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domingo, 28 de agosto de 2011

BRASIL desenvolve vacina contra tumores e lesões do HPV

26/08/2011 - 11h17

USP desenvolve vacina contra tumores e lesões do HPV

MARIANA VERSOLATO
ENVIADA AO RIO

Pesquisadores da USP desenvolveram uma vacina contra tumores e lesões pré-cancerosas causadas pelo HPV.
O vírus é responsável por tumores de colo do útero, cabeça, pescoço, ânus e pênis.
Diferentemente das vacinas disponíveis hoje na rede privada, que impedem a infecção pelo vírus, a novidade seria indicada para quem já se infectou e desenvolveu alguma lesão.
A imunização induz as células de defesa a reconhecer lesões e tumores desenvolvidos a partir do HPV 16 e atacá-los. O tipo 16 do vírus é um dos que mais causam câncer.
O estudo foi apresentado ontem por Luís Carlos Ferreira, professor da USP e chefe do laboratório de desenvolvimento de vacinas da universidade, na 26ª reunião anual da Fesbe (Federação de Sociedades de Biologia Experimental), que vai até amanhã, no Rio de Janeiro.
Os testes foram feitos em roedores, mas já há planos de realizar estudos clínicos em humanos daqui a um ano e meio, no HC de São Paulo.
EFICÁCIA
Segundo Ferreira, a vacina é a mais eficaz do tipo já criada. "A vacina conseguiu reverter em 100% as lesões e os tumores com só uma dose."
Ele afirma que será possível produzir a vacina a um custo menor do que o da atual, que sai por R$ 900.
O pesquisador lembra que grande parte da população já teve contato com o vírus -estima-se que, até os 50 anos, 80% das mulheres serão infectadas por algum dos mais de cem tipos de HPV.
"Para muitas pessoas, uma vacina não preveniria mais contra infecções e seria mais eficiente se curasse lesões e câncer", afirma.
Cerca de 90% das lesões são eliminadas sem necessidade de intervenção, mas algumas delas levam ao câncer.
Para o câncer de colo do útero, o tratamento pode ser por cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou uma combinação deles.
Ferreira diz que, no futuro, a imunização poderá se somar ao rol de tratamentos, especialmente nos casos mais avançados de tumor.
Max Mano, professor-assistente de oncologia da USP e médico do Icesp (Instituto do Câncer Octavio Frias de Oliveira), diz acreditar que o desenvolvimento de vacinas contra o câncer causado por HPV é promissor.
"É uma questão de tempo para desenvolvermos tratamentos de câncer ao investigar o papel da imunidade nesse tipo de doença."
Mas ele afirma que muitas vacinas fracassaram nos últimos 30 anos. "O que funciona em animais pode não funcionar tão bem em humanos, porque nossa imunidade é mais complexa."

Arte

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/965665-usp-desenvolve-vacina-contra-tumores-e-lesoes-do-hpv.shtml

domingo, 21 de agosto de 2011

Nojentas, mas úteis

Nojentas, mas úteis

Leitor da CH pergunta: “Qual é a importância ecológica das baratas urbanas? Elas trazem algum benefício para os humanos?”. Eduardo Fox, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ, responde.
Por: Eduardo Fox

As baratas desempenham papel fundamental na cadeia alimentar das cidades. O seu desaparecimento causaria um forte desequilíbrio nos ecossistemas urbanos. Portanto, por mais repulsivas que sejam, é melhor mantê-las entre nós. (foto: Angela Knipe/ Sxc.hu)  
 
As baratas são insetos muito diversos e abundantes e, por serem onívoras, ou seja, por comerem de tudo, têm papel vital como decompositoras de restos orgânicos. Além disso, elas fazem parte da dieta de muitos outros animais, como aves, aranhas, lacraias e escorpiões.
As baratas urbanas, em especial, são totalmente dependentes da presença dos seres humanos e muito importantes dentro da cadeia alimentar das cidades. Apesar de representarem apenas uma mínima porção das espécies existentes de baratas, cerca de 1%, elas são muito numerosas e o seu desaparecimento causaria um forte desequilíbrio nos ecossistemas urbanos.
“Esses insetos consomem rapidamente toneladas de fezes, cadáveres, restos alimentares e até papel, cigarros e plásticos”
Esses insetos consomem rapidamente toneladas de fezes, cadáveres, restos alimentares e até papel, cigarros e plásticos. Se sumissem, sofreríamos com um rápido acúmulo de resíduos humanos nos esgotos e cemitérios.
Por servirem de alimento a muitos predadores que fazem parte da fauna da cidade – como ratos e morcegos –, seu fim causaria também uma rápida desestabilização das populações animais.
Seria necessário um longo período de readaptação ecológica até que outro ser vivo ocupasse o nicho das baratas. Por isso, mesmo que você não goste delas, é mais sábio deixar que continuem habitando nossos esgotos, lixeiras e cemitérios.

Eduardo FoxInstituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro

http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2011/284/nojentas-mas-uteis

Unha de primatas já estava presente em fóssil de 55 milhões anos

Unha de primatas já estava presente em fóssil de 55 milhões de anos

DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

O surgimento das unhas em fósseis de primatas há cerca de 55 milhões de anos permitiu o desenvolvimento de novas e críticas habilidades. Eles passaram a ter área dos dedos mais sensível ao toque e uma melhor capacidade para agarrar um objeto ou se coçar. Suas unhas permitiram a um ancestral parecido com um lêmure agarrar galhos e mover-se pelas árvores com mais agilidade.

Kristen Grace/Florida Museum of Natural History/Efe
Tipos de mandíbulas dos primatas que serviram para a investigação

No estudo mais recente sobre o Teilhardina brandti, publicado na edição on-line do "American Journal of Physical Anthropology", cientistas da Universidade da Flórida analisaram os fósseis mais antigos de primatas que possuíam unhas em todos os dedos dos membros superiores e inferiores.
Eles chegaram à conclusão que essa estrutura orgânica anexa à pele se desenvolveu quando os primatas ainda eram pequenos. A hipótese contradiz teorias anteriores, que diz que a unha teria se desenvolvido quando os primatas foram ganhando tamanho ao longo da evolução.
"Essas são as menores unhas verdadeiras conhecidas até então, seja de animais vivos ou de fósseis", disse o primeiro autor Ken Rose, professor do Centro de Anatomia Funcional e Evolução da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins. "Isso certamente não sugere que as unhas tenham se desenvolvido em primatas com corpos maiores", disse ele.
O material analisado consiste em restos de 25 exemplares da espécie Teilhardina brandti, encontrados nos últimos sete anos na Bacia de Bighorn (no Estado americano de Wyoming). Entre eles, havia partes da arcada dentária superior e dos ossos dos tornozelos, que indicam vivência nas árvores.
O Teilhardina brandti foi um pequeno primata, de mais ou menos 15 centímetros e parecido com o lêmure, e calcule-se que tenha habitado a Terra até meados do Eoceno. Esses animais onívoros viveram há 55,8 milhões de anos, em um momento de aquecimento da Terra que durou cerca de 200 mil anos, e, ao contrário de mamíferos anteriores, não tinham garras, mas unhas, além de olhos em posição frontal e um cérebro maior.
"Ao encontrar partes do esqueleto deste primata primitivo, somos capazes de testar se as unhas estavam presentes no ancestral comum do grupo que inclui lêmures, macacos e seres humanos --é evidência direta em oposição à especulação", disse o coautor Jonathan Bloch, curador adjunto da paleontologia de vertebrados no Museu de História Natural da Flórida, no campus a Universidade da Flórida.

Kristen Grace/Florida Museum of Natural History/Efe
Tipos de mandíbulas dos primatas que serviram para a investigação
 
IMPLICAÇÃO BIOGEOGRÁFICA
Com base na idade dos fósseis e análises de espécies Teilhardina de outras partes do mundo, os pesquisadores também foram capazes de analisar a hipótese de que os mamíferos migraram da Ásia para a América do Norte via Estreito de Bering. Em vez disso, eles provavelmente passaram da Ásia, pela Europa para a América do Norte em conexões de alta latitude ao Norte da Terra.
"Esta pesquisa sugere que realmente estamos olhando para algo extremamente próximo [à espécie encontrada na Europa] e isso é de grande interesse", disse Rose. "Nós podemos mostrar que essas espécies foram realmente próximas morfologicamente e viveram na mesma época na Europa e Wyoming."
"Sempre que temos a oportunidade de adicionar mais informações morfológicas para analisar as relações dos animais para responder a estas questões biogeográficas, esperamos chegar mais perto de uma compreensão do que foi esta radiação grandes (diversificação) de primatas", disse Gregg Gunnell, diretor da Divisão de Primatas fósseis na Duke Lemur Center.
Em suma, esse achado fóssil da menor unha verdadeira de primata permitiu tirar grandes conclusões evolutivas: a unha já estava presente no ancestral comum e esse ancestral possivelmente chegou nas Américas cruzando o Atlântico Norte vindo da Europa.

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/961149-unha-de-primatas-ja-estava-presente-em-fossil-de-55-mi-de-anos.shtml

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Contar calorias não basta para emagrecer

08/08/2011 - 17h15

Pesquisa diz que contar calorias não basta para emagrecer

JULIANA VINES
DE SÃO PAULO

Ter em mãos calculadora e tabelinha de calorias não é a melhor forma de perder e manter o peso, de acordo com pesquisadores da Universidade Harvard que acabaram de publicar um estudo sobre o tema.
No artigo, que saiu na revista "New England Journal of Medicine", eles dizem que mais vale priorizar ou evitar grupos de alimentos do que ficar fazendo contas.
Para chegar à conclusão, a pesquisa acompanhou por 20 anos mais de 120 mil americanos saudáveis e dentro do peso normal.
De quatro em quatro anos, eles responderam questionários sobre hábitos alimentares e estilo de vida.
Resultado: muitos que comiam alimentos gordurosos e ricos em calorias, como nozes e leite, não engordaram; pelo contrário, emagreceram. Os que tinham o hábito de tomar iogurte foram os que mais emagreceram --370 gramas a cada quatro anos.
E mais: hábitos como fumar, beber ou ver televisão por várias horas influenciaram mais do que a ingestão ou não de alimentos calóricos.

Arte/Folhapress

 
MUDANÇA DE HÁBITO
Para a nutróloga Marcella Garcez, diretora da Abran (associação de nutrologia), a pesquisa comprova que perder e manter o peso é questão de hábito, não de regime.
"Não adianta fazer uma dieta restritiva, com contagem de calorias, e ficar 'economizando' para continuar comendo o que gosta. Aí a pessoa passa fome e não muda o hábito. Quando o regime acaba, ela volta a comer como antes e recupera o peso perdido."
A nutricionista Fernanda Pisciolaro, da Abeso (associação para estudo da obesidade), também não acredita em dietas que cortam calorias. De acordo com ela, o organismo não entende o corte de energia e, passado o período de privações, dá um jeito de recuperar o peso perdido.
"Há muitos estudos sobre isso. Quanto maior o tempo de restrição calórica, maior será o ganho de peso depois."
Para emagrecer, a nutricionista indica que as pessoas diminuam quantidades, mas obedecendo as necessidades diárias de energia. Nada de dietas de mil calorias se a necessidade diária são 1.800.
"Se eu como quatro colheres de arroz, vou passar a comer três. Se como batata frita todo dia, posso comer só uma vez por semana. É muito melhor para a saúde comer normal do que fazer regime."
Em média, a maioria das pessoas engorda cerca de 450 gramas por ano (quase dois quilos a cada quatro anos). Na pesquisa, engordou mais quem comia regularmente batata frita e chips de batata.
MATEMÁTICA IMPRECISA
O endocrinologista Alfredo Halpern, chefe do serviço de obesidade do Hospital das Clínicas de SP e criador da dieta dos pontos, diz que os resultados são os esperados --e que nada muda nas dietas.
Segundo ele, ninguém pode negar que, no fim das contas, emagrecer é resultado de uma matemática negativa: gastar mais calorias do que ingerir.
"Para uma dieta, ainda vale essa ideia. Não tem como fugir disso. Uma coisa é emagrecer e outra é ter alimentação saudável."
De acordo com Halpern, o estudo isolou grupos alimentos. Para ele, isso pode valer para orientações gerais a um grupo grande de pessoas, mas não tem como ser uma orientação individual e isolada.
"Se a pessoa passar a comer nozes e iogurte, porque nesse estudo quem comia isso emagreceu, ela não vai emagrecer se não cortar calorias. O que deve ter acontecido nesse estudo é que quem comia esses alimentos saudáveis também comia mais frutas, legumes."
O endocrinologista Airton Golbert, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia concorda com a matemática do cortar calorias, mas diz que é uma conta imprecisa.
"Depende de como o alimento é absorvido, metabolizado e dos hábitos da pessoa ao longo do tempo. É uma questão educativa."
 http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/955382-pesquisa-diz-que-contar-calorias-nao-basta-para-emagrecer.shtml