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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Luz para detectar risco de novo infarto

07/12/2011 - 10h29

Exame de sangue usa luz para detectar risco de novo infarto

DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE "SAÚDE"

Um novo exame pode ajudar os médicos a avaliar o risco de um paciente sofrer um novo infarto.
Pessoas que já sofreram um evento cardiovascular ou têm um stent (tubinho de metal que abre artérias entupidas) implantado em suas coronárias precisam tomar remédios para evitar a formação de coágulos que podem bloquear os vasos do coração e causar um novo infarto.

Arte

Mas essas drogas, em geral aspirina e clopidogrel, podem não funcionar em até 30% das pessoas, por motivos como peso, idade, diabetes e fatores genéticos.
Os remédios trabalham para impedir a junção das plaquetas, células do sangue que formam os coágulos.
O novo exame analisa a passagem da luz pelas amostras de sangue para saber se as plaquetas estão agregadas ou não.
O sangue é colocado no aparelho e fica em pequenos compartimentos, onde a ação das plaquetas é estimulada. Se a passagem da luz for pequena, significa que as plaquetas estão soltas e o remédio está funcionando.
Se passar muita luz, significa que as plaquetas estão agregadas, e a drogas não estão agindo como o esperado.
RESULTADO RÁPIDO
Já existem testes que medem a agregação das plaquetas. A diferença do novo aparelho é o método e a rapidez, segundo Marco Aurelio Magalhães, coordenador da cardiologia invasiva do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
"Temos o resultado em até 150 segundos. Há métodos por laboratório que levam até 48 horas. Nesse meio tempo, o paciente pode ter um novo infarto antes que tenhamos a chance de trocar ou aumentar a dose dos remédios."
Magalhães, que está usando o teste há um ano, afirma que o aparelho pode ser usado logo após a cirurgia feita depois que a pessoa infarta. Em muitos casos, é implantado um stent, que pode causar coágulos.
"As pessoas acham que é a gordura entupindo a artéria a causa dos infartos. Mas é a coagulação causada quando uma placa de gordura se solta é que causa a obstrução", completa.
Os planos de saúde ainda não cobrem o teste, que custa R$ 300 para cada remédio avaliado separadamente. Se o paciente toma dois medicamentos, o custo é de R$ 600.
O exame pode ser feito uma só vez, logo após a pessoa infartar e começar a tomar as drogas contra coagulação.
Para o cardiologista Leopoldo Piegas, do HCor (Hospital do Coração), o exame é caro demais. Ele afirma que já existem outros novos métodos para medir a agregação das plaquetas, que fazem a análise usando a condutividade elétrica do sangue.
"O teste mostra só uma tendência. Às vezes ele identifica pacientes como tendo maior risco e eles não têm."
Magalhães, dos Oswaldo Cruz, afirma que a experiência com o aparelho vem sendo positiva. "Esperamos que o teste entre na prática clínica e passe a ser pago pelos convênios."
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1017806-exame-de-sangue-usa-luz-para-detectar-risco-de-novo-infarto.shtml

Nova técnica para tratar aneurismas chega ao Brasil

06/12/2011 - 10h00

Nova técnica para tratar aneurisma chega ao país


DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE

Chegou ao Brasil uma nova técnica para tratar aneurismas e evitar que eles estourem, causando uma hemorragia cerebral que leva à morte em até metade dos casos.
O procedimento, que leva 20 minutos, é feito por cateterismo (é pouco invasivo). O médico insere, pela virilha, um dispositivo parecido com os stents usados para abrir artérias entupidas. O tubo, uma malha de metal, é colocado na artéria do cérebro onde está o aneurisma e desvia o fluxo de sangue. Isso faz a "bolha" murchar.
A primeira operação com o dispositivo foi feita no Paraná, em agosto. Ao menos outras quatro já foram realizadas desde então no país.
O aneurisma é uma bomba-relógio no cérebro. Pode passar anos sem causar sintomas e estourar de repente, causando morte súbita. Até 5% da população tem um.
O problema é causado por uma fraqueza na parede da artéria, que forma uma bolha e vai se enchendo de sangue.
O aneurisma gigante (com mais de 25 mm), caso em que o novo dispositivo é mais indicado, é o que tem o pior prognóstico, segundo o neurointervencionista Eduardo Wajnberg, do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio.
Segundo o Wajnberg, a nova técnica é a primeira que trata a causa do problema, e não só a consequência.
Os tratamentos usados até agora são a cirurgia aberta, em que um clipe é colocado para controlar o aneurisma, e o preenchimento da bolha com micromolas de platina. O último é feito por cateterismo, mas pode permitir a volta do problema quando o aneurisma é grande.
O stent é acomodado como um revestimento que reforça a artéria e vai sendo incorporado a ela, diz Wajnberg. "Trabalhos preliminares indicam até 95% de cura depois de um ano."
O neurointervencionista Carlos Abath pondera que ainda não há confirmação dos resultados a longo prazo. O principal risco do tratamento vem do fato de o dispositivo levar seis meses para "fechar" o aneurisma. Nesse meio tempo, ele pode romper.
UMA BOMBA
A vigilante Ilisangela Ribeiro, 30, foi a primeira paciente no país a passar pelo procedimento, no Hospital Santa Cruz, em Curitiba.
Seu primeiro aneurisma rompeu em 2005, quando ela morava em Portugal. "Senti uma dor tão grande, parecia que uma bomba tinha explodido. O pescoço ficou rígido. Meu marido chegou em casa e viu que eu estava tendo um derrame", conta.
"A dor de cabeça intensa pode ser o primeiro sinal de sangramento", diz o médico Alexander Corvello, que operou Ilisangela em Curitiba.
De volta ao Brasil, ela continuou fazendo exames periódicos e descobriu, mais tarde, que tinha outro aneurisma. Pior, o primeiro estava reabrindo. Em agosto, fez o novo tratamento. "Sempre tive dor de cabeça. Depois do stent, não mais."

Editoria de Arte/Folhapress
 http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1017065-nova-tecnica-para-tratar-aneurisma-chega-ao-pais.shtml