado
Todos passaram por ressonâncias magnéticas, que localizaram as regiões do órgão atingidas por tumores, e pelo ultrassom de alta frequência, que usa calor para destruir o tecido doente.
Entre os que tinham ereções no início do tratamento (35 homens), cerca de 90% mantiveram a função ao final dos 12 meses da pesquisa, sendo que 14 deles precisavam da ajuda de remédios. O tratamento também não causou incontinência urinária.
Até 20% dos homens que passam por cirurgia de retirada da próstata ou radioterapia sofrem de disfunção erétil após o tratamento. Problemas para controlar o fluxo de urina atingem de 30% a 70% dos doentes.


Editoria de Arte/Folhapress




EXPERIÊNCIA NACIONAL

No Brasil, a versão da máquina usada no tratamento, chamada de Hifu (ultrassom com foco de alta intensidade, na sigla em inglês), só existe no Hospital A.C. Camargo, em São Paulo. O Icesp (Instituto do Câncer do Estado de São Paulo Octavio Frias de Oliveira) tem um outro tipo de Hifu, usado para miomas e metástases ósseas.
Gustavo Cardoso Guimarães, diretor de urologia do A.C. Camargo, afirma que 30 pacientes foram tratados com o ultrassom. Desses, 24 receberam as ondas na próstata inteira e seis foram tratados de forma focal, como no estudo britânico.
O urologista afirma que a máquina é a única que permite tratar só uma parte ou algumas partes da próstata e ainda preservar os nervos. "Conseguimos tratar a doença com menor impacto na qualidade de vida."
A dificuldade, diz Guimarães, é se certificar da localização do tumor ou dos tumores. "Fazemos uma ressonância e biópsias em vários pontos da próstata." É preciso também aprimorar os métodos de acompanhamento do paciente após o tratamento, para saber se a doença foi controlada mesmo.
"Podemos fazer exame de PSA [exame de sangue], que não é muito preciso, e biópsias. Há um estudo em andamento na FDA [agência de vigilância sanitária dos EUA] sobre isso."
Marcos Menezes, especialista em intervenções guiadas por imagem do Icesp, afirma que, apesar dos resultados promissores, a técnica testada pelos britânicos ainda é experimental. Para o radiologista, falta precisão ao aparelho específico para tratar a próstata no procedimento.
O Hifu usado no Icesp para miomas e metástases ósseas age junto com uma ressonância magnética, que guia o médico para achar os alvos. "Mas essa técnica, para próstata, ainda está em teste."
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1077728-tecnica-trata-prostata-com-mais-precisao.shtml

domingo, 8 de abril de 2012

Brasil tem pelo menos 250 novas espécies ameaçadas de extinção

06/04/2012-09h26

Brasil tem pelo menos 250 novas espécies ameaçadas de extinção

CLAUDIO ANGELO
DE BRASÍLIA

O Brasil ganhou pelo menos 250 novas espécies ameaçadas na última década. Os dados, ainda preliminares, são da lista da fauna em risco que o ICMBio (Instituto Chico Mendes) prepara para o fim de 2014.
A nova lista é a primeira avaliação global do estado de saúde dos animais brasileiros em uma década.
A anterior, publicada em 2004 pelo Ibama, indicava que 627 das cerca de 1.300 espécies avaliadas de anfíbios, répteis, peixes, aves, mamíferos e invertebrados estava sob algum grau de ameaça.
O status de ameaça de extinção é dado segundo categorias definidas pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
São elas "vulnerável", "em perigo", "criticamente em perigo", "extinto na natureza" e "extinta", de acordo com diversas medições do tamanho das populações e do grau de fragmentação dos habitats.
Editoria de arte/Folhapress


MUDANÇA
Uma instrução normativa publicada na última segunda-feira (3/4) no "Diário Oficial da União" determina uma mudança de estratégia na elaboração da próxima lista: a anterior, elaborada pela Fundação Biodiversitas para o Ibama, olhava apenas as chamadas espécies-candidatas, ou seja, as espécies de um mesmo gênero ou família com problemas em potencial.
"As listas eram encomendas à Biodiversitas com um prazo de desenvolvimento previamente estabelecido e nunca superior a 12-24 meses e com orçamento limitado", diz Gláucia Drummond, superintendente da fundação. "Nessas condições, não era possível avaliar todas as espécies de um dado grupo."
"Isso era tendencioso, porque a gente já sabe que vai ter vulnerabilidade", disse à Folha Ugo Vercillo, coordenador de Espécies Ameaçadas do Instituto Chico Mendes.
SALTO
A nova avaliação levará em conta todas as espécies de um determinado grupo, independentemente de suspeitas sobre seu grau de ameaça.
Isso fará com que o número de espécies avaliadas salte de 1.300 para 10 mil. Até agora só se avaliou 28% desse total. Daí a queda aparente na proporção de ameaçadas (de 50% para 15%).
Vercillo diz, porém, que o número real de animais em perigo aumenta a cada ano.
"O país não para de crescer, as áreas nativas continuam sendo alteradas", afirma.
Um caso que o ICMBio considera preocupante é o dos tubarões. Das 169 espécies brasileiras, duas são consideradas "regionalmente extintas" e 60 estão sob ameaça.
Outro motivo de preocupação é o impacto do aumento da construção de hidrelétricas sobre os peixes.
"Existe [hoje] uma tendência ao aumento de espécies em perigo, tanto para peixes continentais quanto para marinhos", diz Vercillo.
Por outro lado, há também espécies saindo de risco devido a programas de conservação. Até agora, segundo o coordenador do ICMBio, três que estavam ameaçadas em 2003 já deixaram a categoria.
Outras tiveram seu grau de ameaça reduzido, como a arara-azul-de-lear, caso citado por Drummond.
Segundo a bióloga, esforços de conservação no norte da Bahia, habitat da ave, aumentaram o número de indivíduos na natureza. "É provável que sua categoria seja reavaliada, passando de 'criticamente em perigo' para 'em perigo'", diz Drummond. Um alívio. Saiba mais em www.icmbio.gov.br(www.icmbio.gov.br)
http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/1072491-brasil-tem-pelo-menos-250-novas-especies-ameacadas-de-extincao.shtml

Exames demais nem sempre é a solução. Médicos fazem campanha contra excesso de exames

05/04/2012-10h22

Médicos fazem campanha contra excesso de exames

MARIANA VERSOLATO
DE SÃO PAULO

Em um ato contra o excesso de exames e o sobrediagnóstico, nove sociedades médicas americanas lançaram uma lista com 45 testes que deveriam ser pedidos com menor frequência. As recomendações são dirigidas também aos pacientes, para que questionem seus médicos.
Outras oito comissões de especialistas também se preparam para anunciar suas listas de procedimentos que devem ser menos frequentes.
A mudança representa um reconhecimento por parte dos médicos de que muitos testes e procedimentos rentáveis são realizados de forma desnecessária e podem prejudicar os pacientes.
Segundo Gustavo Gusso, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina de Família, é importante que as pessoas saibam que o excesso de exames traz mais problemas do que benefícios.
"Muitos acabam descobrindo e tratando doenças desnecessariamente para que a redução da mortalidade seja só um pouquinho maior. Sem contar os falsos-positivos de câncer", afirma.
Essa mudança de opinião nos EUA também reflete alterações nos planos de de saúde, que estão tentando reduzir incentivos financeiros para os médicos pedirem mais exames e procedimentos.
Editoria de arte/Folhapress


TESTES DEMAIS? Campanha de médicos americanos lista procedimentos e exames que têm sido prescritos em excesso
GASTOS
Tratamentos desnecessários são uma importante fonte de gastos entre as despesas médicas nos EUA.
"Mas o sistema privado de lá não é muito diferente da situação no Brasil. Aqui também há excesso de especialistas e exagero de exames e intervenções", diz Gusso.
A campanha das sociedades médicas foi batizada de "Choosing Wisely" (escolhendo sabiamente).
A lista de exames inclui recomendações para procedimentos rotineiros, como eletrocardiogramas, hoje feitos mesmo quando não há sinal de problemas cardíacos, e ressonâncias magnéticas.
O American College of Radiology solicitou que os radiologistas não realizem exames de imagem em pacientes com uma simples dor de cabeça. Até os oncologistas estão recebendo a recomendação de pedir menos exames em pacientes com câncer de mama ou de próstata em estágio inicial com poucas chances de metástase.
"O uso excessivo de cuidados representa uma das mais sérias crises na medicina norte-americana", afirma Lawrence Smith, chefe do North Shore-Long Island Jewish Health System, em Nova York. "Muitos pensaram que as organizações mais resistentes seriam as sociedades de especialistas, então essa é uma mensagem importante."
DIFICULDADES
Em 2009, novas diretrizes para mamografias nos EUA recomendavam que as mulheres fizessem o exame com menos frequência, o que trouxe medo entre as pacientes sobre o aumento do controle do governo sobre decisões relacionadas à saúde e limitações ao tratamento.
"Infelizmente, as pessoas preferem o exagero, mesmo que tenham um prejuízo por causa de um tratamento sem necessidade", diz Gusso. "Não é por causa dos exames que elas vão viver mais. Alimentação saudável, atividade física e parar de fumar são mais importantes."
Os médicos, por sua vez, muitas vezes não seguem as diretrizes. Segundo Gusso, como o tempo das consultas é curto, o médico logo pede um exame e o paciente sai mais satisfeito.
"As pessoas acham que o dinheiro gasto com o convênio só vale a pena se usarem ao máximo. Mas deveriam pensar que é como um seguro de carro: ninguém quer um acidente para receber o dinheiro das mensalidades."
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1072088-medicos-fazem-campanha-contra-excesso-de-exames.shtml

Probióticos com novas funções

06/04/2012-10h00

Probióticos com novas funções são alvo de estudos

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MARIANA VERSOLATO
ENVIADA ESPECIAL A ÉVIAN (FRANÇA)

Até o século passado, bactérias eram vistas apenas com aversão e como vilãs. E com razão: os esforços da microbiologia estavam em combater as doenças infecciosas e criar vacinas nessa guerra contra os micróbios.
Agora, médicos e pesquisadores estudam as bactérias que vivem no intestino pensando em usar esses micro-organismos tanto para melhorar a saúde em geral como para tratar doenças.
O papel da flora intestinal ganhou importância. Pesquisas apontam sua relação com doenças metabólicas (como obesidade e diabetes), alergias e proteção imunológica contra organismos invasores, sem contar os problemas gastrointestinais.
Para fortalecer essa barreira ou até recuperá-la, médicos do Brasil e do exterior estão usando probióticos (bactérias vivas que trazem benefícios para o hospedeiro).
Antes restritos a alimentos, os probióticos agora estão disponíveis em cápsulas. No Brasil, três marcas foram lançadas nos últimos anos.
"Hoje, há muitas pesquisas chegando na aplicação clínica [dos probióticos] e com benefícios comprovados", afirma Flávio Quilici, professor titular de gastroenterologia da PUC Campinas.
Os probióticos podem ajudar a restabelecer a flora quando ela é prejudicada por mudanças de dieta, uso de antibióticos, doenças gastrointestinais e queda de imunidade, segundo Quilici, que usa as bactérias vivas como um complemento do tratamento de gases, diarreia, constipação e sensibilidade intestinal.
Há ainda estudos apontando a eficácia dessas bactérias para a enterocolite necrosante, uma doença que ocorre mais entre os recém-nascidos prematuros e na qual a superfície interna do intestino sofre lesões e se inflama.
Outras áreas estão experimentando o uso dos probióticos. "Há estudos mostrando que ajudam a prevenir infartos porque reduzem o colesterol", conta Quilici.
Editoria de arte/Folhapress


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DEFESA CONTRA HIV
Também tem se valorizado cada vez mais o intestino como órgão de entrada e moradia do HIV e de barreira contra o vírus, segundo o infectologista Artur Timerman.
"Se houver uma boa defesa da parede intestinal e um sistema imunológico em alerta, idealmente poderíamos até impedir a infecção. Tenho usado probióticos nos meus pacientes com HIV porque nesse caso a imunidade intestinal tem grande importância. Manter a mucosa intestinal 'atenta' pode trazer benefícios", diz Timerman.
Mas o conceito de que os probióticos estimulam o sistema imune a ficar de prontidão contra processos infecciosos ainda precisa ser comprovado na prática, diz Timerman. A falta de evidências nessa área, que é bastante nova, é uma das críticas dos especialistas.
"As evidências estão chegando, mas precisam ser consolidadas", diz Maria do Carmo Passos, professora de gastroenterologia da UFMG.
Ela afirma ainda que há uma dificuldade em entender o papel real do probiótico e faltam pesquisas sobre a função de cada cepa de bactéria para cada doença. "No futuro, deveremos ter probióticos específicos, como são os antibióticos", diz Passos.
A repórter MARIANA VERSOLATO viajou a convite do Gut Microbiota for Health World Summit
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1072497-probioticos-com-novas-funcoes-sao-alvo-de-estudos.shtml