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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Luz para detectar risco de novo infarto

07/12/2011 - 10h29

Exame de sangue usa luz para detectar risco de novo infarto

DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE "SAÚDE"

Um novo exame pode ajudar os médicos a avaliar o risco de um paciente sofrer um novo infarto.
Pessoas que já sofreram um evento cardiovascular ou têm um stent (tubinho de metal que abre artérias entupidas) implantado em suas coronárias precisam tomar remédios para evitar a formação de coágulos que podem bloquear os vasos do coração e causar um novo infarto.

Arte

Mas essas drogas, em geral aspirina e clopidogrel, podem não funcionar em até 30% das pessoas, por motivos como peso, idade, diabetes e fatores genéticos.
Os remédios trabalham para impedir a junção das plaquetas, células do sangue que formam os coágulos.
O novo exame analisa a passagem da luz pelas amostras de sangue para saber se as plaquetas estão agregadas ou não.
O sangue é colocado no aparelho e fica em pequenos compartimentos, onde a ação das plaquetas é estimulada. Se a passagem da luz for pequena, significa que as plaquetas estão soltas e o remédio está funcionando.
Se passar muita luz, significa que as plaquetas estão agregadas, e a drogas não estão agindo como o esperado.
RESULTADO RÁPIDO
Já existem testes que medem a agregação das plaquetas. A diferença do novo aparelho é o método e a rapidez, segundo Marco Aurelio Magalhães, coordenador da cardiologia invasiva do Hospital Alemão Oswaldo Cruz.
"Temos o resultado em até 150 segundos. Há métodos por laboratório que levam até 48 horas. Nesse meio tempo, o paciente pode ter um novo infarto antes que tenhamos a chance de trocar ou aumentar a dose dos remédios."
Magalhães, que está usando o teste há um ano, afirma que o aparelho pode ser usado logo após a cirurgia feita depois que a pessoa infarta. Em muitos casos, é implantado um stent, que pode causar coágulos.
"As pessoas acham que é a gordura entupindo a artéria a causa dos infartos. Mas é a coagulação causada quando uma placa de gordura se solta é que causa a obstrução", completa.
Os planos de saúde ainda não cobrem o teste, que custa R$ 300 para cada remédio avaliado separadamente. Se o paciente toma dois medicamentos, o custo é de R$ 600.
O exame pode ser feito uma só vez, logo após a pessoa infartar e começar a tomar as drogas contra coagulação.
Para o cardiologista Leopoldo Piegas, do HCor (Hospital do Coração), o exame é caro demais. Ele afirma que já existem outros novos métodos para medir a agregação das plaquetas, que fazem a análise usando a condutividade elétrica do sangue.
"O teste mostra só uma tendência. Às vezes ele identifica pacientes como tendo maior risco e eles não têm."
Magalhães, dos Oswaldo Cruz, afirma que a experiência com o aparelho vem sendo positiva. "Esperamos que o teste entre na prática clínica e passe a ser pago pelos convênios."
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1017806-exame-de-sangue-usa-luz-para-detectar-risco-de-novo-infarto.shtml

Nova técnica para tratar aneurismas chega ao Brasil

06/12/2011 - 10h00

Nova técnica para tratar aneurisma chega ao país


DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE

Chegou ao Brasil uma nova técnica para tratar aneurismas e evitar que eles estourem, causando uma hemorragia cerebral que leva à morte em até metade dos casos.
O procedimento, que leva 20 minutos, é feito por cateterismo (é pouco invasivo). O médico insere, pela virilha, um dispositivo parecido com os stents usados para abrir artérias entupidas. O tubo, uma malha de metal, é colocado na artéria do cérebro onde está o aneurisma e desvia o fluxo de sangue. Isso faz a "bolha" murchar.
A primeira operação com o dispositivo foi feita no Paraná, em agosto. Ao menos outras quatro já foram realizadas desde então no país.
O aneurisma é uma bomba-relógio no cérebro. Pode passar anos sem causar sintomas e estourar de repente, causando morte súbita. Até 5% da população tem um.
O problema é causado por uma fraqueza na parede da artéria, que forma uma bolha e vai se enchendo de sangue.
O aneurisma gigante (com mais de 25 mm), caso em que o novo dispositivo é mais indicado, é o que tem o pior prognóstico, segundo o neurointervencionista Eduardo Wajnberg, do Hospital Pró-Cardíaco, no Rio.
Segundo o Wajnberg, a nova técnica é a primeira que trata a causa do problema, e não só a consequência.
Os tratamentos usados até agora são a cirurgia aberta, em que um clipe é colocado para controlar o aneurisma, e o preenchimento da bolha com micromolas de platina. O último é feito por cateterismo, mas pode permitir a volta do problema quando o aneurisma é grande.
O stent é acomodado como um revestimento que reforça a artéria e vai sendo incorporado a ela, diz Wajnberg. "Trabalhos preliminares indicam até 95% de cura depois de um ano."
O neurointervencionista Carlos Abath pondera que ainda não há confirmação dos resultados a longo prazo. O principal risco do tratamento vem do fato de o dispositivo levar seis meses para "fechar" o aneurisma. Nesse meio tempo, ele pode romper.
UMA BOMBA
A vigilante Ilisangela Ribeiro, 30, foi a primeira paciente no país a passar pelo procedimento, no Hospital Santa Cruz, em Curitiba.
Seu primeiro aneurisma rompeu em 2005, quando ela morava em Portugal. "Senti uma dor tão grande, parecia que uma bomba tinha explodido. O pescoço ficou rígido. Meu marido chegou em casa e viu que eu estava tendo um derrame", conta.
"A dor de cabeça intensa pode ser o primeiro sinal de sangramento", diz o médico Alexander Corvello, que operou Ilisangela em Curitiba.
De volta ao Brasil, ela continuou fazendo exames periódicos e descobriu, mais tarde, que tinha outro aneurisma. Pior, o primeiro estava reabrindo. Em agosto, fez o novo tratamento. "Sempre tive dor de cabeça. Depois do stent, não mais."

Editoria de Arte/Folhapress
 http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1017065-nova-tecnica-para-tratar-aneurisma-chega-ao-pais.shtml
 

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Cigarro serve de "porta de entrada" para outra droga.

04/11/2011 - 11h42

Cigarro intensifica vício em cocaína, diz estudo

RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON

Fumantes são mais propensos a se viciar em cocaína, caso comecem a experimentá-la, sugere um novo estudo.
Num experimento com camundongos, cientistas encontraram pela primeira vez evidência biológica de que o cigarro serve de "porta de entrada" para outra droga.
Ao dar água com nicotina aos roedores, pesquisadores da Universidade Columbia, de Nova York, mostraram que o vício subsequente em cocaína ficava mais intenso.
"É claro que fumar cigarros não determina se alguém vai ou não experimentar cocaína. Isso não é um fenômeno biológico, e sim social" disse à Folha, Amir Levine, autor principal do trabalho.
"A maioria dos fumantes nunca chega a experimentar cocaína. Entretanto, se você se tornar um fumante crônico e só depois for exposto à cocaína, seu cérebro vai reagir de forma diferente, sim." No teste com camundongos, Levine verificou que os animais submetidos a uso crônico de nicotina eram mais propensos ao vício.

Editoria de Arte / Folhapress

NO CÉREBRO
A nicotina, afirma ele, interfere na regulação do DNA das pessoas e acaba por aumentar a expressão de um gene chamado FosB, que já havia sido relacionado a propensão ao vício. Em estudo na revista "Science Translational Medicine", Levine já aponta um medicamento que pode reduzir esse efeito.
"Mostramos que a teofilina -um broncodilatador usado para tratar asma- bloqueia o efeito da cocaína em termos de expressão do FosB", diz o cientista, que contou com a orientação de Eric Kandel, ganhador do prêmio Nobel de Medicina de 2000. Segundo o pesquisador, a possibilidade de uso da teofilina para dependência ainda precisa ser investigada.
O estudo levanta o questionamento sobre se, em centros de reabilitação, deve haver uma política de tolerância com cigarros. Como é difícil largar dois vícios ao mesmo tempo, muitos pacientes continuam fumando enquanto lutam contra a cocaína. Para tentar verificar a correspondência em humanos, Levine, com a ajuda da sanitarista Denise Kandel, mulher de Eric, analisou dados sobre consumo de drogas nos EUA.
A porcentagem de pessoas que experimentavam cocaína e se viciavam era grande entre fumantes: 20%. Entre aqueles que nunca tinham fumado, era de apenas 6%. É um motivo a mais para que o combate ao cigarro seja uma prioridade de saúde pública, diz a pesquisadora.
Denise, que apresentou seus resultados ontem no Congresso Brasileiro de Psiquiatria no Rio de Janeiro, sugere que as investigações continuem. "Será que o álcool e a maconha --as outras duas drogas que mais atuam como "porta de entrada"-- também preparam o cérebro da mesma forma que a nicotina?", perguntou a cientista, em comunicado à imprensa.

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/1001534-cigarro-intensifica-vicio-em-cocaina-diz-estudo.shtml 

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Divulgados locais de prova do Enem... Saiba onde será sua prova aqui!!!!

Os candidatos que prestarão o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem 2011)  já podem saber o local onde farão as provas, que serão realizadas nos dias 22 e 23 de outubro. As informações dos locais onde os 5,3 milhões de estudantes farão a seleção podem ser obtidas no o site do INEP Click aqui
http://www.atarde.com.br/vestibular/noticia.jsf?id=5772711

sábado, 1 de outubro de 2011

Vacina contra Aids com 90% de eficácia.

28/09/2011 - 14h34

Pesquisadores desenvolvem vacina contra Aids com 90% de eficácia

DA EFE

Uma equipe de pesquisadores espanhóis criou um protótipo de vacina contra o HIV "muito mais potente" que os desenvolvidos até agora. Os testes conseguiram uma resposta imune para 90% das pessoas sadias que foram expostas ao vírus.
A descoberta foi apresentada nesta quarta-feira em entrevista coletiva pelos responsáveis pela pesquisa, Mariano Esteban, do Centro Nacional de Biotecnologia do Conselho Superior de Pesquisas Científicas da Espanha (CSIC), Felipe García, do Hospital Clínic de Barcelona, e Juan Carlos López Bernaldo de Quirós, do Hospital Gregorio Marañón de Madri.
Após manifestarem uma grande eficácia em ratos e macacos, os testes começaram a ser aplicados em seres humanos há cerca de um ano. Nesta primeira fase, a vacina foi aplicada em 30 pessoas sadias, escolhidas entre 370 voluntários.
Durante o teste, seis pessoas receberam placebo e 24 a vacina. Estas últimas apresentaram "poucos" e "leves" efeitos secundários (cefaleias, dor na zona da injeção e mal-estar geral). Por isso, é possível afirmar que "a vacina é segura para continuar com o desenvolvimento clínico do produto", ressaltou Quirós.
Em 95% dos pacientes, a vacina gerou defesa (normalmente atinge 25%) e, enquanto outras vacinas estimulam células ou anticorpos, este novo protótipo "conseguiu estimular ambos", destacou Felipe García.
Para completar, em 85% dos pacientes as defesas geradas se mantiveram durante pelo menos um ano, "que neste campo significa bastante tempo", acrescentou.
Na próxima etapa, os pesquisadores realizarão um novo teste clínico, desta vez com voluntários infectados pelo HIV. O objetivo é saber se o composto, além de prevenir, pode servir para tratar a doença.
"Já provamos que a vacina pode ser preventiva. Em outubro, vacinaremos pessoas infectadas com HIV para ver se serve para curar. Geralmente, os tratamentos antirretrovirais (combinação de três remédios) devem ser tomados rigorosamente, algo insustentável em lugares tão afetados pela Aids como a África", apontou García.
O protótipo da vacina, batizado como MVA-B, recebe o nome do vírus Vaccinia Modificado Ankara (MVA, na sigla em inglês), um vírus atenuado que serve como modelo na pesquisa de múltiplas vacinas
Até agora, o único teste de vacina contra o HIV que chegou à terceira fase foi realizado na Tailândia. As duas primeiras fases testam a toxicidade do composto e sua eficácia, enquanto a terceira e a quarta examinam a posologia do remédio.
O protótipo da vacina, patenteado pelo CSIC espanhol, está sendo elaborado para combater o subtipo B do vírus da Aids, de maior prevalência na Europa, Estados Unidos, América Central e do Sul, além do Caribe. Na África e Ásia, o vírus mais comum é o subtipo C.
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/982294-pesquisadores-desenvolvem-vacina-contra-aids-com-90-de-eficacia.shtml

Crítica ao "Ato Médico"

30/09/2011 - 11h41

Profissionais da saúde criticam projeto do "Ato Médico"

JOHANNA NUBLAT
DE BRASÍLIA

Uma audiência sobre o polêmico projeto de lei do "Ato Médico" colocou médicos de um lado e psicólogos, fisioterapeutas, enfermeiros e farmacêuticos de outro. O projeto foi debatido na quinta-feira na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.
Enquanto entidades médicas defenderam o projeto, que define os atos que só o médico pode fazer, representantes de outras áreas de saúde criticaram a proposta.

Arte

Para Humberto Verona, presidente do Conselho Federal de Psicologia, o texto destrói a solidariedade entre profissionais da saúde. "O projeto de lei vem para dizer que existe um profissional melhor que o outro", disse.
Os não médicos demandam que determinados atos continuem permitidos para as suas áreas. Os farmacêuticos querem garantir que o teste citopatológico --rotina para mulheres nos exames ginecológicos-- não seja privativo do médico.
"Quase 60% dos exames citopatológicos são realizados por não médicos. Haveria prejuízo para as mulheres brasileiras", diz Walter Silva João, vice-presidente do Conselho Federal de Farmácia.
Enfermeiros, por outro lado, querem manter a possibilidade de realizar diagnósticos de necessidades do paciente, afirma Cleide Canavezi, do Conselho Federal de Enfermagem. "Não queremos ser médicos, não é diagnóstico da doença."
Ela usa como exemplo um paciente com um edema no pé. A ideia, diz Canavezi, é que o enfermeiro possa fazer o diagnóstico e prescrever cuidados básicos, como colocar o pé para cima. Mas o projeto de lei veda a tarefa.
Roberto D'Ávila, presidente do Conselho Federal de Medicina, diz que o objetivo do projeto não é fazer reserva de mercado. Segundo ele, o principal ponto é garantir a exclusividade do diagnóstico e do tratamento para os médicos.
"Quem pode pagar vai ao médico. E quem não pode? Em 30% das equipes do [programa] Saúde da Família não há médicos. As pessoas estão sendo atendidas, não me pergunte por quem", disse.
O projeto teve origem no Senado. Seguiu para a Câmara, onde foi aprovado com ajustes. De volta ao Senado, deve ser aprovado pela CCJ e por outras duas comissões antes de ser encaminhado para sanção presidencial.
Segundo o relator do projeto, o senador Antonio Carlos Valadares (PSB-SE), o texto da Câmara é "inaceitável". "Quando o projeto passou na Câmara, houve certa radicalização por parte dos médicos. Nenhuma profissão pode se considerar a melhor."
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/983489-profissionais-da-saude-criticam-projeto-do-ato-medico.shtml 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Anticorpos atacam câncer por dentro

12/09/2011 - 09h05

Anticorpos atacam câncer por dentro, revela novo estudo

REINALDO JOSÉ LOPES
EDITOR DE CIÊNCIA E SAÚDE

É possível contrabandear anticorpos para dentro das células do tumor, atacando o câncer de forma mais específica, revela uma pesquisa.
O estudo, assinado por pesquisadores em Cingapura e nos EUA, mostrou que a estratégia pode ser bem sucedida ao testá-la em camundongos.
A abordagem, além de ter aplicação terapêutica, também poderia funcionar como uma vacina anticâncer, ensinando o organismo a se proteger contra a doença antes mesmo que ela apareça.
O estudo, coordenado por Qi Zeng, do Instituto de Biologia Molecular e Celular da Agência de Ciência, Tecnologia e Pesquisa de Cingapura, teve destaque na revista "Science Translational Medicine", voltada para estudos com potencial de aplicação. A vantagem dessas moléculas é a sua especificidade.
Num sistema de chave e fechadura, elas são projetadas para grudarem em seu alvo biológico, o chamado antígeno (normalmente uma molécula específica do agente causador da doença).
Ao se conectar a essa molécula, o anticorpo pode detonar o causador da doença ou deixá-lo "marcado para morrer": o anticorpo ajuda a recrutar outros elementos do sistema de defesa do organismo, que acabam destruindo o agente da doença.
Portanto, atacar um tumor usando essas armas exigiria apenas identificar um antígeno específico das células cancerosas e produzir anticorpos que se liguem a ele.
Com isso, os efeitos colaterais típicos da quimioterapia poderiam até ser contornados, uma vez que a parte saudável do organismo seria poupada do ataque.

Editoria de Arte/Folhapress

DOGMA DESAFIADO
Na prática, a coisa é mais complicada. A começar pelo fato de que muitos dos potenciais antígenos de câncer são proteínas que moram no interior das células tumorais. Isso era um problema porque os anticorpos são moléculas grandalhonas. Não conseguiriam passar pelas brechas da membrana celular e chegar até esses alvos, que normalmente são proteínas fora de controle por causa de alguma mutação.
Por isso, até hoje, os anticorpos contra câncer só se atracam com antígenos que ficam na parte de fora da células, na membrana celular.
Zeng e companhia, no entanto, trabalharam com base numa pista antes negligenciada. Em doenças autoimunes, aquelas nas quais o organismo se volta contra si mesmo, os anticorpos não só parecem se enfiar membrana celular adentro como afetam seus alvos no interior da célula, levando-a a se suicidar.
Se é possível nessas doenças, pode acontecer em outros contextos mais benignos, raciocinaram os cientistas.
Eles injetaram, em camundongos, células tumorais que carregavam dois potenciais antígenos, proteínas do interior da célula que têm um papel na origem do câncer.
Depois, deram a parte dos bichos anticorpos específicos para essas proteínas. Os roedores que receberam os anticorpos conseguiram enfrentar melhor a doença.
Num outro teste, eles primeiro colocaram o antígeno no organismo de camundongos saudáveis, criando uma vacina anticâncer.
Em outras vacinas, é assim que funciona: doses do antígeno fazem o organismo produzir seus próprios anticorpos. De novo, funcionou: ao receberem injeções de células de câncer, os animais se viraram bem contra a doença.
Os cientistas afirmam que essa abordagem daria certo, por exemplo, em pessoas com uma mutação conhecida que leva ao câncer, personalizando o tratamento.
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/973795-anticorpos-atacam-cancer-por-dentro-revela-novo-estudo.shtml

domingo, 28 de agosto de 2011

BRASIL desenvolve vacina contra tumores e lesões do HPV

26/08/2011 - 11h17

USP desenvolve vacina contra tumores e lesões do HPV

MARIANA VERSOLATO
ENVIADA AO RIO

Pesquisadores da USP desenvolveram uma vacina contra tumores e lesões pré-cancerosas causadas pelo HPV.
O vírus é responsável por tumores de colo do útero, cabeça, pescoço, ânus e pênis.
Diferentemente das vacinas disponíveis hoje na rede privada, que impedem a infecção pelo vírus, a novidade seria indicada para quem já se infectou e desenvolveu alguma lesão.
A imunização induz as células de defesa a reconhecer lesões e tumores desenvolvidos a partir do HPV 16 e atacá-los. O tipo 16 do vírus é um dos que mais causam câncer.
O estudo foi apresentado ontem por Luís Carlos Ferreira, professor da USP e chefe do laboratório de desenvolvimento de vacinas da universidade, na 26ª reunião anual da Fesbe (Federação de Sociedades de Biologia Experimental), que vai até amanhã, no Rio de Janeiro.
Os testes foram feitos em roedores, mas já há planos de realizar estudos clínicos em humanos daqui a um ano e meio, no HC de São Paulo.
EFICÁCIA
Segundo Ferreira, a vacina é a mais eficaz do tipo já criada. "A vacina conseguiu reverter em 100% as lesões e os tumores com só uma dose."
Ele afirma que será possível produzir a vacina a um custo menor do que o da atual, que sai por R$ 900.
O pesquisador lembra que grande parte da população já teve contato com o vírus -estima-se que, até os 50 anos, 80% das mulheres serão infectadas por algum dos mais de cem tipos de HPV.
"Para muitas pessoas, uma vacina não preveniria mais contra infecções e seria mais eficiente se curasse lesões e câncer", afirma.
Cerca de 90% das lesões são eliminadas sem necessidade de intervenção, mas algumas delas levam ao câncer.
Para o câncer de colo do útero, o tratamento pode ser por cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou uma combinação deles.
Ferreira diz que, no futuro, a imunização poderá se somar ao rol de tratamentos, especialmente nos casos mais avançados de tumor.
Max Mano, professor-assistente de oncologia da USP e médico do Icesp (Instituto do Câncer Octavio Frias de Oliveira), diz acreditar que o desenvolvimento de vacinas contra o câncer causado por HPV é promissor.
"É uma questão de tempo para desenvolvermos tratamentos de câncer ao investigar o papel da imunidade nesse tipo de doença."
Mas ele afirma que muitas vacinas fracassaram nos últimos 30 anos. "O que funciona em animais pode não funcionar tão bem em humanos, porque nossa imunidade é mais complexa."

Arte

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/965665-usp-desenvolve-vacina-contra-tumores-e-lesoes-do-hpv.shtml

domingo, 21 de agosto de 2011

Nojentas, mas úteis

Nojentas, mas úteis

Leitor da CH pergunta: “Qual é a importância ecológica das baratas urbanas? Elas trazem algum benefício para os humanos?”. Eduardo Fox, do Instituto de Biofísica Carlos Chagas Filho da UFRJ, responde.
Por: Eduardo Fox

As baratas desempenham papel fundamental na cadeia alimentar das cidades. O seu desaparecimento causaria um forte desequilíbrio nos ecossistemas urbanos. Portanto, por mais repulsivas que sejam, é melhor mantê-las entre nós. (foto: Angela Knipe/ Sxc.hu)  
 
As baratas são insetos muito diversos e abundantes e, por serem onívoras, ou seja, por comerem de tudo, têm papel vital como decompositoras de restos orgânicos. Além disso, elas fazem parte da dieta de muitos outros animais, como aves, aranhas, lacraias e escorpiões.
As baratas urbanas, em especial, são totalmente dependentes da presença dos seres humanos e muito importantes dentro da cadeia alimentar das cidades. Apesar de representarem apenas uma mínima porção das espécies existentes de baratas, cerca de 1%, elas são muito numerosas e o seu desaparecimento causaria um forte desequilíbrio nos ecossistemas urbanos.
“Esses insetos consomem rapidamente toneladas de fezes, cadáveres, restos alimentares e até papel, cigarros e plásticos”
Esses insetos consomem rapidamente toneladas de fezes, cadáveres, restos alimentares e até papel, cigarros e plásticos. Se sumissem, sofreríamos com um rápido acúmulo de resíduos humanos nos esgotos e cemitérios.
Por servirem de alimento a muitos predadores que fazem parte da fauna da cidade – como ratos e morcegos –, seu fim causaria também uma rápida desestabilização das populações animais.
Seria necessário um longo período de readaptação ecológica até que outro ser vivo ocupasse o nicho das baratas. Por isso, mesmo que você não goste delas, é mais sábio deixar que continuem habitando nossos esgotos, lixeiras e cemitérios.

Eduardo FoxInstituto de Biofísica Carlos Chagas Filho
Universidade Federal do Rio de Janeiro

http://cienciahoje.uol.com.br/revista-ch/2011/284/nojentas-mas-uteis

Unha de primatas já estava presente em fóssil de 55 milhões anos

Unha de primatas já estava presente em fóssil de 55 milhões de anos

DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

O surgimento das unhas em fósseis de primatas há cerca de 55 milhões de anos permitiu o desenvolvimento de novas e críticas habilidades. Eles passaram a ter área dos dedos mais sensível ao toque e uma melhor capacidade para agarrar um objeto ou se coçar. Suas unhas permitiram a um ancestral parecido com um lêmure agarrar galhos e mover-se pelas árvores com mais agilidade.

Kristen Grace/Florida Museum of Natural History/Efe
Tipos de mandíbulas dos primatas que serviram para a investigação

No estudo mais recente sobre o Teilhardina brandti, publicado na edição on-line do "American Journal of Physical Anthropology", cientistas da Universidade da Flórida analisaram os fósseis mais antigos de primatas que possuíam unhas em todos os dedos dos membros superiores e inferiores.
Eles chegaram à conclusão que essa estrutura orgânica anexa à pele se desenvolveu quando os primatas ainda eram pequenos. A hipótese contradiz teorias anteriores, que diz que a unha teria se desenvolvido quando os primatas foram ganhando tamanho ao longo da evolução.
"Essas são as menores unhas verdadeiras conhecidas até então, seja de animais vivos ou de fósseis", disse o primeiro autor Ken Rose, professor do Centro de Anatomia Funcional e Evolução da Escola de Medicina da Universidade Johns Hopkins. "Isso certamente não sugere que as unhas tenham se desenvolvido em primatas com corpos maiores", disse ele.
O material analisado consiste em restos de 25 exemplares da espécie Teilhardina brandti, encontrados nos últimos sete anos na Bacia de Bighorn (no Estado americano de Wyoming). Entre eles, havia partes da arcada dentária superior e dos ossos dos tornozelos, que indicam vivência nas árvores.
O Teilhardina brandti foi um pequeno primata, de mais ou menos 15 centímetros e parecido com o lêmure, e calcule-se que tenha habitado a Terra até meados do Eoceno. Esses animais onívoros viveram há 55,8 milhões de anos, em um momento de aquecimento da Terra que durou cerca de 200 mil anos, e, ao contrário de mamíferos anteriores, não tinham garras, mas unhas, além de olhos em posição frontal e um cérebro maior.
"Ao encontrar partes do esqueleto deste primata primitivo, somos capazes de testar se as unhas estavam presentes no ancestral comum do grupo que inclui lêmures, macacos e seres humanos --é evidência direta em oposição à especulação", disse o coautor Jonathan Bloch, curador adjunto da paleontologia de vertebrados no Museu de História Natural da Flórida, no campus a Universidade da Flórida.

Kristen Grace/Florida Museum of Natural History/Efe
Tipos de mandíbulas dos primatas que serviram para a investigação
 
IMPLICAÇÃO BIOGEOGRÁFICA
Com base na idade dos fósseis e análises de espécies Teilhardina de outras partes do mundo, os pesquisadores também foram capazes de analisar a hipótese de que os mamíferos migraram da Ásia para a América do Norte via Estreito de Bering. Em vez disso, eles provavelmente passaram da Ásia, pela Europa para a América do Norte em conexões de alta latitude ao Norte da Terra.
"Esta pesquisa sugere que realmente estamos olhando para algo extremamente próximo [à espécie encontrada na Europa] e isso é de grande interesse", disse Rose. "Nós podemos mostrar que essas espécies foram realmente próximas morfologicamente e viveram na mesma época na Europa e Wyoming."
"Sempre que temos a oportunidade de adicionar mais informações morfológicas para analisar as relações dos animais para responder a estas questões biogeográficas, esperamos chegar mais perto de uma compreensão do que foi esta radiação grandes (diversificação) de primatas", disse Gregg Gunnell, diretor da Divisão de Primatas fósseis na Duke Lemur Center.
Em suma, esse achado fóssil da menor unha verdadeira de primata permitiu tirar grandes conclusões evolutivas: a unha já estava presente no ancestral comum e esse ancestral possivelmente chegou nas Américas cruzando o Atlântico Norte vindo da Europa.

http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/961149-unha-de-primatas-ja-estava-presente-em-fossil-de-55-mi-de-anos.shtml

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Contar calorias não basta para emagrecer

08/08/2011 - 17h15

Pesquisa diz que contar calorias não basta para emagrecer

JULIANA VINES
DE SÃO PAULO

Ter em mãos calculadora e tabelinha de calorias não é a melhor forma de perder e manter o peso, de acordo com pesquisadores da Universidade Harvard que acabaram de publicar um estudo sobre o tema.
No artigo, que saiu na revista "New England Journal of Medicine", eles dizem que mais vale priorizar ou evitar grupos de alimentos do que ficar fazendo contas.
Para chegar à conclusão, a pesquisa acompanhou por 20 anos mais de 120 mil americanos saudáveis e dentro do peso normal.
De quatro em quatro anos, eles responderam questionários sobre hábitos alimentares e estilo de vida.
Resultado: muitos que comiam alimentos gordurosos e ricos em calorias, como nozes e leite, não engordaram; pelo contrário, emagreceram. Os que tinham o hábito de tomar iogurte foram os que mais emagreceram --370 gramas a cada quatro anos.
E mais: hábitos como fumar, beber ou ver televisão por várias horas influenciaram mais do que a ingestão ou não de alimentos calóricos.

Arte/Folhapress

 
MUDANÇA DE HÁBITO
Para a nutróloga Marcella Garcez, diretora da Abran (associação de nutrologia), a pesquisa comprova que perder e manter o peso é questão de hábito, não de regime.
"Não adianta fazer uma dieta restritiva, com contagem de calorias, e ficar 'economizando' para continuar comendo o que gosta. Aí a pessoa passa fome e não muda o hábito. Quando o regime acaba, ela volta a comer como antes e recupera o peso perdido."
A nutricionista Fernanda Pisciolaro, da Abeso (associação para estudo da obesidade), também não acredita em dietas que cortam calorias. De acordo com ela, o organismo não entende o corte de energia e, passado o período de privações, dá um jeito de recuperar o peso perdido.
"Há muitos estudos sobre isso. Quanto maior o tempo de restrição calórica, maior será o ganho de peso depois."
Para emagrecer, a nutricionista indica que as pessoas diminuam quantidades, mas obedecendo as necessidades diárias de energia. Nada de dietas de mil calorias se a necessidade diária são 1.800.
"Se eu como quatro colheres de arroz, vou passar a comer três. Se como batata frita todo dia, posso comer só uma vez por semana. É muito melhor para a saúde comer normal do que fazer regime."
Em média, a maioria das pessoas engorda cerca de 450 gramas por ano (quase dois quilos a cada quatro anos). Na pesquisa, engordou mais quem comia regularmente batata frita e chips de batata.
MATEMÁTICA IMPRECISA
O endocrinologista Alfredo Halpern, chefe do serviço de obesidade do Hospital das Clínicas de SP e criador da dieta dos pontos, diz que os resultados são os esperados --e que nada muda nas dietas.
Segundo ele, ninguém pode negar que, no fim das contas, emagrecer é resultado de uma matemática negativa: gastar mais calorias do que ingerir.
"Para uma dieta, ainda vale essa ideia. Não tem como fugir disso. Uma coisa é emagrecer e outra é ter alimentação saudável."
De acordo com Halpern, o estudo isolou grupos alimentos. Para ele, isso pode valer para orientações gerais a um grupo grande de pessoas, mas não tem como ser uma orientação individual e isolada.
"Se a pessoa passar a comer nozes e iogurte, porque nesse estudo quem comia isso emagreceu, ela não vai emagrecer se não cortar calorias. O que deve ter acontecido nesse estudo é que quem comia esses alimentos saudáveis também comia mais frutas, legumes."
O endocrinologista Airton Golbert, presidente da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia concorda com a matemática do cortar calorias, mas diz que é uma conta imprecisa.
"Depende de como o alimento é absorvido, metabolizado e dos hábitos da pessoa ao longo do tempo. É uma questão educativa."
 http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/955382-pesquisa-diz-que-contar-calorias-nao-basta-para-emagrecer.shtml

sexta-feira, 29 de julho de 2011

China derruba teoria Archaeopteryx espécie elo de ligação entre os dinossauros e os pássaros.

Fóssil descoberto na China derruba teoria e sugere que ‘avô dos pássaros’ na evolução era dinossauro

A descoberta de um fóssil na China fez cair por terra uma velha teoria sobre o Archaeopteryx, espécie considerada elo de ligação entre os dinossauros e os pássaros. Segundo o estudo divulgado pela revista Nature, o ancestral das aves faria parte do primeiro grupo.
A razão da reviravolta é um fóssil encontrado na região de Liaoning, na China, batizado de Xiaotingia zhengi. Acredita-se que o animal viveu no período jurássico, entre 145 e 160 milhões de anos atrás. 

Mais bem conservado que o Archaeopteryx, ele revela que apesar das penas, o animal tinha “garras nas pontas de suas patas dianteiras e dentes afiados”.
Segundo a revista, “o Archaeopteryx tem sido colocado na base da árvore de evolução dos pássaros. Ele tem características que o ajudam a ser definido como um pássaro, como braços longos e robustos (equivalente às asas)”.
Porém, análise do Instituto Paleontologia de Vertebrados e Paleoantropologia de Pequi, liderada pelo cientista Xing Xu, mostrou que o Xiaotingia está mais próximo de dinossauros como o Velociraptor e o Microraptor do que de pássaros primitivos.
Logo, os cientistas chineses classificaram o Xiaotingia no grupo Deinonychosauria, de dinossauros, e não no Avialae, que reúne aves.

 O Archaeopteryx foi classificado como ave após o lançamento de A Origem das Espécies de Darwin

Segundo os chineses, as características que os levaram a fazer a troca foi a constatação de que o Xiaotingia possuia focinho menor e uma expansão da região que fica atrás da cavidade ocular, marcas encontradas no Microraptor, mas não nas aves do grupo Avialae.
Darwin
Descoberto em 1861, pouco tempo depois da publicação de A Origem das Espécies, de Charles Darwin, que revolucionou a paleontologia, o fóssil do Archaeopteryx não demorou para ser classificado como o “elo perdido” entre os pássaros e os dinossauros.
Para o cientista chinês, “ a classificação do Archaeopteryx foi resultado tanto da história quando da escassez de material mostrando a transição de dinossauros para pássaros”.
Para o paleontólogo da Universidade de Ohio Lawrence Witmer, o “Archaeopteryx era considerado uma ave porque tinha penas e nenhum outro tinha. Depois, em outros animais, dedos, mãos e penas passaram a ser descobertos”, diz, explicando a mudança de referencial para considerarem um animal ave ou não.
Para Thomas Holtz, da Universidade de Maryland, ainda não há palavra final sobre o assunto, já que novas descobertas podem levar a outras conclusões.
 http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/07/110727_china_dinossauro_ave_mm.shtml

domingo, 24 de julho de 2011

Uma das causas a infertilidade masculina

22/07/2011 - 10h11

Mutação de proteína no esperma pode causar infertilidade

DA EFE

A mutação de um gene de uma proteína que recobre o esperma poderia ser a causa de grande parte dos casos de infertilidade masculina, segundo um estudo publicado na revista "Science Translational Medicine".
O relatório redigido por uma equipe internacional de pesquisadores, liderada pelo professor Gary Cherr da Universidade da Califórnia Davis, poderia abrir novos caminhos para resolver os problemas de infertilidade dos casais.
Os cientistas coletaram amostras de DNA nos Estados Unidos, Reino Unido, China, Japão e África, e descobriram que um quarto dos homens tem um gene defeituoso que afeta a proteína DEFB126. Ela, por sua vez, se encarrega de recobrir a superfície do esperma e o ajuda a penetrar na mucosa do colo do útero da mulher.
Os homens que têm esta variante da proteína DEFB126 não apresentam o Beta Defensina 126, o que dificulta o processo do esperma de nadar através da mucosa e eventualmente unir-se a um óvulo, indicam os cientistas que apontam que esta variação genética "possivelmente é responsável por vários casos de infertilidade sem explicação até o momento".
Ao examinar 500 casais chineses recém-casados, os cientistas descobriram que a falta do Beta Defensina 126 em homens com a mutação DEFB126 diminuiu a fertilidade em 30%.
O professor Associado de Urologia da Universidade da Califórnia Davis e coautor do estudo, Ted Tollner, indicou em comunicado que esse novo descobrimento poderia abrir novas pesquisas para fazer um estudo mais amplo do papel desta mutação na infertilidade.
Tollner assinalou que em comparação com o esperma dos macacos e outros mamíferos, os espermatozóides humanos são em geral de má qualidade, nadam devagar e têm uma alta taxa de células defeituosas.
O professor Cherr assinalou que a questão pode estar relacionada ao fato que nos seres humanos, ao contrário da maioria dos mamíferos, a perpetuação da raça se sustenta em uma relação monogâmica e "a qualidade do esperma simplesmente não importa muito".

Theodore L. Tollner/Reuters
Imagem em microscópio mostra esperma humano de doador que possui somente o gente mutante DEFB126

http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/947587-mutacao-de-proteina-no-esperma-pode-causar-infertilidade.shtml

sexta-feira, 22 de julho de 2011

Comprimido para disfunção erétil com sabor de menta

22/07/2011 - 09h14

Efeito rápido é atrativo de nova pílula para impotência

DÉBORA MISMETTI
EDITORA-ASSISTENTE DE SAÚDE E CIÊNCIA

Um comprimido para disfunção erétil com sabor de menta e que se dissolve na boca acaba de ser lançado no mercado brasileiro.
A nova versão do Levitra (vardenafila), da Bayer, vem em embalagem "discreta", para parecer mais um chiclete do que um remédio.
Sua absorção é mais rápida do que a do comprimido comum. A partir de 15 minutos após o consumo, os efeitos já começam, contra 40 minutos da pílula tradicional.
Em março, a Pfizer, fabricante do Viagra, lançou uma versão mastigável, também com sabor menta, no México. Batizado de Viagra Jet, o comprimido ainda não tem previsão de lançamento no Brasil.
A Eli Lilly, fabricante do Cialis (tadalafila) fez sua investida no ano passado, quando criou uma forma de uso diário do remédio.
Isso dispensa o homem de ter que planejar o ato sexual, porque a ação da droga é constante.

Editoria de arte/folhapress
Segundo o urologista André Cavalcanti, professor da Unirio (Universidade Federal do Estado do RJ), a ação mais rápida dos comprimidos solúveis e o fato de que eles dispensam o copo de água são vantagens, mas isso não muda a qualidade do efeito para o paciente. "Facilita o acesso e tira a conotação de medicação, o que pode até estimular o uso recreativo. Mas não muda muita coisa. É uma opção de diferenciação da marca frente aos genéricos."
A patente do Viagra, expirada em abril de 2010, permitiu a venda dos genéricos da sildenafila, princípio ativo do remédio.
Segundo Odnir Finotti, presidente da PróGenéricos, há comprimidos hoje vendidos por R$ 5. O Viagra é encontrado por cerca de R$ 12 a unidade nas farmácias.
Finotti diz que a criação de novas versões dos comprimidos é uma tentativa de criar nichos para atrair o consumidor. "Mas o importante é o preço: será que as pessoas vão conseguir pagar?"
USO DIÁRIO
Para o urologista Celso Gromatzky, do Hospital Sírio-Libanês, os remédios solúveis aumentam o conforto dos pacientes, mas foi o lançamento do comprimido de uso diário que mais os ajudou. "Alguns pacientes têm um grau de ansiedade tamanho que não conseguem administrar o uso do comprimido sob demanda [antes da relação sexual]."
O uso diário da tadalafila de 5 mg é seguro, segundo o médico, desde que não haja contraindicação. "Temos experiência de uso dessas drogas com doses mais altas para recuperação de pacientes após cirurgia de próstata."
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/947571-efeito-rapido-e-atrativo-de-nova-pilula-para-impotencia.shtml

sábado, 16 de julho de 2011

Anticorpos que atacam HIV

15/07/2011 - 08h26

Cientistas descobrem anticorpos que atacam HIV

RAFAEL GARCIA
DE WASHINGTON

As moléculas do sistema imunológico de algumas pessoas que são capazes de neutralizar o HIV têm uma origem comum no DNA, mostra uma nova pesquisa.
A descoberta foi feita por cientistas dos EUA e da Alemanha estudando voluntários que contraíram o vírus, mas não apresentam sintomas da doença.
Desenvolvendo um novo método para identificar anticorpos --proteínas que atacam micróbios invasores no organismo-- os pesquisadores descobriram 576 tipos diferentes dessas moléculas.
E a surpresa: todas elas, apesar de marcadas diferenças, eram extremamente agressivas contra o HIV e tinham origem em apenas dois trechos distintos de DNA.

CDC/Reuters
 Detalhes da estrutura de partículas do vírus HIV, visualizadas com microscopia eletrônica

Já se sabia que alguns anticorpos humanos eram capazes de neutralizar o HIV, mas um estudo sobre o novo achado, publicado hoje na revista "Science", é o primeira a dar uma pista sobre como o sistema imune os fabrica.
"Descobrimos que existe uma certa similaridade entre as respostas imunes de diferentes pessoas, que usam o mesmo anticorpo inicial para produzir os anticorpos que neutralizam o HIV", diz Michel Nussenzweig, brasileiro que trabalha na Universidade Rockefeller, de Nova York, e é coordenador do estudo.
"Achamos isso estranho e interessante, porque as respostas imunes costumam ser muito diversificadas na maioria das pessoas."
Isso era uma barreira para cientistas que pretendiam usar esses anticorpos como inspiração para produzir uma vacina. Sem saber a origem das moléculas, era difícil saber como "provocar" o sistema imunológico da maneira correta para produzi-las.
Agora, além de ter uma pista sobre como o corpo começa a produzir essas moléculas, Nussenzweig e colegas conseguiram determinar melhor como elas são.
Ao analisar com detalhe a estrutura de um dos anticorpos obtidos, viram que ele é capaz de atacar o calcanhar-de-aquiles do vírus: o pedaço da carapaça do HIV que se gruda nas células humanas antes de atacá-las.
Se pesquisadores descobrirem a molécula do vírus que desencadeia a produção desse anticorpo, isso poderia ser traduzido em uma vacina.
"Estamos tentando achar outros anticorpos com essa característica, porque talvez seja preciso mais de um para isso", diz o cientista.
A produção de uma vacina a partir dessa ideia ainda pode estar muitos anos à frente, mas a descoberta anunciada hoje pode ganhar outro tipos de aplicação. Segundo Nussenzweig, usando engenharia genética é possível clonar os superanticorpos para usá-los diretamente como agentes terapêuticos.
"Os anticorpos que identificamos são mais potentes do que os que já eram conhecidos e são muito abrangentes, capazes de reconhecer 90% das linhagens de HIV registradas", diz. "Não sabemos ainda se o uso direto dessas moléculas pode ajudar em terapia para soropositivos, mas é possível que sim."
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/943953-cientistas-descobrem-anticorpos-que-atacam-hiv.shtml

sábado, 4 de junho de 2011

Radiação por celulares classificada em "possivelmente cancerígena"

Ligação Perigosa
por Katherine Harmon
O anúncio da Organização Mundial da Saúde não garante que telefones celulares causem câncer, apenas sugere que não há estudos suficientes para garantir quais são os efeitos causados saúde em longo prazo.

A Agência Internacional para Pesquisa sobre Câncer (IARC) baseou suas conclusões em estudos anteriores em seres humanos, animais e em ensaios de laboratório. O grupo evidencia uma ligação entre o uso de telefone celular e o desenvolvimento de câncer. Mas a ligação não é apenas entre telefones celulares, a exposição à radiofreqência e outras fontes eletromagnéticas, incluindo microondas, radar, televisão podem também favorecer o desenvolvimento tumoral.







Ao longo dos anos, as conclusões sobre os telefones celulares e câncer têm sido muito irregulares. Um estudo em alguns países europeus não encontrou nenhum aumento na ocorrência de câncer no cérebro com o enorme salto no uso de telefones celulares. Um estudo realizado no início desse ano concluiu que as emissões de ondas celulares têm efeito sobre o metabolismo cerebral, Mas como o colunista da SciAm, Michael Shermer, explicou no ano passado, "a física mostra que é praticamente impossível telefones celulares causar algum tipo de câncer."

"Dadas as consequências potenciais para a saúde pública", explica Christopher Wild diretor da IARC, "é importante que pesquisas adicionais sejam realizadas em longo prazo com o uso maciço dos telefones móveis."


http://www2.uol.com.br/sciam/noticias/ligacao_perigosa.html

quinta-feira, 2 de junho de 2011

Paraplégico mexe pernas após terapia com células-tronco

02/06/2011 - 11h22

Paraplégico mexe pernas após terapia com células-tronco

GRACILIANO ROCHA
DE SALVADOR

Um paraplégico de 47 anos voltou a ter sensibilidade nas pernas e nos pés e a movimentar os membros inferiores após ser submetido a tratamento experimental à base de células-tronco, na Bahia.
Desenvolvido por cientistas do Centro de Biotecnologia e Terapia Celular do Hospital São Rafael, em Salvador, e da Fiocruz, o tratamento consiste na retirada de células-tronco adultas do osso da bacia e no reimplante no local da lesão.
O primeiro paciente, um policial militar de Salvador cuja identidade foi preservada, ficou paraplégico há nove anos, após uma queda que traumatizou a coluna na região lombar.
Seis semanas após a implantação de células-tronco adultas no local da lesão, o paciente já voltou a sentir as pernas e os pés.
Ele iniciou fisioterapia para fortalecer os músculos que ficaram muito atrofiados após o longo período de inatividade.
A bióloga Milena Soares, que participa do projeto, é cautelosa ao prever se o paciente voltará a andar um dia.
Segundo ela, isso vai depender, sobretudo, da fisioterapia. "Ele já consegue fazer alguns movimentos com a perna, e os resultados já mostram avanços muito significativos para a qualidade de vida do paciente", diz.
Os pesquisadores afirmam que houve um aumento do controle da bexiga e do esfíncter. Com isso, o paciente ficará livre de cateterismos diários feitos para retirar urina.
"Houve uma resposta muito boa no pós-operatório. Quatro dias depois [da cirurgia], o paciente já demonstrou melhora", diz Marcus Vinícius Mendonça, neurocirurgião que integra o grupo.
Nessa fase experimental, que visa atestar a segurança do procedimento, a técnica será aplicada em 20 voluntários. Dois deles receberam as células anteontem e ontem. O próximo fará o procedimento na semana que vem.
Segundo Mendonça, características do pós-operatório verificadas no primeiro paciente, como ausência de dores neuropáticas (característica de lesões neurológicas), se repetiram nos outros dois pacientes.

Arte

 http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/924319-paraplegico-mexe-pernas-apos-terapia-com-celulas-tronco.shtml

domingo, 24 de abril de 2011

Maior fóssil de aranha já encontrado na China

Início do conteúdo

Maior fóssil de aranha já encontrado é descoberto na China

Fóssil de fêmea tem mais de 165 milhões de anos; aracnídeo tinha 15 centímetros com as patas abertas.

20 de abril de 2011 | 11h 03
 
 
 Cientistas encontraram na China a maior aranha fossilizada já registrada, chegando a 15 centímetros de extensão com suas patas abertas.
A fêmea, que viveu há cerca de 165 milhões de anos, faz parte do gênero Nephila, cujos espécimes são conhecidos pelas teias fortes e de tom dourado que produzem. Estas aranhas são encontradas em regiões tropicais e subtropicais.
Segundo a revista científica Biology Letters, onde foi publicada o estudo, o fóssil foi encontrado na região da Mongólia Interior. Os pesquisadores batizaram o animal de Nephila jurassica.
O professor de Paleontologia da Universidade do Kansas (Estados Unidos) Paul Selden, que participou do estudo, disse à BBC que o corpo da Nephila jurassica não é o maior, mas ao considerar as suas patas, ela se torna a aranha fossilizada de maior tamanho já encontrada.
Até então, o fóssil mais antigo do gênero Nephila tinha 35 milhões de anos. A nova descoberta faz com que a existência deste gênero seja revista para o Período Jurássico, o que torna a aranha a mais antiga já registrada.
É impossível determinar com certeza como morreu este aracnídeo fossilizado. A possibilidade mais forte seria um desastre natural.
A aranha foi encapsulada em cinza vulcânica no fundo do que teria sido um lago. A cinza teria, segundo o estudo, arrancado o animal de sua teia e o encoberto. Os detalhes preservados no fóssil impressionam os cientistas.
"Você vê não somente os pelos das patas, mas pequenas coisas, como a trichobothria (pequenas estruturas em formato de pelo que servem para detectar vibrações do ar)", afirma Selden.
Dimorfismo
As fêmeas de Nephila existentes hoje em dia tecem algumas das maiores teias conhecidas, chegando a 1,5 metro de diâmetro. A sua grandeza contrasta totalmente com os machos deste gênero, que, de tão pequenos, fazem as fêmeas parecerem gigantes.
Esta disparidade de tamanho é um exemplo do que os biólogos chamam de dimorfismo sexual extremo.
Selden e seus colegas também querem descobrir se esta também é uma característica dos antigos espécimes de Nephila.
Segundo o professor, o espécime mais antigo até então era um macho do Período Cretáceo, encontrado na Espanha. Ele afirma que este animal tinha tamanho normal, considerando que as fêmeas atuais são gigantes.
"Parece que nós tínhamos este diformismo neste período tão antigo. Gostaríamos de encontrar um macho para confirmar isto. Todas as evidências sugerem que os machos tinham tamanho normal, mas ainda não localizamos nenhum." BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

http://www.estadao.com.br/noticias/vidae,maior-fossil-de-aranha-ja-encontrado-e-descoberto-na-china-,708845,0.htm

sábado, 23 de abril de 2011

Pâncreas artificial controla o diabetes

22/04/2011-09h00

Pâncreas artificial controla o diabetes

GUILHERME GENESTRETI
DE SÃO PAULO

Um pâncreas artificial, que monitora os níveis de açúcar no sangue e libera, automaticamente, quantidades adequadas de insulina, é a nova promessa para o tratamento de diabetes tipo 1.
Nesse tipo de diabetes, o paciente precisa tomar várias injeções diárias de insulina para controlar a doença.
Pesquisadores da Universidade de Cambridge testaram o aparelho e dizem que ele está pronto para ser usado por diabéticos em casa.
Eles fizeram a pesquisa com 24 pacientes hospitalizados. Os resultados foram publicados no periódico "British Medical Journal".
SENSOR DE GLICOSE
O aparelho combina um sensor de glicose implantado no corpo a uma bomba com cateter, que libera a insulina. Ao detectar variações nos níveis de açúcar, o sensor dispara sinais de radiofrequência para a bomba, que libera a quantidade de insulina adequada.
No estudo que testou o dispositivo, os pacientes foram divididos em dois grupos: um se alimentou com quantidades razoáveis de comida e outro comeu excessivamente e bebeu álcool.
Muita comida e bebida aumentam a quantidade de açúcar no sangue e mais insulina é necessária. O pâncreas artificial detectou corretamente as diferentes necessidades e conseguiu controlar os níveis de glicemia nos dois grupos.
Nos diabéticos, esse controle é muito delicado. "O que mantém vivo o diabético tipo 1 é a insulina", diz o endocrinologista Antonio Chacra, da Unifesp. O problema, diz ele, é o cálculo da quantidade a ser injetada.

Editoria de Arte/Folhapress
HIPOGLICEMIA
Um dos principais perigos é reduzir demais o nível de açúcar no sangue, segundo Saulo Cavalcanti, presidente da Sociedade Brasileira de Diabetes.
Quando o suprimento de insulina é excessivo, as taxas de glicose diminuem e podem levar a desmaios, convulsões e até causar a morte.
À noite, o risco é maior. "Dormindo o paciente pode não sentir os sintomas", diz Cavalcanti.
De acordo com ele, o pâncreas artificial é uma forma segura de controlar açúcar no sangue e diminuir esse risco.
Para Marcos Tambascia, professor de endocrinologia da Unicamp, o aparelho é a evolução dos tratamentos de diabetes, mas ainda é preciso testá-lo em mais pessoas, para avaliar a segurança.
A estimativa dos médicos é que o pâncreas artificial estará disponível no mercado daqui a três anos.
http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/905826-pancreas-artificial-controla-o-diabetes.shtml

sábado, 19 de março de 2011

Japão e a primeira contaminação de alimentos por radiação

19/03/2011 - 09h09

Japão registra primeira contaminação de alimentos por radiação

DAS AGÊNCIAS DE NOTÍCIAS

O governo japonês registrou neste sábado, pela primeira vez desde a crise nuclear na usina de Fukushima Daiichi, radiação acima do recomendado em leite e espinafre nas províncias de Fukushima e Ibaraki.
Segundo o secretário de Gabinete do Japão, Yukio Edano, a radiação estava acima do padrão estabelecido pelo governo, mas não impunha risco imediato à saúde humana. Ele não detalhou de quanto foi a radiação encontrada.

Mike Clarke/AFP
Japoneses fazem fila para comprar um dos primeiros suprimentos de legumes frescos em Sendai

A Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) afirmou que a contaminação é de iodo radioativo e que o governo japonês interrompeu a venda destes produtos.
A agência da ONU disse ainda que há sim risco à saúde humana, caso os alimentos sejam consumidos. "Apesar do iodo radioativo ter uma vida curta de cerca de oito dias e se dissipar naturalmente em uma questão de semanas, há um risco de curto-prazo para a saúde humana se o iodo radioativo na comida for absorvido pelo corpo humano".
Nesta semana, a União Europeia (UE) recomendou aos países do bloco que façam um maior controle de radioatividade nos alimentos importados do Japão.

Editoria de Arte/Folhapress
Os controles são voluntários, mas, no caso haja constatação de níveis de contaminação radioativa acima do teto autorizado, os países do bloco estão obrigados a informar a Bruxelas. A UE importou 9.000 toneladas de frutas e verduras em 2010, além de alguns tipos de pescado.
Especialistas temem as consequências da contaminação do solo e águas com o material radioativo lançado ao ar pela usina nuclear. O material pode efetivamente contaminar os alimentos, entrando na cadeia alimentar da população, o que causaria um risco ao longo de semanas e mesmo meses aos japoneses.
O leite de vaca é especialmente vulnerável, segundo especialistas, caso os animais entrem em contato com o pasto contaminado. O produto é muito consumido pelo homem, não só em sua forma natural, mas como ingrediente de vários alimentos processados.
ESTÁVEL
Neste sábado, as autoridades continuam lançando água para reduzir a temperatura dos reatores de Fukushima Daiichi e conter um vazamento massivo de material radioativo. Os bombeiros devem lançar 1,260 toneladas de água no reator. A operação, segundo a agência de notícias Kyodo, deve durar sete horas.
Edano disse que as condições no reator 3 ficaram relativamente estáveis depois que bombeiros lançaram 60 toneladas de água em uma piscina fervente que abriga combustível nuclear usado. A operação foi realizada pouco depois da 0h (12h de sexta-feira em Brasília), do lado de fora do prédio que abriga o reator.
"Nós estamos tentando deixar as coisas sob controle, mas estamos em uma situação imprevisível ainda", disse Edano.
Damir Sagolj/Reuters
  Membros das Forças de Autodefesa carregam vítima encontrada em carro, mais de uma semana após tremor

O objetivo primário é impedir qualquer vazamento massivo de materiais radioativos da piscina que abriga o combustível usado para o ar. O aumento da temperatura da água desta piscina, normalmente de 40ºC, faz com que a água se dissipe e exponha as varetas de combustível nuclear usado. Sem o líquido, que as isola do exterior, elas ficam então suscetíveis às altas temperaturas e podem derreter. No pior dos cenários, podem liberar material altamente radioativo.
Edano disse ainda que os bombeiros preparam a mesma operação para o reator 4.
Já nos reatores 5 e 6, as equipes conseguiram manter a temperatura baixa usando apenas um sistema de circulação de água nas piscinas, já que um dos geradores de emergência foi restaurado neste sábado. Com o religamento, a temperatura caiu de 68,8°C para 67,6°C, em quatro horas.
O ministro de Defesa, Toshimi Kitazawa, disse separadamente que a temperatura de superfície nos reatores 1 e 4 estavam a 100ºC ou menos na manhã deste sábado (noite de sexta em Brasília) e que a condição em ambos está mais estável do que o esperado.
Ele foi instruído pelo premiê Naoto Kan a monitorar os arredores da usina nuclear.
Já a operadora da usina, a Tokyo Electric Power Co., conseguiu conectar os cabos de energia aos prédios dos reatores 1 e 2. A ideia é fazer uma checagem dos equipamentos e ligar os cabos na manhã de domingo (noite de sábado em Brasília).
A restauração da energia elétrica pe crucial para que o sistema de resfriamento, danificado pelo terremoto, volte a ser ligado --o que facilitará a manutenção da temperatura nos reatores.
 http://www1.folha.uol.com.br/mundo/891049-japao-registra-primeira-contaminacao-de-alimentos-por-radiacao.shtml

quarta-feira, 16 de março de 2011

'Hibernação' salva recém-nascida ressuscitada após morte em parto

'Hibernação' salva recém-nascida ressuscitada após morte em parto

Ella e a mãe, Rachel (Foto: Harvey Hook/HotSpot Media)

Uma mãe que teve a filha recém-nascida ressuscitada após cerca de 25 minutos morta está fazendo uma campanha para levantar fundos para o hospital que salvou a vida da criança.
A história de Ella Claxton, hoje com nove meses de idade, é uma das mais dramáticas e bem-sucedidas que ocorreram na maternidade de Rosie, em Addenbrooke, que faz parte dos hospitais públicos da Universidade de Cambridge, na Grã-Bretanha.
A placenta da mãe rompeu durante o parto, interrompendo o fornecimento de sangue e oxigênio para o cérebro da menina.
"Tudo o que lembro é de ver sangue escorrendo do nariz dela", contou a mãe, Rachel, segundo declarações reproduzidas no site do hospital.
"Os próximos 45 minutos foram os mais longos da minha vida. Médicos, especialistas, parteiras por toda parte. Consegui ver de soslaio alguém fazendo massagem cardíaca na minha filha e bolsas de sangue passando de mão em mão, e ninguém me dizia nada."
Só mais tarde, a mãe, de 32 anos, descobriu que a filha permanecera clinicamente morta por 25 minutos.
Depois de ressuscitada, Ella foi levada para a UTI do Rosie Hospital, onde um cobertor térmico baixou a temperatura do seu corpo para 33,5 ºC – a temperatura normal é de 37,5 ºC – a fim de reduzir o dano cerebral.
Os tratamentos de resfriamentos, que têm se tornado cada vez mais comuns, têm como objetivo reduzir o funcionamento do corpo.
O efeito da hipotermia é semelhante ao da hibernação: funções como respiração, batimentos cardíacos, atividade cerebral e pressão sanguínea podem ser realizadas requerendo menos oxigênio e energia.

Ella passou 11 dias no tratamento intensivo (Foto: Harvey Hook)

Após 72 horas, a temperatura corporal da menina foi sendo gradualmente elevada em 0,5 ºC. Onze dias depois, Ella recebeu alta.
"Hoje, acho que o tratamento de esfriamento salvou minha filha de um dano grave no cérebro ou até da morte. Ela tem quase dez meses agora e está crescendo muito bem", disse Rachel.
"Ela faz fisioterapia regularmente porque ainda não começou a engatinhar direito e os médicos notaram que o lado direito é mais fraco. Mas isto não é nada, ela está conosco e isso é um milagre."
Campanha
Agradecida, a mãe endossou uma campanha para levantar 7 milhões de libras (cerca de R$ 19 milhões) para reformar uma ala da maternidade. Um contador no site da instituição indica que metade disso já foi arrecadada.
A instituição diz que é o hospital neonatal da região leste da Inglaterra com as condições mais avançadas para lidar com casos graves.
Entre 2008 e 2009, foram registrados 5,7 mil nascimentos na maternidade, ou cerca de 1.700 acima da capacidade da instituição. "Até 2020, a estimativa é que esse número chegue a 7,5 mil, portanto a expansão é essencial", afirma a instituição.
Na rede social Facebook, a campanha para levantar fundos diz que "as novas instalações atenderão à demanda crescente, incluindo um serviço maior de maternidade e atendimento à saúde da mulher".
"É o lugar perfeito, e serão o lugar perfeito para trazer ao mundo a nova geração dos bebês Rosie!"
 http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2011/03/110303_bebe_ressuscita_pu.shtml

Megaestudo desmente teses sobre longevidade

15/03/2011 - 10h29

Megaestudo desmente teses sobre longevidade

IARA BIDERMAN
DE SÃO PAULO

Comer vegetais, fazer esportes, não ter muitas preocupações e estar sempre sorrindo podem fazer bem para a saúde. Mas não são indicativos de que você vá viver mais tempo.
A afirmação é dos autores do mais longo estudo já feito sobre a relação entre personalidade e expectativa de vida, o "Longevity Project", da Universidade da Califórnia.
Durante 20 anos, Howard Friedman e Leslie Martin, professores de psicologia da universidade, estudaram os dados de 1.500 pessoas que participaram de uma pesquisa iniciada em 1921, por um psicólogo da Universidade Stanford.
Eles revisaram todos os dados sobre personalidade, estilo de vida, estado de saúde e causa de morte dessas pessoas. E separaram as características prevalentes entre os mais longevos.
Os resultados estão no livro "The Longevity Project: Surprising Discoveries for Health and Long Live from Landmark Eight-Decade Study" (ed. Penguim), que acaba de ser publicado nos EUA e não tem previsão de lançamento no Brasil.
O livro derruba várias hipóteses sobre comportamentos que aumentariam a expectativa de vida. Não foi achada relação entre hábitos alimentares e vida mais longa, por exemplo.
"O mais surpreendente foi descobrirmos que as pessoas mais felizes e extrovertidas na infância morreram mais cedo. É o oposto do senso comum sobre longevidade", disse à Folha Leslie Martin.
Além da sabedoria popular, estudos científicos também associam a felicidade à boa saúde. "A questão é que esses estudos são de curto prazo. O nosso trabalho é o primeiro que relaciona dados por um período tão longo."
Segundo a psicóloga, a característica predominante na infância dos que viveram mais tempo com saúde foi o senso de responsabilidade.
"Eram crianças mais sérias e mantiveram essa característica de forma consistente durante a vida. Nossa hipótese é de que elas evitavam comportamentos de risco e cuidavam mais de seu bem-estar e o do próximo", explica a psicóloga.
Ela acrescenta que essa personalidade não significa vida "certinha" sem graça. "Os registros mostram que foram pessoas criativas, intelectualmente ativas e que construíram carreiras e redes de relacionamento muito interessantes."

Editoria de Arte / Folhapress
FELIZES SOZINHOS
Outro resultado intrigante do estudo foi o peso do casamento na expectativa de vida. Algumas pesquisas mostram que pessoas casadas são mais saudáveis e, teoricamente, vivem mais.
"Em nossa pesquisa, isso foi verdade para os homens. Para mulheres, o casamento não aumentou nem diminuiu a expectativa de vida", afirma Martin.
O divórcio também não influenciou o tempo de vida das mulheres, independentemente de elas terem ou não encarado outro casamento.
Martin explica que vínculos afetivos influenciam positivamente a saúde, mas o principal é a qualidade dos relacionamentos.
"As pessoas que viveram mais não foram as que tiveram mais amigos. E mulheres que terminaram um casamento que não estava indo bem tiveram uma ótima e longa vida após o divórcio."
 http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/888852-megaestudo-desmente-teses-sobre-longevidade.shtml

Estudo compara cérebro saudável a outro com Alzheimer

14/03/2011 - 13h18

Imagem compara cérebro saudável a outro com Alzheimer

DA REUTERS

A campanha mundial Brain Awareness Week (BAW) divulgou nesta segunda-feira uma imagem que compara o hemisfério de um cérebro saudável ao hemisfério do cérebro de uma pessoa que sofre de Alzheimer.

Denis Balibouse/Reuters
Imagem compara o hemisfério de um cérebro saudável (à esquerda) ao de uma pessoa que sofre de Alzheimer

A foto foi divulgada pela unidade morfológica de psicopatologia da divisão de neuropsiquiatria do Hospital Universitário Idee Belle, em Chêne-Bourg, próximo a Genebra, na Suíça. A unidade estoca mais de 11.000 cérebros humanos desde o começo do século 20, destinados à educação e pesquisas.
A campanha, que acontece entre 14 e 18 de março, tem como objetivo sensibilizar o público sobre os progressos e benefícios das pesquisas sobre o cérebro.
Realizada desde 2008, a BAW reúne universidades, hospitais, grupos de pacientes, órgãos públicos, escolas, organizações de serviços e associações profissionais em todo o mundo durante uma semana.
 http://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/888388-imagem-compara-cerebro-saudavel-a-outro-com-alzheimer.shtml

sábado, 12 de março de 2011

Problema em segundo reator de usina nuclear do Japão

12/03/2011 - 19h31

Japão enfrenta problema em segundo reator de usina nuclear


DE SÃO PAULO
DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Terremoto no JapãoAtualizado às 19h50.
A Agência de Segurança de Energia Nuclear do Japão anunciou neste sábado que outro reator da usina de Fukushima --que já sofreu uma explosão-- está apresentando problemas em razão do terremoto que atingiu o país ontem.
De acordo com as informações, o sistema de resfriamento do reator 3 também parou de funcionar, o mesmo problema que causou a primeira explosão na usina. Agora, segundo uma autoridade da agência, a instalação terá que assegurar o suprimento de água para esfriar o reator.
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Nesta madrugada, uma explosão destruiu o teto da instalação do reator 1, levantando temores sobre uma possível liberação de radiação na área. Apesar disso, o governo afirmou, mais tarde, que a explosão não afetou o núcleo do reator e que apenas uma pequena quantidade desses materias foi liberada.
Segundo a autoridade, há uma possibilidade de que pelo menos nove pessoas tenham sido expostar à radiação, de acordo com informações dos governos municipais e outras fontes.
A comissão reguladora nuclear dos Estados Unidos (NRC) anunciou, neste sábado, o envio de dois especialistas ao Japão, após a explosão.
"Temos alguns dos melhores especialistas neste campo trabalhando para a NRC e estamos prontos para ajudar em qualquer coisa", disse o presidente da comissão, Gregory Jaczko, em comunicado no qual anunciou o envio dos técnicos.
A NRC --agência que regula as usinas nucleares de uso comercial-- disse que os técnicos são especialistas em reatores nucleares de água fervente.
O governo do Japão afirmou nesta tarde que o nível de radiação emitido pela instação parece ter diminuído após a explosão, que produziu uma nuvem de fumaça branca. Mas o perigo foi grande o suficiente para que as autoridades jogassem água do mar no reator para evitar um desastre e ainda tirassem 140 mil pessoas da área.
A explosão destruiu o prédio que abrigava o reator, mas não o reator em si, o que evitou um desastre maior. "Eles estão trabalhando desesperadamente para encontrar uma solução para esfriar o núcleo do reator", afirmou Mark Hibbs, do Programa de Política Nuclear do Carnegie Endowment for International Peace.
A AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) confirmou a informação de que o reator não havia sido danificado, desmentindo especulações de que um acidente mais grave como o da central ucraniana de Tchernobil, pudesse ocorrer.
Para limitar o dano ao núcleo do reator, por causa do terremoto e posterior tsunami ocorrido no litoral japonês, a Tepco propôs que água do mar seja misturada com boro para ser injetada no recipiente primário de contenção, segundo o comunicado divulgado pela AIEA em Viena.
A AIEA acrescentou que esta medida foi aprovada pela Nisa (Agência de Segurança Nuclear e Industrial) e que o processo de injeção começou às 20h20 no horário local (8h20 de Brasília).

Editoria de Arte/Folhapress

ESCALA
O acidente em uma central nuclear na cidade de Fukushima, no Japão, após o forte terremoto que atingiu o país na sexta-feira, foi classificado como de nível 4 na Escala Internacional de Eventos Nucleares, que vai de 0 a 7. A classificação é a terceira mais alta já concedida, ficando atrás apenas do acidente em Three Mile Island, nos Estados Unidos, em 1979 (nível 5) e de Tchernobil, em 1986 (grau 7).
A classificação 4 qualifica acidentes "com consequências de alcance local", segundo documentos da AIEA (Agência internacional de Energia Atômica). Em 1999, o Japão havia registrado um acidente com a mesma classificação.
O termo anomalia é utilizado para o nível 1 e, incidente, para os níveis 2 e 3. O nível 4 é o pior até o momento no Japão, de acordo com a Agência japonesa de Segurança Nuclear e Industrial.
O reator Daiichi 1, ao norte da capital Tóquio, começou a vazar radiação depois que o terremoto de magnitude 8,9 causou um tsunami, prontamente levantando temores de um derretimento nuclear. O sistema de resfriação do reator nuclear falhou após os tremores, causando uma explosão que rompeu o telhado da usina.
As autoridades afirmam que os níveis de radiação em Fukushima estavam elevados antes da explosão. Em determinado momento, a usina estava liberando a cada hora a quantidade de radiação uma pessoa normalmente absorve do ambiente em um ano.
MORTOS
O país lida com a ameaça nuclear enquanto tenta determinar o alcance dos danos do terremoto, o mais poderoso de que se tem registro em território japonês, e do tsunami que devastou a região nordeste. O número oficial de mortos é de 686, mas o governo diz que a estatística pode ultrapassar 1.000.
O Japão mobilizou 50 mil soldados e outros socorristas, neste sábado, para trabalhar na ajuda aos sobreviventes. Foi mobilizado nas operações o conjunto das Forças Armadas japonesas, que desde a véspera já participa das operações com 300 aviões, 20 navios e destróieres e 25 caças de reconhecimento mobilizados para a costa leste do arquipélago, onde mais de 1.800 pessoas morreram ou estão desaparecidas.
Também chegavam ao Japão equipes internacionais, algumas das quais participaram recententemente das buscas por sobreviventes nas ruínas do terremoto de 22 de fevereiro em Christchurch, Nova Zelândia.

Editoria de Arte/Folhapress
 http://www1.folha.uol.com.br/mundo/887916-japao-enfrenta-problema-em-segundo-reator-de-usina-nuclear.shtml

Acidente nuclear no Japão é pior que Tchernobil

12/03/2011 - 16h33

Acidente nuclear no Japão é pior na escala desde Tchernobil

DE SÃO PAULO
DAS AGÊNCIAS INTERNACIONAIS
Terremoto no Japão O acidente em uma central nuclear na cidade de Fukushima, no Japão, após o forte terremoto que atingiu o país na sexta-feira, foi classificado como de nível 4 na Escala Internacional de Eventos Nucleares, que vai de 0 a 7. A classificação é a terceira mais alta já concedida, ficando atrás apenas do acidente em Three Mile Island, nos Estados Unidos, em 1979 (nível 5) e de Tchernobil, em 1986 (grau 7).
A classificação 4 qualifica acidentes "com consequências de alcance local", segundo documentos da AIEA (Agência internacional de Energia Atômica).
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O termo anomalia é utilizado para o nível 1 e, incidente, para os níveis 2 e 3. O nível 4 é o pior até o momento no Japão, de acordo com a Agência japonesa de Segurança Nuclear e Industrial.
O reator Daiichi 1, ao norte da capital Tóquio, começou a vazar radiação depois que o terremoto de magnitude 8,9 causou um tsunami, prontamente levantando temores de um derretimento nuclear. O sistema de resfriação do reator nuclear falhou após os tremores, causando uma explosão que rompeu o telhado da usina.
O governo insistiu que os níveis de radiação eram baixos. Segundo a agência de notícias japonesa Jiji, três trabalhadores sofreram de exposição radioativa perto da usina de Fukushima.
Esta foi a primeira vez que o Japão confrontou uma ameaça significativa de radiação desde o maior pesadelo de sua história, uma catástrofe exponencialmente pior: os ataques com bombas atômicas em Hiroshima e Nagasaki, em 1945, que resultaram em mais de 200 mil mortes.
As autoridades afirmam que os níveis de radiação em Fukushima estavam elevados antes da explosão. Em determinado momento, a usina estava liberando a cada hora a quantidade de radiação uma pessoa normalmente absorve do ambiente em um ano.

Editoria de Arte/Folhapress
BAIXO RISCO
Apesar disso, especialistas afirmaram que as fotos de uma névoa sobre a usina sugerem que apenas pequenas porções de radiação foram liberadas, como parte das medidas para assegurar a estabilidade do reator, muito diferente das nuvens radioativas que saíram de Tchernobil, na Ucrânia, quando houve a explosão.
"A explosão no grupo de geradores número 1 da usina nuclear de Fukishima, no Japão, que ocorreu hoje, não será uma repetição do desastre nuclear de Tchernobil," disse Valeriy Hlyhalo, vice-diretor do centro de segurança nuclear Tchernobil.
Ele disse à agência de notícias Interfax que reatores japoneses são melhor protegidos do que os de Tchernobil, onde pouco mais de 30 bombeiros foram mortos na explosão. Pior acidente nuclear civil da história, Tchernobil também causou a morte de milhares de pessoas, que adoeceram devido à radiação.
"Além disso, esses reatores são desenhados para trabalhar em uma zona altamente sísmica, embora o que aconteceu vá além do impacto que as usinas foram projetadas para resistir," afirmou Hlyhalo.
"Portanto, as consequências não devem ser tão sérias quanto foram após o desastre nuclear de Tchernobil."

Editoria de Arte/Folhapress
IODO
Autoridades japonesas disseram neste sábado que o núcleo do reator estava intacto, e que água do mar seria jogada no reator que esta vazando para resfriá-lo e reduzir a pressão na unidade, um comunicado que deve acalmar os temores de um acidente nuclear.
Especialistas disseram que é crucial assegurar que o recipiente de aço do reator não tenha sido afetado pela explosão ou pelo terremoto.
"Se o recipiente de pressão, que comporta de verdade o combustível nuclear... se ele estava para explodir, é basicamente o que aconteceu em l, você terá uma liberação enorme de material radioativo," afirmou o professor Paddy Regan, físico nuclear da Universidade Surrey, no Reino Unido.
O governo do Japão avisou aos agentes de inspeção nuclear da ONU (Organização das Nações Unidas) que estão preparando uma distribuição de iodo às pessoas que moram perto das usinas nucleares afetadas pelo terremoto de sexta-feira, segundo a agência da ONU, em Viena.
O iodo pode ser usado para ajudar na proteção contra câncer na tireóide, para o caso exposição radioativa em um acidente nuclear.
Após o desastre de Tchernobil, milhares de casos de câncer de tireóide foram registrados em crianças e adolescentes, expostas no momento do acidente. Mais casos são esperados.
A OMS (Organização Mundial de Saúde) anunciou ainda que o risco para a saúde pública do vazamento de radiação no Japão parece ser "muito baixo", mas que a rede da OMS de peritos médicos estava pronta para ajudar se for solicitado.
"Neste momento parece ser o caso que o risco para a saúde pública é provavelmente muito baixo. Entendemos que a radiação que escapou da planta é muito pequena em quantidade," disse o porta-voz da organização, Gregory Hartl.
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/887878-acidente-nuclear-no-japao-e-pior-na-escala-desde-tchernobil.shtml