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quarta-feira, 28 de abril de 2010

Chimpanzés de luto - Comporatamento similar aos humanos

Chimpanzés de luto

Estudos mostram que chimpanzés reagem à morte de maneira similar aos humanos. Enquanto uma filha foi observada zelando pela mãe em seus momentos finais de vida, mães que perderam os filhotes carregaram seus corpos por várias semanas.
Por: Larissa Rangel
Publicado em 28/04/2010 | Atualizado em 28/04/2010
Em Bossou, na Guiné, uma mãe chimpanzé com o filhote mumificado, que carregou por várias semanas após a sua morte. Para a pesquisadora Tatyana Humle, a motivação para tal seria mais emocional do que instintiva (foto: Tatyana Humle).  

Os chimpanzés, parentes mais próximos dos seres humanos, parecem ter, como nós, consciência da morte. Essa foi a conclusão de duas pesquisas diferentes publicadas na Current Biology. Num primeiro caso, vídeos mostraram o comportamento de um grupo de animais momentos antes da morte de uma fêmea anciã.
O outro estudo observou como as mães chimpanzés carregavam o corpo de seus filhotes mesmo depois de mortos, numa espécie de período de luto. Seriam essas semelhanças um caminho para entender as emoções e pensamentos humanos em relação à morte?
James Anderson, responsável pela análise do grupo de chimpanzés em torno da morte da anciã, explica que vários sinais cognitivos já foram observados entre esses animais: eles simpatizam uns com os outros, têm senso de justiça e cooperam para atingir um mesmo objetivo.
Mas a descoberta recente pode explicar como eles se relacionam com o mundo à sua volta e, ainda, ajudar a encontrar as origens da concepção de morte tida pelos humanos.
O trabalho descreve as últimas horas de vida e a morte de Pensy, uma fêmea com mais de 50 anos que vivia no parque de safári Blair Drummond, na Escócia. Nos últimos dias de Pensy, o grupo com que ela vivia esteve muito silencioso e sempre procurava acariciá-la ou estar próximo. Anderson explica que, graças ao vídeo, eles puderam analisar, pela primeira vez, a reação dos primatas em um momento de morte.
O registro mostrou que, naquela noite, a filha, Rosie, e os outros companheiros balançavam a cabeça e ombro da anciã gentilmente após a sua morte. Para o pesquisador, o grupo buscava sinais de vida. Eles foram dormir mais tarde que o habitual e em locais incomuns, até mesmo evitando a plataforma onde Pensy morrera.
“Essas são provas de que as pessoas subestimam a consciência de morte desses animais”, reflete Anderson, pesquisador da Universidade de Stirling, no Reino Unido.

Veja como os chimpanzés lidam com a morte no vídeo abaixo

 



Longo luto das mães chimpanzés

Um segundo estudo, das Universidades de Oxford e Kyoto, mostrou como duas mães chimpanzés ficaram abaladas após as mortes de seus filhotes, causadas por uma epidemia respiratória.
Elas carregaram os pequenos cadáveres pelas florestas de Bossou, na Guiné, por um longo tempo – uma por 68 dias, outra por 19, numa espécie de ritual funerário. Com o tempo, o ciclo reprodutivo de uma delas começou a voltar ao normal, o que pode ter contribuído para que ela abandonasse aos poucos os corpos.
Integrantes do bando chegaram a interagir com o que sobrou de um dos cadáveres mumificados. “As mães cuidavam para que os corpos permanecessem praticamente intactos”, conta Dora Biro, coautora do artigo. “Em todos os momentos, elas procuravam fazer carinhos ou espantar as moscas”. Para ela, os primatas pareciam sentir culpa e não querer abandonar os filhotes.
Uma mãe chimpanzé não se separou do filhote mumificado durante 68 dias (foto: Tatyana Humle).

Os estudos fomentam a discussão científica quanto às ligações emocionais e comportamentais nos primatas. "Para mim, não há dúvida de os chimpanzés sentem o mesmo que nós em termos de emoções quando perdem um membro da família ou companheiro", defende James Anderson.
A experiência de Tatyana Humle, que também analisou o comportamento das mães chimpanzés, levou-a a concluir: “Em relação às mães, está claro que o laço emocional com os filhos pode ser intenso tanto com humanos quanto com chimpanzés." Para ela, a motivação é mais emocional do que instintiva.
Os autores esperam que novas pesquisas na área mostrem outras características do comportamento dos chimpanzés perante a morte, elucidando diferenças de acordo com gênero ou idade, por exemplo.
 http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2010/04/chimpanzes-de-luto

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