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quinta-feira, 25 de julho de 2013

Riscos da nova gripe aviária entre humanos



Riscos da nova gripe aviária entre humanos

Cientistas verificam  transmissão sem contato direto com ave infectada


Por Dina Fine Maron

Antes deste ano, o vírus H7N9 da gripe aviária, ligado a 133 infecções humanas e 43 mortes, nunca havia sido visto em pessoas.

Todas as evidências disponíveis sugerem que uma barreira biológica eficaz aparentemente evitou uma pandemia – humanos só contraíam o novo vírus por contato direto com aves ou com ambientes como mercados de pássaros, nunca por transmissão entre seres humanos.

Uma nova análise da Academia Chinesa de Ciências Agrícolas (CAAS), porém, sugere que o vírus está cada vez mais próximo de se transformar em uma doença transmitida entre seres humanos do que se acreditava anteriormente. 

Um grande estudo comparando os genomas das cinco cepas humanas de H7N9 conhecidas, com 37 vírus H7N9 isolados de mais de 10 mil amostras de mercados de aves, fazendas e matadouros de toda a China sugerem que o vírus só precisaria de pequenas mutações em sua estrutura proteica para se tornar facilmente transmissível entre humanos.

Além disso, testes com furões – considerados os animais mais próximos de humanos em testes de gripe – descobriram que uma cepa letal do vírus que matou a primeira vítima do H7N9 na China é transmissível por gotículas respiratórias, o que significa que ele poderia ser transmitido por tosses e espirros.

Os novos resutlados foram publicados na Science de 18 de julho. “Nossas descobertas não trazem nenhuma indicação para reduzir a preocupação de que esses vírus possam ser transmitidos entre seres humanos”, declara Hualan Chen, da CAAS e autor do estudo.

As novas descobertas são “preocupantes”, de acordo com Charles Chiu, especialista em doenças infecciosas da University of California, San Francisco. “Para esse vírus em particular, o H7N9, saber se existe ou não transmissão entre seres humanos é crítico”.

Desde abril, o número de casos de H7N9 caiu abruptamente, mas oficiais de saúde pública se preocupam que, assim como outros vírus da gripe aviária que têm padrões sazonais de infecção, o H7N9 poderia ressurgir no outono.

Com mais casos do H7N9 haveria mais oportunidades para o vírus sofrer mutações entre humanos e, consequentemente, passar a ser H7N9 transmissível entre humanos.

Os vírus H7N9 isolados de aves e humanos já têm parentesco genético próximo.

Departamento de Agricultura dos Estados Unidos
Artigo publicado na Science em 18 de julho de 2013 verificou transmissão do vírus da gripe aviária H7N9 por gotículas, sem necessidade de contato direto, entre aves e furões. A descoberta é preocupante por causa da letalidade do vírus e da ausência de sintomas dos animais infectados. 


Na análise da Science, pesquisadores descobriram que os vírus podem se conectar a receptores das vias respiratórias humanas, mas eles ainda mantêm sua capacidade de se ligar a receptores das vias respiratórias de aves.

Para que o vírus seja transmissível entre humanos, ele deve sofrer mais mutações para perder sua habilidade de se ligar a receptores de vias respiratórias de aves – uma modificação genética que, de acordo com os autores, pode ser possível com apenas algumas mudanças em sequencias de aminoácidos.   

Os resultados de artigos da Science divergem de pesquisas anteriores.

Um estudo dos Centros para Controle de Doenças dos Estados Unidos, publicados na Nature há duas semanas, também considerou a transmissão do H7N9 em furões e descobriu que apesar de esses animais transmitirem a gripe quando juntos, quando estavam fisicamente separados mas compartilhavam a mesma rede de ar entre suas gaiolas, os furões saudáveis só contraíam o vírus raramente.

Nesse trabalho, pesquisadores do CDC observaram transmissões por gotículas respiratórias em duas cepas diferentes de H7N9, e descobriram que em uma cepa originária da Província de Anhui, na China, apenas dois de seis furões contraíram o vírus, enquanto em uma cepa de Xangai, apenas um de três furões contraiu o vírus.

No novo estudo, pesquisadores também observaram várias cepas de H7N9 e descobriram que o vírus era transmitido de maneira semelhante por contato direto. Mas, em contraste com os autores dos relatórios da Nature, eles descobriram que todos os três furões expostos à cepa H7N9 de Anhui contraíram o vírus quando expostos a gotículas respiratórias.

Os autores do estudo publicado na Science fizeram os experimentos duas vezes e obtiveram os mesmos resultados.

A importância dos resultados conflitantes de infecção aérea nos dois estudos não está claro porque ambos observaram números muito pequenos de furões.

Parte da discrepância pode ter surgido de diferenças nos ambientes dos laboratórios. De maneira alternativa, o vírus pode ter mudado levemente enquanto as amostras cresciam nos laboratórios.

Esses estudos e outras pesquisas mostram que o H7N9 realmente pode se disseminar pelo ar, mas que esse modo de transmissão não é muito eficaz se comparado com o contato direto, explica Richard  Webby, especialista no vírus influenza do Saint Jude Children’s Research Hospital, em Memphis.

O novo artigo da Science “adiciona muitos dados à crescente lista de evidências de que esse vírus é algo com que devemos nos preocupar”, observa ele.

Às preocupações com possível transmissão do vírus se soma o fato de que frangos, patos e ratos infectados experimentalmente com cepas aviárias do H7N9 não mostram sintomas visíveis da doença.

Em surtos do H5N1, outra cepa da gripe, aves severamente infectadas serviam como alertas da infecção humana. Mas o H7N9 poderia se espalhar silenciosamente em mercados de aves, e não haveria maneira fácil de detectá-lo.

De acordo com Chiu, as novas descobertas devem iniciar uma vigilância mais rigorosa das populações de aves.

Outras medidas de saúde pública para combater o vírus em humanos incluem lavar as mãos, evitar tocar os olhos, o nariz e a boca, e tossir na dobra do cotovelo para ajudar a deter a disseminação do vírus.

“A replicação em humanos”, escrevem os autores, “fornecerá mais oportunidades para o vírus adquirir mais mutações e se tornar mais virulento e transmissível na população humana”.

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