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sexta-feira, 30 de abril de 2010

Desastre no Golfo do México com vazamento de petróleo

30/04/2010 - 13h28

Flórida declara estado de emergência por ameaça de vazamento de petróleo

Colaboração para a Folha
O governador da Flórida, Charlie Crist, declarou nesta sexta-feira estado de emergência neste estado do sudeste dos Estados Unidos ante o avanço de uma mancha de petróleo por um derramamento que se estende no golfo de México.
Crist assinou a declaração de emergência para os condados de Escambia, Santa Rosa, Okaloosa, Walton, Bay e do Golfo, no setor noroeste da Flórida, que são os mais expostos ao vazamento de petróleo.
Petroleira BP assume responsabilidade por vazamento nos EUA
EUA ampliam reação a vazamento de petróleo no golfo do México
Mancha de óleo atinge costa da Louisiana
EUA declaram que BP deve financiar custo de despoluição
Empresa responsável por vazamento pede ajuda ao governo dos EUA
Com a declaração de estado de emergência, a Flórida receberá ajuda do governo federal para fazer frente a uma eventual catástrofe natural.
Greenpeace/AP  
Mancha de óleo no Golfo do México; EUA encontraram mais um ponto de vazamento na plataforma que explodiu

O governo dos EUA ampliou os esforços para evitar que o petróleo que vazou provoque um desastre ambiental ao se aproximar da foz do rio Mississippi.
O presidente Barack Obama prometeu "usar todo e qualquer recurso disponível", e os militares estão mobilizados para combater o vazamento, que ameaça atingir o litoral de quatro Estados do sul dos EUA --Texas, Louisiana, Alabama e Flórida, com potencial para afetar a pesca, a preservação ambiental e o turismo.
O poço, que ficava sob uma plataforma que explodiu e pegou fogo na semana passada, está soltando até 5.000 barris (quase 800 mil litros) de petróleo bruto por dia, segundo a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica. Isso é cinco vezes a quantidade estimada anteriormente.
A secretária federal de Segurança Doméstica, Janet Napolitano, disse que se trata de "um vazamento de significado nacional", o que significa que recursos federais de outras regiões podem ser usados.
Obama disse que a empresa britânica BP, dona do poço, terá de arcar com os custos da limpeza. As ações da BP e de outras empresas envolvidas na exploração de petróleo no poço despencaram.
O acidente pode também influir em propostas do governo, algumas já submetidas ao Congresso, para que sejam concedidas novas autorizações para a prospecção de petróleo nas águas norte-americanas do golfo do México.
A Marinha disse estar fornecendo à Guarda Costeira botes infláveis e sete sistemas de "escumadeira" para tentar conter a mancha de óleo.
Em Mobile, Alabama, um oficial da Guarda Costeira disse que a população está se preparando para um "impacto costeiro", embora não seja possível prever exatamente quando.
Esse oficial disse que 500 mil varas estão preparadas para serem instaladas na superfície marítima, a fim de segurar a película de óleo.
A BP e a Guarda Costeira montaram aquilo que a empresa diz ser a maior operação de contenção de vazamentos petrolíferos na história, envolvendo dezenas de embarcações e aeronaves.
A empresa britânica admitiu, no entanto, que enfrenta dificuldades para conter a origem do vazamento, já que a boca do poço está mais de 1.500 metros abaixo da superfície do mar. A BP pediu ao Pentágono para usar imagens militares e veículos teleguiados para tentar tapar o poço.
A explosão da plataforma, ocorrida há 11 dias, deixou 11 trabalhadores desaparecidos.
Louisiania
O governador da Louisiana, Bobby Jindal, declarou estado de emergência e pediu verbas ao Departamento de Defesa para mobilizar até 6.000 soldados da Guarda Nacional, que ajudarão no eventual trabalho de limpeza.
Na noite de quinta-feira (29), a mancha de petróleo estava a apenas 5 km de uma área de preservação ambiental em um manguezal no delta do Mississippi, região de particular preocupação para os ambientalistas, devido à riqueza do seu ecossistema e à dificuldade de recuperar a área.
Outros Estados
Além da Flórida e da Louisiania, os Estados de Mississippi e Alabama também estão ameaçados pelo vazamento.
O governo dos Estados Unidos anunciou na quinta-feira (29) que considera a mancha de petróleo na costa do país um "evento de importância nacional", o que permite que as autoridades levantem recursos em todo o país para lidar com a situação.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ambiente/ult10007u728339.shtml

quarta-feira, 28 de abril de 2010

Chimpanzés de luto - Comporatamento similar aos humanos

Chimpanzés de luto

Estudos mostram que chimpanzés reagem à morte de maneira similar aos humanos. Enquanto uma filha foi observada zelando pela mãe em seus momentos finais de vida, mães que perderam os filhotes carregaram seus corpos por várias semanas.
Por: Larissa Rangel
Publicado em 28/04/2010 | Atualizado em 28/04/2010
Em Bossou, na Guiné, uma mãe chimpanzé com o filhote mumificado, que carregou por várias semanas após a sua morte. Para a pesquisadora Tatyana Humle, a motivação para tal seria mais emocional do que instintiva (foto: Tatyana Humle).  

Os chimpanzés, parentes mais próximos dos seres humanos, parecem ter, como nós, consciência da morte. Essa foi a conclusão de duas pesquisas diferentes publicadas na Current Biology. Num primeiro caso, vídeos mostraram o comportamento de um grupo de animais momentos antes da morte de uma fêmea anciã.
O outro estudo observou como as mães chimpanzés carregavam o corpo de seus filhotes mesmo depois de mortos, numa espécie de período de luto. Seriam essas semelhanças um caminho para entender as emoções e pensamentos humanos em relação à morte?
James Anderson, responsável pela análise do grupo de chimpanzés em torno da morte da anciã, explica que vários sinais cognitivos já foram observados entre esses animais: eles simpatizam uns com os outros, têm senso de justiça e cooperam para atingir um mesmo objetivo.
Mas a descoberta recente pode explicar como eles se relacionam com o mundo à sua volta e, ainda, ajudar a encontrar as origens da concepção de morte tida pelos humanos.
O trabalho descreve as últimas horas de vida e a morte de Pensy, uma fêmea com mais de 50 anos que vivia no parque de safári Blair Drummond, na Escócia. Nos últimos dias de Pensy, o grupo com que ela vivia esteve muito silencioso e sempre procurava acariciá-la ou estar próximo. Anderson explica que, graças ao vídeo, eles puderam analisar, pela primeira vez, a reação dos primatas em um momento de morte.
O registro mostrou que, naquela noite, a filha, Rosie, e os outros companheiros balançavam a cabeça e ombro da anciã gentilmente após a sua morte. Para o pesquisador, o grupo buscava sinais de vida. Eles foram dormir mais tarde que o habitual e em locais incomuns, até mesmo evitando a plataforma onde Pensy morrera.
“Essas são provas de que as pessoas subestimam a consciência de morte desses animais”, reflete Anderson, pesquisador da Universidade de Stirling, no Reino Unido.

Veja como os chimpanzés lidam com a morte no vídeo abaixo

 



Longo luto das mães chimpanzés

Um segundo estudo, das Universidades de Oxford e Kyoto, mostrou como duas mães chimpanzés ficaram abaladas após as mortes de seus filhotes, causadas por uma epidemia respiratória.
Elas carregaram os pequenos cadáveres pelas florestas de Bossou, na Guiné, por um longo tempo – uma por 68 dias, outra por 19, numa espécie de ritual funerário. Com o tempo, o ciclo reprodutivo de uma delas começou a voltar ao normal, o que pode ter contribuído para que ela abandonasse aos poucos os corpos.
Integrantes do bando chegaram a interagir com o que sobrou de um dos cadáveres mumificados. “As mães cuidavam para que os corpos permanecessem praticamente intactos”, conta Dora Biro, coautora do artigo. “Em todos os momentos, elas procuravam fazer carinhos ou espantar as moscas”. Para ela, os primatas pareciam sentir culpa e não querer abandonar os filhotes.
Uma mãe chimpanzé não se separou do filhote mumificado durante 68 dias (foto: Tatyana Humle).

Os estudos fomentam a discussão científica quanto às ligações emocionais e comportamentais nos primatas. "Para mim, não há dúvida de os chimpanzés sentem o mesmo que nós em termos de emoções quando perdem um membro da família ou companheiro", defende James Anderson.
A experiência de Tatyana Humle, que também analisou o comportamento das mães chimpanzés, levou-a a concluir: “Em relação às mães, está claro que o laço emocional com os filhos pode ser intenso tanto com humanos quanto com chimpanzés." Para ela, a motivação é mais emocional do que instintiva.
Os autores esperam que novas pesquisas na área mostrem outras características do comportamento dos chimpanzés perante a morte, elucidando diferenças de acordo com gênero ou idade, por exemplo.
 http://cienciahoje.uol.com.br/noticias/2010/04/chimpanzes-de-luto

Répteis extintos trocavam as penas.

28/04/2010 - 17h57

Dinossauro também mudava as penas, mostra fóssil


Quem ainda duvida de que as aves modernas não passam de dinossauros de duas patas aguente-se com esta: dois novos fósseis descobertos na China sugerem que, assim como os pintinhos, esses répteis extintos também trocavam as penas na passagem para a idade adulta.


Xing Lida e Song Qijin/-Divulgação
 -Ilustração reconstitui dois exemplares do dinossauro predador "Similicaudipteryx": um juvenil, com as penas "bizarras", e um adulto

Mas os dinos iam além: enquanto as aves fazem a muda apenas uma vez (da penugem para as penas que usarão para voar), eles tinham um estágio intermediário de troca. Penas de "adolescente", por assim dizer.
A descoberta foi relatada no periódico "Nature" pela equipe do caçador de fósseis Xing Xu, da Academia Chinesa de Ciências. Segundo os pesquisadores, ela mostra que a evolução andou brincando um bocado com o design das penas antes de produzir o padrão atual.
 http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u727332.shtml

segunda-feira, 26 de abril de 2010

MEC poderá rebaixar universidades federais

26/04/2010 - 09h11

MEC poderá rebaixar universidades federais

As universidades federais, pela primeira vez, terão que cumprir metas de qualidade para manterem o título ou poderão ser rebaixadas a centros universitários. A informação é de Antônio Gois em reportagem publicada na edição desta segunda-feira da Folha (íntegra somente para assinantes do jornal ou do UOL).
De acordo com o texto, as mudanças constam de resolução que será votada em maio pelo Conselho Nacional de Educação. Há consenso sobre a inclusão das federais no sistema de credenciamento e a exigência, para as atuais universidades, de manterem ao menos três programas de mestrado e um de doutorado.
No setor privado, muitas universidades ostentam esse título sem cumprir exigências em vigor, como ter 1/3 dos docentes atuando em dedicação exclusiva --45% desrespeitam essa exigência, segundo o Censo da Educação Superior 2008 (último disponível). O MEC diz que começou a cobrar essas instituições e que pode puni-las.
Estudo feito pelo conselheiro Edson Nunes com base em dados da Capes (órgão do MEC) mostra que 59% das particulares e 15% das federais não se enquadrariam hoje na regra de ter ao menos um doutorado e três mestrados.

Editoria de Arte/Folha Imagem  
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u725911.shtml

domingo, 25 de abril de 2010

Primeiro transplante completo de rosto

23/04/2010 - 14h25

Hospital divulga imagens do primeiro transplante completo de rosto

Colaboração para a Folha
O hospital Vall d'Hebron de Barcelona, na Espanha, divulgou imagens do primeiro transplante completo de rosto, realizado em março. Os 11 procedimentos anteriores foram parciais. O paciente, que não teve a identidade revelada, já está se comunicando, segundo o chefe da cirurgia plástica do local.
Veja animação que mostra o primeiro transplante completo de rosto

  Hospital espanhol realiza primeiro transplante completo de rosto; paciente teve transplantada toda a pele e os músculos do rosto, nariz, lábios, maxilar superior, todos os dentes, os ossos da maçã do rosto e da mandíbula

De acordo com informações do hospital, o espanhol submetido à cirurgia tinha o rosto deformado desde os 5 anos, depois de sofrer um acidente, e não podia respirar e falar normalmente.
A operação mobilizou 30 pessoas durante 22 horas e o paciente teve transplantada toda a pele e músculos do rosto, nariz, lábios, maxilar superior, todos os dentes, os ossos da maçã do rosto e da mandíbula, segundo o hospital.
Barret afirmou que ele ficou com uma cicatriz visível, que se assemelha a uma ruga que atravessa o pescoço. "Se você olhar na cara dele, você vê uma pessoa normal, como qualquer outra pessoa que temos como um paciente no hospital."
O jovem pediu para se olhar no espelho uma semana depois do procedimento, o que fez reagindo com tranquilidade, segundo o médico.
Segundo o hospital, ele ainda não pode falar, comer ou sorrir, mas pode enxergar e engolir saliva. Nas próximas semanas, o paciente poderá comer e deve permanecer internado por cerca de dois meses.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u724987.shtml

Pegadas deixadas por escorpião gigante

Cientistas encontram pegadas deixadas por escorpião gigante na Escócia


  Escorpião teria 2 metros de comprimento e 1 metro de largura

Cientistas britânicos encontraram na Escócia pegadas fossilizadas de um animal que eles acreditam ser um escorpião gigante que teria vivido há cerca de 330 milhões anos - muito antes do surgimento dos dinossauros.
O animal teria 2 metros de comprimento, 1 metro de largura e seis patas, e seu habitat seria areia úmida. Ele é um antecessor dos atuais escorpiões e caranguejos-ferradura.
As pegadas foram descobertas por Martin Whyte, da Universidade de Sheffield, quando ela fazia uma caminhada pela região escocesa de Fife.
Elas representam a maior trilha de pegadas deixadas por um animal invertebrado da qual a comunidade científica tem conhecimento.
Molde
A trilha consiste em três fileiras de pegadas em forma de meia-lua em cada lado de uma ranhura central.
Segundo os cientistas, a ranhura teria sido feita pela cauda do animal quando ele se arrastava pela areia.
O fóssil contrasta com a teoria anterior de que o escorpião, batizado de Hibbertopterus, teria vivido exclusivamente no meio aquático.
Segundo a Scottish Natural Heritage, órgão que administra o patrimônio natural da Escócia e que está financiando a pesquisa, a descoberta é importante internacionalmente por se tratar de uma criatura "gigantesca".
A entidade informou que os paleontólogos envolvidos criarão um molde em silicone do fóssil para poder estudá-lo melhor.
"A trilha está em uma situação precária, já que ficou anos exposta à erosão. A rocha em que ela está também corre risco de desabar", afirmou Richard Batchelor, da Geoheritage Fife, outro organismo de preservação de patrimônio natural.
"Removê-la até um museu teria um custo proibitivo, mas fazer um molde de silicone significa que poderíamos replicá-la e ainda estudá-la por ainda muitos anos."
 http://www.bbc.co.uk/portuguese/ciencia/2010/04/100421_fossilescorpiaoml.shtml

sábado, 24 de abril de 2010

Lesma com "dardos de amor" e sapo sem pulmão

23/04/2010 - 12h12

Lesma com "dardos de amor" e sapo sem pulmão são achados em Bornéu

da BBC
Uma lesma que dispara "dardos de amor" no acasalamento, um sapo sem pulmões e o inseto mais comprido do mundo estão entre as novas espécies de animais descobertas pelo grupo ambientalista WWF na ilha de Bornéu.
Em relatório divulgado na quarta-feira (21), a ONG revela que o projeto conservacionista batizado como "Coração de Bornéu", lançado em 2007, encontrou 123 novas espécies no território nestes três anos.

Peter Koomen/BBC

Segundo Adam Tomasek, chefe da iniciativa, apesar de ser visitada por cientistas há séculos, a ilha ainda tem áreas em seu interior que nunca foram exploradas.
De acordo com a WWF, este Coração de Bornéu é uma "ilha dentro da ilha", abrigando dez espécies de primatas, mais de 350 diferentes aves, 150 espécies de anfíbios e répteis, e 10 mil de plantas --todos sem igual no mundo.
"Se esse trecho de floresta tropical puder ser preservado para nossos filhos, a promessa de mais possibilidades de descobertas será animadora para as próximas gerações", afirmou Tomasek.
Bornéu é compartilhada por Brunei, Indonésia e Malásia.
Em acordo firmado em 2007, os governos dos três países se comprometeram em aumentar as áreas de reservas ambientais, em desenvolver o ecoturismo e apoiar a administração de recursos sustentáveis da ilha. 
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u724914.shtml

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Cartilha da musculação inteligente

22/04/2010 - 14h29

Cartilha da musculação inteligente traz dicas e novidades de A a Z

IARA BIDERMAN
colaboração para a Folha
Acabou o tempo das oposições extremas, quando musculação era ou objeto de ódio ou de veneração. Hoje, é indispensável para a saúde e a qualidade de vida. Veja como anda essa força nesta cartilha de A a Z, feita com um monte de especialistas.
Anabolizantes
Quando usados por pessoas saudáveis, esses hormônios sintéticos causam, além da hipertrofia muscular, sérios danos, alerta Vladimir Modolo, do Centro de Estudos em Psicobiologia do Exercício da Unifesp. "O excesso de testosterona, no homem, diminui a produção de esperma e a capacidade de ereção e causa o crescimento das mamas; na mulher, faz crescer pelos no corpo e no rosto e engrossa a voz. Em ambos, pode causar problemas cardíacos e tumores", diz.
Aeróbico e anaeróbico
Exercícios envolvendo grandes grupos musculares, feitos de forma rítmica, como corrida, natação e caminhada, são aeróbicos -não interferem no suprimento de oxigênio para o organismo. Sua prática reduz a pressão arterial, a gordura corporal e o risco de doenças cardiovasculares. Já a musculação é exercício anaeróbico, de curta duração e alta intensidade. "Entre os benefícios estão o aumento da força e da resistência de tendões e ligamentos, redução da gordura e aumento da massa muscular", afirma Valmor Tricoli, professor da Escola de Educação Física e Esporte da USP. O ideal é praticar os aeróbicos e anaeróbicos em dias alternados. "Cada um causa mudanças adaptativas no corpo que 'brigam' entre si", diz Bernardo Neme Ide, do Labex (Laboratório da Bioquímica do Exercício) da Unicamp.
Biomecânica
Como o nome já entrega, essa ciência investiga o movimento sob aspectos mecânicos, suas causas e seus efeitos no corpo. "Nos exercícios de força, você coloca uma carga extra sobre ossos e articulações. Nessa situação, é fundamental observar o alinhamento dos segmentos -como a cabeça em relação ao tronco ou o quadril em relação aos pés- para ativar corretamente os grupos musculares envolvidos e evitar a formação silenciosa de lesões", explica Luiz Fernando Alves, formado em esportes pela USP, com especialização em biomecânica. Segundo ele, alguns ajustes biomecânicos previnem machucados e dores e aumentam a eficácia do treino. Um exemplo: em qualquer exercício feito em pé, o peso do corpo deve estar na parte anterior (frente) dos pés. Isso facilita o trabalho dos abdominais e distribui melhor a carga entre as vértebras da coluna.
Creatina
Chegou neste mês às farmácias do país um medicamento à base de creatina, aprovado para pacientes que sofrem de distrofia muscular. O remédio só deve ser vendido com apresentação de receita. Presente naturalmente nos músculos e na carne bovina, a creatina é vendida sem restrições nos EUA e usada por atletas para melhorar a performance, já que está envolvida no processo de contração muscular intensa e rápida. No Brasil, vem sendo consumida clandestinamente, mas deverá ter sua venda como suplemento liberada até o meio do ano. O suplemento, além de repor o estoque natural de creatina (queimado na atividade física), faz o atleta se recuperar mais rápido. Mas não é indicado para qualquer um, apenas para os de alto rendimento e modalidades esportivas específicas, como halterofilismo. "Acredita-se que ela aumente a massa muscular, mas, se consumida em excesso, aumenta a quantidade de água dentro do músculo. Isso pode sobrecarregar rins e fígado", explica Jomar Souza, médico do esporte e presidente eleito da Sociedade Brasileira de Medicina do Exercício e do Esporte.
Descanso
O ganho de massa e força muscular ocorre após o exercício. "Durante o treino, não ganhamos, perdemos: para gerar a energia necessária às contrações, as proteínas do músculo se degradam, o que causa microlesões no tecido e um processo inflamatório. O corpo começa, então, um processo de recuperação em que, além de repor as proteínas, gera um pouco mais delas, aumentando massa muscular. Para isso, precisamos de repouso e de alimentação adequada", diz Dilmar Pinto Guedes Jr., do Cepe (Centro de Estudos da Fisiologia do Exercício) da Unifesp. É no repouso que começamos a produzir hormônios como o IGF 1 (Fator do Crescimento do Tipo Insulina 1), que "avisa" ao corpo que ele precisa produzir moléculas de proteína, segundo Denise Vaz de Macedo, coordenadora do Labex. Dormir bem também é fundamental, para produzir o GH (hormônio do crescimento), outra substância responsável pela construção do tecido muscular. Para esse processo acontecer, os músculos exercitados não devem ser submetidos à sobrecarga por um período que varia de 24 a 72 horas. "Se a dor muscular causada pelo exercício ainda estiver incomodando, é sinal de que o processo ainda não se completou", sugere Macedo.
Explosão
O exercício de explosão exige grande quantidade de força em alta velocidade. "São bons para melhorar a performance em esportes, mas a definição e a hipertrofia não são tão significativas quanto nos exercícios convencionais de musculação", diz Bernardo Neme Ide, do Labex. Movimentos de explosão não são indicados para iniciantes.
Envelhecimento
Exercícios de força podem evitar, diminuir ou reverter parte da perda muscular que ocorre na velhice. "O aumento no volume dos músculos eleva a sua força para as atividades físicas diárias, dando ao idoso maior autonomia", diz a nutricionista Mirtes Stancanelli. "As articulações ficam mais protegidas, o equilíbrio e a postura melhoram, diminuindo o risco de quedas", diz o cardiologista José Kawazoe Lazzoli, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina do Esporte e do Exercício.
Flexibilidade
A musculação em si não diminui a flexibilidade nem encurta os músculos, afirma Dilmar Pinto Guedes Jr. "O que pode atrapalhar são movimentos feitos da forma errada, levando a erros posturais que acabam diminuindo a amplitude dos movimentos de algum grupo muscular", diz.
Fadiga
Para realizar as contrações, usamos a energia estocada nas células dos músculos. Quando esse estoque acaba, por mais que o cérebro "ordene" o movimento, o músculo para de se contrair e entramos em fadiga muscular. "É um sistema de defesa do músculo, que não permite que o esforço continue após o seu limite. Se, depois disso, for feito um descanso suficiente, ele se recupera", diz Madolo. Mas Cohen alerta que, quando chegamos à fadiga, já ultrapassamos nossos limites e o risco de lesões aumenta bastante.
Fibra rápida e fibra lenta
A musculação pode priorizar o trabalho de um ou de outro tipo de fibra, dependendo do objetivo. "Uma complementa a outra", diz a professora da Faculdade de Educação Física da Unicamp Mara Patrícia Chacon-Mikahil. Fibras musculares "lentas" têm maior quantidade de nervos por unidade. "Essa característica permite que os movimentos sejam feitos com maior precisão e controle. Assim, o músculo trabalha por mais tempo, o risco de lesão é menor e o treino ainda melhora a coordenação. Evita-se, dessa forma a famosa 'roubadinha', que muitas vezes machuca os ossos e as articulações", diz Luiz Fernando Alves, treinador da clínica Força Dinâmica. Já as fibras rápidas têm menor número de neurônios ligados em cada unidade. Os exercícios, para essas, duram poucos segundos, pois elas entram em fadiga rapidamente. "Essas fibras aumentam mais de volume que as outras, mas um grande aumento da massa muscular só é conseguido com cargas elevadíssimas. Se o objetivo é a qualidade de vida, o treino deve ser feito com uma carga adequada, para que a pessoa faça mais séries e repetições", recomenda.
Hipertrofia
O aumento de massa muscular ocorre quando o músculo, após "gastar" suas proteínas para realizar as contrações, começa a produzir novas e mais proteínas. Segundo Vladimir Madolo, do Cepe, com exercícios, descanso e alimentação adequados, é possível aumentar até 50% da massa muscular naturalmente -ou seja, sem o uso de drogas anabolizantes.
Hipertensão
Segundo o cardiologista José Lazzoli, trabalhos científicos mostram que a musculação diminui a pressão arterial. Esse efeito é maior no exercício aeróbico, mas, nas duas atividades, a pressão permanece em níveis mais baixos por 24 horas. "Há um aumento fisiológico da pressão na hora da execução do exercício, mas não há risco de a musculação causar um pico hipertensivo", afirma.
Isométrico e isotônico
Isométrico é quando o músculo não muda de comprimento durante o exercício: a contração é mantida por, no mínimo, 30 segundos, sem movimento articular. Isotônico é o exercício mais usado nas aulas de musculação. A articulação se move, fazendo que o músculo se contraia e se estenda, empregando a mesma quantidade de força para mudar o seu comprimento. "É mais usado quando há lesões articulares, para fortalecer o músculo antes de retornar às atividades habituais", diz Ricardo Nahas, diretor científico da SBME.
Joelho
Exercícios de força tanto podem detonar quanto fortalecer e proteger os joelhos. Um cuidado é fazer o exercício aeróbico sempre antes da musculação, na visão do fisioterapeuta Marcelo Semiatzh, da Força Dinâmica: "O treino produz uma interferência neurológica que vai dificultar o controle da perna depois, na corrida ou na caminhada. Na cadeira extensora da sala de musculação, por exemplo, a pessoa fica estendendo a tíbia e forçando a hipertensão do joelho. Se ela sai dali para caminhar, vai reproduzir esse movimento na marcha e expor o joelho a um risco maior", argumenta Semiatzh. Na concepção dele, é importante, também, observar a rotação externa dos joelhos durante os exercícios, tentando vencer a tendência que temos de virar os joelhos para dentro quando realizamos os movimentos ou mesmo quando estamos parados de pé.
Lesões
Realizar movimentos repetitivos da forma errada, não respeitar o período de descanso para a recuperação do músculo e usar cargas muito pesadas são as principais causas das lesões relacionadas à musculação. "Um movimento que desloca a articulação para um lado errado repetido cronicamente pode fazer com que, em atividades cotidianas, como andar, a articulação posicione o sistema musculoesquelético de forma inadequada, prejudicando não só a articulação como a postura como um todo", diz Madolo. O movimento ou a postura errada podem fazer com que outro grupo muscular, não envolvido diretamente no exercício que está sendo realizado, faça movimentos compensatórios, para suportar o esforço, e acabem se lesionando.
Os movimentos repetitivos também podem fazer com que as microlesões nos músculos e nas articulações aumentem e que o processo inflamatório, que é a resposta do corpo para se recuperar dessas lesões, se torne crônico. "Além da inflamação crônica, isso pode levar à ruptura do músculo ou do tendão", acrescenta Madolo. Se as microlesões se cronificarem nos tendões, podem virar tendinite (inflamação no local) ou tendinose, que é a degeneração do tendão, segundo Nahas.
A ruptura do músculo também pode ocorrer quando ele é submetido à uma carga para a qual ainda não está adaptado. "O excesso de peso sobre a musculatura pode causar ruptura ou distensão muscular, ruptura ou inflamação do tendão ou fratura óssea por estresse", diz Moisés Cohen. O esforço repetitivo também pode levar à fratura óssea por estresse, segundo ele.
Multiarticulares
São os exercícios que movimentam mais de uma articulação e, por consequência, mais de um grupo muscular. Estão mais próximos dos movimentos fisiológicos, que incluem várias cadeias musculares realizando forças opostas, de contração e extensão. "Os multiarticulares são mais complexos, ativam mais o circuito neuromuscular e neuromotor e facilitam a aquisição da 'memória' do movimento, já que correspondem melhor à forma com que nos movimentamos nas atividades habituais", diz Nahas.
Neuromuscular e neuromotor
O sistema neuromuscular é a ligação do cérebro com os músculos, que faz o movimento ou o gesto acontecer. "O cérebro manda a mensagem 'contrair' e os neurônios a levam até o músculo. Ela chega às terminações nervosas dos músculos e articulações, o sistema neuromotor, que responde com o movimento", diz Madolo. Ou seja, todo trabalho de musculação começa na cabeça. A forma inteligente de treinar é imaginar antes o movimento que será executado, ativando assim o sistema neuromuscular e favorecendo a postura e a execução corretas do movimento. "Além disso, pesquisas apontam que esse trabalho cerebral prévio aumenta a estimulação das fibras musculares, o que teoricamente pode aumentar o ganho de massa muscular", conta Madolo.
Osteoporose
A musculação previne e combate a perda da densidade do osso, que caracteriza a osteoporose. "Ela funciona como uma poupança: a pessoa perde menos músculo e de forma mais lenta, mantendo a boa qualidade do osso", diz Márcio Passini, presidente do Comitê de Doenças Osteometabólicas da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia.
Segundo ele, quem tem osteoporose deve trabalhar os abdominais e a musculatura da cintura, para fortalecer a coluna, e fazer exercícios de marcha com peso, para beneficiar o quadril --regiões mais atingidas pela perda óssea.
Proteínas
Se os músculos aumentam de volume, é preciso consumir mais proteínas. Mas nem tanto. "Quem frequenta a academia e está aumentando a massa muscular precisa consumir entre 1,4 g e 2 g de proteína por quilo de peso", diz Scantanelli. Por exemplo: quem pesa 70 kg supre essa necessidade diária com 1 xícara de leite, 1 pote de iogurte, 100 g de filé de frango, 100 g de peixe e 30 g de queijo (nada que supere um padrão normal de refeições). "O corpo não faz reserva de proteína. O excesso é eliminado pela urina, usado para produção de energia ou vai se acumular em forma de gordura", diz Denise Denise Vaz de Macedo, do Labex. Como o excesso de proteína também atua no processo de formação de cristais, pode levar à formação de pedras nos rins, segundo Scantanelli.
Propriocepção
É a capacidade de perceber a posição e o movimento do corpo no espaço e adaptar articulações e músculos para manter o equilíbrio. "Nos ligamentos, temos neurônios que informam ao cérebro que movimento articular é necessário para manter a estabilidade", diz Nahas. Fazer exercícios de força sobre uma bola, por exemplo, aumenta a capacidade proprioceptiva. Implica maior consciência corporal e senso de equilíbrio.
Postura
Certinho, certinho, ninguém é. Mas, na hora de começar um trabalho com pesos, é bom prestar muita atenção à postura. O ideal seria que, antes, a pessoa passasse por uma avaliação postural séria. "Os desvios, assimetrias e compensações posturais de cada um precisam ser considerados para que o treino seja ajustado àquele corpo e não agrave um quadro que pode levar a uma lesão crônica. É importante detectar as alterações posturais de cada pessoa, para ensiná-la a treinar de um jeito que corrija aquela condição e não sobrecarregue áreas do corpo que, por causa da postura dela, já são muito exigidas no dia a dia", diz o treinador Luiz Fernando Alves.
Peso livre
Os pesos e as barras livres são normalmente indicados para quem já tem familiaridade com musculação, porque exigem mais coordenação entre os músculos envolvidos. "É melhor estar acompanhado ao fazer peso livre porque, se houver uma falha muscular ou a pessoa não aguentar o peso, ela não pode largá- lo, como no aparelho. Alguém tem que tirar o peso", afirma Valéria Bonganha, do Laboratório de Fisiologia do Exercício da Faculdade de Educação Física da Unicamp. A barra livre permite trabalhar a coordenação muscular. Quanto maior a coordenação, maior a carga que se consegue levantar. "Isso é importante no dia a dia e para quem quer hipertrofiar", diz Valéria Bonganha.
Qualidade de vida
Apesar de ser o efeito mais visível da musculação, a questão estética é só uma das consequências, e não a mais importante, segundo Ricardo Nahas. "O fortalecimento muscular permite que realizemos melhor todas as atividades do dia a dia, ajuda a prevenir lesões nos esportes, manter a massa óssea etc.", diz. O fortalecimento muscular também é indicado para tratamento e controle de artrose. "A musculatura mais desenvolvida absorve o impacto sobre as articulações, protegendo-as", diz o ortopedista Ricardo Cury. Também facilita o trabalho do coração, por melhorar o retorno do sangue das extremidades do corpo para o coração.
Repetições
Fazer mais repetições com pesos mais leves ou menos repetições com mais carga tem efeito similar na perda de peso e gordura. Segundo Dilmar Pinto Guedes Jr., do Cepe, mais repetições com pesos leves desenvolvem mais resistência, e menos exercícios com mais carga levam à maior hipertrofia. "Para quem quer apenas manter a massa muscular, é indicado fazer mais repetições com menos pesos", diz Ricardo Cury, médico do esporte e ortopedista da Santa Casa de São Paulo.
Refeições
Não vale comer mal e achar que se garante com isotônico. "A alimentação ao longo do dia gera reservas que fazem diferença. Se a pessoa treina de manhã, é o carboidrato que comeu no jantar que faz efeito. Quando treina cheia de carboidratos, não perde massa", diz a nutricionista Cynthia Antonaccio. O ideal é repor os nutrientes na primeira hora pós-treino. "As janelas do organismo estão abertas e sedentas. Os nutrientes serão aproveitados, e não estocados em forma de gordura. E o organismo se recupera mais rápido", diz Scantanelli. Só não vale exagerar: 30 g a 60 g de carboidrato bastam.
Sobrecarga
O músculo cria novas fibras quando submetido ao esforço do peso extra. E não são só os pesos livres, caneleiras ou aparelhos que proporcionam essa sobrecarga. O peso do próprio corpo também cumpre a função. A carga máxima é o maior peso que a pessoa consegue levantar uma única vez. "No treino voltado para a saúde, a sobrecarga é de 40% a 50% da carga máxima para cada pessoa", diz Lazzoli.
Suplemento
A suplementação de vitaminas e minerais não é consenso no Brasil, mas há profissionais que a defendem. "Considero prudente incluir um polivitamínico para preencher o que as pesquisas mais recentes mostram: o brasileiro não consome o suficiente de verduras e frutas", afirma Cynthia Antonaccio. O bioquímico Júlio Tirapeg, autor de "Nutrição, Metabolismo e Suplementação na Atividade Física" (ed. Atheneu), discorda. Segundo ele, só atletas de ponta, que fazem do esporte sua profissão, devem recorrer à suplementação. "Senão, é perda de tempo e dinheiro. O suplemento faz bem quando a pessoa tem alguma deficiência nutricional."
Tônus
Rigorosamente, tônus é o mínimo de contração que o músculo tem mesmo em repouso. "Só perdemos o tônus quando morremos. Essa ideia de 'tonificar' os músculos é algo que as academias vendem, mas não quer dizer nada", afirma Madolo. A expressão começou a ser usada para dissociar a musculação dos excessos da hipertrofia. Quem não quer músculos saltados diz só querer tonificá- los. "Sempre que há trabalho de força eficaz, há algum aumento do músculo", diz ele. Tonificar, então, é usado para indicar uma hipertrofia leve ou moderada. Já a "definição muscular" é, segundo Madolo, o ganho moderado de massa.
Treino funcional
É um treino de força em que vários grupos musculares são envolvidos para a execução de cada exercício -como nos movimentos que realizamos no dia a dia ou para a prática de algum esporte. Para desenvolver força, são usados vários grupos musculares ao mesmo tempo. "O treino funcional utiliza elásticos, roldanas ou o peso do próprio corpo, que impõem uma sobrecarga menor ao corpo", diz Cohen. Segundo Cury, o trabalho global -que inclui todos os grupos musculares- diminui o risco de lesões.
Vigorexia
Querer ficar cada vez mais forte e aumentar os músculos em proporções não naturais, a qualquer custo, é doença e tem nome: vigorexia. Todo vigoréxico faz exageradamente musculação. Não necessariamente porque goste do exercício em si, mas por esse ser um meio indispensável para atingir o seu objetivo de corpo ideal. Como só os exercícios não são suficientes, por causa da imagem corporal distorcida, essas pessoas começam a utilizar drogas anabolizantes que colocam a saúde em risco e causam alterações de humor, como depressão e ansiedade", diz Madolo. A prevalência do distúrbio é maior em homens, mas o número de mulheres com vigorexia está crescendo. O tratamento é feito com terapia cognitivo-comportamental.
Varizes
Embora a musculação favoreça a circulação de retorno (que traz o sangue das extremidades do corpo de volta ao coração), o que favorece o sistema circulatório, o peso usado no exercício e a hipertrofia dos músculos também sobrecarregam esse sistema, que tem de trabalhar mais. Isso pode causar um aumento do calibre das veias e, em algumas pessoas, deixá-las saltadas, segundo Cohen.
Zinco e magnésio
O zinco, presente em carnes vermelhas, feijão e ovos, tem participação importante na renovação celular. A deficiência de magnésio pode prejudicar os exercícios, porque o mineral está envolvido na produção de energia e na contração e no relaxamento muscular. Está presente em cereais integrais e verduras verde-escuro. Segundo a nutricionista Mirtes Scantanelli, esses minerais melhoram o ganho de massa muscular porque, teoricamente, favoreceriam a restauração mais rápida das células de proteína. "Mas não há evidência de que o consumo de suplementos acelere a renovação das células", diz. Além disso, o corpo absorve e aproveita melhor esses nutrientes quando consumidos na forma de alimentos.
Colaborou Raquel Botelho
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u724414.shtml

Maior inseto do mundo

22/04/2010 - 13h54

Maior inseto do mundo está entre novas espécies descobertas na ilha de Bornéu

da France Presse
Biólogos anunciaram ontem a descoberta de 120 novas espécies na ilha de Bornéu, entre elas uma rã sem pulmões, o maior inseto do mundo e uma lesma que atira "dardos do amor" em seu parceiro.

Orang Asli
Bicho-pau de 36 cm de comprimento, o Phobaeticus chani, é o maior inseto do mundo

A ONG WWF listou as novas descobertas em uma área remota de floresta tropical densa entre a Malásia, a Indonésia e o Brunei, países que dividem a ilha asiática. O local é conhecido como "Coração de Bornéu", uma área de conservação de 220 mil quillômetros quadrados criada pelos três governos em 2007.
"Temos encontrado em média três espécies novas por mês e 123 nos últimos três anos, com pelo menos 600 novas espécies descobertas nos últimos 15 anos", disse Adam Tomasek, chefe do WWF na região.
O Coração de Bornéu é lar de dez espécies de primata, mais de 350 de ave, 150 de répteis e anfíbios e cerca de 10 mil plantas que não ocorrem em nenhum outro lugar do planeta, afirmou o relatório.

David Bickford
Chamada Barborula kalimantanensis, rã de 7cm descoberta em 2008 respira apenas pela pele

Entre as novas espécies está uma rã de 7 cm chamada Barborula kalimantanensis, descoberta em 2008, que respira apenas pela pele. Também foi encontrado um bicho-pau de 36 cm de comprimento, o Phobaeticus chani, e uma lesma que usa agulhas de carbonato de cálcio para injetar um hormônio no parceiro e aumentar as chances de reprodução.
As florestas de Bornéu estão ameaçadas principalmente pela mineração e pelas plantações de dendê. A Indonésia e a Malásia respondem por 85% da produção global dessa palmeira, que tem uma série de usos industriais e alimentícios.
No caminho dessa indústria estão espécies ameaçadas como o orangotango e o rinoceronte de Sumatra. A subespécie deste animal que ocorre em Bornéu é a mais rara de todos os rinocerontes _só restam 30 indivíduos na natureza.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u724393.shtml

quarta-feira, 21 de abril de 2010

Projeto Censo da Vida Marinha invisível

21/04/2010 - 08h36

Cientistas fazem censo de"'vida marinha invisível"

da BBC Brasil
Cientistas estão perto de terminar um levantamento das criaturas invisíveis a olho nu que vivem no fundo dos oceanos do planeta. O projeto faz parte do Censo da Vida Marinha que deve ser concluído até outubro.
O censo vem sendo realizado há dez anos e envolve 14 projetos, dos quais quatro têm o objetivo de catalogar a variedade e a quantidade das criaturas microscópicas que estão no início da cadeia alimentar do planeta.
De acordo com os pesquisadores, é fundamental conhecer e entender essas espécies "invisíveis" para compreender o tamanho, a dinâmica e a estabilidade da cadeia alimentar, do ciclo de carbono e de outros processos fundamentais para a vida na Terra.

L. P. Madin/Instituto Oceanográfico Woods Hole 
Cientistas estão concluindo um levantamento das criaturas microscópicas que vivem nos oceanos. Este 'verme-lula' foi coletado no Mar de Celebes, no Pacífico, a 2,8 mil metros de profundidade. 

Entre as descobertas mais recentes está uma imensa colônia de micróbios na costa oeste da América do Sul que cobre uma área equivalente ao território da Grécia --que já está sendo considerada uma das maiores aglomerações de vida já vistas.
O Censo da Vida Marinha envolve mais de 2.000 cientistas de mais de 80 países, em uma das maiores colaborações científicas internacionais já realizadas.

L. P. Madin/Instituto Oceanográfico Woods Hole 
Cientistas alemães participantes do projeto encontraram esta nova loricifera, batizada de 'Culexiregiloricus trichiscalida', a mais de 4 mil metros de profundidade ao sul da Costa do Marfim, em 2005

L. P. Madin/Instituto Oceanográfico Woods Hole
Os 'Acantharea' são um entre quatro tipos de grandes amebas que vivem em mar aberto. Seu frágil esqueleto é feito de um único cristal de sulfato de estrôncio que rapidamente se dissolve na água depois da morte da célula

L. P. Madin/Instituto Oceanográfico Woods Hole 
 A larva de decápode se transformará em um caranguejo-ermitão. Assim que se estabelecer, a larva de meio centímetro precisará de uma concha dura para se proteger

L. P. Madin/Instituto Oceanográfico Woods Hole 
 A 'Lyngbya' é uma cianobactéria verde-azulada, que é móvel e desliza pelo substrato. Essas algas são provavelmente o organismo mais antigo reconhecível na Terra - fósseis datam de mais de 3 bilhões de anos

L. P. Madin/Instituto Oceanográfico Woods Hole 
 A maioria dos cefalópodes passam de larva à fase adulta. Em ambas, apresentam patas com ventosas e grandes olhos. As larvas são semitransparentes, mas conseguem mudar de aparência

L. P. Madin/Instituto Oceanográfico Woods Hole 
Esta larva de 'Ceriantharia' já começou a capturar alimento com os tentáculos que usará na fase adulta. A barriga escura sugere que ela já é uma boa 'caçadora', mesmo medindo apenas 1 centímetro 

'Vida nova'
Calcula-se que o número de micróbios nos oceanos fique na ordem de 10 à 30ª potência, ou 1 nonilhão.
Se fossem reunidas e retiradas do mar, as criaturas microscópicas pesariam o equivalente a 240 bilhões de elefantes africanos.
Estes seres constituem algo entre 50% e 90% da biomassa dos oceanos e são considerados vitais para o funcionamento do planeta.
No entanto, só nos últimos dez anos a tecnologia possibilitou revelar a extensão da diversidade de vida.
"Em nenhuma outra área da vida oceânica a magnitude das descobertas do censo foi tão extensa quanto no mundo dos micróbios", disse o coordenador da pesquisa sobre micróbios, Mitch Sogin, do Laboratório de Biologia Marinha em Woods Hole, Massachussetts, nos Estados Unidos.
Banco de dados
A pesquisa extraiu amostras de 1,2 mil locais no mundo e criou um banco de dados com 18 milhões de sequências de DNA, todas de micróbios.
O resultado disso é que a comunidade científica está revendo dramaticamente estimativas anteriores de biodiversidade: podem existir até cem vezes mais gêneros (a categoria entre família e espécie) de micróbios do que se acreditava até então.
Até o momento, de acordo com o vice-presidente do conselho científico do projeto, John Baross, da Universidade de Washington, foram identificados e isolados cerca de 20 mil micróbios marinhos.
No entanto, o censo indica que, dentro de um intervalo de tamanho determinado, mais de 20 milhões de tipos de bactérias vivam no oceano.
"O número total de espécies de micróbios marinhos, incluindo tanto dos grupos bacteria quanto archea, baseando-se na caracterização molecular, esteja provavelmente perto de 1 bilhão", afirmou Baross.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bbc/ult272u723843.shtml
http://www.bbc.co.uk/portuguese/

terça-feira, 20 de abril de 2010

Alimentação durante trabalho de parto está liberada

20/04/2010 - 12h36

Alimentação durante trabalho de parto está liberada


JULLIANE SILVEIRA
da Reportagem Local
Em nome do conforto, vale até comer enquanto o bebê não chega. Uma revisão recente de cinco estudos científicos concluiu não haver provas de que a alimentação durante o parto normal faz mal à mulher.

Rafael Hupsel/Folha Imagem
A fisioterapeuta Luciana Morando, que almoçou e lanchou no dia do nascimento de Guilherme

O trabalho avaliou dados de 3.130 mulheres e foi publicado pela Cochrane, rede internacional de revisão de pesquisas.
A crença de que a mulher deve ficar em jejum vem dos anos 1940, quando foi levantado o alerta de que, durante uma anestesia geral, haveria maior risco de vômito e de o alimento do estômago ser aspirado pelos pulmões, causando problemas à paciente.
Mas a anestesia aplicada na gestante só atinge o abdômen e os membros inferiores, tornando mínimo o risco de reaspiração dos alimentos. "Muitos médicos têm receio de ser necessária uma anestesia geral, mas isso é raro e atípico", diz o ginecologista Alberto d'Auria, diretor do grupo Santa Joana.
Na verdade, a alimentação pode ajudar a mulher: como ela pode esperar até 16 horas para o bebê nascer, precisa de uma fonte de energia. "Se sente fome, é sinal de que há algum nível de hipoglicemia. É mais saudável oferecer comida do que dar glicose na veia", acrescenta.
A exceção ocorre no caso de uma cesariana agendada. A cirurgia requer oito horas de jejum para alimentos sólidos e seis horas para líquidos.
"Se o parto for normal, mas houver suspeita de que a mulher não vai ter dilatação, também é melhor evitar a alimentação", diz a ginecologista Márcia da Costa, coordenadora médica da maternidade do Hospital São Luiz -unidade Itaim.
Experiência
A fisioterapeuta Luciana Morando, 27, já sabia que poderia se alimentar durante as contrações, caso sentisse fome.
Foi internada às 11h, e seu filho, Guilherme Mendes Morando, nasceu depois das 20h, tempo suficiente para ela almoçar e lanchar. "Achei importante comer. Parto é trabalho mesmo. Tive mais energia para o momento da expulsão."
Os alimentos devem ser leves como grelhados, purê, arroz e vegetais, para não piorar um eventual mal-estar causado pela dor, segundo a ginecologista Márcia da Costa. "Se ela estiver indisposta, pode tomar sopa. Vai do desejo da paciente." Se ela estiver sem apetite, o médico pode manter os níveis de glicemia com soro.
 http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u723412.shtml

segunda-feira, 19 de abril de 2010

Transplante de pele para pessoas com vitiligo

19/04/2010 - 11h38

Transplante de pele é alternativa para pessoas com vitiligo


FERNANDA BASSETTE
da Reportagem Local
Pacientes com vitiligo que estão com a doença estabilizada e têm manchas pequenas e localizadas têm uma alternativa segura e eficaz de tratamento: o transplante de células saudáveis de pele para os locais afetados. A conclusão é de um estudo apresentado em março na reunião da "American Academy of Dermatology" (EUA).
Vitiligo é uma doença autoimune, caracterizada pelo surgimento de manchas brancas pelo corpo. Elas são causadas pela destruição ou inatividade dos melanócitos -células produtoras de melanina, responsável pela pigmentação da pele. Atinge com mais frequência as extremidades e o rosto.
Pesquisadores do Hospital Henry Ford (Detroit) fizeram o transplante de células da pele em 32 pacientes. Depois de seis meses, constataram a repigmentação, que variou de 52% a 74% da cor natural da pele.
Os pacientes negros, com vitiligo em apenas um lado do corpo, apresentam os melhores benefícios com a técnica.
O transplante de pele para pacientes com vitiligo é feito no Brasil, mas por poucos dermatologistas. Carlos Machado, coordenador do Centro de Estudos do Vitiligo da Faculdade de Medicina do ABC, é um dos principais especialistas na área e reúne 500 casos de pacientes transplantados com sucesso.
A média de repigmentação que ele observou é a mesma da pesquisa americana -cerca de 60% da área atingida. "O transplante é uma das poucas técnicas que proporcionam índice de resultado acima de 60%. Nenhum tratamento clínico atinge esse índice de recuperação."
Machado acrescenta, entretanto, que o transplante é um complemento ao tratamento clínico e não deve ser usado como método isolado. "Quem faz o transplante precisa continuar tomando os medicamentos, para que a doença não volte a se manifestar", afirmou.
Como é a cirurgia
O procedimento é feito com anestesia local. Engloba o transplante de melanócitos e queratinócitos (responsáveis pela síntese de queratina, formando 80% da epiderme). "As células sadias são "plantadas" na pele branca. Com o tempo, invadem essa pele e se multiplicam, colorindo o local. No fim do primeiro mês já dá para ver resultados", diz Machado.
Nem todo paciente com vitiligo pode fazer o transplante. Alguns critérios básicos como estar com a doença inativa, não ter respondido ao tratamento clínico convencional e ter o vitiligo localizado (restrito a uma área pequena) precisam ser respeitados pelos médicos antes de indicar a cirurgia.
Segundo o dermatologista Celso Lopes, do ambulatório de vitiligo da Unifesp, todo paciente com vitiligo precisa começar pelo tratamento clínico padrão. "Isso inclui uso de corticoides, uso de suplementos que combatem os radicais-livres, fototerapia e aplicação de laser", enumera.
Fatores que limitam os transplantes, diz Lopes, são o diagnóstico tardio e a ausência de técnicas modernas na rede pública. "O paciente chega com manchas por todo o corpo, quando o transplante não é mais eficaz. E a fila para fototerapia é de mais de um ano", diz.
Luiz Gonzaga de Castro, dermatologista da Universidade Federal de Pernambuco, concorda. "O transplante não é o tratamento de primeira escolha e não deverá se tornar padrão tão cedo", avalia.

Editoria de Arte/Folha Imagem 
http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u722836.shtml

domingo, 18 de abril de 2010

Sapos podem prever terremotos

Estudo sugere que sapos podem prever terremotos

Matt Walker
BBC Earth News

Um estudo britânico sugere que os sapos são capazes de perceber a aproximação de um terremoto e fugir de seu habitat poucos dias antes de um tremor.
A pesquisa, publicada na edição desta semana da revista científica Journal of Zoology, foi realizada antes, durante e depois do sismo de 6,3 graus de magnitude que atingiu a cidade italiana de Áquila em 6 de abril de 2009.
A bióloga Rachel Grant, da Open University, na Inglaterra, estava observando diariamente o comportamento de várias colônias de sapos no lago de San Ruffino, a 74 quilômetros do epicentro do terremoto, quando o tremor atingiu a região.
Durante suas observações, iniciadas 29 dias antes do sismo, a bióloga percebeu um comportamento estranho na colônia.
Cinco dias antes do terremoto, o número de machos na colônia que estava em processo de procriação diminuiu 96%.
Segundo o estudo, esse tipo de comportamento é muito incomum para os machos, já que depois do acasalamento normalmente eles permanecem na área de procriação até o fim da desova. Mas a desova mal tinha começado no lago de San Ruffino quando a terra tremeu.

  Os sapos costumam perceber que estão em perigo

 Grant observou também que três dias antes do terremoto, o número de pares em processo de acasalamento caiu para zero repentinamente.
Além do repentino desaparecimento dos sapos, o estudo ainda verificou que não houve desova na colônia nos seis dias que antecederam o sismo e nos seis dias posteriores ao tremor em Áquila.
“Nosso estudo é um dos primeiros a registrar o comportamento animal antes, durante e depois de um terremoto”, afirmou Grant.
A bióloga acredita que os sapos tenham escapado para locais mais altos, provavelmente onde correriam menos risco de serem atingidos por desmoronamentos e enchentes.
Perceber o perigo
Apesar de identificar o comportamento dos sapos no ciclo do terremoto, o estudo não esclarece com precisão o mecanismo que permitiria aos anfíbios perceber a chegada de uma atividade sísmica.
A pesquisa afirma que a mudança no comportamento dos sapos coincidiu com problemas detectados na ionosfera – a mais alta camada eletromagnética da atmosfera terrestre.
Cientistas já haviam relacionado essas mudanças na atmosfera à emissão do gás radônio, ou ondas gravitacionais, antes de um terremoto.
No caso do tremor em Áquila, Grant não soube determinar o que teria causado as mudanças na ionosfera. Mas, segundo ela, os resultados da pesquisa sugerem que os sapos são capazes de detectar alguma alteração antes dos sismos.
“Nossas descobertas sugerem que os sapos são capazes de detectar pistas pré-sísmicas como a emissão de gases e partículas carregadas, e usar essas pistas como uma forma de sistema de alerta precoce de terremotos”, afirmou a bióloga.
É difícil realizar trabalhos científicos para apurar como os animais respondem a atividades sismológicas, em parte porque terremotos são raros e imprevisíveis.
Alguns estudos se concentraram no comportamento de animais domésticos, mas é mais difícil avaliar a resposta de animais selvagens. Além disso, o prazo para se avaliar uma reação também pode ser muito curto. Peixes, roedores e cobras tendem a mudar de comportamento muito pouco tempo antes de um terremoto.

Médicos implantam prótese que ‘cresce’

Médicos implantam prótese que ‘cresce’ em menina no Texas

Uma menina de 9 anos foi a primeira paciente de câncer no Texas, nos Estados Unidos, a se beneficiar de um procedimento médico que permite que a prótese de um osso “cresça” sem que sejam necessárias novas cirurgias.
Morgan LaRue foi diagnosticada com osteossarcoma (um tipo de câncer que afeta os ossos) em dezembro passado e, depois de passar por quimioterapia, foi operada para a retirada de um tumor em março no Texas Children’s Cancer Center, do Texas Children's Hospital, em Houston.
No lugar do osso, os médicos colocaram uma prótese de metal que pode ser estendida magneticamente, sem a necessidade de cirurgia. Isso vai evitar que a menina passe por cerca de 10 novas cirurgias para aumentar a prótese e manter a perna esquerda da mesma altura que a direita.

 Morgan teve a perna estendida nesta semana, no hospital (Foto: Texas Children's Hospital/Paul Kuntz)
Apesar de a técnica desenvolvida por médicos britânicos ser amplamente utilizada na Europa, ela ainda não foi aprovada pelas autoridades de saúde americanas, e a família de Morgan teve que pedir uma autorização especial para adotar o procedimento. Até hoje, apenas 15 pacientes passaram pelo procedimento nos Estados Unidos.
Sem a autorização, o seguro médico da menina não pagaria os custos do tratamento, nem o valor da prótese. A prótese é feita especialmente para cada paciente.
Nesta semana, ela foi ao hospital pela primeira vez desde a operação para estender a perna magneticamente.
Ao colocar a perna em uma espécie de cilindro magnético, os médicos conseguiram estender a prótese sem ter que fazer qualquer intervenção cirúrgica.
“A diferença que esta prótese faz para a Morgan é incrível”, disse o cirurgião Rex Marco, que realizou a operação. “A qualidade de vida dela será muito mais alta do que se ela tivesse que realizar cirurgias constantemente.”
“Morgan já passou por muito tratamento para seu câncer”, disse sua oncologista Lisa Wang, “e isso vai impedir que ela passe por novas e desconfortáveis cirurgias”.
O osteossarcoma é o tumor maligno ósseo mais comum na infância. Normalmente ele afeta ossos dos membros e ocorre na segunda década da vida.
Entre 60% e 70% das crianças com osteossarcoma localizado (sem evidências de que tenha se espalhado) sobrevivem à doença, depois do tratamento.
“Morgan sempre manteve a atitude de ‘eu vou vencer isso’, mesmo quando passou por uma série de sessões de quimioterapia e outros procedimentos médicos”, disse a mãe dela, Ashley LaRue.
“Ela tem sido impressionante. Estamos muito felizes porque ela não vai precisar passar por outras cirurgias apenas para estender suas pernas.”
http://www.bbc.co.uk/portuguese/noticias/2010/04/100416_pernaprotese_ba.shtml

sábado, 17 de abril de 2010

Cirurgiões plásticos tentam reduzir riscos

14/04/2010 - 07h31

Cirurgiões plásticos tentam reduzir riscos com novos critérios

IARA BIDERMAN
colaboração para a Folha

A SBCP (Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica) prepara um documento com novas normas de segurança para o paciente. Entre as principais mudanças estão a limitação de número de procedimentos em uma só cirurgia; a definição de exames a serem exigidos antes da operação; as restrições para a cirurgia em adolescentes e a especificação do tipo de anestesia para cada caso.
O último documento do CFM (Conselho Federal de Medicina) sobre a especialidade é de 2003.
As novidades tecnológicas e o aumento do número de procedimentos justificam, segundo os médicos, a revisão de normas definidas há sete anos. A estimativa é que sejam feitas 700 mil cirurgias estéticas por ano no Brasil.
Além disso, mortes recentes durante esse tipo de cirurgia tornaram o tema prioritário. "Queremos colocar na mesa um guia explicitando as normas de segurança do paciente. É em cima dessas regras claras que podemos cobrar o médico e diminuir a margem de risco das cirurgias. As mortes [durante as cirurgias plásticas] trazem o assunto à tona, mas já estávamos trabalhando esse tema antes dos últimos acontecimentos", diz Sebastião Nelson Edy Guerra, presidente da SBCP.
Em janeiro deste ano, a jornalista Lanusse Barbosa, 27, morreu durante procedimento de lipoaspiração feita em clínica de Brasília. O médico tinha título de especialista pela SBCP. No último dia 2/4, Kelma Macedo Ferreira Gomes, 33, assessora do ministro das Cidades, morreu sete dias após ter feito uma lipoescultura em um hospital de Goiânia.
Segundo Guerra, a maioria dos problemas relacionados à cirurgia plástica ocorre nos procedimentos feitos com médicos que não têm o título de especialista: "Dados do Cremesp (Conselho Regional de Medicina de São Paulo) mostram que 97% dos erros foram feitos por profissionais que não eram cirurgiões plásticos", diz.
O presidente da SBPC afirma que a sociedade vai pressionar as autoridades para impedir que médicos não capacitados realizem esse tipo de cirurgia. Não há lei impedindo que um médico de outra especialidade faça cirurgia plástica. "Há curso de lipoaspiração de um final de semana. Isso não qualifica ninguém", diz Pinheiro.
A revisão dos critérios para a elaboração de um protocolo, que deve ser seguido por todos os cirurgiões plásticos, é uma forma de diminuir a margem de erro nos procedimentos feitos pelos especialistas.
"Estamos discutindo nas reuniões como serão essas normas", diz Osvaldo Saldanha, diretor científico da SBCP.
É isso que será feito na Jornada Sul Brasileira de Cirurgia Plástica, aberta hoje em Curitiba. A segurança do paciente também foi discutida no Simpósio Internacional de Cirurgia Plástica, realizado em março em São Paulo, e na Jornada Centro-Oeste de Cirurgia Plástica, que ocorreu em Campo Grande neste mês. A finalização do protocolo deve ocorrer até o final do ano, quando será realizado o Congresso Brasileiro de Cirurgia Plástica.

Editoria de Arte/Folha Imagem

 http://www1.folha.uol.com.br/folha/equilibrio/noticias/ult263u720563.shtml

Sanguessuga amazônica vive no nariz


Descoberta sanguessuga da Amazônia que vive em narina humana

Exemplar foi achado em menina peruana; espécie existiria há 200 mil anos.

16 de abril de 2010 | 9h 39
 
Cientistas anunciaram a descoberta de uma nova espécie de sanguessuga que tem a tendência de viver em narinas humanas.
Segundo os pesquisadores, ela pode entrar nos orifícios do corpo de pessoas e animais e aderir às membranas mucosas.
Eles deram à nova espécie o nome de Tyrannobdella rex, que significa "sanguessuga rainha tirana".
A criatura, que vive em áreas remotas do alto Amazonas, foi descoberta em 2007, no Peru, quando uma espécie foi retirada do nariz de uma menina que tinha se banhado em um rio.
Renzo Arauco-Brown, da Escola de Medicina da Universidade Cayetano Heredia, em Lima, extraiu a sanguessuga do nariz da garota e enviou a amostra para um zoólogo nos Estados Unidos.
Mark Siddall, do Museu Americano de História Natural, em Nova York, reconheceu rapidamente que se tratava de uma nova espécie. Segundo ele, a criatura tinha algumas características muito incomuns, como uma única mandíbula, oito dentes grandes e genitália minúscula.

 Animal pode aderir às mucosas

 A líder do estudo, Anna Phillips, uma universitária ligada ao museu, disse: "Nós achamos que a Tyrannobdella rex é parente próximo de outra sanguessuga que entra na boca de gado no México."
Uma análise de DNA revelou também uma "relação evolucionária" entre sanguessugas que vivem em regiões distantes. Isto sugere a existência de um ancestral comum, que pode ter vivido quando os continentes estavam unidos em uma única extensão de terra chamada Pangaea.
Siddall explicou: "As espécies mais antigas desta família de sanguessugas compartilhavam a Terra com os dinossauros, há cerca de 200 milhões de anos."
"Alguns ancestrais do nosso T. rex podem ter vivido no nariz de outro T. rex", afirmou, em uma referência o dinossauro Tiranossauro rex.
A pesquisa foi divulgada na revista científica online PLoS One.
Os cientistas acreditam que podem existir até 10 mil espécies de sanguessuga. Já foram descobertas entre 600 e 700. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC. 
http://www.estadao.com.br/noticias/geral,descoberta-sanguessuga-da-amazonia-que-vive-em-narina-humana,539164,0.htm

sexta-feira, 16 de abril de 2010

Impermeabilização urbana e a canalização dos rios têm agravado os alagamentos em Salvador

15.04.2010 às 19:39

Ex-diretor do Ingá diz que alertou prefeito sobre riscos do Canal do Imbuí

Em conversa hoje com o Política Livre, o vice-presidente do PT e ex-dirigente do Ingá Júlio Rocha disse que o órgão alertou a Prefeitura de Salvador sobre os riscos de obras de intervenção em “corpos hídricos urbanos”, a exemplo das realizadas no Canal do Imbuí, inclusive após indicação de condicionantes na outorga concedida ao executivo municipal.
Segundo Rocha, a posição unânime entre técnicos e estudiosos do assunto é que a impermeabilização urbana e a canalização dos rios têm agravado os alagamentos em Salvador, que tendem a piorar nos próximos anos. Além disso, Rocha sustenta que ”Salvador precisa de um plano de macro-drenagem de forma urgente para que políticas públicas efetivas possam ser executadas, evitando-se calamidades conhecidas.”
Aliás, o custo financeiro do plano é muitíssimo inferior ao da obra do Rio das Pedras, observa, lembrando que, enquanto estão sendo investidos no local R$ 58 mi, um plano de macro-drenagem, que identificaria as bacias hidrográficas e os fluxos das águas na cidade a fim de serem adotadas medidas preventivas com as enchentes, custaria apenas R$ 2,5 mi.
“A cidade precisa recuperar seus rios e proteger o bem-estar dos seus habitantes”, diz o ex-diretor do Ingá.
http://www.politicalivre.com.br/2010/04/ex-diretor-do-inga-diz-que-alertou-prefeito-sobre-riscos-do-canal-do-imbui/

03/01/2010 às 09:34
  | ATUALIZADA EM: 03/01/2010 às 10:51 | COMENTÁRIOS (14)

Chuva provoca transbordamento do Canal do Imbuí 

Iracema Chequer | Ag. A Tarde

Imbuí amanhece alagado após chuva desta madrugada em Salvador

O canal do Imbuí, que passa por obras de revitalização, transbordou com a chuva da manhã deste domingo, 3, alagando as ruas da região. Na avenida Jorge Amado, em frente ao Condomínio Quintas do Imbuí, os motoristas encontram dificuldades para passar devido à água empoçada.
A Coordenadoria de Defesa Civil de Salvador (Codesal) registrou ainda mais um alagamento no bairro de Lobato, um desabamento de casa no Engenho Velho da Federação e um deslizamento de terra na Engomadeira.
http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=1328602

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Freeing human eggs of mutant mitochondria

Published online 14 April 2010 | Nature | doi:10.1038/news.2010.180

Freeing human eggs of mutant mitochondria

Transmission of mitochondrial diseases from mother to offspring could be prevented.
 Transferring DNA from one fertilized egg to another could help prevent the transmission of some inherited diseases.
The British team carrying out the study used fertilized eggs donated by couples undergoing fertility treatment, and which were unsuitable for in vitro fertilization (IVF). At this early stage the sperm and egg nuclei, which contain most of the parental genes, have not yet fused. The researchers removed these nuclei and transferred them into another fertilized egg cell which had had its own nuclei removed.
As very little cytoplasm was transferred with the nuclei, the transfer left behind almost all the mitochondria from the donor egg. The researchers then grew the manipulated embryos for 6 to 8 days to determine whether they were able to continue development, and tested for the presence of donor mitochondrial DNA. Their work is published online by Nature today1.
Last year, researchers in the United States used a similar technique in monkeys; four embryos developed to term, and so far seem to be healthy and normal2.
"It's very exciting," says David Thorburn, a geneticist who studies mitochondrial diseases at the Murdoch Childrens Research Institute in Melbourne. "It's a real shot in the arm for families that have had their children die from these various diseases."

Proof of principle


As many as 1 in 250 people carry a potentially disease-causing mitochondrial mutation. Mutations in mitochondrial DNA, when passed down from a mother to her offspring, are linked to diseases causing neurological, muscle and heart problems, as well as deafness and type 2 diabetes.
Many people carry a mixture of normal and mutated mitochondrial DNA — a proportion of more than 50% or so of mutant mitochondria is needed to cause disease — but the percentage of mutated mitochondrial DNA that will be transmitted from mother to child is almost impossible to predict, says Thorburn.


Porting the nuclear DNA of an affected egg into an unaffected one could provide a solution for women at high risk of bearing severely affected children, says Douglass Turnbull at Newcastle University, one of the lead authors of the new study. Working with abnormally fertilized eggs unsuitable for IVF — for example, those fertilized by two sperm instead of one — Turnbull and his team transferred nuclei from 80 embryos just after fertilization. Of those, 18 continued to develop to beyond the eight-cell stage, and a small number of those reached the blastocyst stage of 100 cells. On average, the procedure carried over about 2% of mitochondrial DNA from the donor to the recipient embryo, which would not be enough to cause disease.
"We've proved in principle that this sort of technique can be used to prevent transmission of mitochondrial diseases in humans," says Turnbull. The task now, he says, is to show that the technique is safe and to boost the survival rate of manipulated embryos — factors that were difficult to assess in this study because abnormally fertilized eggs develop less well than normal embryos.

 

Human hopes


Nevertheless, twice the number of unmanipulated abnormally fertilized eggs developed to blastocyst stage compared with the manipulated eggs, suggesting that the technique needs some tweaking, notes Shoukhrat Mitalipov at Oregon Health & Science University in Portland, whose lab published the work on monkeys. Mitalipov's group used a slightly different method, transferring the nuclear DNA from unfertilized eggs. Using fertilized eggs may pose an ethical problem, he says, as the transplantation procedure destroys the donor embryo.


Turnbull and his colleagues are currently working with the Human Embryology and Fertilisation Authority, the UK body that licenses research on embryos, to determine what further studies must be done before a human embryo that has undergone the procedure can be brought to term. "There isn't a license in place to do this at the moment," he says. Mitalipov, too, plans to seek approval from the US Food and Drug Administration to use his technique in vivo, which is likely to prove challenging because gene therapy involving human eggs and sperm is highly restricted on ethical grounds.
Regardless of the technique, says Thorburn, the researchers will have to show that mixing different nuclei and cytoplasms does not affect normal development. Even succesful trials in monkeys will not prove that the technique will be succesful in humans, he notes. "I guess every IVF approach has been to some extent a leap of faith."

 http://www.nature.com/news/2010/100414/full/news.2010.180.html

Chimpanzés reconhecem injustiças contra colegas

12/04/2010 - 12h03

Chimpanzés reconhecem injustiças contra colegas, mostra estudo

da New Scientist
Chimpanzés reconhecem injustiças mesmo quando não dizem respeito a eles mesmos. Esta percepção em relação aos outros pode ser uma forma rudimentar da justiça social que caracteriza as sociedades humanas.
Em estudos anteriores, diversos primatas de grande e pequeno porte --e até cães-- responderam mal ao receberem recompensas menores para a mesma tarefa que deu a outros prêmios melhores. Mas nenhum desses animais aparentemente reconheceu injustiças em relação a outros.
Sarah Brosnan, primatologista da Universidade de Geórgia, em Atlanta (EUA), e seus colegas treinaram chimpanzés em cativeiro para trocar fichas por petiscos. Depois, avaliaram como pares do mesmo sexo reagiam a diversos níveis de compensação.

Kelly Kerr/AP

Como esperado, os primatas tenderam mais a rejeitar uma cenoura sem graça quando seu parceiro ganhava uma deliciosa uva pela mesma ficha. E, surpreendentemente, eles também se mostraram mais inclinados a rejeitar a uva se seus parceiros ganhavam apenas uma cenoura.
Nos experimentos anteriores, outros grupos de chimpanzés não se mostraram sensíveis a injustiças contra outros indivíduos. É possível que os animais do estudo de Brosnan tenham rejeitados as uvas em parte devido à proximidade física dos menos afortunados --ou seja, por temerem algum tipo de retaliação--, sugerem os pesquisadores.
http://www1.folha.uol.com.br/folha/bichos/ult10006u719511.shtml

Nutrigenômica Aplicada (Artigo sugerido pelo aluno do Colégio Acadêmico Villas - Vitor Parente)

Nutrigenômica Aplicada 

Esta é a tradução de um artigo em inglês, mais especificamente uma entrevista, que foi publicada dia 09/01/2008 na revista eletrônica Testosterone Nation, cujo endereço se encontra no final do artigo.
Não me responsabilizo por eventuais erros gramaticais ou mesmo de interpretação, pois não sou formado em letras, nem tenho fluência em inglês.

Nutrigenômica aplicada
Onde os Genes e os Alimentos andam juntos
Por Dr. John M. Berardi, PhD, CSCS

Nutrigenômica: O estúdo de como os genes e os nutrientes interagem.

Até recentemente eu sabia que este campo da ciência era uma área excitante que algum dia deveria mudar o futuro da nutrição, medicina, e outras áreas.
Mesmo assim na minha mente toda esta loucura de coisas gene-nutrientes continuava envolta em mistérios. Eram coisas futuristas, mais do que objetos de estudo de fisiologistas, nutricionistas e especialistas em saúde poderiam usar no seu dia a dia.
Há seis meses atrás eu tive a sorte de me sentar com um pequeno grupo de leitura guiado por um dos tops mundiais da pesquisa nutrigenômica, Dr. Ahmed El-Sohemy. Quando eu ouvi Dr. El Sohemy falar, eu entendi que estava errado. Com a conclusão do Projeto Genoma Humano e com as últimas descobertas nutricionais, estava claro que a nutrigenômica não seria futuro para a medicina por muito tempo. Ela está presente hoje. E está sendo aplicada por especialistas todos os dias. Assim que me sentei na audiência, meus neurônios pegaram fogo como uma queima de fogos. Existia muita informação passando por mim e minha caneta não podia se mover rápido o suficiente para registrar tudo. Eu sabia que tinha que me sentar e entender o cérebro do Dr. El Sohemy. Aqui está o que conversamos da última vez.

John Berardi: Dr. El-Sohemy, obrigado por nos conceder esta entrevista. Ela será muito apreciada e sei que todos que lerem ficarão fascinados pelo seu trabalho.
A poucos meses atrás, você apresentou alguns dados muito interessantes mostrando como a informação genômica pode afetar nosso entendimento da nutrição e ciência do nutriente. Em outras palavras, você explicou como os genes podem determinar nossas respostas aos alimentos que ingerimos, aos suplementos que tomamos, e mais.
Para estes leitores não familiarizados com a área da pesquisa, você pode descrever brevemente o campo da nutrigenômica?
Dr. Ahmed El-Sohemy: Nutrigenômica, as vezes chamada genoma nutricional, investiga como os nutrientes interagem com os nossos genes afetando assim nossa saúde. As questões que nós normalmente fazemos são: “Quanto de cada nutriente deve uma pessoa consumir?” e, “Quais são os efeitos biológicos de um suplemento específico?”
Existem basicamente dois métodos que nós usamos para investigar estas questões.
Primeiriamente, nós observamos quais as variações comuns encontradas em todo o genoma humano que explicam diferenças individuais nas respostas ao consumo alimentar.
Por exemplo, esta área da pesquisa explica porque algumas pessoas podem ter uma dieta com altas taxas de gordura e não terem problemas com seus níveis de colesterol, enquanto outras experimentam uma resposta oposta.
Esta linha de pesquisa, as vezes chamada de nutrigenética, nos permite compreender porque alguns indivíduos respondem de forma diferente de outros consumindo os mesmos nutrientes.
O segundo método que os pesquisadores nutrigenômicos usam é a investigação de como nutrientes e componentes bioativos nos alimentos ativam ou desativam certos genes – estes genes englobam metabolismos e processos fisiológicos importantes no corpo.
Por exemplo, pesquisadores identificaram componentes encontrados no brócolis que quando em contato com um gene específico ajudam o corpo a desentoxicar algumas substâncias químicas as quais estamos expostos.
É claro, esta linha de pesquisa nos ajuda a entender os mecanismos por trás de um alimento, e componentes específicos presentes nestes alimentos, que podem influenciar nossa saúde.
Berardi: Isto é realmente muito interessante, especialmente sabendo que as pessoas cada vez mais dizendo na área da nutrição, “Você tem que achar o que funciona para você.” Muitas vezes isto significa muitas tentativas e erros.
Essencialmente o campo da nutrigenômica está ajudando a explicar porque você tem que achar o que funciona para você, assim como ajuda a determinar o que irá funcionar para seu tipo genético.
Antes de mergulhar profundamente na sua pesquisa, eu estava curioso. Como alguns como você foram se envolver no campo da nutrigenômica? Qual foi seu motivo?
Dr. El-Sohemy: Meu primeiro interesse esta área foi há cerca de 10 anos atrás, muito antes de existir o termo “nutrigenômica”. Atualmente eu estou trabalhando no meu PhD em ciência nutricional e pesquisando os efeitos do colesterol sobre o câncer usando roedores como cobaias. Um dos meus experimentos deu resultados totalmente inesperados. Na verdade, eles foram completamente opostos dos publicados por outros pesquisadores. Mesmo assim eu descobri, que o tipo de rato que eu usei metabolisava o colesterol de forma um pouco diferentemente das outras espécies usadas em experimentos prévios. A técnica usada no estudo era virtualmente idêntica aos estudos anteriores, e a única diferença real era a base genética dos animais.
Eu percebi a importância de se considerar a genética quando se estuda nutrição e ocorreu a mim que as diferenças genéticas entre humanos também poderiam explicar porque algumas pessoas respondem de forma diferente de outras.
Então eu decidi fazer alguns cursos de genética e completar o mestrado de biologia molecular. Após terminar meu PhD na Universidade de Toronto, eu fui para Harvard através de um convênio para continuar este tipo de pesquisa em humanos.
Berardi: Foi assim que você se tornou um pioneiro neste campo. E é muito importante que nós tenhamos caras como você com bases sólidas em bio e genética procurando por algumas das mais importantes questões nutricionais.
Como nossos genes podem interferir nas nossas respostas pessoais aos alimentos que consumimos e as drogas que tomamos?
Dr. El-Sohemy: Bem, pra começar, nós sabemos já há algum tempo que alguns indivíduos respondem de forma diferente a certas drogas. Na verdade, muito do trabalho pioneiro em farmacogenética foi feito a décadas atrás na Universidade de Toronto.
Mas o conceito de medicina personalizada data de antes de 480 AC quando Hipócrates, o pai da medicina moderna, notou que “Boa saúde requer o conhecimento da constituição primária dos homens e dos poderes dos vários alimentos, naturais para estes e os quais resultem em resistência aos homens."
A palavra “constituição” é uma clara referência ao nosso perfil genético e “alimentos resultando em resistência aos homens” pode ser vista como uma dieta suplementar e de alimentos funcionais que agora nós temos a nossa disposição.
Assim como as drogas, quando falamos em nutrientes nós usamos isto nas nossas dietas ou nos suplementos que tomamos, nossos genes podem responder de forma diferente dos nossos descendentes.
Aqui está um exemplo: Certos genes podem afetar a taxa de absorção, distribuição, matabolismo, ou excreção de quase tudo que consumimos. E estas diferenças podem resultar em extrema variabilidade em como nós iremos responder.
O gene mencionado anteriormente, o qual pode ser ativado por compostos encontrados no brócolis, está atualmente em falta em cerca de 20% da população. Então algumas pessoas não serão beneficiadas pela desintoxicação.
Entender as bases desta variabilidade certamente nos ajudará a fazer algumas coisas. Primeiramente, poderia ajudar a explicar algumas inconsistências sobre estudos anteriores sobre nutrientes, suplementos, e outros bioativos. Secundariamente, isto poderá nos ajudar a entender o que devemos comer ou quais suplementos usar baseados no nosso perfil genético.
Berardi: De fato, eu tenho notado estas diferenças baseadas na genética, a resposta fisiológica a uma certa droga ou suplemento pde ser 70 vezes diferente com a mesma dose entre dois indivíduos. Enquanto isto parece chocar, continua a fazer sentido.
Por exemplo, algumas pessoas respondem a suplementação com creatina com um grande aumento na performance e aumento de massa magra enquanto outras não tem nenhuma resposta. Por isso, é provável que um ou mais degrais – absorção, distribuição, metabolismo ou excreção – estejam influindo nestes genótipos diferentes, levando a uma resposta diferente.
Eu sei que você está pesquisando de forma muito séria o consumo de cafeína. O que seu laboratório está mostrando?
Dr. El-Sohemy: No último ano, nós publicamos um estudo no jornal da Associação Americana de Mecina para demonstrar que em alguns indivíduos, o consumo de café cafeinado reduziu o risco de ataque cardíaco. Mas em outros indivíduos a mesma dose aumentou o risco de ataques.
Berardi: Se eu entendi, eu responderei conforme os genes.
Dr. El-Sohemy: Exatamente. Indivíduos que tem o que chamamos de uma versão “lenta” do gene CYP1A2 (um gene que metabolisa a cafeína no fígado) terão um risco aumentado de ataque cardíaco se aumentar o consumo de cafeína.
Da mesma forma, aqueles que tem uma versão “rápida” do gene CYP1A2, terão o risco diminuído se aumentarem moderadamente a adição de cafeína (1 a 3 copos por dia).
Berardi: Como as pessoas notam esta diferença?
Dr. El-Sohemy: Estes achados sugerem que o café cafeinados somente aumenta os problemas coardíacos naqueles que tem uma capacidade limitada de metabolizar a cafeína.
Ao mesmo tempo em que as pessoas que possuem a versão “rápida” do gene talvez se beneficiem porque elas podem metabolisar a cafeína rapidamente, se livrando desta enquanto preserva os anti-oxidantes “saudáveis” do café. São estes antioxidantes, e não a cafeína que talvez ofereçam proteção para o coração.
Então, no final, a cafeína em si provavelmente não seja boa para ninguém em termos de problemas cardíacos. Mas se você puder se livrar dela rapidamente por ser um metabolisador rápido de cafeína, então você talvez possa se beneficiar dos outros compostos presentes tanto no café quanto no chá, ambos sendo muito boas fontes de antioxidantes.
Mesmo assim, ser um metabolisador “rápido” de cafeína não fará de você necessariametne um metabolisador “rápido” de qualquer outra substância alimentar. As enzimas codificadas por cada gene são muito específicas para os compostos que elas metabolisam.
Berardi: Infelizmente para mim, eu não sei qual é o meu genótipo CYP1A2, mas eu amo café expresso! Então eu posso jogar roleta russa com minha saúde toda vez que eu tomo uma xícara de café?
Dr. El-Sohemy: Algumas pessoas pensam que são metabolisadores de cafeína “lentos” só pelo fato de tomar café cedo e se manterem ativas por todo o dia. Mas isto apenas significa que a cafeína é mais efetiva a um receptor específico no sistema nervoso, o qual faz a cafeína agir como estimulante.
Isto não lhe dirá nada sobre o quão rápido a cafeína é quebrada no seu fígado, o principal órgão responsável por metabolisar cafeína. A única forma de saber se você é um metabolisador “rápido” ou “lento” de cafeína é fazendo um teste de DNA.
Meu laboratório roda rotineirametne estes testes usando células que são facilmente obtidas numa raspagem dentro da sua boca. Mesmo assim isto é feito prioritariamente para fins de pesquisa e para cuidados com a saúde, onde também tentamos desenvolver um teste que não precise de um equipamento tão elaborado para processar e analizar o DNA.
Berardi: Não existem alguns centros de saúde progressiva fazendo este tipo de teste genético nos seus pacientes? Se existir, quais as recomendações?
Dr. El-Sohemy: Eu ouvi algo sobre uma compania que declarou ter oferecido o teste de CYP1A2 baseado no seu estudo publicado, mas eu não posso comentar o quão confiável este teste é. Eles não concluíram a pesquisa que nós concluímos.
Berardi: Além da cafeína, existe algum outra intervenção procurando saber como genótipos diferentes respondem a dietas diferentes ou a suplementos nutricionais?
Dr. El-Sohemy: Existem alguns estudos interessantes como este. Exemplso incluem a habilidade do óleo de peixe em baixar os níveis de lipídios sanguíneo, como a redução de gordura saturada afeta os níveis de colesterol no plasma, ou como certos fitoquímicos podem ser mais ativos biologicamente em alguns indivíduos.
Alguns estudos demonstraram que aqueles que possuíam uma particular versão do gene PPARg resondem muito mais favoravelmente a queda lipídica sanguínea sob o efeito do óleo de peixe. Alguns destes estudos são pequenos e os resultados apenas preliminares, mas mesmo assim excitantes.
Estes tipos de estudos mostram que não temos que jogar muito o jogo da advinhação quando tentamos predizer se o óleo de peixe pode favorecer a queda lipídica sanguinea e reduzir nosso risco de problemas cardíacos.
Além de abaixar seus níveis de gorduras saturadas, ele mostrou ser benéfico para muitas outras coisas, mas em algumas pessoas que possuem uma versão particular do gene APOE, ele atualmente tem efeito oposto. Finalizando, chá verde é conhecido por promover muitos benefícios fitoquímicos, mas alguns estudos estão agora mostrando que algumas pessoas metabolisam estes compostos de forma mais lenta e provavelmente não precisam consumir muito para obterem os mesmos benefícios.
Berardi: Esta informação é muito importante e ele realmente transforma em questão cada pedaço de pesquisa concluída até o momento! Além disso, uma população geneticamente misturada, não seria absurda a pesquisa em nutrição estar um pouco inconsistente.
Agora, eu ouvi você falar sobre como os genes não apenas influenciam a saúde, mas eles podem influenciar a preferência por alimentos. O que está sendo visto nesta frente?
Dr. El-Sohemy: Bem, existem cerca de duas dúzias de genes cujos códigos para os receptores de sabor amargo na superfície da língua. E variações destes genes podem explicar porque algumas pessoas acham certos alimentos como brócolis ou couve flor muito amargas. Sim, outros acham estas muito menos amargas.
Os genes também podem afetar os alimentos que nós escolhemos por afetar o sistema de recompensa cerebral (brain's reward system). De fato, diferentes nutrientes e alimentos bioativos possuem diferentes efeitos sobre os neurotransmissores como a dopamina e a serotonina, os quais influenciam nosso temperamento e comportamento. Tudo isso é baseado no nosso genótipo.
Por exemplo, meu laboratório está atualmente investigando por que alguns indivíduos desejam mais açúcar ou carboidratos que outros e porque a cafeína melhora o temperamento de algumas pessoas, mas causa ansiedade em outras.
Berardi: Quais são os neurotransmissores que provocam o desejo por carboidratos e cafeína?
Dr. El-Sohemy: Bem, nós estamos começando a procurar pelo gene que codifica a maioria dos receptores de dopamina, os quais nós pensamos que talvez influenciem o temperamento através de vários alimentos. Nós ainda estamos conduzindo estes estudos no momento e deveremos obter alguns resultados nos próximos meses.
Berardi: Isto é realmente muito importante, e eu tenho certeza que é apenas a ponta do iceberg. Qualquer suposição de pesquisadores de outras áreas serão exploradas num futuro próximo e o que eles encontrarão?
Dr. El-Sohemy: Bem, eu acho que haverá muita coisa que não entenderemos em termos de como os nutrientes interagem com os genes para afetar a saúde, aptidão física e performance. De fato, nós apenas começamos a apreciar a complexidade do genoma humano.
Nós costumamos achar que dois indivíduos são 99,9% iguais, mas eles são provavelmente muito mais diferentes uns dos outros. Assim como o nosso entendimento do genoma humano irá aumentar, ele mudará os tipos de perguntas que nós começaremos a fazer sobre nutrição, e isto mudará a forma de organizar nossos estudos.
Assim como para outras áreas da pesquisa em nutrição, eu acho que estão começando a aparecer alguns trabalhos muito interessantes envolvendo aplicação da nanociência. Isto irá promover mudanças no sistema de distribuição dos nutrientes e alimentos bioativos.
Berardi: Do que estamos falando aqui? O que é nanociência e como ela pode influir na distribuição dos nutrientes?
Dr. El-Sohemy: A Nanociência lida com materiais em uma escala ultra-reduzida (1 nonômetro é um-milionésimo de milímetro).
Se você pegar uma partícula e partí-la em vários outros pedaços, você aumentará a sua área de superfície sem mudar sua quantidade. Uma superfície com mais área fornece mais espaço para as reações químicas e biológicas acontecerem.
Dependendo do tamanho das partículas, a potência total será muito diferente. Isto significa que nós talvez sejamos capazes de usar menos quantidades de suplementos porque nós podemos usá-los de forma mais eficiente.
Berardi: Qual rumo sua equipe está tomando?
Dr. El-Sohemy: Nós temos um número de projetos focados para identificar os fatores genéticos que influenciam o comportamento no consumo de cafeína, assim como fatores genéticos modificam os vários efeitos biológicos da cafeína. Nós também estamos tentando identificar os genes que podem explicar preferências e aversões para determinados alimentos e sabores.
Além disso, meu grupo está procurando identificar variações genéticas que determinem a absorção de vitaminas e outros nutrientes essenciais. Nós realmente temos alguns achados preliminares excitantes apresentaremos na conferência Experimental de Biologia de San Diego em Abril, 2008.
Berardi: Obrigado Dr. El-Sohemy. Nos mantenha informados sobre suas últimas pesquisas.
Dr. El-Sohemy: O prazer foi meu. Eu manterei!


Sobre o Dr. El-Sohemy

O Dr. Ahmed El-Sohemy é um pesquisador internacionalmente reconhecido na área de nutrigenômica. Ele é um Professor Associado e presidente da Canadá Research em Nutrigenômica no Departamento de Ciências Nutricionais, Faculdade de Medicina, na universidade de Toronto.
Em 2004, ele foi eleito um dos top 10 pelo Toronto Star, um jornal de grande circulação no Canadá. Ele é consultado por agências da indústria e governo e atua como revisor científico para várias revistas científicas e médicas, national granting agencies, e international advisory panels.


Sobre o Dr. Berardi

Dr. John Berardi, CSCS, é um autor mundialmente conhecido, Orador e consultor de vários programas para atletas de elite. Além disso é Professor Assistente adjunto da Universidade do Texas em Austin. Para maiores informações sobre o Dr. Berardi e seus programas de nutrição tanto para atletas quanto para exercícios recreacionais, consulte www.precisionnutrition.com.


Fonte:

Testosterone Nation - Muscle With Attitude
Última edição por V_Shape; 11-01-2008 às 07:15 PM.
O Treinamento físico não é uma ciência exata, é uma forma de arte com uma VAGA e inconclusiva base científica - Mark Rippetoe.
 http://www.mundoanabolico.com/vb4/nutricao-arquivo/22430-nutrigenomica-aplicada.html